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agosto 19, 2008

Trecho do Livro: Desventuras em Série: Mau Começo (vol. 1) | Lemony Snicket

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Trecho do Livro: Desventuras em Série: Mau Começo (vol. 1) | Lemony Snicket

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Se vocês se interessam por histórias com final feliz, é melhor ler algum outro livro. Vou avisando, porque este é um livro que não tem de jeito nenhum um final feliz, como também não tem de jeito nenhum um começo feliz, e em que os acontecimentos felizes no miolo da história são pouquíssimos. E isso porque momentos felizes não são o que mais encontramos na vida dos três jovens Baudelaire cuja história está aqui contada. Violet, Klaus e Sunny Baudelaire eram crianças inteligentes, encantadoras e desembaraçadas, com feições bonitas, mas com uma falta de sorte fora do comum, que atraía toda espécie de infortúnio, sofrimento e desespero. Lamento ter que dizer isso a vocês, mas o enredo é assim, fazer o quê?

A infelicidade deles começou certo dia na Praia de Sal. Os três Baudelaire filhos moravam com seus pais numa enorme mansão no centro de uma cidade muito movimentada e muito poluída, e vez por outra os pais permitiam que pegassem sozinhos um bonde um tanto precário - a palavra precário, que vocês provavelmente conhecem, está sendo usada aqui com o sentido de "inseguro" - até a praia, a fim de passarem o dia como se estivessem em férias, contanto que voltassem antes da hora do jantar. Nessa manhã de que estamos falando, o dia se mostrava cinzento e nublado, o que não importava nem um pouco aos jovens Baudelaire. Quando fazia sol e calor, a Praia de Sal se enchia de turistas, e era impossível encontrar um bom lugar para estender a esteira. Nos dias cinzentos e nublados, os Baudelaire tinham a praia à sua disposição para fazer o que bem entendessem.

Violet Baudelaire, a mais velha dos três, gostava de atirar pedras bem longe para vê-las deslizar na superfície do mar antes de afundarem. Como a maioria dos jovens de catorze anos, era destra - ou seja, estava acostumada a usar a mão direita, ao contrário dos canhotos -, de modo que as pedras deslizavam mais tempo e avançavam mais longe nas águas turvas quando a mão com que as arremessava era a direita e não a esquerda. Enquanto atirava as pedras, tinha os olhos postos no horizonte e o pensamento absorvido numa invenção que desejava montar. Quem conhecesse bem Violet logo perceberia que ela estava firmemente concentrada em suas reflexões, porque havia amarrado os cabelos com uma fita para afastá-los dos olhos. Violet tinha uma forte inclinação para inventar e montar aparelhos estranhos, por isso o seu cérebro volta e meia se via tomado por imagens de roldanas, alavancas e engrenagens, e ela fazia questão de nessas horas não ser distraída por algo tão banal como seus cabelos. Nessa manhã ela estava pensando em como construir um aparelho que permitisse recuperar as pedras depois de serem atiradas no mar.

Klaus Baudelaire, o irmão do meio, e o único menino, gostava de examinar os seres minúsculos que pululavam nas piscininhas formadas à beira d'água. Klaus tinha pouco mais que doze anos e usava óculos, o que lhe dava um ar inteligente. E ele era inteligente. Os Baudelaire pais possuíam uma enorme biblioteca em sua mansão, uma sala com milhares de livros sobre todos os assuntos imagináveis. Aos doze anos, é claro que Klaus não poderia ter lido todos os livros da biblioteca dos Baudelaire, mas lera uma porção deles, e era impressionante como retinha na memória a quantidade de informações assim obtidas. Sabia distinguir perfeitamente o aligátor, crocodilo do Mississippi, dos crocodilos de outras partes do mundo. Sabia o nome de quem matou Júlio César. E sabia milhões de coisas sobre as esquivas criaturinhas de beira-mar encontradas na Praia de Sal que atraíam naquele momento sua atenção.

Sunny Baudelaire, a mais nova da trinca, gostava de morder coisas. Era ainda quase um bebê e muito pequena para sua idade, pouco maior que uma bota. A pouca altura era compensada, no entanto, pelos quatro dentes bem grandes e afiados. Sunny estava numa idade em que a maior parte do tempo a criança fala por uma série de gritos ininteligíveis. A não ser quando ela usava as poucas palavras de verdade que constavam de seu vocabulário, como mamã, mamá e dá!, a maioria das pessoas tinha dificuldade para entender o que Sunny estava dizendo. Por exemplo, nessa manhã ela disse "Gá!" muitas e muitas vezes, o que provavelmente era para se entender como: "Vejam só essa figura misteriosa surgindo do nevoeiro!"

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