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junho 12, 2008

História Natural dos Ricos - Richard Conniff

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Trecho do Livro: História Natural dos Ricos - Richard Conniff

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"Existe um certo ambiente em Aspen. Se você colecionar obras de arte importantes, ouvir música de vanguarda e participar como um dos pares nas discussões intelectuais do Instituto Aspen - além de ter cem milhões de dólares -, será considerado um figurão." - Harley Baldwin, marchand.Historia Natural dos Ricos

Quanto é ser rico?

Se os homens vêm de Marte e as mulheres, de Vênus, de onde é que vêm os ricos, afinal? Será que, como dizem muitas vezes as pessoas comuns, eles são uma forma de vida alienígena? Seu sangue é da cor do dinheiro? Eles têm antenas especiais, como gostam de sugerir suas equipes de imprensa, para captar sinais distantes de perdas e ganhos? Enxergam além das curvas? A vida em Canis Major, a estrela do Grão-Cão, fica realmente a anos-luz do mundo dos latidos de nanicos comuns, como você e eu? A verdade é que os ricos não são nem mesmo uma espécie diferente da nossa. Estão mais para uma subespécie diferente.

Os próprios nababos estão sempre dizendo que só querem ser pessoas normais, com uma vida normal. "Só quero ser classe média" - eis um refrão que ficou conhecido entre os milionários deslumbrados da Internet no fim dos anos 90. E então, para seu horror, conseguiram o que queriam. Essa ambivalência em relação à fortuna talvez seja sincera, mas é também meio dissimulada. Jeff Bezos, da Amazon.com, transformou-se num herói popular dos nossos tempos como o bilionário que dirigia um Honda surrado e celebrava a frugalidade. "Acho que a riqueza não modifica realmente as pessoas", declarou. Mas, nessa ocasião, estava de mudança de seu apartamento alugado de 275m2, no centro de Seattle, para uma casa de dez milhões de dólares à beira-mar, no arborizado bairro de Medina, onde seus vizinhos incluíam bilionários da Microsoft como Bill Gates, Jon Shirley e Nathan Myhrvold. Depois, como 2.130m2 talvez parecessem relativamente frugais nesse contexto, ele resolveu ampliar a casa. Riqueza é assim.

Quer eles queiram, quer não, a dinâmica da riqueza invariavelmente os separa das pessoas comuns. Isola-os da população geral, primeiro passo em qualquer processo evolutivo, e é inexorável que os leve a ficarem diferentes. Eles entram numa comunidade com comportamentos próprios, códigos próprios, sua própria linguagem e seus próprios hábitats. ("Sou a mais normal das pessoas normais", disse-me uma mulher riquíssima. "Não sou como a maioria dos ricos. Trabalho para valer. A maioria dos ricos que conheço não faz nada além de comer, beber, dormir e se divertir.")

Seus filhos ou netos acasalam sobretudo uns com os outros, como os Whitneys com os Vanderbilts e os Firestones com os Fords. (Se você estiver pensando em comprar um presente de casamento para a pequena Jennifer Gates Bezos, comece a economizar desde já.) Assim, da gosma primeva emerge algo novo e maravilhoso: uma subespécie cultural, o Homo sapiens pecuniosus.

Como identificar essa raça? Haverá um holótipo, um espécime exibido num museu de algum lugar, com o qual possamos comparar cada recém chegado e dizer se se trata ou não de uma pessoa rica? Será realmente possível caracterizar um grupo que inclui um personagem relativamente refinado, como o negociante francês Bernard Arnault, fornecedor da Louis Vuitton e de outras grifes suntuosas, e um brutamontes como o astro do basquete Shaquille O'Neal, que pesa 150 quilos e traz tatuada no bíceps do braço esquerdo a palavra "TWISM" ("The World Is Mine")? É. E a maneira de começar é definir exatamente o que queremos dizer com "ricos".

Um jogo de números

Uma tarde, em Aspen, tomei um café com um artesão local. Era a segunda pessoa a me dizer naquele dia, logo no começo da conversa, que não precisava trabalhar para viver. Havia-se casado com uma mulher de uma família ilustre, e, quando o sobrenome não produziu em mim reação satisfatória, acrescentou: "Eram os donos da General Dynamics", fabricantes de alguns dos sistemas de armamentos mais mortíferos da Terra.

- Foram donos do edifício Empire State - disse ainda. - Você tem a lista dos 400 da Forbes? - perguntou. Constatei que a família tem, atualmente, um patrimônio de uns três bilhões de dólares.

Esse era um sujeito sólido e musculoso, com uma postura erecta quase de bailarino e um estilo de arrogância serena, na primeira pessoa do plural.

- Nós fazemos tudo, realmente tudo, para não andar ultra bem-vestidos, para não dirigir carros de alto luxo - qualquer pessoa do mundo pode ter um Range Rover - e para não deixar que os outros saibam de nossos esforços filantrópicos. Nem sempre se quer essa propaganda.

O homem desdenhava dos pretensos ricaços. Talvez por ser, ele próprio, relativamente novato nesse mundo.

- Ninguém pode fingir que tem a velocidade de um guepardo, quando na verdade é uma mula - afirmou.

Um novo clube campestre da cidade lhe era particularmente irritante. Criava "um nível diferente de cidadãos de Aspen, os que faziam e os que não faziam parte do lugar. Era mesmo terrivelmente exclusivo, de uma forma da qual muitos de nós nos ressentíamos". Ele havia ingressado como sócio fundador, só para jogar umas partidas rápidas de golfe. Mas ocorre que os outros sócios tinham, em média, 64 anos. Mulas, em vez de guepardos. Precisavam de cinco horas e meia para concluir uma partida. Assim, depois de ter comprado seu título por 60 mil dólares, ele o vendera por 175 mil e pudera saborear sua integridade.

Como faziam todos, mais cedo ou mais tarde, perguntou-me como eu planejava definir a riqueza, e respondi que situaria meu ponto de partida, provavelmente, entre cinco e dez milhões de dólares em recursos disponíveis para investimento.

- Não considero que isso seja muito dinheiro, de modo algum - disse-me ele.

Era um comentário perfeitamente razoável, por mais improvável que possa parecer. Por cinco ou dez milhões de dólares, você praticamente só conseguiria comprar uma residência adequada em Aspen, onde a casa média era vendida, na época, por 3,4 milhões. (E seria uma segunda casa, é claro, de modo que você também precisaria de recursos para mobiliá-la, viajar de avião para lá e para cá e receber seus requintados vizinhos novos.) De qualquer modo, acrescentou ele, o dinheiro não tinha importância:

- O dinheiro em si não tem todo esse interesse para mim.

Definiu a riqueza como sendo, essencialmente, estar satisfeito com o seu quinhão:

- Minha opinião sobre a riqueza é você poder ser dono do que quer que tenha, seja em que nível for. Se você tiver 50 milhões de dólares e viver numa correria louca, quase se matando e sendo praticamente escravo daquilo que se empenha em conseguir, eu não chamaria isso de riqueza, de maneira nenhuma.

Discordei. Um sujeito com 50 milhões de dólares pode ser escravo do dinheiro, mas, ainda assim, as pessoas pulam quando ele manda.

- Quer dizer que esse livro será apenas um jogo de números? - perguntou-me. - Será sobre quanto eu tenho na carteira?

Puxou a carteira e exibiu-a, para me mostrar como eu estava sendo grosseiro. Havia uma nota de um dólar por cima, numa prova do quanto ele se importava com a moderação. Em seguida, afastou-a para me mostrar as cédulas de cem dólares por baixo. Paguei a conta.

Arrow5 Visite a loja especial do Richard Conniff no Submarino. Richard Conniff

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