Categorias

Atualizações

Comentários recentes

Pesquisa

Arquivos

junho 26, 2008

Trecho do Livro: Cachorros Encrenqueiros se Divertem Mais | John Grogan

0 comments
Links patrocinados

Trecho do Livro: Cachorros Encrenqueiros se Divertem Mais | John Grogan

Livros Cachorros Encrenqueiros se Divertem Mais John Grogan Bad Dogs Have More Fun BooksLivro: Cachorros Encrenqueiros se Divertem Mais
Brasil | World

Rapaz, e eu que pensava que meu cachorro era encrenqueiro.

Desde que publiquei uma despedida para meu companheiro de treze anos, Marley, o neurótico e incorrigível labrador retriever, meu correio eletrônico mais parece um programa de TV: "Cachorros encrenqueiros — e os humanos que os adoram".

Durante a semana que passou após minha crônica sobre a morte de Marley, recebi centenas de correspondências de donos de animais de estimação. Eles me enviaram suas condolências (obrigado a todos). Mas queriam principalmente discutir a exatidão das minhas palavras.

Agora sei que errei ao classificar Marley como a criatura mais encrenqueira do mundo. Uma das respostas típicas dizia mais ou menos o seguinte: "o seu cachorro não pode ter sido o pior, porque o MEU é muito pior". E para provar esse ponto de vista todos me forneceram narrativas detalhadas sobre sofás retalhados, armários invadidos e ataques-surpresa cheios de baba.

Por estranho que pareça, praticamente todas as histórias envolviam grandes retrievers, como Marley.

Sandy Chanoff, de Abington, contou: "Alex era o que chamávamos de ‘labrador animado’ com um pouco de déficit de atenção. Ele comeu quase todos os meus sapatos de couro, livros e até o carpete. Sempre nos recebia na porta com alguma coisa na boca, e ficava pulando como se não nos visse há anos. Com o rabo ele derrubava tudo o que estivesse em cima da mesinha de centro. A propósito: nós também fomos expulsos do curso de treinamento". Vocês também, hãn?

Inveja do Diploma

Gracie, uma golden retriever que pertence a Lynne Major e Lynn Lampman, de Drexel Hill, conseguiu conquistar o diploma — e ficou tão excitada que se pôs a pular até destruí-lo. Lynne disse: "Ela é adorável, mas também é meio maluquinha".

Lois Finegan, de Upper Darby, afirmou que meu vira-lata maníaco não tinha nada da síndrome de ansiedade-separação de sua labrador, Gypsy. "Ela era um terror, mordendo as cortinas e as argolas, portas, tapetes, plantas e até a persiana de uma janela."

Outras pessoas falaram de seus cães devorando toalhas de praia, esponjas, areia sanitária e até um anel de diamante (o que definitivamente vai além do gosto de Marley por correntes de ouro).

Mike Casey, de Pottstown, supera todos eles. Ele disse que seu falecido cachorro, Jason, uma mistura de setter irlandês com retriever, certa vez engoliu o tubo de mais de um metro de um aspirador de pó inteirinho — de uma só vez.

Elyssa Burke, de West Goshen, ficou apavorada quando seu cão, Mo (sim, outro labrador extremamente inteligente!), decidiu sair de casa atravessando uma janela do segundo andar. Mo sobreviveu à queda, aparentemente bastante satisfeito com a nova saída que havia acabado de encontrar. "Ele aterrissou em um arbusto, o que amorteceu a queda", Elyssa explicou.

Nancy Williams recortou minha coluna a respeito do Marley porque lembrava sua incontrolável retriever, Gracie. Ela escreveu: "Deixei o artigo na mesa da cozinha e fui guardar a tesoura. Quando voltei, Gracie tinha comido o pedaço de jornal".

Considero isso um cumprimento.

Afundado até os joelhos no concreto

Rene Wick, de Havertown, tem um "labrador amarelo que não bate bem da cabeça chamado Clancy", que decidiu impressionar o vizinho fazendo uma visita à obra que tinha começado em sua casa. "Clancy pulou a cerca e caiu direto até os joelhos no cimento fresco", escreveu Rene.

E também temos Haydon, o labrador castanho que engoliu um tubo de Superbonder. "Mas seu melhor momento", diz sua dona, Carolyn Etherington, de Jamison, "foi quando ele arrancou o batente da porta da garagem depois que eu ingenuamente deixei a coleira presa ali". Ela acrescenta: "Naquela época, o telefone do veterinário precisava estar sempre à mão para as emergências".

Tim Manning, de Yardley, acreditou que enganara seu labrador amarelo, Ralph, colocando um enfeite de chocolate em lugar seguro no alto da geladeira. "Ralph descobriu como abrir a gaveta de um armário que ficava ao lado da geladeira e a usou como escada", escreveu Tim. "Percebemos que ele havia feito isso quando vimos as toalhas que estavam na gaveta espalhadas pelo chão, e o chocolate foi devorado ali mesmo, no alto da geladeira".

Todas essas histórias suscitam a pergunta que qualquer pessoa em sã consciência deve estar se fazendo: se os animais de estimação dão tanta dor de cabeça, por que ter um?

Como diz Sharon Durivage, de Yardley: "Eles nos dão seu amor e lealdade espontaneamente e sempre nos perdoam pelos dias ruins e pelo mau humor".

Um Desejo - Mais Um Natal Mágico

Alguns dias atrás, enquanto colocava os enfeites de Natal, minha filha perguntou:

— Papai, o Papai Noel existe de verdade?

Seus dois irmãos mais velhos estavam enchendo sua cabeça de dúvidas novamente.

— Você acredita que ele existe? — eu perguntei, enrolando. Ela acenou com a cabeça vigorosamente, com os cachinhos loiros balançando para cima e para baixo.

— Então ele deve existir — eu disse. E essa garantia, por mais esfarrapada que fosse, pareceu suficiente. Ela me disse que deixaria quatro biscoitos para ele este ano porque no ano anterior o Papai Noel havia comido os três que deixara. Depois ela saiu correndo para escrever sua cartinha.

Colleen tem 6 anos e está na primeira série, é nossa caçula — mas não é mais um bebê. Se dependesse de mim, ainda estaria dando a ela mamadeiras e avaliando minha habilidade pela rapidez com que ela arrotava.

Mas quanto a isso não posso dar palpite.

Ela está deixando o ninho como um transatlântico deixa o cais: lentamente, mas com um movimento irreversível. Pode puxar as amarras com toda a força; não vai adiantar nada. Na linha do horizonte, surge o chamado da maturidade.

Seus irmãos mais velhos, de 11 e 10 anos, passaram por esses mesmos estágios antes dela. Mas, por ser nossa última criança, essa passagem parece mais amarga. Tudo o que posso fazer é agradecer a Deus pelas filmadoras.

A cada obstáculo superado, para sempre se encerra outro capítulo desse livro chamado infância. Como acontece com qualquer livro bom, eu não quero que esse acabe.

Última Parada: Valor Simbólico

Cada vez que ela consegue superar um desafio — os primeiros passos, as primeiras palavras, o primeiro dia na escola — minha mulher e eu comemoramos e suspiramos. Registramos o momento em vídeo e tentamos não prestar atenção àquelas pequenas pontadas de dor pela perda.

Na última primavera, Colleen decidiu que já não precisava mais das rodinhas de apoio. Eu as tirei da sua bicicleta e passei o fim de semana correndo para cima e para baixo pela rua ao seu lado, segurando-a pelo banco enquanto procurava se equilibrar. Por causa do puro cansaço, finalmente a soltei — e fiquei impressionado, e um pouco triste, vendo-a andar pelo quarteirão sem precisar de mim, e sem olhar sequer uma vez para trás.

Quando seus irmãos mais velhos conseguiram dominar as bicicletas, as rodinhas de apoio foram para o próximo na linha. Mas desta vez elas se tornaram objetos de valor apenas simbólico. Essa fase das nossas vidas havia acabado.

Aconteceu o mesmo com o carrinho, e o berço e o cadeirão; todos se tornaram obsoletos do dia para a noite, lembranças de como os bebês crescem depressa e se transformam em crianças, e as crianças se transformam em adolescentes, e os adolescentes saem de casa.

No dia em que ela aprendeu a dizer "John" em vez de "Uon", senti um aperto no coração.

Eu procuro não ser sentimental demais em relação a essas coisas. A primavera se transforma em verão, as crianças crescem. Acredite, o dia em que troquei a última fralda será sempre considerado um dos mais felizes da minha vida. O que posso dizer? Algumas fases são mais fáceis de esquecer do que outras. Você pode imaginar minha tristeza porque nenhum deles grita mais para assistir ao Barney.

Estou contando os anos até poder colocar no carro um daqueles adesivos que dizem "Estou gastando a herança dos meus filhos".

A Arte de Relaxar

Mesmo assim.

Supõe-se que os pais devam preparar as crianças para o mundo exterior, torná-las fortes e independentes. Então, por que estou me sentindo abandonado pelo fato de ninguém mais precisar de mim para amarrar os sapatos?

Fiz um comentário a respeito disso com uma amiga, e ela perguntou: "Então, os homens também sentem essas coisas?" Sim, acho que às vezes sentimos, pelo menos quando não está passando um bom jogo na televisão.

Meu amigo Joe Schwerdt, que tem três meninos, confessou que sentia o mesmo aperto. Seu filho mais novo, Andrew, será o último da família a participar da Liga Infantil de Beisebol, e pai e filho estão treinando. Mas cada jogada com a bola é uma lembrança de que aquilo logo irá acabar.

— Ele é meu último menino e pretendo aproveitar sua infância enquanto puder — disse meu amigo em uma de suas cartas. — Já estou com medo do dia em que ele fizer 13 anos e descobrir de repente a diferença de gerações, deixar a bola de lado e passar a andar com os fones de ouvido colados na cabeça.

Neste final de ano quero apenas um presente. Que a minha menininha consiga aproveitar o último Natal mágico de sua infância — que consiga ter mais um ano de encantamento, que consiga acreditar em duendes e renas sem outro propósito na vida além de espalhar generosidade e alegria.

Quando chegar a manhã de Natal, estarei acordado antes do amanhecer, com a filmadora na mão, para filmar o rosto de minha filha enquanto ela corre para verificar o prato de biscoitos. Aposto que o Papai Noel terá comido todos eles.

----- 
+ Veja também:



Notebooks
Comments
0 comments
Atualizações feedFeed | twitterTwitter

Postar um comentário