sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Trecho do Livro: Antes de Morrer | Jenny Downham

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Trecho do Livro: Antes de Morrer | Jenny Downham

“O retrato mais honesto e confiável de uma jovem em risco – não, além do risco – que podemos encontrar na literatura recente.” -- jornal The New York Times

Livros Antes de Morrer Jenny Downham BooksLivro: Antes de Morrer

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Sei que estou no hospital assim que abro os olhos. Todos eles têm o mesmo cheiro, e o tubo preso ao meu braço é dolorosamente conhecido. Tento me sentar na cama, mas minha cabeça desaba e a bile sobe pela minha garganta.

Uma enfermeira corre para junto de mim com uma bacia de papelão, mas chega tarde demais. A maior parte acaba em cima de mim e nos lençóis.

– Não tem problema – diz ela. – Vamos limpar isso rapidinho.

Ela enxuga minha boca, depois me ajuda a virar de lado para poder desamarrar minha camisola.

– O médico já vem – diz ela.

Enfermeiras nunca dizem o que sabem. São contratadas por sua boa disposição e pelo volume dos cabelos. Precisam ter um aspecto vivo e saudável, para servir de incentivo aos pacientes.

Ela conversa comigo enquanto me ajuda a vestir outra camisola, conta-me que já morou perto do mar na África do Sul e diz:

– O Sol lá é mais próximo da Terra, e sempre faz calor.

Ela tira os lençóis de baixo de mim e aparece com outros, limpos.

– Aqui na Inglaterra meus pés estão sempre muito frios – continua. – Agora vamos rolar você de volta. Um, dois, três e... Isso, prontinho. Ah, bem na hora... O médico chegou.

Ele é careca, branco e de meia-idade. Cumprimenta-me educamente e arrasta uma cadeira de debaixo da janela para se sentar ao lado da cama. Sempre espero que em algum hospital, em algum lugar deste país, eu vá encontrar o médico perfeito, mas nenhum deles nunca é o certo. Quero um mágico de capa e varinha de condão, ou um cavaleiro com uma espada, alguém destemido. Esse de hoje é inexpressivo e educado como um vendedor.

– Tessa – começa ele –, você sabe o que é hipercalcemia?

– Se eu disser que não, posso ter outra coisa?

Ele parece espantado, e é exatamente esse o problema: eles nunca entendem direito a piada. Queria que ele tivesse um assistente. Um palhaço seria bom, alguém para lhe fazer cosquinhas com uma pena enquanto ele dá seu parecer médico.

Ele folheia o prontuário que tem no colo.

– Hipercalcemia é uma patologia em que a sua taxa de cálcio fica muito alta.

Estamos tratando você com bisfosfonatos para baixar essa taxa. Você já deveria estar se sentindo bem menos confusa e enjoada.

– Estou sempre confusa – digo a ele.

– Tem alguma pergunta?

Ele me olha como quem espera alguma coisa, e detesto decepcioná-lo, mas o que eu poderia perguntar para esse homenzinho sem graça?

Ele me diz que a enfermeira vai me dar um remédio para me ajudar a dormir. Levanta-se e se despede com a cabeça. Essa é a hora em que o palhaço faria um caminho de cascas de banana até a porta, depois viria se sentar na cama comigo. Juntos riríamos nas costas do médico enquanto ele se retirasse com seu passinho corrido.

Está escuro quando acordo, e não consigo me lembrar de nada. Isso me apavora. Durante uns dez segundos, luto contra a realidade, chutando os lençóis embolados, convencida de que fui raptada ou algo pior.

É papai quem corre até junto de mim, afaga minha cabeça, sussurra meu nome várias vezes como se fosse uma fórmula de magia.

É então que me lembro. Eu pulei dentro de um rio, convenci Cal a me acompanhar em um ridículo surto de compras, e agora estou no hospital. Mas o intervalo de esquecimento faz meu coração bater depressa como o de um coelho, porque de fato, por um minuto, esqueci quem eu era. Tornei-me ninguém, e sei que isso vai acontecer de novo.

Papai sorri para mim.

– Quer um pouco d’água? – pergunta. – Está com sede?

Ele me serve um copo d’água da jarra, mas sacudo a cabeça, e ele torna a pousá-lo sobre a mesa.

– A Zoey sabe que eu estou aqui?

Ele remexe no bolso do casaco e tira um maço de cigarros. Vai até a janela e a abre. O ar frio se insinua para dentro.

– Você não pode fumar aqui, pai.

Ele fecha a janela e torna a guardar os cigarros no bolso.

– Não – diz. – Acho que não. – Volta a se sentar, estende a mão para segurar a minha. Imagino se ele também terá esquecido quem é.

– Eu gastei muito dinheiro, pai.

– Eu sei. Não faz mal.

– Nem achei que o meu cartão conseguisse fazer tudo aquilo. Em cada loja, achava que fossem recusar o cartão, mas isso nunca aconteceu. No entanto, guardei todos os recibos, então a gente pode devolver tudo.

– Shhh – diz ele. – Está tudo bem.

– O Cal está legal? Eu assustei ele?

– Ele vai sobreviver. Quer falar com ele? Está lá fora no corredor com a sua mãe.

Nunca, ao longo dos quatro últimos anos, todos os três vieram me visitar ao mesmo tempo. Sinto medo de repente.

Os dois entram, muito sérios, Cal apertando a mão de mamãe, mamãe parecendo fora de lugar, papai segurando a porta aberta. Todos os três ficam em pé ao lado da cama olhando para mim. Parece a premonição de um dia que ainda irá acontecer. Mais tarde. Agora não. Um dia em que não vou conseguir vê-los olhando, nem sorrir, nem lhes dizer para pararem de me assustar e se sentarem.

Mamãe puxa uma cadeira para mais perto, inclina-se e me dá um beijo. Seu cheiro conhecido – o sabão em pó que ela usa, o óleo de laranja que passa no pescoço – me dá vontade de chorar.

– Que susto você me deu! – diz ela, e sacode a cabeça como se simplesmente não pudesse acreditar.

– Também fiquei com medo – sussurra Cal. – Você desmaiou no táxi, e o motorista pensou que você estivesse bêbada.

– Foi mesmo?

– Eu não sabia o que fazer. Ele disse que, se você vomitasse, a gente ia ter que pagar uma taxa extra.

– E eu vomitei?

– Não.

– E aí você mandou ele ir pastar?

Cal sorri, mas o sorriso treme nos cantos.

– Não.

– Quer vir sentar aqui na cama?

Ele faz que não com a cabeça.

– Ô, Cal, não chora! Vem sentar aqui na cama comigo, vem. Vamos tentar lembrar de todas as coisas que a gente comprou.

Mas, em vez disso, ele se senta no colo de mamãe. Acho que nunca o vi fazer isso. Não tenho certeza de que papai tenha visto também. Até mesmo Cal parece surpreso. Ele se vira para o ombro dela e começa a soluçar desbragadamente. Ela afaga suas costas, traçando círculos com a mão. Papai olha pela janela. E eu estico os dedos por cima do lençol à minha frente. Estão muito magros e brancos, como as mãos de um vampiro, capazes de sugar o calor de qualquer pessoa.

– Quando eu era pequena, sempre quis ter um vestido de veludo – diz mamãe. – Um vestido verde, com gola rendada. Minha irmã tinha um e eu nunca tive, então entendo o que é querer ter coisas bonitas. Se você algum dia quiser ir fazer compras de novo, Tessa, posso ir com você. – Ela indica o quarto com a mão em um gesto extravagante. – Vamos todos!

Cal se afasta do ombro dela para olhá-la no rosto.

– É? Eu também?

– Você também.

– Só imagino quem vai pagar! – diz papai de seu lugar junto ao parapeito da janela.

Mamãe sorri, seca as lágrimas de Cal com as costas da mão, depois beija sua bochecha.

– Salgadas – diz. – Salgadas como o mar.

Papai a olha fazer isso. Pergunto-me se ela sabe que ele está olhando.

Ela começa a contar uma história sobre sua irmã mimada, Sarah, e um pônei chamado Tango. Papai ri, e diz que ela não pode reclamar de ter tido uma infância de privações. Ela então o provoca, contando-nos como deu as costas a uma família rica para ficar na pior casando-se com papai. E Cal pratica um truque com uma moeda, passando uma libra de uma das mãos para a outra, e em seguida abrindo o punho para nos mostrar que ela sumiu.

É maravilhoso ouvi-los conversar, suas palavras deslizando umas para dentro das outras. Meus ossos não doem tanto com eles três assim tão perto. Quem sabe, se eu ficar bem paradinha, eles não percebam a lua pálida do lado de fora da janela, nem ouçam o carrinho de remédios sacolejando pelo corredor. Poderiam passar a noite aqui. Poderíamos fazer bagunça, contar piadas e histórias até o sol raiar.

Mas, depois de algum tempo, mamãe diz:

– O Cal está com sono. Vou levar ele pra casa agora e pôr ele na cama. – Vira-se para papai. – Te vejo lá.

Ela me dá um beijo de boa-noite, depois me sopra um outro da janela. Chego a senti-lo aterrissar na minha bochecha.

– Tchau, fedorenta – diz Cal.

E eles vão embora.

– Ela vai dormir na nossa casa? – pergunto a papai.

– Parece mais fácil, só por hoje.

Ele se aproxima, senta-se na cadeira e segura minha mão.

– Sabe – diz –, quando você era bebê, eu e sua mãe ficávamos acordados durante a noite vendo você respirar. Tínhamos certeza de que você ia se esquecer de respirar se a gente parasse de olhar. – Sua mão muda de posição, o contorno de seus dedos fica mais suave. – Pode rir de mim, mas é verdade. Fica mais fácil quando os filhos crescem, mas nunca passa. Eu me preocupo com você o tempo inteiro.

– Por que você está me dizendo isso?

Ele dá um suspiro.

– Sei que você está armando alguma coisa. O Cal me contou sobre uma tal lista que você fez. Preciso saber do que se trata, não porque eu queira te impedir, mas porque quero garantir que vai estar segura.

– Não é a mesma coisa?

– Não, acho que não. É como se você estivesse dando o melhor que tem pra outra pessoa, Tess. Ser deixado de fora disso dói demais.

Sua voz vai sumindo. Será que é só isso mesmo que ele quer? Ser incluído? Mas como posso lhe contar sobre Jake e sua estreita cama de solteiro? Como posso lhe contar que foi Zoey quem me mandou pular, e que eu tive de dizer sim? Ainda restam sete coisas a fazer. Se eu lhe contar, ele vai tirá-las de mim. Não quero passar o resto da minha vida enrolada em um cobertor no sofá com a cabeça no ombro de papai. A lista é a única coisa que me faz seguir em frente.

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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Toyota Hilux 2009 vem com motor 2.7 16V a Gasolina

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Toyota Hilux 2009 vem com motor 2.7 16V a Gasolina

A Hilux 2009 vem com motor a gasolina que gera de potência 158 cv e 240 Nm de torque, e tem arquitetura e componentes que garantem maior durabilidade e menor vibração.

O motor 2.7 16V VVTi que equipa a nova Hilux 2009 da Toyota tem duplo comando de controle da abertura das válvulas, o que aumenta o torque, a economia e diminui a emissão dos poluentes. As bielas estão mais leves, o que reduz a vibração e aumenta a durabilidade do material. O uso do plástico no coletor de admissão diminui o calor gerado pela passagem dos gases e aumenta a eficiência volumétrica. Os pistões refrigerados por jatos de óleo reduzem a temperatura do motor, e o coletor em aço inox do escapamento permite que o conversor catalítico funcione melhor e diminua os poluentes produzidos.

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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Trecho do Livro: Pense Magro | Judith S. Beck

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Trecho do Livro: Pense Magro | Judith S. Beck

Livros Pense Magro Judith S Beck BooksLivro: Pense Magro

Saiba onde encontrar este livro

Se você enfrentou dificuldades para emagrecer ou emagreceu e engordou novamente nos últimos tempos, você culpou a si mesmo (Sou muito fraco... Não estava motivado o suficiente), culpou seu organismo (Tem alguma coisa errada em mim... Eu, simplesmente, não consigo emagrecer), ou à dieta que escolheu (Esta, definitivamente, não funciona pra mim)?

Fico feliz em lhe dizer que a razão de seu insucesso tem outra explicação. Você, apenas, não sabia como fazer dieta. Quando aprender a fazer dieta, subirá na balança e verá um peso cada vez menor, semana após semana. Você vestirá roupas menores. Você vivenciará todos benefícios maravilhosos de um corpo mais magro: mais energia, autoconfiança e saúde, auto-estima melhorada, menos dores e desconfortos. Você pode sentir tudo isso – e manter pelo resto da vida, sem que lhe escape como nas outras vezes. O círculo vicioso do emagrecimento vai desaparecer para sempre.

Isso é o que está ao seu alcance quando você aprende a ser persistente na dieta. Este livro lhe ensina a evitar as trapaças; resistir a alimentos tentadores, mesmo que estejam bem a sua frente; lidar com a fome, com os desejos incontroláveis, com o estresse, e com as emoções negativas, sem que você precise comer para se confortar. Você aprenderá a se motivar para praticar exercícios, mesmo que isso não seja de sua natureza. Você descobrirá como fazer tudo o que for necessário para alcançar o sucesso em sua dieta – mudando a maneira como você pensa.

A maioria das pessoas que vem ao meu consultório para emagrecer já teve a experiência de iniciar dietas e desistir delas durante anos. Todas elas têm algo em comum: não sabem pensar como uma pessoa magra. As pessoas que lutam para emagrecer têm uma programação mental que sabota seus esforços. Frequentemente, têm pensamentos como:

  • Sei que não deveria comer isto, mas não me importo.
  • Se eu comer isto só desta vez não vai ter problema.
  • Tive um dia tão difícil. Mereço comer o que quiser.
  • Não consigo resistir a esta comida.
  • Estou chateado. Tenho que comer.
  • Já que comi o que não devia, vou continuar comendo até o fim do dia.
  • É muito difícil. Não quero continuar fazendo dieta.
  • Nunca vou emagrecer.
Se qualquer um desses pensamentos lhe parece familiar, você é um candidato perfeito para ler este livro. Este programa ensina você a enfrentar pensamentos sabotadores de forma convincente. Quando escutar uma pequena voz em sua cabeça falando "Ah, coma só isso... Não tem importância", você será capaz de dizer para si mesmo "Tem importância sim... Eu quero ser magro... Todas as vezes que comer algo não planejado, aumentarei a probabilidade de fazer isso novamente... Sempre terá importância... Estou apenas tentando me enganar... Se comer isto, sentirei prazer por alguns segundos, mas depois irei me sentir mal... Eu posso resistir... Para mim, é muito mais importante emagrecer do que ter alguns segundos de prazer".

Chega de "trapacear"

Neste livro, a palavra trapaça não aparecerá novamente fora desta caixa de texto. Abri essa exceção intencionalmente porque muita gente com problemas para emagrecer costuma ter um padrão de pensamento denominado tudo-ou-nada sobre alimentação: Ou faço a dieta sem cometer nenhum deslize ou então estarei trapaceando... Se eu estiver trapaceando, então é melhor desistir – Eu posso, com certeza, continuar trapaceando o dia (semana, mês, ano) inteiro. Ficou evidente, para mim, que os indivíduos que viam a si mesmos como "trapaceadores" sentiam-se desmoralizados e até mesmo "maus", e isso dificultava sua reintegração à dieta quando, por ventura, se afastavam dela. Em vez de trapaça, usei as expressões comer o que não foi planejado ou comer exageradamente. Esses termos têm uma carga negativa menor. As pessoas que os empregam são capazes de adotar uma visão mais otimista da situação e dizer: Tudo bem, comi algo que não estava programado ou comi mais do que deveria, mas também são capazes de acrescentar: Foi apenas um equívoco, nada demais... Vou voltar agora mesmo para a dieta.

Por que o peso é importante?

Se você estiver em dúvida quanto a iniciar ou não a dieta definitiva de Beck, considere o seguinte: muitas pessoas ganham alguns quilos, a cada ano, devido ao fato natural de o organismo ficar mais lento com o passar da idade. Somando-se a isso o fato de que são necessárias apenas 20 e poucas calorias extras por dia para engordar 900 gramas por ano, o resultado é que se você estiver hoje com 4 quilos de sobrepeso e não fizer nada, daqui a um ano, você poderá ter 5 quilos ou 6 quilos a mais; depois de mais um ano, talvez 7 ou 8 quilos de excesso de peso, e assim por diante. No entanto, em vez de engordar, você pode emagrecer e manter o peso alcançado, praticando os princípios ensinados neste livro.

Qualquer dieta razoável dará certo se você estabelecer a programação mental adequada. A dieta definitiva de Beck é um programa psicológico e não uma dieta alimentar. Não lhe diz o que comer – você pode escolher a dieta de sua preferência, desde que seja nutritiva. Se você estabelecer a programação mental adequada, qualquer dieta razoável dará certo. Este programa ensina você a comer conforme o esperado e a responder a pensamentos sabotadores como eu não quero que, eu não tenho que, ou eu não consigo.

Para escolher alimentos apropriados e utilizar hábitos alimentares adequados, você precisa aprender a fazer modificações permanentes na maneira de pensar. Com um programa passo a passo abrangente como este, você conseguirá manter-se na sua dieta, emagrecer e manter o peso alcançado. A dieta definitiva de Beck é baseada nos princípios da terapia cognitiva (conhecida também como terapia cognitiva-comportamental ou TCC), a forma mais amplamente estudada e eficaz de psicoterapias no mundo.

Aaron T. Beck, M.D., promoveu uma revolução no campo da saúde mental, quando, no final dos anos 1950 e início dos anos de 1960, desafiou com suas pesquisas as teorias de Sigmund Freud. Freud e seus seguidores acreditavam que a depressão e outros tipos de doenças mentais originavam-se de temores e conflitos reprimidos, e mantinham os pacientes em sessões diárias de psicanálise durante muitos anos.

Aaron Beck descobriu, entretanto, que os pacientes deprimidos podiam melhorar rapidamente – normalmente com 10 ou 12 sessões de terapia. Quando ele os ajudou a alcançar metas, solucionar problemas e modificar seus pensamentos depressivos, a depressão regredia rapidamente. Ele nomeou este novo tratamento de "terapia cognitiva" pelo fato de o componente principal do tratamento concentrar-se na correção de pensamentos distorcidos. O termo "cognitivo" refere-se a pensamento.

Nos anos seguintes, a terapia cognitiva foi adaptada por Aaron Beck e por pesquisadores do mundo inteiro, para ser utilizada em inúmeros transtornos e problemas psicológicos. Centenas de estudos baseados em pesquisas demonstraram que a terapia auxilia pessoas que enfrentam um grande número de dificuldades, incluindo depressão, ansiedade, transtornos alimentares, obesidade, tabagismo e comportamentos adictos. O mais impressionante é que as pessoas não apenas melhoram, mas mantêm a melhora com o passar dos anos. Elas aprendem como mudar seus pensamentos imprecisos e disfuncionais para que se sintam melhores emocionalmente e para que se comportem de maneira mais produtiva na busca de suas metas.

Um estudo recente, na Suécia, demonstrou a eficácia da terapia cognitiva no emagrecimento. Indivíduos matriculados num programa de terapia cognitiva emagreceram mais ou menos 8 quilos em 10 semanas de tratamento. (Enquanto isso, as pessoas que aguardavam na fila de espera para o mesmo tratamento não apresentaram qualquer diminuição no peso.) O mais impressionante foi o resultado da avaliação do grupo de estudo. Um ano e meio após o tratamento, quase todas as pessoas estudadas, mais precisamente 92% delas, havia não somente mantido a perda de peso, mas emagrecido ainda mais. Isso é o que diferencia a terapia cognitiva dos outros tipos de terapia e de outros programas de emagrecimento.

Compare esses resultados com o das pessoas que já fizeram dieta, mas não tiveram acesso à terapia cognitiva. Uma pesquisa concluída na Universidade de Tufts descobriu que entre 50 e 70 por cento das pessoas que iniciaram uma de quatro dietas amplamente utilizadas não foram capazes de persistir e continuar emagrecendo no decorrer de um ano.

Ainda mais desanimador é a preocupante tendência revelada por outros estudos que acompanham o comportamento das pessoas depois de perderem peso: a maioria delas, independentemente da dieta que tenha seguido, recupera, em até um ano, a maior parte dos quilos perdidos.

A terapia cognitiva baseia-se no conceito de que a maneira como as pessoas pensam afeta o que elas sentem e o que elas fazem. Digamos que você pense: Estou com fome. Se, em seguida, tiver um "pensamento sabotador" (Isto é horrível. Não posso tolerar. Tenho que comer!), você vai ficar apavorado e vai sair atrás de comida. Por outro lado, se você contrariar esses pensamentos com "respostas adaptativas" (Tudo bem. Vou comer dentro de poucas horas. Posso esperar) você se sentirá no controle da situação e acabará se envolvendo em outras atividades. A terapia cognitiva o ajuda a identificar pensamentos sabotadores e a responder a eles de maneira funcional, o que leva você a se sentir melhor e a se comportar de maneira mais produtiva. Com a terapia as pessoas aprendem a resolver problemas e quem faz dieta pode ter muitos problemas. Por exemplo, você já saiu da dieta por alguma destas razões?
  • Não se sentiu satisfeito mesmo tendo acabado de comer.
  • Sentiu-se chateado e pensou que comer o faria se sentir melhor.
  • Sentiu-se atraído por um alimento enquanto fazia compras no supermercado.
  • Estava tão cansado para cozinhar que optou por fastfood.
  • É muito educado para recusar a sobremesa que prepararam para você.
  • Foi a uma festa e teve vontade de se tratar bem.
Para que você consiga emagrecer e manter o peso conquistado, você precisa resolver esses problemas práticos. Precisa, também, resolver alguns problemas psicológicos, por exemplo:
  • A sensação de estar sobrecarregado pelas exigências da dieta.
  • A sensação de estar em privação.
  • A sensação de estar desmotivado quando seu emagrecimento não correspondeu ao previsto.
  • A sensação de estar estressado com outros problemas da vida.
A terapia cognitiva o ajuda a resolver problemas práticos e psicológicos, e também a aprender novos pensamentos e novas habilidades comportamentais – ferramentas que você poderá utilizar pelo resto da sua vida. Além de superar seus problemas atuais, você também aprenderá a utilizar as novas habilidades para resolver problemas futuros.

Você é parecido com Sue?

Utilizo a terapia cognitiva por mais de 20 anos para ajudar as pessoas a resolverem vários problemas, inclusive a luta pelo emagrecimento. Sue é um exemplo típico. Ela estava habituada, desde o ensino médio, a experimentar várias dietas, mas acabava presa a um círculo bastante conhecido: durante as primeiras semanas ou meses de cada dieta que iniciava, ela, confiantemente, emagrecia e se sentia no controle; de repente, algo a fazia desviar-se da dieta.

As razões variavam. Uma vez seu chefe pediu para que trabalhasse até mais tarde, o que, segundo ela, foi "motivo" para pegar uma pizza a caminho de casa. Em outra ocasião, após uma discussão com o marido, ficou chateada e "se pegou" comendo um pote de 500ml de sorvete de chocolate. Em outra vez, ela "perdeu o controle" em uma festa, ao ver uma mesa coberta de pratos tentadores.

Todas as vezes que Sue encontrava uma desculpa para se afastar da dieta, sua determinação rapidamente diminuía. Ela continuava a comer sem controle. Então, sentia-se fracassada, pensava que nunca conseguiria emagrecer e desistia completamente, recuperando o peso que havia perdido – e, às vezes, mais.

Sue começou ainda uma nova dieta, logo depois da sua primeira sessão comigo. As duas ou três semanas iniciais dessa dieta foram calmas, mas então Sue teve uma racaída. Ela estava tão aborrecida com um problema ocorrido no emprego que começou a "comer tudo o que via pela frente." Por sorte, ela veio ao consultório no dia seguinte. Quando examinamos o que Sue havia comido, tornou-se claro que ela não havia "arruinado totalmente" a dieta. Eu a ajudei a perceber que, se ela voltasse a fazer corretamente a dieta, ganharia, no máximo, 250g naquela semana – o que não seria uma recaída tão grave. Mudando seu pensamento de Eu sou um fracasso, nunca serei capaz de emagrecer para Eu posso recomeçar da maneira certa agora mesmo, ela foi capaz de retomar o regime.

Sue teve outras recaídas, mais amenas, mas aprendeu a mantê-las em perspectiva. Aprendeu também a se preparar previamente para os momentos de estresse. Ela evoluiu até ser capaz de aderir ao seu projeto de emagrecer, independentemente do que acontecia em sua vida. Ela quebrou o círculo ioiô em sua dieta, emagreceu 25 quilos e se mantém assim por 12 anos.

A história de Sue é típica de pessoas com as quais trabalho hoje e com as quais já trabalhei por anos. E pode ser a sua história também. Se você é triste ou alegre, se fica em casa ou trabalha fora, se come compulsiva ou socialmente, se é principiante ou experiente em dietas, você pode ser beneficiado pela dieta definitiva de Beck.

A dieta de Beck baseia-se no mesmo planejamento que utilizo com meus paciente que querem emagrecer. Ela funciona independentemente da sua constituição psicológica particular, do seu estilo de vida e das circunstâncias familiares. Se você é triste ou alegre, se fica em casa ou trabalha fora, se come compulsiva ou naturalmente, se é principiante ou experiente em dietas.

No passado, você pode ter conseguido fazer mudanças de curto prazo em seus hábitos alimentares para emagrecer. Porém, quando o caminho se tornou difícil, você abandonou essas mudanças porque não sabia responder a pensamentos sabotadores como:
  • É muito difícil fazer dieta.
  • Eu tenho que comer. Eu não tenho autocontrole.
  • Eu não quero magoá-la, portanto vou comer o que ela preparou.
  • Não consigo fazer dieta quando estou estressado.
O conjunto de estratégias psicológicas deste livro o ajudará de diversas maneiras. Você aprenderá a resistir ao impulso de comer exageradamente quando tiver que encarar os desejos incontroláveis, a fome, o estresse, as pressões sociais ou outros problemas. Aconteça o que acontecer, você estará apto para fazer dieta e exercícios físicos. Você aprenderá a pensar como uma pessoa magra. Essas estratégias exigem prática, mas, com o passar do tempo, se tornarão automáticas.

Por experiência própria, entendo os desafios enfrentados pelos que fazem dieta e posso também testemunhar a favor do sucesso da terapia cognitiva para superar esses desafios. Comecei a fazer dieta quando era adolescente e entrei e saí delas por muitos anos. Tive, também, muitos pensamentos sabotadores como:
  • Deveria comer o mínimo possível.
  • Se os outros não me virem comendo, então, realmente, não conta.
  • Caí em tentação. Sou culpada pela minha fraqueza.
  • Se eu comer qualquer coisa não programada, posso também abandonar minha dieta durante o dia inteiro.
Como foi, então, que consegui emagrecer e manter meu peso até agora? Aprendi com os pacientes que aconselhei. Uma das primeiras pessoas que atendi depois de me tornar psicóloga foi uma mulher que sofria de depressão e ansiedade. Depois de várias semanas de terapia, ela começou a se sentir melhor e disse que tinha uma nova meta: queria emagrecer. Foi muito fácil constatar como os seus pensamentos eram irrealistas e imprecisos quando se tratava de comer e fazer dieta. Pude perceber, imediatamente, que ela precisava mudar seus pensamentos para poder mudar o comportamento alimentar. Aprendi muito com ela e com outros pacientes que vieram depois dela, que também queriam emagrecer. Então, apliquei a mim mesma o que havia aprendido e emagreci pouco mais de 6 quilos. Isso foi há muitos anos atrás e tenho me mantido assim desde então.

Nesses últimos 20 anos, aprendi, através de tentativas e erros, o que funciona e o que não funciona na dieta. Durante esse tempo, descobri inúmeros fatores cruciais. Por exemplo, para emagrecer e não voltar a engordar é importante:
  • Escolher uma dieta nutritiva.
  • Arrumar tempo e energia para fazer dieta.
  • Planejar o que e quando comer.
  • Procurar apoio.
  • Lidar com a decepção.
  • Ver o ato de comer exageradamente como um problema temporário que você pode resolver.
  • Saber lidar com a fome e o desejo incontrolável de comer.
  • Eliminar o ato de comer pelo fator emocional.
  • Elogiar a si mesmo.
Você ainda não sabe fazer essas coisas ou, pelo menos, não sabe como fazê-las de forma constante, mas vai aprender uma nova habilidade a cada dia. No final de seis semanas, você terá aprendido tudo o que precisa para continuar emagrecendo e não voltar a engordar. Você chegará ao ponto de reagir de maneira diferente quando olhar para um alimento que não deveria comer.

Você provavelmente perceberá que fazer dieta e emagrecer tem um ciclo previsível: durante uma ou duas semanas você acha que é relativamente fácil. Então, as coisas parecem se tornar mais difíceis. Os desejos incontroláveis surgem ou se intensificam. A vida interfere. Os horários na sua agenda estão tomados. Você se sente emocionalmente estressado. E, então, você encontra inúmeras razões para se afastar da dieta.

Entretanto, se você continuar praticando as habilidades descritas neste programa, você será bem-sucedido. A dieta se tornará fácil. Os desejos incontroláveis e a fome diminuirão. Você encontrará maneiras eficientes de lidar com o estresse. Seus pensamentos mudarão. Na verdade, você chegará ao ponto de reagir de maneira diferente quando olhar para um alimento que não deveria comer. Em vez de dizer Eu gostaria de poder comer isto e se sentir triste, ou É injusto não poder comer isto e se sentir infeliz, você vai dizer, automaticamente, Estou tão feliz por não comer isto. Em algum momento, você vai mudar de Eu odeio me privar para Estou feliz por não ter comido exageradamente! Apenas faça o necessário, um dia de cada vez, como este livro sugere. Você chega lá!

A terapia cognitiva é um tratamento psicoterápico que irá ajudá-lo a ser bem-sucedido na meta de emagrecer e manter o peso conquistado. Sua maneira de pensar sobre alimentos, comer e fazer dieta influencia seu comportamento e como você se sente emocionalmente. Certos pensamentos dificultam a continuidade da dieta e a manutenção da perda de peso. A dieta de Beck leva você a mudar seus pensamentos sabotadores para pensamentos adaptativos que o conduzirão ao sucesso.

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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Monitor Samsung SyncMaster 933BW responde em 5 milissegundos

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Monitor Samsung SyncMaster 933BW responde em 5 milissegundos

O Monitor Samsung SyncMaster 933BW (19 polegadas - 16:10) tem velocidade de resposta de 5 ms, o que previne efeitos indesejáveis quando ocorre a transição das imagens. O monitor também conta com alta taxa de contraste, o que garante imagens com maior nitidez e cores mais naturais.

O SyncMaster 933BW possui diversas funções, entre elas destacam-se a de consumo de energia pelo desligamento automático por tempo pré-estabelecido, e a função Image Size, que evita distorções quando as imagens são exibidas no formato 4:3.

A tela do Samsung SyncMaster 933BW tem resolução de 1440 x 900, 16,7 milhões de cores e consumo de energia de 34W.

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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Livros | Brasil: Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Outubro 26, 2008

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Livros | Brasil: Lista dos livros mais vendidos no Brasil
Outubro 26, 2008

O Estado de São Paulo

Livros A Cabana William P Young The Shack Books

Ficção

01. A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro

02. LUA NOVA
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

03. O VENDEDOR DE SONHOS
Augusto Cury . leia um trecho do livro

04. CREPÚSCULO
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

05. ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
José Saramago . leia um trecho do livro

06. O JOGO DO ANJO
Carlos Ruiz Zafón . leia um trecho do livro

07. O PEQUENO PRÍNCIPE
Antoine de Saint-Exupéry . leia um trecho do livro

08. A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS
Markus Zusak

09. O VENCEDOR ESTÁ SÓ
Paulo Coelho . leia um trecho do livro

10. OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES
Stieg Larsson


Livros Comer Rezar Amar Elizabeth Gilbert Books

Não-Ficção

01. COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro

02. O SEGREDO
Rhonda Byrne

03. ELES CONTINUAM ENTRE NÓS
Zibia Gasparetto . leia um trecho do livro

04. UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro

05. 1808
Laurentino Gomes . leia um trecho do livro

06. DEWEY - UM GATO ENTRE LIVROS
Vicki Myron e Bret Witter . leia um trecho do livro

07. O PAÍS DOS PETRALHAS
Reinaldo Azevedo

08. SÓ POR AMOR
Mônica de Castro

09. CASAIS INTELIGENTES ENRIQUECEM JUNTOS
Gustavo Cerbasi . leia um trecho do livro

10. O MONGE E O EXECUTIVO
 James C. Hunter . leia um trecho do livro

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domingo, 26 de outubro de 2008

Gears of War 2 para Xbox 360 já chegou ao Brasil

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Gears of War 2 para Xbox 360 já chegou ao Brasil

O aguardado jogo Gears of War 2 (Microsoft/Xbox 360) já está em pré-venda, com disponibilidade de entrega a partir de 07/11/2008. O game chega ao mercado brasileiro com trama repleta de ação e com novos e diversos recursos visuais em relação ao seu antecessor Gears of War (vencedor de mais de 30 prêmios ao redor do mundo), lançado há dois anos. O jogo gira em torno da batalha pela sobrevivência entre os humanos e as criaturas subterrâneas (Locust Horde).

O novo Gears of War 2 traz ambientes mais reais, conceitos mais modernos e maiores desafios. Os elementos gráficos do game foram desenvolvidos com a tecnologia Unreal Engine 3, que permitiu aos programadores melhorar muito o ambiente, a jogabilidade e a dinâmica do jogo.

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sábado, 25 de outubro de 2008

Seguro de Carro: O que fazer quando ocorrer o sinistro

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Seguro de Carro: O que fazer quando ocorrer o sinistro

Para se ter direito à liquidação do sinistro e receber a indenização do automóvel, é condição importante e primordial que o segurado, o mais breve possível, comunique a autoridade policial sobre os fatos que ocorreram ao carro para que seja feito o Boletim de Ocorrência. Assim que o fizer, entre em contato com a seguradora para que a empresa tome conhecimento do ocorrido.

É necessário também preencher o Aviso de Sinistro e apresentar outros documentos - relacionados nas condições contratuais -, e entregá-los a empresa seguradora. Após a entrega dos documentos solicitados pela empresa de seguros, a mesma deverá pagar a indenização do veículo em trinta dias.

Se a seguradora apresentar dúvida devidamente fundada e justificável em relação ao sinistro do carro, a mesma poderá solicitar ao segurado a apresentação de novos documentos. Nesse caso o período de trinta dias ficará suspenso e a contagem dos dias somente voltará a correr depois da entrega dos novos documentos requeridos.

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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Computador HP TouchSmart tem 4GB de memória RAM

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Computador HP TouchSmart tem 4GB de memória RAM

O elegante Computador HP TouchSmart IQ510BR PC chegou ao mercado com uma configuração muito interessante para quem quer aliar o alto desempenho ao entretenimento, ou seja, aliar a produção aos recursos de multimídia.

A tela de 22 polegadas do HP TouchSmart é sensível ao toque, o que permite ao usuário ativar diversos recursos diretamente na tela. O teclado e o mouse sem fio permitem maior comodidade ao se operar o computador. Está também incluso junto ao PC um controle remoto infravermelho, que permite ativar várias funções a distância.

O Computador HP TouchSmart vem com o sistema operacional Windows Vista de 64 bits da Microsoft, processador Intel Core 2 Duo T5850 de 2,16 GHz, memória RAM de 4 GB, HD de 500 GB, placa de vídeo NVIDIA GeForce 9300M GS HD, sintonizador de TV de alta definição e gravador e leitor de DVDs.

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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Bloodhound SSC: O Carro Mais Rápido do Mundo

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Bloodhound SSC: O Carro Mais Rápido do Mundo

O carro mais veloz do mundo, o Bloodhound SSC, é equipado com um foguete e uma turbina de avião e foi projetado para atingir 1.690 km/h. O piloto irá acelerar de zero até a velocidade mencionada em apenas 40 segundos. O veículo mede 12,8 m e pesa mais de 6 toneladas.

Carro Bloodhound SSC Car

O corajoso motorista do Bloodhound será Andy Green, piloto da Real Força Aérea Britânica, que em 1997 atingiu 1.200 km/h com outro bólido super veloz, o ThrustSSC, detentor do recorde mundial desta categoria.

Assista ao vídeo:



A primeira tentativa em que o Bloodhound SSC tentará quebrar o recorde do seu antecessor está prevista para o ano de 2011. Se atingir o feito, o carro será, literalmente, mais rápido que uma bala.

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Concurso Público da Polícia Civil de Goiás - GO

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Concurso Público da Polícia Civil de Goiás - GO

Cargos: Agente de Polícia

Salário inicial do aprovado de até R$ 2.711,88

Requisito: 3º Grau (Nível Superior)

Vagas de emprego: 300

Inscrições até dia 27 de Novembro de 2008

Mais informações: www.nucleodeselecao.ueg.br



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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Celular Samsung Omnia i900 suporta até 16GB de memória

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Celular Samsung Omnia i900 suporta até 16GB de memória

A Samsung apresentou o Telefone Celular Samsung Omnia i900, aparelho equipado de série com 8GB de memória, expansível até 16GB com cartão microSD.

O Samsung Omnia i900 tem pouco mais de 12 mm de espessura, possui tela totalmente sensível ao toque (touch screen) e vem com tecnologia 3G.

A câmera digital do aparelho tem resolução de 5MP e dispõe das funções Smile Shot, Face Detection e estabilização de imagem, além de outros recursos.

O Omnia i900 toca arquivos de vídeo DivX de alta qualidade e permite que o usuário possa armazenar vários filmes na memória do telefone.

O aparelho também é equipado com GPS, Rádio FM e navegador de Internet.

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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Carros | Veículos: Citroën C4 Pallas 2009 vem com motor flex

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Carros | Veículos: Citroën C4 Pallas 2009 vem com motor flex

O automóvel Citroën C4 Pallas, modelo 2009 (versão GLX e Exclusive), é equipado com motor flex capaz de rodar com gasolina e/ou álcool em qualquer proporção dos combustíveis.

O motor flex do sedã gera - a 6000 rpm - 143 cv quando abastecido somente com gasolina, e 151 cv quando abastecido com álcool. O C4 Pallas atinge o torque máximo a 4000 rpm (212 Nm - álcool / 200 Nm - gasolina).

O motor flex do carro está sendo produzido no Mercosul, o que viabilizou a redução dos custos de manutenção do veículo.

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Trecho do Livro: A Arte de Correr na Chuva | Garth Stein

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Trecho do Livro: A Arte de Correr na Chuva | Garth Stein

Garth Stein nasceu em Los Angeles. Depois de ter passado a infância em Seattle e vivido em Nova York durante dezoito anos, retornou a Seattle, onde vive com a família e o cão, Comet.

Bacharel e mestre em belas-artes pela Columbia University, trabalhou como documentarista por muitos anos. Também dirigiu, produziu e co-produziu filmes, muitos dos quais foram premiados.

Fã declarado de Ayrton Senna – a quem nunca chegou a conhecer –, o autor faz neste livro uma emocionante homenagem ao ídolo de muitos brasileiros.

Livros A Arte de Correr na Chuva Garth Stein BooksLivro: A Arte de Correr na Chuva

Saiba onde encontrar este livro

Querido leitor,

No verão de 1986, tive o imenso prazer de participar do Grande Prêmio de Fórmula 1 de Detroit. Estava acompanhando um amigo que tinha acesso a todos os lugares do circuito. Lembro-me de ter ficado atrás de uma barreira de concreto, maravilhado com quão pequenos, embora incrivelmente poderosos, os carros de Fórmula 1 eram. Tão rápidos e tão perto – a apenas um braço de distância...

Um piloto era, obviamente, mais rápido que os outros. Ele largou na pole position e, depois de perder muitas posições por causa de um problema no pneu, retomou a liderança e venceu a corrida. Lembro-me de ter visto seu capacete verde passando. Nunca tive o prazer de conhecer Ayrton Senna, mas tive o prazer de assistir à sua corrida... e de vê-lo vencer de maneira gloriosa.

Sou fã de Fórmula 1 desde menino e sempre gostei muito de assistir às corridas na tevê. Mas não há nada como ser fisgado. O cheiro, o som. Já participei de corridas em clubes, e estar dentro de um carro potente faz a adrenalina ficar a mil. São estes os sentimentos que tentei capturar em A Arte de Correr na Chuva. Quando o personagem Enzo surgiu na minha mente e começou a conversar comigo, percebi que era a voz perfeita para conduzir estes sentimentos.

Um cachorro é um observador elementar. Não tendo como pronunciar palavras, analisa tudo o que está à sua volta. Os sentidos de um cão são apuradíssimos. Seu foco é singular. Enzo, o cachorro do meu romance, é um verdadeiro estudante do mundo ao seu redor. E também um fã devoto da Fórmula 1. Seu herói? Ayrton Senna, claro!

Escrever este livro foi mágico para mim. Estou comovido por saber que pessoas em todo o mundo irão, em breve, ter contato com Enzo e sentirão a mesma alegria lendo sobre ele como me senti escrevendo a respeito dele. E estou especialmente grato por meu livro ser publicado no Brasil.

Minhas saudações,

Garth Stein
 

LabradorOs gestos são tudo que eu tenho; às vezes precisam ser de natureza ampla. E, apesar de passarem dos limites em algumas ocasiões e parecerem melodramáticos, são o que tenho para me comunicar claramente. Para me fazer entender sem que reste nenhuma dúvida. Não posso contar com as palavras, pois, horror dos horrores, minha língua é comprida, lisa e descoordenada, sendo, portanto, um instrumento absolutamente ineficiente para empurrar a comida dentro da minha boca enquanto mastigo, e ainda menos eficiente para produzir sons inteligentes e polissilábicos complexos que possam se unir para formar sentenças. E é por isso que estou aqui agora, esperando Denny chegar em casa — ele deverá chegar logo —, deitado nos ladrilhos do piso frio da cozinha em uma poça de minha própria urina.

Estou velho. E, embora esteja em condições de ficar ainda mais velho, não é assim que desejo ir embora. À base de injeções com remédios para a dor e esteróides para diminuir o inchaço das juntas. A visão nublada pela catarata. Tenho certeza de que Denny me daria um daqueles carrinhos que já vi na rua, aqueles que apóiam os quadris de modo que o cachorro consiga arrastar o traseiro quando as coisas começam a ficar realmente preocupantes. É uma situação constrangedora e degradante. Não sei se é pior do que vestir um cachorro com roupas de Halloween, mas está perto. Ele faria isso por amor, é claro. Tenho certeza de que faria qualquer coisa para me manter vivo pelo máximo tempo possível, com meu corpo se deteriorando, se desintegrando, se dissolvendo até que não restasse mais nada além do meu cérebro flutuando em um vidro cheio de líquido transparente, os globos oculares boiando na superfície e todos os tipos de cabos e tubos alimentando o que restasse. No entanto, eu não quero que me mantenham vivo. Porque sei o que vem depois. Eu vi na televisão. Um documentário sobre a Mongólia. Foi a melhor coisa que já vi na televisão, tirando o Grande Prêmio da Europa de 1993, é claro, a maior corrida de todos os tempos, em que Ayrton Senna mostrou que era um gênio na chuva. Depois do Grande Prêmio de 1993, o melhor programa a que assisti na televisão foi um documentário que explicava tudo, esclarecia pormenores, dizia toda a verdade: quando um cachorro termina a vida como cachorro, sua próxima encarnação será como homem.

Sempre me senti quase humano. Sempre soube que havia algo em relação a mim que era diferente dos outros cachorros. Certo, estou preso no corpo de um cachorro, mas trata-se apenas da carcaça. O que está dentro é que é importante. A alma. E a minha alma é muito humana.

Agora estou pronto para me tornar um homem, apesar de saber que perderei tudo que fui. Todas as minhas lembranças, toda a minha experiência. Gostaria de levá-las comigo para a minha nova vida — vivi tantas coisas com a família Swift... —, contudo não sou eu quem determina essas coisas. Que mais posso fazer senão me forçar a lembrar? Tentar gravar o que sei em minha alma, algo que não tem superfície, não tem lados, páginas ou forma de qualquer tipo. Levar as lembranças tão entranhadas nos bolsos da minha existência que, ao abrir os olhos e baixar o olhar para minhas novas mãos, com polegares capazes de se fechar em volta dos meus dedos, eu saberei. Já terei visto.

A porta abre e ouço seu chamado familiar:

— Ei, Zo!

Normalmente não resisto e deixo a dor de lado. Fico em pé, abano o rabo, penduro a língua e enfio o focinho no meio de suas pernas. É preciso ter força de vontade como a dos humanos para me controlar numa situação dessas, mas eu consigo. Eu me controlo. Não levanto; estou atuando.

— Enzo?

Ouço os passos, a preocupação em sua voz. Ele me encontra e olha para baixo. Levanto a cabeça, abano o rabo debilmente e o deixo ir ao chão. Cumpro meu papel.

Ele balança a cabeça e passa a mão pelo cabelo. Coloca de lado a sacolinha do mercado com seu jantar. Dá para sentir o cheiro de frango assado que vem de lá. Esta noite ele vai comer frango assado e salada de alface.

— Ah, Enz — ele suspira.

Ele estende o braço, agacha, toca a minha cabeça, passa a mão na dobra atrás da orelha, e eu levanto a cabeça. Dou uma lambida em seu braço.

— O que foi que aconteceu, garoto? — ele pergunta. Os gestos não bastam para explicar.

— Você consegue se levantar?

Eu tento e me atrapalho. Meu coração vai a mil, dispara, porque não, não consigo. Entro em pânico. Pensei que estivesse apenas fingindo, mas não consigo mesmo levantar. É a vida imitando a arte.

— Calma, garoto — ele diz com a mão no meu peito para eu me acalmar. — Peguei você.

Ele me levanta com facilidade, me carrega, e consigo sentir o cheiro do seu dia em seu corpo. Posso sentir tudo que ele fez. Seu trabalho, a loja de automóveis onde ele passa o dia inteiro atrás do balcão, em pé, sendo gentil com os clientes que gritam com ele porque seus BMWs não estão funcionando perfeitamente e eles gastam muito para mandar consertá-los; por isso ficam irritados e precisam gritar com alguém. Posso sentir o almoço. Ele foi até seu restaurante indiano preferido. Comida à vontade. Tudo que você conseguir comer. É barato, e às vezes ele leva um potinho e pega umas porções extras de frango assado em tandoor e arroz amarelo, e traz para o jantar. Dá para sentir o cheiro de cerveja. Ele parou em algum lugar. O restaurante mexicano no alto da colina. Posso sentir o cheiro de tortilla em seu hálito. Agora tudo faz sentido. Normalmente, tenho excelente percepção logo no primeiro contato, mas não estava prestando atenção por causa das minhas emoções.

Ele me coloca gentilmente na banheira e liga aquela coisa de lavar com a mão. Diz:

— Calma, Enz. — Continua: — Desculpe ter demorado. Eu devia ter vindo direto pra casa, mas os caras lá do trabalho insistiram. Eu disse para o Craig que estava saindo, e...

As palavras se perdem no ar e percebo que ele acha que aquele contratempo aconteceu porque ele se atrasou. Oh, não. Isso não devia estar acontecendo. É tão difícil a gente se fazer entender porque são tantas as partes subjetivas. Existe a explicação e existe a interpretação, e elas dependem tanto uma da outra que as coisas ficam muito complicadas. Eu não queria que ele se sentisse mal a respeito disso. Queria que ele visse o óbvio, que estava tudo bem em me deixar partir. Ele tinha passado por tanta coisa, e finalmente tudo havia chegado ao fim. Era preciso que eu não estivesse mais por perto para ele não se preocupar. Ele precisava que eu o libertasse para brilhar.

Ele é tão brilhante! É um ser iluminado. É bonito com suas mãos que sabem pegar coisas e sua língua que articula palavras e a maneira como ele fica em pé e mastiga a comida durante tanto tempo, amassando-a numa pasta antes de engolir. Vou sentir falta dele e da pequena Zoë, e sei que eles vão sentir minha falta. Mas não posso deixar que o sentimentalismo estrague meu grande plano. Depois que isso acontecer, Denny ficará livre para viver sua vida, e eu vou voltar para a Terra em uma nova forma, como homem, e vou encontrá-lo e cumprimentá-lo com a mão e comentar o quanto ele é talentoso, e então vou piscar para ele e dizer:

— Enzo mandou um “oi”.

Vou me virar e me afastar depressa, e ele vai gritar:

— Eu conheço você? Nós já nos encontramos antes?

Depois do banho, ele limpa o chão da cozinha enquanto fico olhando; ele me dá comida, que como muito depressa como sempre, e me coloca na frente da TV enquanto prepara seu jantar.

— Que tal uma fita? — ele pergunta.

— Sim, uma fita — respondo, mas é claro que ele não me ouve.

Ele coloca uma fita de vídeo de uma das suas corridas, liga o aparelho e nós assistimos. É uma das minhas favoritas. A pista está seca para a volta de aquecimento, e então, assim que a bandeira verde é erguida, indicando o início da corrida, o mundo desaba, uma chuva torrencial invade a pista, e todos os carros ao seu redor começam a rodar descontrolados na direção da grama, enquanto ele passa por eles como se a chuva não estivesse caindo em cima dele também, como se houvesse um feitiço mágico para tirar a água do seu caminho. Exatamente como no Grande Prêmio da Europa de 1993, quando Senna passou quatro carros na volta de abertura, quatro dos mais renomados pilotos do campeonato com seus renomados carros oficiais: Schumacher, Wendlinger, Hill e Prost; ele passou todos. Como se tivesse um feitiço mágico.

Denny é tão bom quanto Ayrton Senna. Mas ninguém o vê porque ele tem responsabilidades. Tem sua filha, Zoë, e tinha sua mulher, Eve, que ficou doente e morreu, e tem a mim. E mora em Seattle, quando deveria morar em outro lugar. Ele tem um emprego. Mas às vezes, quando sai, volta com um troféu e o mostra para mim, e me conta tudo sobre as corridas e como brilhou na pista e ensinou aos outros pilotos em Sonoma, ou Texas ou Ohio, como é dirigir na chuva. Quando a fita termina, ele fala:

— Vamos dar uma volta.

Luto para ficar em pé.

Ele ergue meu traseiro no ar e centraliza meu peso sobre as pernas; aí eu fico bem. Para mostrar, esfrego o focinho na sua coxa.

— Esse é o meu Enzo.

Saímos do apartamento; a noite está limpa, fria e clara, e com um ventinho. Mal chegamos ao fim do quarteirão e já voltamos porque meus quadris doem muito, e Denny percebe. Denny sabe. Quando chegamos em casa, ele me dá meus biscoitinhos da hora de dormir e eu me enrolo na minha cama no chão perto da dele. Ele pega o telefone e faz a ligação.

— Mike — diz ele. Mike é o amigo de Denny da loja onde os dois trabalham atrás do balcão. Relacionamento com o cliente, é como eles chamam o que fazem. Mike é um sujeito pequeno com mãos cor-de-rosa amigáveis, sempre lavadas e sem cheiro. — Mike, você pode me cobrir amanhã? Tenho que levar o Enzo até o veterinário de novo.

Temos ido muito ao veterinário ultimamente para pegar remédios diferentes que teoricamente deveriam me ajudar a me sentir mais confortável, mas isso não acontece, mesmo. E, como eles não fazem efeito, e considerando tudo que ocorreu ontem, coloquei em funcionamento o Plano Mestre.

Denny pára de falar por um momento, e, quando torna a conversar, a voz não parece ser sua. É rouca, como se estivesse resfriado ou com alguma alergia.

— Não sei — ele responde. — Não tenho certeza se é uma viagem de ida e volta.

Posso não ser capaz de formar palavras, mas consigo entendê-las. E fiquei surpreso com o que ele falou, apesar de já ter imaginado. Por um momento, fiquei surpreso com o fato de meu plano estar funcionando. É a melhor coisa para todos os envolvidos, eu sei. É o que Denny deve fazer. Ele já fez tanto por mim, durante toda a minha vida. Eu lhe devo isso, o direito de ficar livre. O direito de passar para outra etapa. Fizemos uma boa corrida, e agora acabou; qual é o problema?

Fecho meus olhos e, meio sonolento, escuto vagamente enquanto ele faz as coisas que costuma fazer todas as noites antes de dormir. A escova, a torneira, a descarga. Tantas coisas. As pessoas e seus rituais. Às vezes elas se apegam tanto às coisas!

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Ele me pegou no meio de uma porção de filhotes, um amontoado confuso de patas, Labrador 2orelhas e rabos, atrás de um celeiro, em um sítio malcheiroso perto de uma cidade no lado leste de Washington chamada Spangle. Não me lembro muito bem de onde tinha vindo, mas me lembro da minha mãe, um labrador pesadão com te_tas penduradas que balançavam para a frente e para trás enquanto meus irmãos de ninhada e eu andávamos atrás dela pelo quintal. Francamente, nossa mãe não parecia gostar muito da gente, e não se importava se estávamos comendo ou morrendo de fome. Ela parecia aliviada sempre que um de nós ia embora. Um animal a menos para latir e andar atrás dela para arrancar seu leite.

Nunca conheci meu pai. As pessoas da fazenda disseram a Denny que ele era uma mistura de poodle com pastor, mas eu não acredito. Nunca vi um cachorro que se parecesse com essa descrição na fazenda e, apesar de a dona ser bacana, o homem alfa era um canalha mesquinho capaz de olhar os outros nos olhos e mentir mesmo que ganhasse mais contando a verdade. Ele discorria longamente a respeito da inteligência relativa das raças de cães, e acreditava com veemência que os pastores e os poodles eram os mais espertos, e por isso seriam mais desejados — além de mais valorizados — quando “puxassem o labrador no temperamento”. Um monte de palavras inúteis. Todo mundo sabe que os pastores e os poodles não são particularmente espertos. Eles apenas respondem e reagem, não são pensadores independentes. Principalmente os pastores australianos de olhos azuis, que as pessoas tanto elogiam quando tentam pegar um frisbee. Certo, eles são espertos e rápidos, mas não conseguem ir além; são muito limitados.

Tenho certeza de que meu pai era um terrier. Porque os terriers resolvem os problemas. Eles fazem o que lhes mandam, mas apenas se estiverem de acordo com o que querem fazer. Havia um terrier desse tipo na fazenda. Um airedale terrier. Grande, castanho-escuro e forte. Ninguém mexia com ele. Não ficava conosco no espaço cercado atrás da casa. Ficava no celeiro, na descida da colina perto do lago, onde os homens iam consertar os tratores. No entanto, às vezes ele subia a colina, e, quando vinha, todos saíam da frente. Dizia-se na fazenda que era um cão de briga que o homem alfa mantinha separado porque havia matado um cachorro que se metera a farejar em sua direção. Era capaz de arrancar o pêlo da nuca de alguém por causa de um olhar qualquer. E, quando uma cadela estava no cio, ele a montava e fazia seu serviço sem se importar com quem estivesse olhando ou com o fato de estar causando incômodo. Sempre imaginei que ele poderia ser meu pai. Tenho sua cor castanho-escura e meu pêlo é meio crespo, e as pessoas comentam que devo ter uma parte terrier. Gosto de imaginar que procedo de uma fonte de genes privilegiados.

Lembro do calor que fazia no dia em que deixei a fazenda. Todos os dias eram quentes em Spangle, e eu havia determinado que o mundo era um lugar quente simplesmente porque nunca soubera o que era frio. Nunca tinha visto chuva, não sabia muita coisa sobre água. Água era aquele negócio nos baldes que os cães mais velhos tomavam, e era o negócio que o homem alfa jogava com a mangueira em cima dos cachorros que queriam começar a brigar. Mas no dia em que Denny chegou fazia calor demais. Eu e meus irmãos de ninhada estávamos lutando como de costume quando a mão de alguém entrou no meio e agarrou meu pescoço. De repente, eu balançava no ar.

— Este aqui — disse um homem.

Foi o primeiro vislumbre do que seria o resto da minha vida. Ele era esguio, com músculos definidos e enxutos. Não era um homem grande, mas tinha um semblante determinado. Seus olhos, azul-claros, possuíam um brilho inteligente. O cabelo era crespo e curto; a barba cerrada, escura e encaracolada, como um terrier irlandês.

— O favorito da ninhada — disse a senhora. Ela era legal; eu gostava quando nos aninhávamos em seu colo macio. — O mais doce. O melhor.

— Távamos pensando que nós podia ficar com ele — comentou o homem alfa, aproximando-se com suas botas grandes cobertas com a lama do lago onde estava arrumando uma cerca. Ele sempre falava isso. Caramba, eu era um bichinho com apenas 12 semanas de vida e já tinha ouvido aquela frase uma porção de vezes. Ele dizia isso para conseguir mais dinheiro.

— Eu poderia levá-lo?

— Por um bom preço — respondeu o homem alfa, desviando os olhos na direção do céu, de um azul muito claro por causa da luz do sol. — Por um bom preço.

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Labrador– Com muito cuidado. Como se tivesse casca de ovo nos pedais — Denny sempre diz — e você não quisesse quebrá-la. É assim que você dirige na chuva.

Quando assistimos às fitas de vídeo juntos — algo que fazemos desde o primeiro dia em que nos conhecemos —, ele explica essas coisas para mim. (Para mim!) Equilíbrio, expectativa, paciência. Isso tudo é vital. Visão periférica, para poder ver o que você nunca viu antes. Sensação sinestésica, para pilotar instintivamente. Mas o que eu mais gostava era quando ele falava em não ter lembranças. Nenhuma lembrança do que ele tinha acabado de fazer. Fossem boas ou ruins. Porque a lembrança é o tempo se dobrando sobre si mesmo. Lembrar é se desligar do presente. Para conseguir qualquer tipo de sucesso em corridas de carro, o piloto não pode lembrar.

É por isso que os pilotos gravam compulsivamente cada movimento seu, cada corrida sua, com câmeras no cockpit, vídeos do interior do carro, mapeamento de dados; um piloto não pode ser testemunha de sua própria grandeza. Isso é o que diz Denny. Ele diz que correr é fazer. É ser parte de um momento e não ter consciência de nenhuma outra coisa naquele momento. Os pensamentos ficam para depois. O grande campeão Julian SabellaRosa disse:

— Quando estou correndo, e minha mente e meu corpo estão trabalhando tão intensamente e tão bem juntos, preciso me assegurar de não pensar, ou posso cometer algum erro.

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Denny me levou para muito longe da fazenda em Spangle, para um bairro em Seattle Labrador 2chamado Leschi, onde ele morava em um pequeno apartamento alugado perto do lago Washington. Eu não gostava muito de viver em apartamento porque estava acostumado com espaços amplos e abertos, e, além disso, ainda era filhote; mas tínhamos uma varanda com vista para o lago, o que me dava grande prazer, pois sou um cão que adora a água, um grande nadador por parte de mãe.

Cresci depressa e, durante aquele primeiro ano, Denny e eu desenvolvemos uma profunda afeição um pelo outro, e também um sentimento de confiança. Foi por causa desse fato que fiquei surpreso quando ele se apaixonou por Eve tão depressa.

Ele a trouxe para casa e ela tinha um cheiro bom, como o dele. Quando ficavam cheios de bebidas fermentadas, agiam de modo engraçado: se agarravam como se houvesse roupa demais entre eles e ficavam se abraçando, se agarrando, se mordendo e enroscando os dedos e puxando os cabelos um do outro, encostando os ombros e os pés e trocando saliva. Caíam na cama e ele montava nela. Ela gritava:

— O campo é fértil; tome cuidado!

E ele respondia:

— Eu adoro a fertilidade.

E ele arava o campo até agarrar os lençóis com as mãos, para depois arquear as costas e gritar de prazer.

Quando levantava para ir ao banheiro, dava um tapinha na minha cabeça, que não ficava muito longe do chão, pois eu ainda era muito novo, com pouco mais de um ano, e estava um pouco intimidado e encolhido com todos aqueles gritos. Ela perguntava:

— Você não liga se eu o amar também, não é mesmo? Não vou ficar entre você dois.

Eu a respeitava por perguntar, mas sabia que ficaria entre nós, e considerava aquela negativa profilática apenas uma enganação. Tentava não agir de maneira pouco amistosa porque sabia o quanto Denny estava apaixonado por ela. No entanto, devo admitir que não apreciava sua presença. E por causa disso ela também não me apreciava. Éramos satélites em torno de Denny, lutando pela supremacia gravitacional. É claro que ela tinha a vantagem da língua e dos polegares, e, quando ela o beijava ou acariciava, de vez em quando olhava para mim e piscava, como se dissesse: Olhe para os meus polegares! Veja o que eles podem fazer!

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Filme publicitário do livro A Arte de Correr na Chuva quando do seu lançamento:



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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Livros | Brasil: Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Outubro 19, 2008

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Livros | Brasil: Lista dos livros mais vendidos no Brasil
Outubro 19, 2008

O Estado de São Paulo

Livros A Cabana William P Young The Shack Books

Ficção

01. A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro

02. LUA NOVA
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

03. O VENDEDOR DE SONHOS
Augusto Cury . leia um trecho do livro

04. CREPÚSCULO
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

05. O PEQUENO PRÍNCIPE
Antoine de Saint-Exupéry . leia um trecho do livro

06. A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS
Markus Zusak

07. ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
José Saramago . leia um trecho do livro

08. O LIVRO PERIGOSO PARA GAROTOS
Conn Iggulden e Hal Iggulden . leia um trecho do livro

09. QUERIDO DIÁRIO OTÁRIO (vol.1)
Jim Benton

10. DOIDAS E SANTAS
Martha Medeiros . leia um trecho do livro


Livros Comer Rezar Amar Elizabeth Gilbert Books

Não-Ficção

01. COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro

02. O PAÍS DOS PETRALHAS
Reinaldo Azevedo

03. UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro

04. 1808
Laurentino Gomes . leia um trecho do livro

05. DEWEY - UM GATO ENTRE LIVROS
Vicki Myron e Bret Witter . leia um trecho do livro

06. O MONGE E O EXECUTIVO
 James C. Hunter . leia um trecho do livro

07. O SEGREDO
Rhonda Byrne

08. ELES CONTINUAM ENTRE NÓS
Zibia Gasparetto . leia um trecho do livro

09. SÓ POR AMOR
Mônica de Castro

10. ESCREVENDO PELA NOVA ORTOGRAFIA
José Carlos de Azeredo

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domingo, 19 de outubro de 2008

Trecho do Livro: Amy Winehouse | Chas Newkey-Burden

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Trecho do Livro: Amy Winehouse | Chas Newkey-Burden

Livros Amy Winehouse Chas Newkey Burden BooksLivro: Amy Winehouse

Saiba onde encontrar este livro

Nascida para ser indômita?

Uma vez disseram a respeito de Amy Winehouse: "Às vezes, ela parece uma personalidade que nasceu um pouco fora de sua época". Amy nasceu em 14 de setembro de 1983, em Southgate, ao norte de Londres. A menos de dezesseis quilômetros do centro de Londres e no município de Enfield, Southgate fica ao lado da North Circular Road. Outras pessoas famosas — e não famosas — nasceram lá: o lendário Norman Tebbit, do Partido Conservador inglês, e a cantora Rachel Stevens, do S Club 7, por exemplo.

Muitas das famílias que moram nas casas de tijolos vermelhos de Southgate são judias. Há judeus na região de Enfield desde 1750, mas foi entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial que boa parte das famílias judias se mudou do leste para o norte de Londres. Na época dos "Swinging Sixties" — a alegre Londres dos anos 1960 —, cerca de 280 mil judeus moravam ao norte da cidade. Atualmente, há cinco sinagogas e três cemitérios judaicos nas proximidades.

Embora existam fotografias de Amy vestida para a festa judaica de Purim, sua família não era especialmente religiosa. "Não tivemos educação religiosa. Sou apenas uma menina de família. Venho de uma família grande. Acho que é importante estar rodeada e próxima da família. Tenho muita sorte por ter minha mãe e meu pai."

Zaddy Lawrence, editor do Jewish News, diz:

Ela fica feliz ao falar de sua identidade judaica. Não tem vergonha de dizer que é judia ou de falar a esse respeito, mas há poucas entrevistas que mencionam esse assunto.

No que diz respeito à comunidade judaica, acho que ficou muito animada quando Amy entrou em cena. Imaginamos que fosse a estrela pop judia. Elas eram poucas, fora Rachel Stevens, que não tinha muita credibilidade porque estava no S Club 7. Rachel só era bonita, com um belo par de peitos, desculpem-me dizer isso. Ela tinha talento, eu acho, mas era mais uma princesa pop.

No entanto, em termos de artista judia, há muito tempo não aparecia ninguém como ela. Não me lembro da última artista verdadeiramente judia que tenha surgido na Inglaterra. Ao aparecer, Amy era uma artista convincente, por isso, a comunidade ficou muito animada. Mas, desde então, ela perdeu muito da aprovação por causa de seu comportamento.

Amy diz que não gostava de ir às aulas na cheder — a tradicional escola elementar que ensina as bases do judaísmo e a língua hebraica. "Todas as semanas eu falava: ‘Não quero ir, papai, por favor, não me obrigue a ir’", conta ela. "Ele era tão sentimental que muitas vezes concordava. De qualquer forma, nunca aprendi nada na escola a respeito de ser judia." Mesmo assim, ela freqüenta a sinagoga no Yom Kippur e participa das festas da Páscoa.

Ser judia, para mim, significa estarmos juntos como uma verdadeira família. Não tem a ver com acender velas e dizer uma brocha. Não sou nem um pouco religiosa. Acho que a fé é uma coisa que dá força. Acredito no destino e acredito que as coisas acontecem por algum motivo, mas não acho que exista necessariamente uma força mais elevada. Acredito muito no carma, no entanto. Há tantas pessoas grosseiras por aí, e há as que não têm nem um amigo de verdade. E os relacionamentos íntimos — com a mãe, a avó, o cachorro — são as coisas que dão a maior felicidade na vida. Fora os sapatos e as bolsas.

A menina de família Amy foi criada em uma bem cuidada casa, pelos pais Mitchell e Janis. Mitchell Winehouse, conhecido como Mitch, era motorista de táxi e cantor amador. E grande fã de artistas como Tony Bennett e Frank Sinatra, assim, as músicas desses cantores enchiam a casa enquanto Amy crescia. "Meu pai é ótimo", diz Amy. "Ele gosta de karaokê do Sinatra. Tem um CD no táxi com todas as trilhas de backing. Poderia ser crooner, de tão bom que ele é."

A mãe de Mitch também tem ligações com a música. Uma vez namorou um músico e dono de clube de jazz lendário, Ronnie Scott. Entretanto, o relacionamento enfrentou um impasse. Ela não deitaria junto com ele antes de se casarem, e ele queria se casar com ela, mas não se casaria a não ser que fossem para a cama antes, porque não sabia se iria gostar. Então ele se mandou.

Certa vez, ao defender a filha, Mitchell disse: "Minha filha não está enlouquecida pelas drogas. Até eu, quando era jovem, experimentei." E acrescenta: "O que Amy escreve é a verdade da vida e, algumas vezes, isso é doloroso. ‘What is it About Men?’ é uma letra verdadeira. Ela não mentiu a esse respeito quando escreveu: ‘Toda a mer_da que minha mãe agüentou’. Foi verdade. Eu fiz a mãe dela passar por maus bocados. Mas só fui infiel uma vez."

Entretanto, Amy sempre afirma que recebeu muito amor e afeto do pai. "Quando eu era pequena, se entrasse num cômodo em que meu pai estava, ele me beijava e me fazia carinho. Também era assim com a mamãe quando eles ainda estavam juntos. Como ele era desse jeito, ela era menos." Também disse que se parece "muito com o meu pai. Somos, os dois, o tipo de gente que acha importante fazer as coisas e ser sincero com as pessoas".

Mitchell se lembra de cantar com Amy quando ela era criança. Ele começava uma canção — "I Only Have Eyes For You", de Sinatra, por exemplo — e pulava frases de vez em quando, para que Amy preenchesse as lacunas. "Mitchell e Amy eram muito agarrados", lembra a mãe, Janis. "O pai cantava Sinatra para ela porque ele sempre cantava, e ela estava sempre cantando, até na escola. As professoras tinham de mandá-la parar durante as aulas." Janis, que se formou em ciências pela Universidade Aberta antes de estudar na London School of Pharmacy, também tem uma herança musical familiar: seus irmãos eram músicos profissionais de jazz.

O casal se mudara de um diminuto apartamento de dois quartos, numa casa geminada dos anos 1930, para uma bela casa vitoriana de três quartos numa quadra com uma série de casas iguais em Southgate. Ali, tiveram o primeiro filho, Alex, e, quatro anos mais tarde, Amy. "Amy era uma criança linda — sempre ocupada, sempre curiosa", lembra Janis. Histórias assustadoras sobre o estilo de vida caótico de Amy agora enchem regularmente os jornais, e, quando criança, teve dois esbarrões com o desastre: com cerca de um ano, se engasgou com papel celofane, sentada em seu carrinho, e uma vez sumiu no parque local. Uma das lembranças mais antigas de Amy é a de sua paixonite por Philip Schofield, apresentador de um programa infantil na tv. Ela insistia com a mãe para que largasse o pai e se casasse com Schofield.

Amy também gostava de ficar com a avó, que apresentou Amy e o irmão à importância da aparência. "Que Deus a tenha, ela praticamente nos ensinou a cuidar de nós. Alex fazia as unhas do pé da vovó, e eu fazia as unhas da mão e cuidava do cabelo dela", disse Amy. Ao ouvir isso, Blake, seu marido, brincou: "Pode ser bastante castrador para um menininho de oito anos bancar pedicuro da avó".

É evidente a grande influência que a avó teve sobre Amy. Quando indagada a respeito de suas fobias, ela disse: "Não acho que tenha medo de nada. Não tenho medo de cobra, de aranha ou de qualquer outra coisa. Mas tenho medo da minha avó. Ela é pequena, mas é uma pessoa assustadora". Não que a televisão depois da escola e o treinamento de beleza por parte da avó fossem as únicas alegrias de Amy. "Eu realmente gostava da escola, gostava de aprender", lembra ela, acrescentando: "Mas acho que se uma pessoa não se sente estranha, ela nunca faz nada de diferente, não é? De modo que eu devo ter me sentido um pouco de fora. Mas não é uma história triste".

Quando perguntaram se poderia citar qualquer influência sobre Amy na infância, Mitchell aponta Janis. "A influência vem da família da minha ex-mulher, que tem músicos excelentes. Mas é mais o que escutávamos em casa: Sinatra, Ella Fitzgerald, Dinah Washington." Quanto a Janis, ela devolve o crédito a Mitchell. "Assim como acontece com qualquer pai que tem filhos talentosos, fico muitíssimo orgulhoso das façanhas dela, mas não posso dizer honestamente que a empurrei ou a orientei para o show business. Só quero que sejam felizes. Não tenho reverência pelo status e não tenho créditos especiais no modo como o talento deles emergiu."

Janis confirma: "Ela sempre sonhou ser cantora. Era tudo o que queria. Vivia cantando pela casa". Ela cantava "I Will Survive", de Gloria Gaynor enquanto ficava deitada na banheira. Os vizinhos também lembram as primeiras apresentações de Amy Winehouse — e sua ousadia inexperiente! Paul Nesbitt morava perto da família dela. Ele disse: "Quando me mudei para lá, Amy enfiou a cabeça pela janela do banheiro e começou a cantar com um microfone. Ela tinha talento. Mas era um tanto travessa. Havia um guarda calvo que morava em frente e Amy o chamava de careca. Ela dava festas quando os pais saíam".

O irmão dela, Alex, também gostava muito de música e também foi uma grande influência sobre o desenvolvimento musical de Amy. Ela explica: "Eu era uma criança, tímida demais para cantar. Então, meu irmão ficava de pé em cima de uma cadeira, com o uniforme da escola, imitando Frank Sinatra". Sua habilidade com a guitarra inspirou Amy a aprender a tocar. "Ele aprendeu sozinho. Assim eu recebi dele a inspiração para aprender sozinha e ele me mostrou algumas coisas", disse. "Alex começou a curtir jazz quando tinha dezoito anos, e eu, quatorze, e ouvia Thelonious Monk, Dinah Washington, Sarah Vaugh e Ella Fitzgerald; e aprendi a cantar ouvindo", diz ela.

Sua primeira guitarra foi uma Fender Stratocaster. "É minha guitarra favorita", disse ela muitos anos depois. "É clássica, tem boa aparência e um som lindo. Realmente se presta a qualquer coisa." Entretanto, ela também concedeu o rótulo de "guitarra favorita" a outro modelo. "A Gretch White Falcon é minha guitarra favorita em todos os tempos. É linda. Tem a imagem grande de um falcão."

A jovem Amy acabaria por sair da sombra musical de Alex. "Quando eu tinha uns nove anos, consegui", lembra ela. "‘Cante’, gritava minha avó. ‘E sorria!’. Mas eu ainda precisava segurar um leque na frente do rosto para "Eternal Flame": ‘Close your eyes, give me your hand...’".

A melhor amiga de Amy é Juliette Ashby. Quando crianças, as duas tinham uma brincadeira. "Ela era Pepsi e eu era Shirley, as garotas que faziam o backing para Wham! Acho que entramos em sintonia porque éramos um pouco desafinadas." Isso fez com que as duas formassem uma dupla chamada Sweet’n’Sour. "Eu e minha amiga adorávamos as Salt-N-Pepa", explica ela. "Por isso, formamos uma banda chamada Sweet’n’Sour. Tínhamos uma canção chamada ‘Spinderella’, ótima, mas isso foi há muitos anos."

Para a jovem Amy, as meninas do Salt-N-Pepa eram muito mais do que meras estrelas pop. "Meus primeiros modelos foram as Salt-N-Pepa", diz ela. "Eram mulheres de verdade, não tinham medo de falar de homens, conseguiram o que queriam e falavam de garotas de quem não gostavam. Isso foi muito legal."

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sábado, 18 de outubro de 2008

Trecho do Livro: Einstein | Françoise Balibar

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Trecho do Livro: Einstein | Françoise Balibar

Livros Einstein Francoise Balibar BooksLivro: Einstein

Saiba onde encontrar este livro

“Bens materiais, sucesso de fachada e luxo sempre me pareceram desprezíveis, desde muito cedo na minha juventude.”

Neste princípio de ano de 1895, no trem Munique–Milão, um rapaz de 16 anos reflete sobre seu destino. Ele acabou de abandonar os estudos no Gymnasium onde seus pais o haviam matriculado e fugiu para a Itália na esperança de encontrá-los. Com certeza essa decisão não foi tomada levianamente; sabia que ao não se apresentar, dentro de alguns meses, para o exame de conclusão de curso de estudos secundários, em que praticamente tinha certeza de ser aprovado, estaria renunciando à possibilidade de algum dia se matricular numa universidade. Sabe que, ao agir desse modo, vai decepcionar e fazer sofrer seus pais, que sonhavam com uma carreira honrada para ele.

Mas ele não suporta mais; nenhum argumento razoável seria capaz de contrabalançar o desgosto que lhe inspira a vida de secundarista. Quando os pais estavam a seu lado, ainda conseguia suportar as contrariedades de um sistema educativo rígido e severo. Mas, em conseqüência de reveses financeiros, eles decidiram abandonar Munique, levando a filha mais moça, Maja, e deixando o filho Albert entregue aos bons cuidados de uma família amável até o fim do ano escolar.

Albert Einstein nasceu em 1879, na década em que se realizou a unificação da Alemanha sob a égide da Prússia. Durante séculos, a Alemanha tinha sido apenas uma região geográfica, um campo de batalha onde se enfrentavam as potências da Europa.

Em menos de uma geração, a geração de Bismarck, mais ou menos a mesma dos pais de Einstein, a Alemanha havia se tornado um Estado poderoso e forte, uma nação enriquecida por uma industrialização galopante. Mas esses sucessos não eram capazes de fazer com que fossem esquecidas as divisões religiosas e regionais que até então a haviam dividido e às quais se acrescentavam conflitos sociais cada vez mais agudos ligados ao crescimento industrial. Somente o desenvolvimento do nacionalismo e do militarismo podia mascarar essas fraquezas e fazer com que a unificação se tornasse uma realidade.

A infância de Einstein se desenrolou nessa atmosfera muito especial, mescla de exaltação da força e da glorificação da cultura alemã tradicional, filosófica, literária e musical (Kant, Goethe, Schiller, Beethoven) que marcou a Alemanha de Bismarck.

Os Gymnasien, esses estabelecimentos de ensino secundário onde era formada a elite do país, o equivalente de nossos colégios secundários na mesma época, evidentemente só podiam refletir esse estado de espírito. Neles se oferecia um tipo de ensino que exigia por parte dos alunos, simultaneamente, grande familiaridade com os clássicos e real competência nas disciplinas científicas. Ali se exaltava a cultura e o ideal de um desenvolvimento harmonioso da personalidade, ao mesmo tempo em que se obrigava os alunos à mais estrita obediência, impondo-lhes uma disciplina quase militar.

É esta mistura de autoritarismo e doutrinação enciclopédica que o jovem Einstein não pôde suportar. “É um verdadeiro milagre”, escreveria mais tarde, “que a empresa educativa moderna não tenha ainda asfixiado completamente a curiosidade sagrada da pesquisa. Pois esta pequenina e frágil planta tem necessidade de estímulos e sobretudo de liberdade, caso contrário ela perece. É um erro grave acreditar que o prazer de observar e de procurar possa ser induzido pela coação ou pelo sentimento de dever. Creio que se possa privar até mesmo um animal predador, em bom estado de saúde, de sua voracidade, ao obrigá-lo a comer quando ele não tem fome, sob a ameaça perpétua de um chicote.”

Desgostoso com essa disciplina militar e encorajado pela atitude hostil de alguns de seus professores que não suportavam sua independência de espírito, Einstein então decidiu partir para a Itália naquele princípio de ano de 1895. A esses motivos, bastante fortes para levá-lo a tomar sua decisão final de maneira precipitada, acrescentava-se um outro, que foi objeto de muito mais reflexão, mas que manifestava do mesmo modo sua recusa de viver na Alemanha dos anos 1890: o desejo de evitar o serviço militar. Ao deixar o país antes de concluir o curso secundário, Einstein esperava obter a tempo a nacionalidade suíça — o que lhe permitiria não ser considerado um desertor. “Se alguém pode ter prazer em marchar em fileiras, ao som de uma música, isto é suficiente para que eu o despreze; foi por engano que ele recebeu um cérebro, uma vez que a medula de sua espinha lhe seria amplamente suficiente.”

A emancipação econômica e social dos judeus alemães no final do século XIX:

Ao vê-lo chegar à Itália, os pais de Einstein talvez tenham se sentido orgulhosos diante de tamanha audácia, mas ao mesmo tempo ficaram preocupados. Não estaria o filho deles em vias de jogar fora exatamente o que lhes havia sido negado na juventude: a possibilidade de ascender a profissões às quais a universidade dava acesso, garantindo ao mesmo tempo a segurança financeira e a satisfação intelectual? Hermann Einstein, pai de Albert, havia demonstrado quando jovem inclinações inegáveis para as ciências matemáticas, mas tivera que renunciar a elas em particular porque, por ser judeu sem fortuna pessoal, o acesso à universidade lhe era praticamente vedado. Sem dúvida, a contragosto, ele tinha se estabelecido no mundo dos negócios, mas havia esperado que seu filho pudesse se beneficiar com o novo estatuto dos judeus na Alemanha.

A emancipação dos judeus, sua formidável ascensão social na Alemanha de Bismarck constituíram efetivamente um dos fatos mais importantes da história da Europa nessa época. A saída do gueto foi um processo lento, mas irreversível, empreendido a partir do fim do século XVIII com a disseminação das idéias da Revolução Francesa, levado adiante pela promulgação de decretos locais instituindo uma emancipação parcial que só foi se tornar total e definitiva em 1869. Nascido dez anos depois, Albert Einstein pertencia, portanto, à primeira geração de judeus alemães cujos direitos eram reconhecidos pela lei desde seu nascimento.

Paralelamente, o crescimento do capitalismo na Alemanha, com o advento de fato da unificação, assumia um ritmo de avanço espetacular. Os judeus alemães, recentemente emancipados e que, ao contrário das antigas classes privilegiadas, não tinham nada a perder, participavam ativamente neste surto de desenvolvimento e rapidamente ocuparam importantes posições econômicas. Essa ascensão social foi com freqüência marcada por um desejo de assimilação cultural. Os pais de Einstein, judeus não praticantes, pertenciam a essa corrente modernista. Eles provavelmente estavam convencidos de que o anti-semitismo em breve não passaria de uma recordação vergonhosa e que os judeus alemães seriam alemães como os outros. Portanto, não é surpreendente que tenham tido sonhos de uma carreira burguesa para o filho: nunca as possibilidades de sucesso e ascensão social pareceram maiores para um rapaz judeu do que neste final do século XIX. Que nada! A geração de Albert Einstein conheceria o ressurgimento violento do anti-semitismo, seguido do nacional-socialismo, o exílio, no melhor dos casos, ou a morte num campo de concentração.

Um pai homem de negócios e um tio inventor:

Na década de 1880, anos de uma explosão da expansão econômica na Alemanha, muito particularmente na Baviera, onde residia a família Einstein, a eletrificação chegava ao auge; a lâmpada elétrica inventada por Edison, em 1879, entrava em todos os lares e a indústria tornava-se a grande consumidora de eletricidade. Estimulado pelo irmão Jakob, representante típico do novo espírito empresarial, inventor de um dínamo que desejava comercializar, Hermann Einstein aceitou efetuar a reconversão de suas atividades e montar sua própria empresa industrial. Os resultados foram adversos: seja porque Hermann fosse mais dotado para as ciências matemáticas e para a meditação do que para os negócios, seja porque Jakob não foi capaz de dar continuidade às suas idéias, o negócio jamais conseguiu decolar realmente. Então Jakob teve mais uma de suas idéias geniais: uma vez que a eletrificação já estava em estágio demasiadamente avançado na Alemanha, o melhor seria tentar a sorte na Itália, onde o desenvolvimento da eletricidade apenas se iniciava. De modo que toda a família emigrou para Milão e depois para Pávia, deixando Albert entregue à sua triste sorte.

1896: Einstein entra para o “Polytechnicum” de Zurique:

O destino de Hermann Einstein, cujas empresas estiveram ligadas à eletrificação, desempenhou um papel essencial na vida de seu filho. De fato, tendo vivido num ambiente técnico e industrial, pareceu-lhe muito natural, uma vez que ele havia sacrificado voluntariamente sua oportunidade de se matricular na universidade, tentar entrar para uma grande escola de engenheiros. O instituto politécnico de Zurique, Polytechnicum, em alemão, comparável por seu estilo e por seu estatuto social à Escola politécnica de Paris — isto no sentido de que não era militar e que também preparava para a carreira de professor universitário —, pareceu-lhe o lugar onde teria as melhores chances de desenvolver suas aptidões e seu gosto pelas ciências matemáticas e satisfazer o desejo de seus pais de ter uma carreira. Esta escola apresentava a vantagem de não exigir o diploma de conclusão de estudos secundários alemães: nela a admissão se fazia por concurso. Einstein também decidiu que se prepararia sozinho para o exame de admissão e que se apresentaria como candidato independente. Foi o que fez no outono de 1895, um ano antes de completar a idade mínima exigida, depois de ter conseguido obter uma dispensa. Foi reprovado, mas não desanimou por isso e se matriculou para cursar o ano letivo seguinte numa escola que preparava especialmente os alunos para o concurso. No ano seguinte, foi aprovado e então entrou para a Polytechnicum.

Ali conheceu uma moça de origem sérvia, Mileva MariŠ, como ele, estudante de ciências matemáticas e física. É preciso que nos reportemos aos últimos noventa anos para poder apreciar e dar o justo valor ao fato de que uma mocinha pudesse ser aluna de uma escola de engenheiros tão célebre quanto o Polytechnicum de Zurique. Na verdade, essa escola seguia uma política de desenvolvimento de ensino para jovens mulheres muito avançada para seu tempo. Foi, de fato, o primeiro estabelecimento de ensino superior da Europa — e provavelmente isto se aplica ao mundo inteiro — a ter aberto suas portas para mulheres. A título de comparação, a Escola Politécnica de Paris só foi se tornar mista nos anos 1970!

Apaixonados um pelo outro, Albert e Mileva logo consideraram a possibilidade de montar um lar. Mas para a família de Einstein, era inaceitável que Albert se casasse com uma estrangeira, mais velha que ele, manca, fazendo estudos tão pouco “femininos” e, supra-sumo da desventura, não judia. Houve cenas terríveis ao longo das quais a mãe acusou Albert de querer a morte de seus pais, já tão duramente atormentados por provações financeiras. Einstein cedeu, com o coração dominado pela raiva. Mileva descobriu, na primavera de 1901, que estava grávida. Voltou para junto da família para dar à luz uma filha, de quem rapidamente se perdeu qualquer rastro e que provavelmente morreu ainda nos primeiros anos de vida. Ao retornar a Zurique, Mileva não conseguiu passar nos exames finais do Polytechnicum e viu-se assim sem diploma nem profissão.

Profissão: perito técnico estagiário no Serviço Federal de Patentes de Berna:

Os primeiros anos de Einstein na vida adulta não foram particularmente felizes. Sem dúvida, desde julho de 1900, ele possuía o diploma de uma das escolas mais prestigiadas da Europa. Mas grande foi sua decepção quando se deu conta de que — talvez por motivos ligados a desentendimentos com um de seus professores de Zurique — ninguém lhe propunha algum cargo de professor assistente na universidade como lhe tinham dado motivos para esperar. Durante dois anos, foi obrigado a se dedicar a empregos menores, dentre os quais o de professor particular lhe pareceu especialmente desagradável. Foi somente em junho de 1902 que conseguiu, através de uma recomendação do pai de um de seus colegas de escola de Zurique, encontrar um emprego estável de perito no Serviço Federal de Patentes de Berna.

Muito se comentou sobre o fato de que um grande sábio tenha tido que fazer um trabalho tão pouco de acordo com suas capacidades. Mas o próprio Einstein sempre sustentou que se tivesse conseguido um posto na universidade, teria estado muito menos livre, preocupado com a preparação das aulas e com a disputa pelas promoções. Trabalhar no serviço de patentes era exatamente o que lhe convinha: ele devia dar um parecer especializado sobre a invenção de aparelhos, em sua grande maioria elétricos, algo para que tinha real competência e, quando chegava a noite, podia refletir à vontade sobre as grandes questões da física...

Contudo, seria muito difícil fazer passar como “bons tempos” o período de 1899-1905, durante o qual Einstein teve que enfrentar simultaneamente o desemprego, a perda de um filho, o fracasso da vida profissional de Mileva, sem contar com as incontáveis intrigas de seus pais, que só cessaram com a morte de Hermann Einstein em 1902 — após a qual finalmente pôde se casar com Mileva.

O pensamento como refúgio:

Dito isto, seria impossível esquecer que, durante esse período, Einstein trazia em si e amadurecia os estrondosos sucessos de 1905. Podemos supor, portanto — aliás o próprio o confirmou em várias ocasiões —, que ele encontrava no exercício do pensamento a força para suportar as dificuldades da existência. Aos 67 anos, escrevendo a autobiografia, a pedido de um editor americano, Einstein relata como “de natureza bastante precoce”; muito jovem ele tomou consciência “da vaidade das esperanças e das aspirações que empurravam a maioria dos homens para os turbilhões de uma vida desenfreada”. Se dermos crédito a isso, concluiremos que Einstein teve desde a infância o sentimento de que o mundo era cruel e hipócrita. Durante algum tempo, encontrou refúgio na religião e na piedade escrupulosa, que abandonou bem depressa, depois de ter lido, diz ele, obras de vulgarização científica que o convenceram que o que estava escrito na Bíblia não podia ser verdade. Comentando essa fase religiosa de sua vida, ele acrescenta que: “Parece-me claro que o paraíso piedoso de minha juventude assim perdido constituía uma primeira tentativa de me libertar das cadeias de um universo exclusivamente pessoal e de uma existência dominada por desejos, esperanças e sentimentos primitivos.”

Parece que, ao longo da vida, Einstein nunca deixou de procurar se proteger, ao mesmo tempo, da insuportável crueldade do mundo e da estreiteza de uma vida inteiramente governada por sentimentos que ele qualificava como primitivos. A busca da solução para o enigma que tem como pressuposto “o vasto mundo que existe independentemente dos homens” forneceu-lhe esta proteção. “A contemplação deste mundo era como a promessa de uma libertação”, escreveu ele na autobiografia.

Em outros momentos, Einstein afirma que somente o prazer de pensar o permite encontrar um abrigo. Nessa ocasião, ele emprega uma fórmula, que não deixa de fazer lembrar o título do hino final da Nona Sinfonia de Beethoven, mas que também podemos considerar como uma divisa, como o segredo de seu sucesso, do que é chamado de sua genialidade: die Freude am Denken, o prazer de pensar.

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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Trecho do Livro: Dewey - Um Gato Entre Livros | Vicki Myron e Bret Witter

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Trecho do Livro: Dewey - Um Gato Entre Livros | Vicki Myron e Bret Witter

Livros Dewey Um Gato Entre Livros Vicki Myron Bret Witter BooksLivro: Dewey - Um Gato Entre Livros

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O dia 18 de janeiro de 1988 foi uma segunda-feira terrivelmente fria em Iowa. Durante a noite anterior, a temperatura chegara a nove graus abaixo de zero, isso sem contar o vento, que corta sob o seu casaco e comprime seus ossos. Era um congelamento letal, do tipo que faz com que a respiração seja um processo quase doloroso. O problema com as planícies, como todo mundo sabe em Iowa, é que não há nada para bloquear o vento. Ele sopra do Canadá pelas Dakotas diretamente para a cidade. A primeira ponte de Spencer, sobre o Little Sioux, construída no final dos anos 1800, teve de ser demolida porque o rio ficou tão gelado que todos temeram que os pilares pudessem desabar. Quando a torre de água da cidade incendiou, em 1893 — o envoltório de palha usado para evitar que o cano congelasse pegou fogo, e todos os hidrantes da vizinhança estavam completamente congelados —, um círculo de gelo com mais de sessenta centímetros de espessura e três metros de diâmetro escorregou do topo do tanque, esmagou o centro de recreação da comunidade e se despedaçou em cima da Grand Avenue. O inverno em Spencer é assim.

Eu nunca fui uma pessoa matinal, especialmente num dia escuro e nublado de janeiro, porém sempre fui dedicada. Havia poucos carros na estrada às sete e meia da manhã no trajeto de dez quarteirões até o trabalho, mas, como de costume, o meu era o primeiro carro no estacionamento. Do outro lado da rua, a Biblioteca Pública de Spencer estava morta — não havia luz, movimento ou som até eu ligar o interruptor que a trazia à vida. O aquecimento ligava automaticamente durante a noite, contudo a biblioteca ainda estava gelada no início da manhã. De quem fora a idéia de construir um prédio de concreto e vidro no norte de Iowa? Eu precisava de um café.

Fui para a sala dos funcionários — não passava de uma quitinete com um forno de microondas, uma pia, uma geladeira bagunçada demais para o gosto da maioria das pessoas, algumas cadeiras e um telefone para chamadas pessoais —, pendurei meu casaco e comecei a fazer café. Então dei uma olhada no jornal de sábado. A maior parte das matérias poderia afetar, ou ser afetada, pela biblioteca. O jornal local, The Spencer Daily Reporter, não saía no domingo nem na segunda-feira, de modo que segunda-feira era a manhã para informar-se das novidades que haviam acontecido no fim de semana.

"Bom dia, Vicki", disse Jean Hollis Clark, a vice-diretora da biblioteca, tirando a echarpe e as luvas. "Está feio lá fora."

"Bom dia, Jean", respondi, deixando o jornal de lado.

No centro da sala dos funcionários, contra a parede do fundo, havia uma grande caixa de metal com uma tampa articulada. Ela tinha sessenta centímetros de altura e três mil e setecentos centímetros quadrados, mais ou menos o tamanho de uma mesa de cozinha para duas pessoas, ao serrar as pernas ao meio. Uma rampa de metal surgia do topo da caixa e desaparecia por dentro da parede. Na outra extremidade, na viela por trás do prédio, havia uma fenda de metal: a devolução de livros depois do expediente era feita por ali.

Você encontra todo tipo de coisa na caixa de devolução de uma biblioteca: lixo, pedras, bolas de neve, latas de refrigerante. As bibliotecárias não comentam sobre isso para não dar idéias às pessoas, mas todas as bibliotecas lidam com isso. As locadoras de vídeo provavelmente têm o mesmo problema. Coloque uma fenda em uma parede e você estará pedindo para ter encrenca, especialmente se, como acontecia na Biblioteca Pública de Spencer, a fenda era aberta para uma viela em frente à escola de ensino médio da cidade. Diversas vezes nos assustamos no meio da tarde com um barulho forte vindo da caixa coletora. Lá dentro encontrávamos uma bombinha.

Depois do fim de semana, a caixa estaria também cheia de livros. Assim, todas as segundas-feiras eu os punha em um de nossos carrinhos para que mais tarde os atendentes pudessem separá-los e guardá-los nas prateleiras, durante o dia. Quando voltei com o carrinho, nessa específica segunda-feira de manhã, Jean estava de pé, silenciosa, no meio da sala.

"Ouvi um barulho."

"Que tipo de barulho?"

"Vindo da caixa de coleta. Acho que é um animal."

"Um o quê?"

"Um animal. Acho que há um animal dentro da caixa de coleta."

Foi então que escutei um ronco baixo que vinha debaixo da tampa de metal. Não parecia um animal. Parecia mais um velho tentando limpar o pigarro. Entretanto duvidei de que fosse um velho. A abertura no topo do deslizador não passava de alguns centímetros, certamente era muito apertada. Era um animal, tinha pouca dúvida quanto a isso, mas de que tipo? Ajoelhei, estendi a mão para a tampa e tive a esperança de que fosse um esquilinho listado.

A primeira coisa que senti foi um golpe de ar gelado. Alguém tinha entalado um livro na fenda de devolução, mantendo-a aberta. Estava tão frio dentro da caixa quanto na rua, talvez mais frio, já que a caixa era forrada de metal. Podia-se guardar carne congelada lá dentro. Eu ainda recuperava o fôlego quando vi o gatinho.

Ele estava encolhido no canto esquerdo da parede da frente da caixa, com a cabeça baixa e as pernas dobradas, tentando parecer o menor possível. Os livros estavam empilhados a esmo até o topo da caixa, escondendo-o parcialmente da vista. Ergui um deles com cuidado, para ver melhor. O gatinho olhou para mim, lenta e tristemente. Depois abaixou a cabeça e afundou-se em seu buraco. Ele não tentava parecer durão. Não tentava se esconder. Nem sequer penso que estava assustado. Apenas esperava ser salvo.

Sei que derreter pode ser um clichê, porém acho que foi o que realmente aconteceu comigo naquele momento: perdi todos os ossos do corpo. Não sou uma pessoa piegas. Criei minha filha sozinha, cresci numa fazenda e conduzi minha vida em épocas difíceis, contudo isso era tão, tão... Inesperado!

Ergui o gatinho da caixa. Minhas mãos praticamente o engoliam. Mais tarde, descobrimos que tinha oito semanas de idade, mas não parecia ter mais de oito dias, se muito. Estava tão magro que era possível ver todas as costelas. Eu sentia o coração dele bater, os pulmões incharem. O pobre bichinho estava tão fraco que mal conseguia erguer a cabeça. Ele tremia incontrolavelmente. Abriu a boca, porém o som, que veio um segundo mais tarde, era fraco e dissonante.

E frio. É disso que eu mais me lembro, porque não conseguia acreditar que um animal vivo pudesse estar tão frio. Parecia que não havia calor algum. Então aninhei o gatinho nos braços para partilhar um pouco de calor. Ele não lutou. Ao contrário, aconchegou-se ao meu peito e deitou a cabeça sobre meu coração.

"Ai, céus", disse Jean.

"Pobrezinho", falei, apertando-o mais.

"É muito fofo."

Nenhuma das duas disse nada durante algum tempo. Apenas olhamos para o bichano. Finalmente, Jean disse: "Como você acha que ele foi parar ali?".

Eu não estava pensando a respeito da noite passada. Pensava sobre o momento presente. Era cedo demais para ligar para o veterinário, que não chegaria antes de uma hora. Mas o gatinho estava tão frio. Mesmo no calor dos meus braços, eu o sentia tremer.

"Temos de fazer alguma coisa", afirmei.

Jean agarrou uma toalha e envolvemos o bichinho até que ficasse só o nariz de fora, com os olhos espiando de dentro das sombras, incrédulo.

"Vamos dar um banho quente", eu disse. "Talvez ele pare de tremer."

Enchi a pia da sala dos funcionários com água quente, experimentando-a com o cotovelo enquanto segurava o gatinho nos braços. Ele escorregou para dentro da pia como um bloco de gelo. Jean encontrou um xampu no armário dos desenhos e eu esfreguei o bichinho vagarosa e ternamente, quase o acariciando. À medida que a água ficava mais cinzenta, o tremor violento do bichano se transformava num ronronar suave. Sorri. Esse gatinho era valente. Mas era tão novinho. Quando finalmente o suspendi da pia, parecia um recém-nascido: enormes olhos e grandes orelhas espetadas de uma cabeça minúscula e um corpo ainda menor. Molhado, indefeso e miando baixinho pela mãe.

Para enxugá-lo, usamos o secador utilizado para secar cola de artesanato. Em trinta segundos, eu segurava um lindo gato malhado cor de laranja e de pêlos longos. O bichinho estava tão sujo que achei que ele era cinzento.

Nessa altura, Doris e Kim tinham chegado e havia quatro pessoas na sala dos funcionários, todos arrulhando para o gatinho como para uma criança. Oito mãos o tocavam, aparentemente ao mesmo tempo. Os outros três membros conversavam entre si enquanto eu permanecia em silêncio, aninhando o bichano como um bebê e balançando-me de lá para cá, trocando o peso do corpo de uma perna para a outra.

"De onde ele veio?"

"Da caixa coletora."

"Não diga!"

"É menino ou menina?"

Olhei para cima. Eles todos me fitavam. "Menino", respondi.

"É lindo."

"Que idade tem?"

"Como entrou na caixa?"

Eu não estava escutando. Só tinha olhos para o gatinho.

"Está fazendo tanto frio."

"É a manhã mais fria do ano."

Uma pausa e então: "Alguém deve tê-lo deixado na caixa".

"Que horror."

"Talvez estivessem tentando salvá-lo. Do frio."

"Não sei... Ele é tão indefeso."

"É tão novinho."

"É tão lindo. Oh, corta meu coração."

Depositei-o sobre a mesa. O pobre gatinho mal se mantinha em pé. As saliências das quatro patas tinham sofrido geladuras e, ao longo da semana seguinte, ficariam brancas e descascariam. Mas, mesmo assim, o bichano conseguiu fazer algo realmente surpreendente. Ele se firmou na mesa e, lentamente, examinou cada rosto. Depois começou a capengar. À medida que cada pessoa estendia a mão para acariciá-lo, ele esfregava a cabecinha minúscula contra a mão e ronronava. Esqueça os eventos horríveis de sua jovem vida. Esqueça a pessoa cruel que o jogou dentro da caixa de coleta da biblioteca. Era como se, daquele momento em diante, ele quisesse agradecer pessoalmente a todos que conhecia por salvar-lhe a vida.

Já tinham se passado vinte minutos desde que eu tirara o bichinho de dentro da caixa de coleta. Tive bastante tempo para refletir sobre algumas coisas: a prática, que já fora comum, de manter gatos em bibliotecas, meu plano crônico para tornar a biblioteca mais amigável e atraente, a logística de tigelas, comida e detritos de gato, a expressão confiante na cara do gatinho quando ele se enterrou em meu peito e olhou-me nos olhos. Assim, eu estava mais do que preparada quando alguém finalmente perguntou: "O que faremos com ele?".

"Bem", respondi como se o pensamento tivesse acabado de me ocorrer, "talvez pudéssemos ficar com ele."

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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Trecho do Livro: Amantes e Inimigos | Nora Roberts

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Trecho do Livro: Amantes e Inimigos | Nora Roberts

Livros Amantes e Inimigos Nora Roberts BooksLivro: Amantes e Inimigos

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Cento e cinqüenta milhões de dólares não era uma quantia para se desprezar. Ninguém na imensa biblioteca de Jolley Folley ousaria ignorar tal quantia. Exceto Pandora. Ela espirrou com mais entusiasmo do que sutileza em um lenço esfarrapado. Depois de assoar o nariz, endireitou-se, desejando que o antialérgico que tomara cumprisse a promessa de alívio rápido. Antes de mais nada, Pandora desejava não ter se resfriado. Mais: ela desejava estar em qualquer outro lugar no mundo.

Pandora estava cercada por dezenas de livros que lera e mais algumas centenas de edições nas quais jamais pensara, ainda que tivesse passado horas e horas naquela biblioteca. O cheiro das encadernações em couro se misturava a um leve odor do pó. Pandora preferia aquele cheiro à sufocante fragrância dos lírios que enchiam três grandes vasos.

Em um dos cantos do ambiente ficava um tabuleiro de xadrez em mármore e ébano, sobre o qual Pandora perdera várias partidas disputadíssimas. Tio Jolley, graças ao seu rosto redondo e inocente, e aos seus dedos rápidos, era um trapaceiro compulsivo e habilidoso. Ela jamais aceitara uma derrota com facilidade. Talvez por isso mesmo tio Jolley adorasse tanto ganhar dela, de acordo com as regras ou trapaceando.

A luz que entrava pelas três janelas arqueadas era fraca e um pouco melancólica. O que combinava perfeitamente com o humor de Pandora e, pensava ela, com o ritual em curso. Tio Jolley sempre gostou de preparar toda uma cena quando algo estava prestes a acontecer.

Quando amava alguém — e Pandora sentiu esta emoção apenas por uns poucos escolhidos em sua vida —, ela se dedicava totalmente àquela pessoa. Pandora nasceu com uma energia inesgotável e desenvolveu uma persistência inquebrantável. Ela amou tio Jolley com seus modos espalhafatosos e desinibidos, primeiro identificando e depois aceitando todas as esquisitices dele. Mesmo com 93 anos, tio Jolley não ficou esclerosado ou intratável.

Um mês antes de sua morte, Pandora e tio Jolley saíram para pescar — na verdade, para roubar peixes — em um lago que pertencia ao vizinho. Sempre que pegavam mais peixes do que eram capazes de comer, devolviam meia dúzia de trutas, limpas e temperadas, para o proprietário do lago.

Pandora sentiria saudades de tio Jolley, com seu rosto redondo de anjo, sua voz melodiosa e fina, e seu mau humor. No retrato de três metros de altura pendurado na biblioteca, ele a olhava com o mesmo sorrisinho malicioso que exibia ao fechar um negócio de 1 milhão de dólares ou ao oferecer a um desavisado vice-presidente uma bebida servida num copo em que alguém cuspira. Pandora já estava sentindo falta de Jolley. Ninguém mais em sua família arruinada e desunida a aceitou e a entendeu com a mesma doçura. Era por coisas assim que Pandora o amava.

De luto, com uma tristeza agravada pela gripe, Pandora ouvia Edmund Fitzhugh se alongar mais e mais com as preliminares técnicas da leitura do testamento. Maximillian Jolley McVie nunca foi um admirador das coisas breves. Ele sempre dizia que, se era para fazer algo, melhor fazer até que a energia se esgotasse. Seu testamento e suas últimas palavras faziam jus ao seu estilo.

Sem se importar em esconder o desinteresse na leitura, Pandora se pôs a examinar cuidadosamente os demais ocupantes da biblioteca.

Dizer que estavam ali para cultuar a memória de tio Jolley seria fazer justamente o tipo de piada sarcástica que ele tanto apreciava.

Estavam ali: o único filho ainda vivo de Jolley, tio Carlson, e sua esposa. Qual era o nome dela? Lona... Mona? O nome dela importava? Pandora os viu sentados, eretos e alertas, em roupas que combinavam tons de preto. A imagem deles a fazia pensar em corvos sobre fios da iluminação, à espera que algo caísse a seus pés.

Prima Ginger — doce, linda e ingênua, para não dizer estúpida. Este mês ela usava um cabelo louro como o de Jean Harlow, atriz de cinema da década de 1930. O bom e velho primo Biff trajava seu terno preto da Brooks Brothers. Inclinou-se para trás, uma perna cruzada sobre a outra, como se estivesse assistindo a uma partida de pólo. Pandora sabia que Biff não estava perdendo uma só palavra. A esposa dele — era Laurie? — ostentava um olhar afetadamente respeitoso. Por experiência própria, Pandora sabia que Laurie não falaria nada, a não ser que fosse para apoiar algo que Biff dissesse. Sobre ela, tio Jolley comentava que era uma mulher burra e chata. Pandora odiava ser tão descrente, mas era obrigada a concordar.

Havia ainda tio Monroe, rechonchudo e bem-sucedido, fumando um charuto, apesar de sua irmã, Patience, abanar um lencinho branco em frente ao nariz. Ou, melhor, ele fumava o charuto provavelmente porque sua irmã abanava o lencinho. Nada deixava tio Monroe mais feliz do que incomodar sua inútil irmã.

Primo Hank parecia muito másculo, dificilmente mais do que Meg, sua esposa forte e atlética. Na lua-de-mel, eles fizeram toda a trilha da cordilheira Apalache. Tio Jolley se perguntava se eles se alongavam e faziam flexões antes de se deitarem juntos.

A lembrança provocou risos em Pandora. Sem fazer questão de dissimular, ela abafou o riso com o lenço pouco antes que seu olhar se detivesse em primo Michael. Ou seria Michael um primo de segundo grau? Pandora jamais conseguiu entender direito o lado técnico disso. Até porque tal detalhe parecia um pouco fútil, já que ali não se estava falando de relações de sangue. A mãe de Michael era filha da irmã da segunda esposa de tio Jolley. Era um caso complicado, pensou Pandora. Se bem que Michael era um homem complicado.

Embora Pandora soubesse que tio Jolley gostava dele, eles nunca se deram bem. No entender dela, qualquer pessoa que ganhasse a vida escrevendo uma série de televisão boboca que mantinha as pessoas de olhos grudados em uma caixa, em vez de fazer algo que valesse a pena, era um parasita materialista. Por um instante, Pandora sentiu uma faísca de prazer ao se lembrar de ter dito a tio Jolley exatamente isto.

Depois, claro, havia as mulheres. Quando um homem namorava moças que apareciam no pôster central de revistas ou dançarinas era óbvio que ele não estava interessado em nenhum estímulo intelectual. Pandora sorriu ao se lembrar de deixar clara sua opinião da última vez que Michael visitara tio Jolley. O velho quase caiu da cadeira de tanto rir.

Então o sorriso de Pandora desapareceu. Tio Jolley morrera. E, se ela fosse honesta, o que sempre era, tinha de admitir que, de todas aquelas pessoas na sala naquele instante, Michael Donahue foi o que mais se importou e valorizou o velho, além dela própria.

Pandora pensou que, olhando para Michael agora, dificilmente chegaria a esta conclusão. Ele parecia desinteressado e um bocado arrogante. Pandora notou que a boca de Michael exprimia austeridade. Ela sempre considerou a boca a mais notável das qualidades físicas de Michael, embora ele raramente sorrisse para ela, a não ser para mostrar os dentes e rosnar.

Numa época em que estava começando a servir de cupido, tio Jolley lhe disse que gostava da aparência de Michael. Pandora tratou logo de se certificar de que ele abandonaria rapidamente o hobby de bancar o santo casamenteiro. Bem, tio Jolley não exatamente desistiu da função, mas ela ignorava-o mesmo assim.

Por ele ser baixo e gordinho, talvez Jolley apreciasse o porte alto e esguio de Donahue e seu rosto estreito e intenso. Pandora poderia até ter gostado disso também, não fosse pelos olhos de Michael, constantemente distantes e desatentos.

Naquele momento, ele lembrava um dos heróis da série de ação que escrevia — apoiado descuidadamente contra a parede, ele parecia um pouco desconfortável com seu terno e gravata impecáveis. O cabelo de Michael estava desarrumado e nada limpo, como se ele não tivesse sequer cogitado em penteá-lo antes de uma viagem rápida. Michael parecia entediado e prestes a fazer alguma coisa. Qualquer coisa.

Era tão ruim, pensou Pandora, que eles não se dessem bem. Ela teria gostado de compartilhar lembranças sobre tio Jolley com alguém que valorizasse as extravagâncias do velho do mesmo modo que ela.

Não fazia sentido ficar pensando nisso. Se tivessem sido colocados para se sentarem perto na biblioteca, estariam recolhendo pedaços um do outro agora. Tio Jolley, rindo maliciosamente em seu retrato, sabia disso muito bem.

Com um meio suspiro, Pandora assoou o nariz novamente e tentou ouvir o que Fitzhugh dizia. Era algo sobre um legado deixado para as baleias. Ou talvez para baleeiros.

Michael, por sua vez, pensava que, se aquilo durasse mais meia hora, seria capaz de pular pela janela. Respirando fundo, ele se resignou. Ficaria ali pelo tempo que fosse preciso porque amava o velho maluco. E se a última coisa a fazer por Jolley era ficar numa sala com um grupo de carniceiros, ouvindo um monte de termos jurídicos sem sentido, Michael faria isso. Quando acabasse, ele se serviria de uma boa dose de conhaque e honraria intimamente a memória daquele homem. Jolley tinha predileção por conhaque.

Quando Michael era jovem e cheio de imaginação, e seus pais não o entendiam, tio Jolley o ouvia divagar e o encorajava a sonhar. Sempre que visitava a mansão Folley, seu tio exigia que ele contasse uma história, e então se sentava, com olhos vívidos e ansiosos, enquanto Michael narrava. Ele jamais se esquecera daquilo.

Quando ganhou seu primeiro Prêmio Emmy, pelo seriado Logan’s Run, Michael voou de Los Angeles para Catskills e deu a estatueta para tio Jolley. O Emmy ainda estava no quarto do velho, mesmo que seu antigo ocupante não estivesse mais lá. Michael ouvia a voz seca e impessoal do advogado e ansiava por um cigarro. Ele havia largado o vício há apenas dois dias. Dois dias, quatro horas e cinco minutos. Michael podia muito bem pular pela janela agora.

Naquela sala, com todas aquelas pessoas, ele se sentia sufocando. Todos achavam que o velho Jolley era um tanto maluco e outro tanto chato. Mas quando o assunto era a herança de 150 milhões de dólares, tudo mudava. Ações e títulos do tesouro não tinham nada de maluco. Michael já observara vários olhares avaliadores em direção à mobília da biblioteca. Todos aqueles móveis em estilo georgiano podiam não se adequar aos estilos de vida mais modernos, mas podiam ser transformados em dinheiro limpo. Michael sabia que o velho Jolley adorava cada cadeira desajeitada e mesa exageradamente grande da casa.

Michael podia jurar que nenhuma daquelas pessoas estivera na casa nos últimos dez anos. Exceto Pandora, ele admitiu de má vontade. Ela podia ser irritante, mas amava Jolley. Pandora parecia triste. Michael acreditava que jamais a vira infeliz — furiosa, arrogante, detestável, sim, mas nunca infeliz. Se não a conhecesse bem, ele teria se sentado ao seu lado, oferecido consolo, segurado sua mão. Pandora, provavelmente, o morderia até o osso.

Os olhos assustadoramente azuis de Pandora estavam inchados e vermelhos. Quase tão vermelhos quanto os seus cabelos, foi o que pensou Michael assim que observou a massa de longos fios, rebeldes e de corte simples, que se espalhavam sobre seus ombros. Pandora estava tão pálida que as poucas sardas sobre o nariz sobressaíam. Em condições normais, sua pele de marfim tinha um quê de rosado — se era sinal de saúde ou do temperamento, Michael nunca soube ao certo.

Sentada entre os membros da família, solene e em luto fechado, Pandora se destacava como um papagaio entre corvos. Ela usava um vestido azul berrante. Michael aprovava a roupa, embora jamais admitisse tal coisa em Pandora. Ela não precisava de preto, crepe e lírios para demonstrar seu luto. Michael entendia isso, mesmo sem compreender Pandora.

De tempos em tempos, ela o irritava com suas opiniões a respeito do estilo de vida dele e de sua carreira. Sempre que discordavam, não demorava muito para que Michael respondesse à crítica com violência. Mas, acima de tudo, Pandora era uma mulher brilhante e talentosa, que vivia feliz fazendo jóias extravagantes para butiques, em vez de se acomodar com seu diploma em pedagogia.

Pandora o acusava de ser materialista; Michael, de ela ser idealista. Ela o rotulava de chauvinista; ele a qualificava de pseudo-intelectual. Todas as vezes que brigavam, Jolley ficava sentado com as mãos fechadas, rindo. Agora que o velho morrera, pensou Michael, não haveria mais oportunidade para novas batalhas. Estranhamente, ele viu nisso mais uma razão para sentir falta de seu tio.

A verdade era que Michael nunca mantivera laços familiares fortes com ninguém a não ser com Jolley. Ele não pensava em seus pais com freqüência. Seu pai estava em algum lugar da Europa com a quarta esposa, e sua mãe se estabelecera tranqüilamente na alta sociedade de Palm Springs com o terceiro marido. Eles jamais entenderam o filho que escolhera atuar em algo tão pouco aristocrático como a televisão.

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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Trecho do Livro: Doidas e Santas | Martha Medeiros

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Trecho do Livro: Doidas e Santas | Martha Medeiros

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Falcatruas, alagamentos, violência urbana. Eu colocaria mais uma coisinha nessa lista de pequenas tragédias com que somos brindados diariamente: o tédio. A cada manhã, abrimos os jornais e é a mesma indecência política. Nas ruas, perdemos tempo com os mesmos engarrafamentos. Escutamos as mesmas queixas no local de trabalho. É sempre o mesmo, o mesmo. Como é bom quando algo nos surpreende.

Para quem vive na opressiva e cinzenta São Paulo, a novidade atende pelo nome de Cow Parade, a exposição ao ar livre de 150 esculturas em forma de vaca, em tamanho natural, feitas de fibra de vidro e decoradas com muita cor e insanidade por artistas plásticos, diretores de arte, designers e cartunistas. Um nonsense mais que bem-vindo, uma intervenção no nosso olhar acostumado. Espalhadas por ruas, praças, nos lugares mais inesperados, lá estão elas, vacas enormes, vacas profanas, vacas insólitas. Para quê? Para nada de especial, apenas para espantar o tédio, inspirar loucuras, lembrar que as coisas não precisam ser sempre iguais. Havia uma vaca no meio do caminho, no meio do caminho havia uma vaca. É poesia também.

Falando em poesia, há sempre uma nova e heróica coletânea sendo lançada no mercado editorial, tentando atrair aqueles leitores que evitam qualquer coisa que rime. Desta vez, não é coletânea de mulheres poetas ou de poetas do terceiro mundo, essas cortesias que nos fazem. Finalmente, o humor e a leveza baixaram no reino dos versos. O livro chama-se Veneno Antimonotonia e traz o subtítulo: Os melhores poemas e canções contra o tédio. Organizado por Eucanaã Ferraz, a antologia pretende combater o vazio, o medo, a falta de imaginação. É um convite para a vida, e um convite feito através das palavras de Drummond, Chico Buarque, Antônio Cícero, Ferreira Gullar, Adriana Calcanhotto, Armando Freitas Filho, Vinicius de Moraes, Caetano Veloso, João Cabral de Melo Neto e outros ilustres, sem faltar Cazuza, claro, cuja canção Todo amor que houver nesta vida - uma das minhas letras preferidas - inspirou o título da obra.

Até hoje, pergunta-se: para que serve a arte, para que serve a poesia?

Intelectuais se aprumam, pigarreiam e começam a responder dizendo "Veja bem..." e daí em diante é um blablablá teórico que tenta explicar o inexplicável. Poesia serve exatamente para a mesma coisa que serve uma vaca no meio da calçada de uma agitada metrópole. Para alterar o curso do seu andar, para interromper um hábito, para evitar repetições, para provocar um estranhamento, para alegrar o seu dia, para fazê-lo pensar, para resgatá-lo do inferno que é viver todo santo dia sem nenhum assombro, sem nenhum encantamento.

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terça-feira, 14 de outubro de 2008

Trecho do Livro: Sete Passos para Curar | David Servan-Schreiber

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Trecho do Livro: Sete Passos para Curar | David Servan-Schreiber

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Antes de mais nada, quero agradecer o apoio que deram a meu livro. Com ele, é uma nova medicina das emoções que vocês apóiam. E eu não esperava tamanho entusiasmo por idéias ainda estranhas aos modos de pensar habituais.

O sucesso do livro Curar, que se deve a todos vocês, vem dessa abertura de espírito, da curiosidade que demonstraram, do desejo de explorar novos caminhos. Reconheço-me em cada um desses traços, mas não sabia que somos tantos a compartilhá-los. Para mim, é um sinal bastante encorajador de que, juntos, consigamos talvez fazer com que as mentalidades evoluam. Sinal de que, talvez, possamos levar nossas instituições científicas e médicas a investirem suas pesquisas também nesses novos e fascinantes campos.

Muitos de vocês me escreveram. Recebi, a cada semana, mais de 100 cartas. Essa confiança envaidece-me e me encoraja. Várias dessas mensagens me contam um sofrimento, uma dor, pessoal ou de um próximo, e pedem ajuda. Cada um desses relatos me interpela e sinto realmente vontade de ajudá-los. Porém, me é impossível fazer frente a solicitações tão numerosas (mesmo se é tão difícil dizer "não"...). Não recebo mais nenhum paciente, conservando o pouco do tempo que me resta para aqueles que já estavam em tratamento comigo antes da publicação de Curar. Quero, sobretudo, reservar meu tempo para escrever e para formar novos terapeutas, que poderão dar continuidade em escala bem maior aos métodos expostos no meu livro.

Creio que somos testemunhas de uma vaga profunda que atravessa todas as sociedades ocidentais: uma demanda, vinda de cada um, e em todos os lugares, por uma indústria que respeite o meio-ambiente, por uma agricultura que respeite a terra e, agora, também por uma medicina que respeite as capacidades que tem nosso corpo de recuperar seu próprio equilíbrio. São vocês os verdadeiros agentes dessa transformação social, e fico feliz em fazer parte daqueles que podem ajudar a canalizar toda essa energia.

Estabeleci para mim mesmo, como prioridade, a tarefa de tornar os métodos de Curar acessíveis ao maior número de pessoas. Isso me conduziu ao ensino, para perto de colegas médicos, psicólogos e psicoterapeutas. Mas levou-me ainda a ações de ordem mais "política", junto às agências governamentais e aos decididores de toda espécie, tanto na França quanto nos Estados Unidos, onde ainda leciono. E, talvez já tenham ouvido falar, comprometi-me também em tornar disponível um complemento alimentar Ômega-3 cuja concentração e pureza correspondam ao que foi testado nos estudos científicos da psiquiatria. Como esse tipo de complemento não é patenteável (não se pode patentear o peixe!), nenhum indústria farmacêutica julgou rentável engajar-se nesse campo. Orgulho-me de ter conseguido fazer com que esses complementos Ômega-3, da melhor qualidade e pureza possíveis, possam hoje ser encontrados em qualquer farmácia. Mas tudo isso demandou tempo e exigiu esforços consideráveis que me desviaram de uma conexão mais estreita com todos vocês.

Esses importantes passos devem-se às decisões de grandes agências institucionais, no Reino Unido, nos Estados Unidos e na França:

1) Um relatório do governo do Reino Unido demonstrou que 70% dos antidepressivos receitados jamais deveriam ter sido utilizados. Foram prescritos para depressões consideradas "menores ou moderadas" para as quais, segundo esse relatório, seria recomendável utilizar primeiro métodos mais "naturais", antes de pensar em receitar medicamentos cujos efeitos secundários parecem cada vez mais claros para a comunidade médica científica.

2) Em seguida, a prescrição de antidepressivos para as crianças (à exceção do Prozac) foi proibida no Reino Unido e é alvo hoje de restrições consideráveis nos Estados Unidos. Com efeito, ficou comprovado que, no caso das crianças, os benefícios que esses medicamentos trazem não são (ou são apenas em proporção mínima) superiores aos de um placebo. Sabe-se também que provocam um aumento significativo do risco de suicídio. Isso, naturalmente, fez com que médicos e psiquiatras se sentissem um tanto desamparados, pois não aprenderam em sua formação a utilizar métodos alternativos aos medicamentos. Mas, ao mesmo tempo, isso também criou um ambiente bastante propício à incorporação, pela medicina convencional, de alternativas naturais e eficazes.

3) Por fim, o método de Dessensibilização e Reprocessamento pelo Movimento Ocular, o EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing), foi reconhecido oficialmente, na França, como um método de tratamento eficaz (pelo relatório da comissão do INSERM concernente às psicoterapias) e, mais recentemente, também nos Estados Unidos (por um relatório da prestigiadíssima American Association of Psychiatry, cuja influência abrange o mundo inteiro).

Graças, em parte, a esses desenvolvimentos todos, a psiquiatria convencional começa a abrir verdadeiramente seus horizontes às novas idéias. Em todos os lugares, inicia-se um debate em torno daqueles métodos de que eu falava em Curar. Seu reconhecimento oficial permitiu também estimular novos projetos de pesquisa. De fato, são as pesquisas que farão com que uma abordagem mais natural da medicina penetre realmente no interior das instituições médicas.

Mas é verdade também que cada um de vocês, conversando com seu médico ou com seu terapeuta a respeito do EMDR, de coerência cardíaca, da acupuntura, de exercício físico ou do Ômega-3, contribuiu grandemente para difundir a mensagem. Vocês fizeram ouvir o desejo manifesto por uma medicina ao mesmo tempo mais humana e mais racional, uma medicina que saiba utilizar as capacidades intrínsecas de nosso corpo e de nosso cérebro a se curarem por si mesmos.

Para concluir essa breve introdução, aprendi recentemente que a palavra que designa, em chinês antigo, "O Pensamento" é composta por dois caracteres: aquele do "Cérebro" (em cima) e aquele do "Coração" (em baixo). Eu o ofereço aqui a todos vocês, com votos de harmonia entre seu cérebro e seu coração.

Com um abraço,

David Servan-Schreiber

Questões Gerais

O senhor conhece médicos clínicos que utilizam as técnicas descritas em Curar?

Infelizmente, na França ainda não. No centro de medicina complementar que eu dirigia na universidade de Pittsburgh, reunimos médicos, psicoterapeutas, acupunturistas, nutricionistas que compartilhavam a mesma filosofia e organizavam avaliações e programas de tratamento completos. Espero, finalmente, ajudar a instalar esse mesmo tipo de centro clínico na França. Enquanto isso, recomendo a todos que organizem seu próprio tratamento, em parceria com as recomendações de seu médico ou de seu psiquiatra.

Os métodos recomendados em Curar são compatíveis com um tratamento convencional?

Os métodos descritos em Curar são todos absolutamente compatíveis com um tratamento convencional e não exigem, de modo algum, que este seja interrompido, nem modificado. Eu mesmo muitas vezes tratei com o EMDR (Método de Dessensibilização e Reprocessamento pelo Movimento Ocular) pacientes que seguiam sua psicanálise com outro terapeuta ou que usavam medicamentos prescritos por seu psiquiatra.

Como, concretamente, começar um tratamento?

Se você acha que o EMDR lhe trará benefícios, sugiro que procure um terapeuta com um certificado de "Clínico EMDR", fornecido pela Associação EMDR-Europa. É uma garantia de que o terapeuta tenha seguido uma formação completa e participado de um ciclo de supervisão sob a égide de um clínico mais experimentado.

No que diz respeito à coerência cardíaca¸ ainda muito recente na Europa, só posso recomendar que acompanhe cursos de Hatha Yoga – método multimilenar que utiliza técnicas respiratórias e de concentração que levam a um estado fisiológico do corpo comparável àquele descrito em Curar.

Cabe a você, em seguida, modificar seu regime alimentar para reequilibrar a relação Ômega-3/Ômega-6 e reduzir as gorduras animais saturadas. Voltarei adiante aos suplementos Ômega-3.

Cada qual pode escolher seu próprio programa de exercício físico, conforme às recomendações gerais retiradas da literatura científica e que eu enuncio em Curar. Você pode também providenciar uma lâmpada de simulação da aurora para despertar de modo mais natural e ajudar a estabilizar seus ritmos biológicos.

Enfim, cada um deve, do meu ponto de vista, preocupar-se em administrar melhor os conflitos – quer sejam profissionais ou pessoais. Uma das melhores maneiras de progredir neste campo é formar um grupo de reflexão com amigos ou próximos para que possam exercitar-se em conjunto aplicando os métodos SPA-CEE e Perguntas de ELFE. É, aliás, o que eu mesmo faço regularmente, com alguns amigos, para continuar bem "centrado" nessa abordagem das relações humanas.

É possível beneficiar-se de seus métodos sem gastar muito?

Infelizmente, os métodos que descrevo em Curar não são ainda – a grande maioria deles –, na França, reembolsáveis pela Seguridade Social, ficando portanto reservados àqueles que podem pagar por sua saúde. É um estado de coisas que me parece inaceitável e faço o que posso para mudá-lo. Quanto mais se avolumam os estudos científicos que demonstram sua eficácia (como é o caso do EMDR, mas também da nutrição e dos Ômega-3, ou ainda da coerência cardíaca), mais fácil será incorporar essas abordagens à oferta reembolsável da medicina convencional.

Nesse entretempo, o Instituto Francês de EMDR que coordeno e que é responsável pelo ensino do EMDR na França forma gratuitamente alguns terapeutas que trabalham exclusivamente em meios desfavorecidos, de modo a permitir que pratiquem o EMDR junto a seus pacientes. Todos os terapeutas interessados nessa possibilidade podem entrar em contato com o programa humanitário da associação francesa de EMDR (www.emdr-france.org).

É possível também começar a praticar alguns dos métodos descritos em Curar sozinho – como o despertar com a aurora natural, a coerência cardíaca, o exercício físico, a mudança alimentar ou a comunicação emocional –, e eu recebo com freqüência testemunhos de leitores que começaram a praticá-los por conta própria e constataram notáveis transformações em suas vidas.

O senhor aconselha outros livros? Existem outros métodos que lhe interessam?

Sempre me interesso por novas abordagens. Decidi, porém, consagrar meu tempo e minha energia a fazer avançar essas que já conheço bem, cujos efeitos estão demonstrados e que, ainda assim, continuam a não ser utilizadas o suficiente, principalmente porque não podem ser patenteadas e, portanto, não provocam interesse econômico capaz de impulsionar sua introdução na medicina convencional.

Poderia indicar um método simples de meditação que melhore o funcionamento do Qi?

Segundo a medicina tradicional chinesa ou tibetana, todos os métodos de meditação facilitam o funcionamento do Qi. O método que focaliza unicamente este aspecto chama-se o Qi Gong (pronunciar "Tchi Gong").

A música, ouvida ou praticada, pode ajudar no caso de depressão?

Claro! Embora haja poucos estudos a esse respeito (isso não dá patente e, sem patentes em vista, sem dinheiro para pesquisas...), inúmeros pacientes relatam como o fato de ouvir música pode ter um efeito poderoso sobre seu humor. Acho que é certamente ainda mais eficaz quando você próprio toca um instrumento, sobretudo em grupo, se possível, para estimular nosso cérebro emocional nos momentos de desencorajamento e pô-lo em fase com os ritmos e as melodias da vida que passa em nós e à nossa volta. Nos Estados Unidos, participei várias vezes de "drum circles" ("círculos de percussão"), nos quais várias pessoas que mal sabiam bater num tamborim aprendiam a tocar ritmos diferentes que se transformavam em verdadeira melodia quando o grupo encontrava seu equilíbrio. Não há dúvida alguma que esses são momentos particularmente exaltantes e que nos lembram a força de nossa conexão com os outros.

1. Comunicação Emocional

Poderia dar alguns conselhos que ensinem a se autocontrolar no caso de situações de conflitos profissionais?

A primeira coisa a fazer é inspirar, por meio de duas grandes respirações, lentas e profundas, e em seguida começar a expirar o stress, antes de reagir. Lembrar, depois, que os conflitos são inevitáveis, mas não seu envenenamento, provocado por nossas próprias reações, muitas vezes exageradas ou até mesmo violentas.

Qual a diferença entre antidepressivo e neuroléptico?

Os neurolépticos bloqueiam o estímulo de certas zonas do cérebro pela dopamina. São utilizados principalmente nos distúrbios do pensamento (alucinações, delírios, paranóia) e, às vezes, para acalmar um episódio maníaco ou uma hipersensibilidade ao julgamento alheio. Os antidepressivos, por sua vez, aumentam esse estímulo por neurotransmissores, como a serotonina, a noradrenalina e, em alguns, também a dopamina. Têm menos tendência que os neurolépticos a reduzir a percepção e as sensações. Também revelam menos efeitos secundários a longo prazo.

Seus métodos são adaptados aos distúrbios bipolares?

Os distúrbios bipolares parecem ter uma base biológica e genética mais profunda que as depressões não-bipolares. Todavia, é certo também que os episódios de depressão ou de mania dos distúrbios bipolares são muitas vezes provocados por um período de stress mal administrado e mal vivido. Na medida em que os métodos de que falo em Curar tornam-nos mais resistentes ao stress, eles também reduzem, consequentemente, a probabilidade de recaídas para quem sofre de uma doença bipolar. Recomendo porém aos pacientes bipolares que continuem a tomar um estabilizador de humor de eficiência já comprovada na prevenção das recidivas e que são em geral bem tolerados.

Suas técnicas podem ser utilizadas para dores crônicas?

No centro de medicina complementar de Pittsburgh que eu dirigia, utilizávamos frequentemente a meditação (ou a coerência cardíaca) e a acupuntura como métodos de auxílio no tratamento das dores crônicas. O EMDR pode também ser útil quando as dores têm por origem um acontecimento que pode ter sido psicologicamente traumático (como um acidente de carro, por exemplo).

Seu método pode resolver, ou ajudar a resolver, uma depressão ligada não a um evento traumático particular, mas à dupla influência da hipersensibilidade aos acontecimentos e a uma infância difícil?

No caso de uma infância difícil e de traumatismos emocionais reiterados, o EMDR muitas vezes é eficaz, mas exige um período necessariamente mais longo de tratamento (em geral de 6 meses, ou ainda mais tempo).

Pode-se de fato substituir os antidepressivos pelos ÔMEGA-3 e pelas caminhadas?

Os estudos disponíveis sugerem que a caminhada é tão eficaz quanto um antidepressivo moderno (inibidor da recaptura da serotonina) e que, um ano depois do fim do tratamento, as recidivas são 4 vezes menos freqüentes. É bastante provável, todavia, que, nesses estudos, os sujeitos que melhoraram com a prática da caminhada tenham continuado a exercitá-la por conta própria ao passo que aqueles que usaram com proveito o antidepressivo muito provavelmente interromperam o tratamento.

Até agora, os trabalhos referentes aos Ômega-3 sugerem que eles são eficazes em sujeitos cujos sintomas de depressão resistiram a vários antidepressivos sucessivos enquanto continuam a usar o último daqueles com que começaram o tratamento. Não dispomos ainda de estudos que permitam afirmar com certeza que um antidepressivo que se revelou eficaz possa ser completamente substituído por um suplemento alimentar de Ômega-3.

Pode falar um pouco mais a respeito das depressões "hereditárias" fisiológicas, às quais fez apenas breves alusões em Curar?

A depressão pode muito bem possuir um componente hereditário, sobretudo quando um dos pais sofreu de depressão severa (ou outra doença psiquiátrica) necessitando de internação hospitalar. Em alguns desses casos, os antidepressivos (ou outros medicamentos psicotrópicos) são às vezes absolutamente indispensáveis. Todavia, é importante, mesmo quando os medicamentos são obviamente úteis, utilizar toda a capacidade de resiliência do cérebro emocional para maximizar seus efeitos. Não há nenhuma contradição em utilizar, ao mesmo tempo, a coerência cardíaca, o EMDR, o exercício físico, a acupuntura, ou tomar os Ômega-3. Nem em acordar com a luz do nascer do sol (simulada ou não) ou cuidar de bem administrar suas relações afetivas. Muito ao contrário.

Vi na Internet que existe um legume, chamado atmagupta, utilizado pela medicina ayurvédica para tratar o mal de Parkinson. Este legume contém levodopa. Conhece este tipo de tratamento natural para a doença? Saberia onde encontrar esse legume?

Não conheço esse legume. A Levodopa é um precursor da dopamina, neurotransmissor cruelmente ausente naqueles que sofrem do mal de Parkinson. É portanto bem possível que qualquer fonte nutricional desse precursor importante seja útil no combate à doença. Todavia, a prescrição da Levodopa como medicamento é geralmente acompanhada de um inibidor da enzima que torna a Levodopa particularmente inativa antes que possa ser transformada no cérebro em dopamina. Seria preciso, portanto, muito provavelmente, ingerir grandes quantidades desse alimento – se ele for realmente eficaz – para obter um efeito sobre a dopamina do paciente.

A tirosina, um ácido aminado que se encontra facilmente nas parafarmácias sob a forma de complemento alimentar, é outro precursor da dopamina às vezes bastante útil àqueles que sofrem do mal de Parkinson. Não conheço relato de efeitos secundários.

Ao exercício, então, David! Mas, vamos reconhecer, é muito chato fazer exercícios. Você, porém, afirma: "não é preciso muito"...

Sim. Por sorte, não sou quem diz, ou não acreditariam em mim, necessariamente! São os estudos que o afirmam, e é isso que é fascinante. Pesquisas recentes realizadas na Universidade de Duke, nos Estados Unidos, demonstraram que, para a depressão, por exemplo, o exercício físico, 3 vezes por semana, 30 minutos a cada vez, é tão eficaz quanto tomar um antidepressivo.

Mas, 30 minutos de que? Salto de vara, crawl intensivo...?

Isso depende da idade das pessoas. Mas, num dos estudos em que os sujeitos tinham entre 50 e 77 anos, simplesmente eles faziam 30 minutos de marcha rápida.

Nem correr?

Nem correr. Caminhavam ao ar livre. Mas é preciso andar rápido. Dizem que o que é preciso conseguir, e não necessariamente a primeira vez, é encontrar um ritmo em que se pode conversar, fazendo o exercício, mas não cantar.

E isso cura?

Sabe-se, agora, que isso é de fato eficiente.

Em quanto tempo? Três meses? Três anos?

Nos estudos já realizados notou-se que em 6 semanas os efeitos eram notáveis e que no final de 4 meses obtinha-se o mesmo efeito de um antidepressivo. É um pouco mais lento que um antidepressivo. Um antidepressivo leva mais ou menos duas semanas para fazer efeito e, com os exercícios, é preciso esperar entre 2 e 6 semanas antes de notar uma real diferença. Mas, sentimo-nos melhor desde o início, porque nosso corpo foi estimulado.

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Livros | Brasil: Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Outubro 12, 2008

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Livros | Brasil: Lista dos livros mais vendidos no Brasil
Outubro 12, 2008

O Estado de São Paulo

Livros Lua Nova Stephenie Meyer Books

Ficção

01. LUA NOVA
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

02. A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro

03. O VENDEDOR DE SONHOS
Augusto Cury . leia um trecho do livro

04. CREPÚSCULO
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

05. ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
José Saramago . leia um trecho do livro

06. A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS
Markus Zusak

07. O PEQUENO PRÍNCIPE
Antoine de Saint-Exupéry . leia um trecho do livro

08. DOIDAS E SANTAS
Martha Medeiros

09. O CAÇADOR DE PIPAS
Khaled Hosseini . leia um trecho do livro

10. O SILÊNCIO DOS AMANTES
Lya Luft . leia um trecho do livro


Livros Comer Rezar Amar Elizabeth Gilbert Books

Não-Ficção

01. COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro

02. ELES CONTINUAM ENTRE NÓS
Zibia Gasparetto . leia um trecho do livro

03. UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro

04. 1808
Laurentino Gomes . leia um trecho do livro

05. O MONGE E O EXECUTIVO
 James C. Hunter . leia um trecho do livro

06. O PAÍS DOS PETRALHAS
Reinaldo Azevedo

07. O SEGREDO
Rhonda Byrne

08. CASAIS INTELIGENTES ENRIQUECEM JUNTOS
Gustavo Cerbasi . leia um trecho do livro

09. NUNCA DESISTA DE SEUS SONHOS
Augusto Cury

10. SÓ POR AMOR
Mônica de Castro

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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Turismo: Salvador | Bahia

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Turismo: Salvador | Bahia

A capital baiana é parte fundamental da história brasileira. Salvador foi o primeiro foco de colonização européia na América do Sul e a primeira capital do Brasil. Sua área abrange 313 km2 às margens da baía de Todos os Santos, com população de quase 3 milhões de habitantes.

Sua composição demográfica indica a existência de 52,9 % de mulheres e 47,1 % de homens em sua população, composta, em sua maioria, de descendentes de portugueses, africanos e índios nativos. A cidade possui traços culturais marcantes, ligados à religiosidade de raízes africanas e ao misticismo, que se traduzem em diferentes tipos de rituais e festas populares.

A cidade foi construída em dois níveis distintos - "cidade alta" e "cidade baixa" - ligados tanto por elevadores destinados a pedestres, quanto por vias de acesso a meios de transporte rodoviários. O clima favorável durante o ano inteiro e a ampla infra-estrutura voltada para o turismo fazem com que Salvador esteja recebendo, permanentemente, visitantes estrangeiros e de outros Estados do Brasil. No entanto, é durante os festejos de Carnaval que a procura por lazer na cidade aumenta consideravelmente, tornando-a conhecida pela grande festa que dura 4 dias.

Além do Carnaval, outras festas também importantes mobilizam a população da cidade e turistas que chegam de todas as partes do mundo. São os festivais ligados ao sincretismo religioso oriundo da fusão do catolicismo e da religião africana chamada "candomblé". Entre as festas mais populares encontram-se a de Nossa Senhora da Conceição, no dia 8 de dezembro, a procissão marítima em homenagem ao Senhor dos Navegantes, no dia 1º de janeiro, a festa do Senhor do Bonfim, na segunda quinta-feira de janeiro, e a festa de Yemanjá, em homenagem à deusa das águas, no dia dois de fevereiro. Poucos locais no mundo possuem o forte misticismo existente em Salvador, também conhecida como Terra de Todos os Santos ou Terra dos Orixás. Existem centenas de terreiros espalhados pela cidade, numa relação complementar ao catolicismo dominante. As igrejas da Bahia são tão numerosas que um ditado diz haver uma para cada dia do ano.

Existem mais de vinte mil vagas para turistas em hotéis de várias categorias na cidade, localizados à beira-mar ou em seus sítios históricos. A indústria do turismo emprega milhares de pessoas em Salvador, embora sua economia também esteja baseada nas atividades de comércio, serviços, nos pólos industriais existentes e na produção de frutas.

Famosas pela beleza natural e pela agradável temperatura de suas águas, as praias do litoral baiano são muito procuradas por turistas do mundo inteiro. Em Salvador as praias se estendem por uma extensão de 50 km, que incluem Porto da Barra e Itapuã entre as mais conhecidas, além da praia do Forte, localizada na direção norte da cidade.

Uma das atrações turísticas obrigatórias na capital baiana é o Pelourinho, patrimônio da humanidade tombado pela UNESCO em 1985. O Pelourinho constitui-se de um conjunto de edifícios históricos e monumentos localizados numa área denominada "Centro Histórico", onde se encontram também galerias de arte, restaurantes, comércio de artesanato, a Associação Carnavalesca Afro Olodum e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, construída por escravos no século XVIII.

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domingo, 12 de outubro de 2008

Automóveis: A empresa de seguros pode se recusar a fazer o seguro de carro?

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Automóveis: A empresa de seguros pode se recusar a fazer o seguro de carro?

Sim, mas a empresa tem que especificar na proposta o prazo de aceitação do seguro, assim como qualquer procedimento para comunicação da aceitação ou recusa da proposta, especificando os motivos da recusa e observando-se o período máximo de 15 dias, contado da data do recebimento da proposta.

A empresa seguradora poderá solicitar apenas uma vez para o segurado (pessoa física), documentos complementares para melhor análise do risco. Neste caso, o prazo de quinze dias será suspenso, voltando a correr a partir da data em que se der a entrega da documentação solicitada.

Caso a seguradora, mesmo após a vistoria, recuse-se a fazer o seguro dentro do prazo de 15 (quinze) dias, os valores pagos pelo segurado deverão ser devolvidos pela seguradora no prazo máximo de 10 (dez) dias.

A seguradora poderá deduzir do valor pago pelo segurado a parcela correspondente ao período em que houve a cobertura, ou, a seu critério, poderá devolver integralmente esse valor. Devem as condições contratuais dispor sobre esta regra.

Caso a seguradora não restitua o valor no período de 10 (dez) dias, o mesmo deverá ser atualizado de acordo com as normas vigentes, e haverá aplicação de juros de mora.

Os principais motivos da não aceitação da proposta são:

  • Veículos com parecer recusável na vistoria prévia
  • Veículos com chassi remarcados
  • Veículos com mais de 10 anos
  • Veículos fora de fabricação
  • Veículos com modelos especiais (ex.: automóveis de fibra ou modificados)
  • Veículos que apresentem irregularidade de emplacamento
Não há norma legal que estabeleça os casos em que a seguradora deve aceitar ou não um seguro de carro.

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sábado, 11 de outubro de 2008

Filme: Knowing (Nicolas Cage) | Trailer

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Filme: Knowing (Nicolas Cage) | Trailer

Knowing, filme dirigido por Alex Proyas, estrelado por Nicolas Cage, Rose Byrne, Chandler Canterbury, Ben Mendelsohn e Adrienne Pickering. Estréia nos cinemas dos Estados Unidos prevista para o dia 20 de março de 2009.

Knowing (2009) | Trailer



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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Trecho do Livro: Segurança em PHP | Márcio Pessoa

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Trecho do Livro: Segurança em PHP | Márcio Pessoa

Livros Seguranca em PHP Marcio Pessoa BooksLivro: Segurança em PHP

Saiba onde encontrar este livro

No primeiro capítulo serão abordados alguns conceitos de desenvolvimento visando à segurança do projeto de um modo geral. Não serão explorados aspectos específicos do PHP; o objetivo deste capítulo é explicar de forma simples os princípios de segurança em um projeto, independente de linguagens de programação ou sistemas operacionais.

Ao concluir este capítulo, o leitor estará familiarizado com os seguintes tópicos:

  • Conceitos básicos de segurança relacionados à programação.
  • Definição de usabilidade de um sistema.
  • Razões para realizar a programação visando a usuários ilegítimos.
  • Considerações sobre desempenho.
  • Limites de acesso.
1.1 Segurança

Levando em consideração as boas linguagens de programação, elas por si só não podem ser consideradas seguras ou inseguras; a segurança de sua aplicação depende, sobretudo, de todo o projeto e, mais especificamente, do código do programa.

Nenhum esforço isolado é suficiente para evitar problemas de segurança de computadores. Com toda certeza o leitor já deparou com frases como:
  • “Nossa política de segurança é à prova de falhas.”
  • “A tecnologia usada neste DVD para evitar pirataria é absolutamente confiável.”
  • “Este sistema é totalmente seguro!”
Certamente não é necessário mencionar que essas frases foram muito mal sucedidas, pois a segurança não pode ser medida de forma absoluta; a segurança de um sistema deve ser aferida, não devendo ser tratada como uma característica do mesmo.

A segurança de um sistema deve ser balanceada com o custo e a usabilidade do projeto. De modo geral, um projeto com algum nível de segurança implementado tem um custo superior a um projeto sem nenhum requinte de segurança. Esses custos dizem respeito à contratação de pessoal especializado, maior tempo para confecção do projeto e outros itens que acarretam maior custo financeiro:

Custo
  • Tempo de projeto, pesquisa, programação e testes.
  • Profissionais mais bem-qualificados.
  • Hardware específico ou mais poderoso.
  • Mais banda de internet para suportar maior interação com o usuário e/ou criptografia.
Usabilidade
  • Facilitar ou complicar.
  • Cartões de acesso (tokens).
  • Tempo de sessão.
  • Senhas, chaves etc.
Para não tornar o projeto um bicho de sete cabeças, o nível de segurança desejado deve ser definido com cautela para não tornar o projeto economicamente impraticável ou até mesmo tão complicado que não possa ser utilizado.

Outro item muito importante a ser levado em consideração é que a segurança deve fazer parte do design do projeto. Muitos programas têm sua parte de segurança implementada depois que está pronto. Isso, além de implicar na existência de uma implementação problemática dos recursos de segurança, implica aumentar muito o tempo do projeto e conseqüentemente os custos deste.

O último, porém não menos importante, recurso que citarei é a informação – é fundamental estar sempre atualizado. Existem inúmeros recursos disponíveis na internet, que vão desde websites especializados em segurança até listas de discussão.

1.2 Usabilidade versus segurança

Quanto mais recursos de segurança forem implementados no sistema, mais complicado será o seu uso.

Existe um tipo de sistema muito popular que pode exemplificar isso muito bem – o Internet Banking. Tal sistema precisa ser muito fácil de usar, mas necessita contar com recursos de segurança muito confiáveis.

Os bancos têm usado os mais diversos e criativos artifícios de segurança para garantir a legitimidade dos usuários autenticados no sistema. Para tanto, usam recursos como:
  • Login (geralmente número da agência e da conta)
  • Senha
  • Palavra secreta ou contra-senha
  • Número sorteado do cartão de chaves de acesso (token)
  • Posição da seqüência dos números de segurança impressos no cartão de débito
Certamente tem se tornado cada vez mais complicado trabalhar com Internet Banking, o que tem feito que as pessoas prefiram ir até as agências bancárias para não terem de aprender a usar ou por não confiarem nessa tecnologia.

Alguns bancos até fizeram softwares específicos para os clientes acessarem os serviços remotamente, mas isso exigia muito mais do que simplesmente distribuir um disquete com o programa; envolvia custos com suporte técnico e treinamento dos clientes para trabalhar com um programa que nem sempre era amigável.

O desenvolvedor precisa usar de sensatez ao implementar recursos de segurança em seu sistema. Leve em consideração os seguintes itens:

- Valor da informação manipulada

- Perfil do usuário
  • Faixa etária
  • Nível de instrução
  • Finalidade do sistema (lazer ou trabalho)
- Hardware usado

1.3 Postura de defesa

É importante manter uma constante postura de defesa, a qual consiste em procurar manter informações protegidas. Ainda que uma informação não tenha relevância ou não seja confidencial, terceiros não devem tomar conhecimento dela para não tirar proveito de alguma forma. Isso é conhecido também como método da ignorância – quanto menos alguém sabe sobre você, mais privacidade você terá e, conseqüentemente, mais segurança.

Em termos práticos isso se resume em atitudes muito simples, afinal, se você não ganha nada em divulgar o sistema operacional que usa, não há então necessidade de divulgar. O mesmo se aplica à linguagem de programação, bancos de dados e demais recursos.

1.4 Desempenho

Ao desenvolver programas, esteja certo de que sempre é possível fazer melhor. Um bom programa deve fazer tudo o que foi planejado e ainda ter as seguintes características:
  • Consumir o mínimo de tempo de CPU para ser executado.
  • Alocar a menor quantidade possível de memória.
  • Gravar todos os dados necessários usando o menor espaço em disco possível.
  • Utilizar a rede interna e a internet de forma econômica e racional.
Procurar medir os recursos que são utilizados para execução do programa é uma prática extremamente importante, pois já temos em mente que os programas devem sempre consumir o mínimo de recursos do sistema. Dessa forma, o processador terá tempo livre para executar outras tarefas.

Se uma página web dinâmica consome poucos recursos do servidor para ser gerada, então o servidor poderá atender tranqüilamente múltiplas requisições.

Na concepção de um projeto é importante usar temporizadores, trechos de código que devem ser inseridos no corpo do script para medir o tempo total de execução do programa e, além disso, é de suma importância aferir os recursos disponíveis no servidor. Isso pode ser feito com a ajuda de softwares específicos para essa tarefa. No Apêndice A, será possível encontrar uma visão geral de alguns métodos de temporização e, no Apêndice B, serão abordadas algumas técnicas de monitoração.

1.5 Usuários ilegítimos

Geralmente programadores definem a estrutura de um programa baseando-se nos usuários legítimos do sistema. É necessário mudar esse conceito. O programador que escreve sistemas com responsabilidade deve desenhar a estrutura do sistema pensando sempre em primeiro lugar no usuário ilegítimo e posteriormente no usuário real do sistema.

De fato é uma técnica muito simples, mas, depois que o projeto é definido dessa forma, a programação ganha muito em velocidade, e, como já sabemos, tempo é dinheiro.

1.6 Filtro de dados

Tão importante quanto beber água para evitar a desidratação é filtrar as variáveis de entrada do programa, pois tudo que vem de alguma fonte externa deve ser minuciosamente inspecionado. Dados digitados pelos usuários, coletados de arquivos, enviados por um formulário, ou até interações feitas com servidores de bancos de dados devem passar por um crivo.

Os filtros de dados podem ser considerados como a forma mais significativa de implementar segurança em uma aplicação.

Um deslize muito comum que faz programadores perderem os cabelos é realizar checagens de consistência de dados apenas usando JavaScript. Esses scripts são excelentes para melhorar a interface com o usuário, em que os campos de um formulário podem ser testados sem haver o recarregamento da página. O problema é que o JavaScript pode ser desativado no browser, ou ainda o formulário pode ser preenchido por um “robô” (programa que busca por informações em um formulário) funcionando como browser e passando despercebido pelo JavaScript. Dessa forma, é importante realizar a checagem de consistência de dados no servidor também.

1.7 Manipulação de erros

Tão comum quanto ver aves no céu é ver websites de grandes instituições exibindo informações confidenciais quando apresentam problemas. Todos que navegam pela internet já tiveram a experiência de entrar em um site e o mesmo estar indisponível.

A falha nesse caso não é o fato de estar indisponível, afinal problemas realmente acontecem. A gravidade consiste em, quando da ocorrência de problemas, informações como endereço do servidor de banco de dados, variáveis do sistema e outras informações serem exibidas pelo browser, de modo que pessoas mal intencionadas podem tirar proveito dessas informações para prejudicar o seu sistema.

Por essa razão, é importante manipular exceções geradas pelo sistema e garantir que mensagens de erro sejam registradas somente em arquivos de log.

É de suma importância então permanecer atento aos logs gerados pelo sistema, pelo servidor web e pelos outros recursos do sistema operacional.

1.8 Limitador de acessos

Um limitador de acesso não é propriamente um programa ou uma ferramenta; trata-se de um ou mais recursos que devem ser implementados em um projeto com foco em segurança.

Um típico exemplo de um limitador de acesso é uma função no sistema que reage a tentativas mal sucedidas de login por um usuário, o que pode ser caracterizado como uma possibilidade de quebrar uma senha. Esse tipo de limitador de acesso é conhecido também como rate limit.

Outro exemplo clássico é realizar a limitação de acessos por endereço IP. Isso pode ser feito usando regras de firewall ou com o auxílio de ACLs implementadas no sistema.

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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Veículos: Quais são as garantias oferecidas no seguro de carro?

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Veículos: Quais são as garantias oferecidas no seguro de carro?

As principais garantias são:

  • Compreensiva (incêndio, colisão e roubo)
  • Incêndio e Colisão
  • Roubo e Incêndio
  • RCF-V (Responsabilidade Civil Facultativa de Veículos)
  • APP (Acidentes Pessoais de Passageiros)
Outras garantias que poderão ser contratadas são:
  • Acessórios: Indenização dos prejuízos causados aos acessórios do veículo segurado (ex: tocador de CD, DVD).
  • Assistência 24 Horas: Assistência ao veículo segurado e a seus ocupantes em caso de acidente ou pane mecânica e (ou) elétrica.
  • Blindagem: Indenização dos prejuízos causados à blindagem do automóvel segurado.
  • Carroceria: Indenização dos prejuízos causados à carroceria do veículo segurado.
  • Danos Morais: Reembolso da indenização paga por danos morais causados a terceiros, pela qual vier a ser responsável civilmente em sentença judicial transitada em julgado, ou em acordo judicial ou extrajudicial autorizado de modo expresso pela seguradora.
  • Despesas Extraordinárias: Em caso de indenização integral do automóvel, garante uma quantia estipulada no contrato de seguro para o pagamento de despesas extras relativas a documentação do veículo etc.
  • Equipamentos: Indenização dos prejuízos causados aos equipamentos do veículo (qualquer peça ou aparelho fixado em caráter permanente, exceto áudio e vídeo).
  • Extensão de Perímetro para os Países da América do Sul: Amplia a área de abrangência do seguro do carro para outros países.
  • Valor de Novo (aplicável à modalidade de valor de mercado referenciado): Garante o valor do veículo zero quilômetro na data de ocorrência do sinistro constante na tabela de referência definida nas condições contratuais do seguro. É obrigatória a fixação contratual do período de tempo, não inferior a noventa dias, em que o veículo sinistrado com indenização integral será indenizado pelo Valor de Novo, contado a partir da data de entrega do veículo ao segurado, devendo a Sociedade Seguradora definir expressamente as condições necessárias para que seja aceita a cobertura como Valor de Novo.
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Trecho do Livro: Como saber quem você é | Dalai Lama

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Trecho do Livro: Como saber quem você é | Dalai Lama

Livros Como saber quem voce e Dalai Lama How to see yourself as you really are BooksLivro: Como saber quem você é

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Quando nos levantamos de manhã e ouvimos as notícias ou lemos o jornal, somos confrontados com as mesmas histórias tristes — violência, guerras e desastres. Está claro que mesmo nos tempos modernos a preciosa vida não está segura: não consigo me lembrar de um só jornal que não noticie um crime em algum lugar. Há tantas más notícias hoje em dia, tamanha consciência de medo e tensão, que todo ser sensível e compassivo deve questionar o “progresso” que fizemos em nosso mundo moderno.

Ironicamente, os problemas mais sérios emanam de sociedades industrialmente avançadas, onde um nível de instrução sem precedentes parece ter apenas fomentado a inquietação e o descontentamento. Não há dúvida com relação a nosso progresso coletivo em muitas áreas — especialmente ciência e tecnologia —, mas, de alguma maneira, nossos avanços no conhecimento não são suficientes. Problemas humanos básicos permanecem. Não conseguimos promover a paz, nem reduzir o sofrimento total.

Essa situação me leva à conclusão de que pode haver algo profundamente errado com a maneira como conduzimos nossos negócios, a qual, se não for verificada a tempo, pode ter conseqüências desastrosas para o futuro da humanidade. A ciência e a tecnologia contribuíram imensamente para o desenvolvimento global da humanidade, para nosso conforto e bem-estar material, bem como para nossa compreensão do mundo em que vivemos. Mas se dermos demasiada ênfase a esses esforços, corremos o risco de perder aqueles aspectos do conhecimento humano que contribuem para o desenvolvimento de uma personalidade íntegra e altruísta.

A ciência e a tecnologia não podem substituir os antiqüíssimos valores espirituais que foram em grande parte responsáveis pelo verdadeiro progresso da civilização mundial tal como a conhecemos hoje. Ninguém pode negar os benefícios materiais da vida moderna, mas ainda nos defrontamos com sofrimento, medo e tensão — talvez mais agora do que nunca. Portanto, é apenas sensato tentar alcançar um equilíbrio entre desenvolvimento material de um lado e desenvolvimento de valores espirituais de outro. Para promover uma grande mudança, precisamos reviver e fortalecer nossos valores interiores.

Espero que você partilhe minha preocupação sobre a presente crise moral universal, e que me acompanhe quando peço a todos os agentes humanitários e religiosos que partilham essa preocupação que contribuam para tornar nossas sociedades mais compassivas, justas e eqüitativas. Digo isso não como budista, nem mesmo como tibetano, mas simplesmente como ser humano. Também não falo como especialista em política internacional (embora comente inevitavelmente esses assuntos), mas como parte da tradição budista, que, como as tradições de outras grandes religiões mundiais, está fundada no alicerce do interesse por todos os seres. Dessa perspectiva, partilho com você as seguintes crenças pessoais:

1. O interesse universal é essencial para a solução dos problemas globais.
2. O amor e a compaixão são os pilares da paz mundial.
3. Todas as religiões do mundo procuram promover a paz mundial, como todos os humanitários de qualquer ideologia.
4. Todo indivíduo tem a responsabilidade de criar instituições para servir às necessidades do mundo.

Consideremos essas crenças uma a uma.

1. O interesse universal é essencial para a solução dos problemas globais

Dos muitos problemas que enfrentamos atualmente, alguns são calamidades naturais que têm de ser aceitas e encaradas com equanimidade. Outras calamidades, contudo, são produzidas por nós mesmos, criadas por mal-entendidos, e estas podem ser corrigidas. Um desses problemas surge do conflito de ideologias, políticas ou religiosas, quando as pessoas lutam entre si por suas crenças, perdendo de vista a idéia de humanidade básica que nos une como uma única família humana. Devemos lembrar que essas diferentes religiões, ideologias e sistemas políticos do mundo surgiram para ajudar os seres humanos a alcançar a felicidade. Não devemos perder de vista essa meta fundamental. Em nenhum momento deveríamos pôr os meios acima dos fins: devemos sempre manter a supremacia da compaixão sobre a ideologia.

O maior perigo isolado que paira sobre todos os seres vivos em nosso planeta é, sem dúvida, a ameaça da destruição nuclear. Não preciso entrar em pormenores sobre esse perigo, mas gostaria de pedir aos líderes das potências mundiais que têm literalmente o futuro do mundo em suas mãos, aos cientistas e técnicos que continuam a criar essas aterradoras armas de destruição e a todas as pessoas em geral, que exerçam o equilíbrio mental e promovam o desarmamento. Sabemos que na eventualidade de uma guerra nuclear não haverá vencedores, porque não haverá sobreviventes! Não é horrível simplesmente pensar nessa destruição desumana e impiedosa? E não é lógico que devamos eliminar a causa potencial de nossa própria destruição uma vez que a reconhecemos? Muitas vezes não podemos superar um problema porque não conhecemos sua causa, ou, quando a compreendemos, porque não temos meios ou tempo para eliminá-la. Esse não é o caso no que diz respeito à ameaça nuclear.

Quer pertençam a uma espécie mais evoluída, como os seres humanos, ou a outras mais simples, como os animais, todos os seres procuram paz, conforto e segurança. A vida é tão cara para o animal mudo quanto para qualquer ser humano: até o mais simples inseto procura se proteger de perigos que ameaçam sua vida. Da mesma forma que cada um de nós quer viver e não deseja morrer, assim também são todas as demais criaturas, embora a capacidade de assegurar isso varie.

Num sentido amplo, há dois tipos de felicidade e sofrimento: mental e físico. Como acredito que o sofrimento e a felicidade mentais são mais influentes que suas contrapartidas físicas, em geral enfatizo o treinamento da mente como uma estratégia para subjugar o sofrimento e alcançar um estado mais duradouro de felicidade. A felicidade é uma combinação de paz interior, viabilidade econômica e, acima de tudo, paz mundial. Para alcançar essas metas, parece-me necessário desenvolver um senso de responsabilidade universal, um profundo interesse por todos, independentemente de credo, cor, nacionalidade ou etnicidade.

A premissa por trás da responsabilidade universal é o simples fato de que todos nós desejamos a mesma coisa. Todo ser deseja a felicidade e não deseja o sofrimento. Se não respeitarmos esse fato, haverá cada vez mais sofrimento neste planeta. Se adotarmos uma abordagem egoísta diante da vida e procurarmos constantemente usar os outros para nosso próprio interesse, podemos obter benefícios temporários, mas a longo prazo tanto a felicidade pessoal quanto a paz mundial ficarão completamente inatingíveis.

Em sua busca da felicidade, os seres humanos usaram diferentes métodos, e com demasiada freqüência esses meios foram agressivos e cruéis. Comportando-se de maneiras inteiramente inadequadas para a humanidade, pessoas cometem crueldades terríveis, infligindo sofrimentos a outros seres vivos a fim de obter ganhos egoístas. Em última análise, essas ações míopes não trazem nada senão sofrimento — para nós mesmos e para os outros. Nascer como ser humano é um evento raro em si mesmo, e é sábio usar essa oportunidade da maneira mais benéfica possível. Devemos ter em mente que todos queremos a mesma coisa, de modo que uma pessoa ou grupo não busque a felicidade ou a glória em detrimento de outras.

Tudo isso pede uma abordagem compassiva em relação aos problemas globais. Globalização significa que o mundo está se tornando rapidamente menor e mais interdependente, em razão da tecnologia e do comércio internacional. Em conseqüência, precisamos uns dos outros mais do que nunca. Em outros tempos os problemas eram, em sua maioria, do tamanho de uma família, podendo portanto ser tratados no nível da família, mas essa situação mudou. Hoje os problemas de uma nação não podem mais ser satisfatoriamente resolvidos apenas por ela mesma; muitas coisas dependem dos interesses, atitudes e cooperação de outras nações. Uma abordagem universal dos problemas mundiais é a única base sólida para a paz mundial. Estamos tão estreitamente interconectados que sem um senso de responsabilidade universal, uma compreensão de que somos realmente parte de uma grande família humana, não podemos ter a esperança de superar os perigos de nossa própria existência, muito menos de promover paz e felicidade.

O que isso acarreta? Depois que reconhecemos que todos os seres prezam a felicidade e não querem o sofrimento, torna-se tanto moralmente errado como pragmaticamente insensato perseguir nossa própria felicidade ignorando os sentimentos e aspirações de todos os demais membros de nossa própria família humana. Considerar os outros ao perseguir nossa própria felicidade nos leva ao que chamo de “interesse pessoal sensato”, que desejavelmente se transformará em “interesse pessoal comprometido”, ou, melhor ainda, “interesse mútuo”. Algumas pessoas pensam que, se cultivarem a compaixão, será bom para os outros, porém não necessariamente para elas próprias, mas isso é errado. É você mesmo quem se beneficia mais diretamente, pois a compaixão lhe proporciona de imediato uma sensação de calma (hoje pesquisadores médicos mostram em estudos científicos que uma mente calma é essencial para a boa saúde), força interior e uma profunda confiança e satisfação, ao passo que não é certo que o objeto de seu sentimento de compaixão vá se beneficiar. Amor e compaixão expandem nossa própria vida interior, reduzindo o estresse, a desconfiança e a solidão. Um médico ocidental me disse recentemente que as pessoas que usam com freqüência as palavras eu, meu e mim são as que mais correm risco de sofrer um ataque cardíaco. Quando, por causa do egocentrismo, sua visão fica limitada a você mesmo, até um pequeno problema parecerá intolerável. Concordo plenamente.

Seria de se esperar que a crescente interdependência entre as nações gerasse mais cooperação, mas será difícil alcançar um espírito de genuína cooperação enquanto as pessoas permanecerem indiferentes aos sentimentos e à felicidade dos outros. Quando as pessoas são motivadas sobretudo pela cobiça e pela inveja, não lhes é possível viver em harmonia. Uma abordagem espiritual pode não fornecer uma solução da noite para o dia para todos os problemas políticos causados por nossa atual abordagem egocêntrica, mas a longo prazo atacará a própria base dos problemas que enfrentamos hoje, eliminando-os pela raiz.

O mundo está se tornando menor agora, a tal ponto que todas as suas partes são obviamente parte de você mesmo. Assim, a destruição de seu inimigo é a sua própria destruição. O próprio conceito de guerra está ultrapassado. Se o século XX foi o século do derramamento de sangue, o XXI tem de ser o século do diálogo.

Se a humanidade continuar a enfrentar seus problemas da perspectiva da conveniência temporária, as futuras gerações se defrontarão com tremendas dificuldades. A população global está aumentando e nossos recursos estão se esgotando rapidamente. Considere os efeitos ruinosos do desflorestamento maciço sobre o clima, o solo e a ecologia global como um todo. Estamos nos defrontando com a calamidade porque, guiados por conveniência e interesses egoístas, e não pensando na família inteira dos seres vivos, não estamos levando em conta a Terra e as necessidades da própria vida a longo prazo. Se não pensarmos sobre essas questões agora, as gerações futuras poderão não ser capazes de enfrentá-las.

2. Amor e compaixão como os pilares da paz mundial

Segundo a psicologia budista, a maior parte de nossas dificuldades provém do apego a coisas que vemos equivocadamente como permanentes. Agindo a partir desse mal-entendido, vemos a agressão e a competitividade como úteis na busca do que imaginamos e desejamos. Mas isso apenas fomenta a beligerância. Esse pensamento equivocado sempre esteve presente na mente humana, mas nossa capacidade de agir com base nele tornou-se maior, agora que temos máquinas e técnicas de enorme poder para acumular e consumir recursos. Desse modo, a cobiça e a agressão, estimuladas por nossa ignorância das coisas como realmente são, liberam mais de seu veneno no mundo. Se os problemas forem resolvidos de uma maneira humana, eles simplesmente terminam, ao passo que se tentarmos meios desumanos, novos problemas serão acrescentados aos anteriores.

O antídoto humano para esses problemas é amor e compaixão, ingredientes essenciais da paz mundial. Somos animais sociais; os principais fatores que nos mantêm juntos são amor e compaixão. Quando você sente amor e compaixão por uma pessoa muito pobre, seus sentimentos são baseados na generosidade. Em contrapartida, o amor por seu marido, esposa, filhos ou um grande amigo é muitas vezes mesclado de apego; e, quando seu apego muda, sua bondade pode desaparecer. O amor completo é baseado não no apego, mas na generosidade, a resposta mais eficaz para o sofrimento.

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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Livros | Brasil: Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Outubro 05, 2008

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Livros | Brasil: Lista dos livros mais vendidos no Brasil
Outubro 05, 2008

O Estado de São Paulo

Livros A Cabana William P Young The Shack Books

Ficção

01. A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro

02. O VENDEDOR DE SONHOS
Augusto Cury . leia um trecho do livro

03. LUA NOVA
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

04. CREPÚSCULO
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

05. ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
José Saramago . leia um trecho do livro

06. O CAÇADOR DE PIPAS
Khaled Hosseini . leia um trecho do livro

07. A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS
Markus Zusak

08. AS MEMÓRIAS DO LIVRO
Geraldine Brooks . leia um trecho do livro

09. O MUNDO É BÁRBARO
Luis Fernando Verissimo . leia um trecho do livro

10. O VENCEDOR ESTÁ SÓ
Paulo Coelho . leia um trecho do livro


Livros ELES CONTINUAM ENTRE NOS Zibia Gasparetto Books

Não-Ficção

01. ELES CONTINUAM ENTRE NÓS
Zibia Gasparetto . leia um trecho do livro

02. COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro

03. O SEGREDO
Rhonda Byrne

04. UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro

05. 1808
Laurentino Gomes . leia um trecho do livro

06. O MONGE E O EXECUTIVO
 James C. Hunter . leia um trecho do livro

07. O PAÍS DOS PETRALHAS
Reinaldo Azevedo

08. CASAIS INTELIGENTES ENRIQUECEM JUNTOS
Gustavo Cerbasi . leia um trecho do livro

09. SÓ POR AMOR
Mônica de Castro

10. NUNCA DESISTA DE SEUS SONHOS
Augusto Cury

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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Concurso Público: MC | Ministério das Comunicações

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Concurso Público: MC | Ministério das Comunicações

Diversos cargos

Salário inicial de até R$ 8300,00

Requisito de graduação do candidato: Nível superior

Vagas de trabalho: 40

Inscrições no concurso até o dia 28 de Outubro de 2008

Informações: www.cespe.unb.br/concursos/MC2008/



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Filme: O Exterminador do Futuro 4 | Papel de Parede | Wallpaper

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Filme: O Exterminador do Futuro 4 | Papel de Parede | Wallpaper

A estréia do filme O Exterminador do Futuro 4 (Terminator Salvation) nos cinemas do Brasil está prevista para o início de Junho de 2009.

O Exterminador do Futuro 4 Terminator Salvation T4 Papel de Parede Wallpaper


(1280x800 pixels)

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domingo, 5 de outubro de 2008

Filme: O Exterminador do Futuro 4 - Salvação | Trailer

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Filme: O Exterminador do Futuro 4 - Salvação | Trailer

O Exterminador do Futuro 4 - Salvação (Terminator Salvation - T4), filme dirigido por Joseph McGinty Nichol (McG), estrelado por Christian Bale, Anton Yelchin, Sam Worthington, Bryce Dallas Howard, Moon Bloodgood e Helena Bonham Carter. Estréia nos cinemas brasileiros prevista para o dia 5 de junho de 2009.

O Exterminador do Futuro 4 - Terminator 4 (2009) | Trailer


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Filme: O Dia em que a Terra Parou | Trailer

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Filme: O Dia em que a Terra Parou | Trailer

O Dia em que a Terra Parou (The Day the Earth Stood Still), filme dirigido por Scott Derrickson, estrelado por Keanu Reeves, Jennifer Connelly, Jon Hamm, Kathy Bates e John Cleese. Estréia nos cinemas brasileiros prevista para o dia 9 de janeiro de 2009.

O Dia em que a Terra Parou (2009) | Trailer


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Trecho do Livro: A Cientista que Curou seu Próprio Cérebro | Jill Bolte Taylor

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Trecho do Livro: A Cientista que Curou seu Próprio Cérebro | Jill Bolte Taylor

Livros A Cientista que Curou seu Proprio Cerebro Jill Bolte Taylor My Stroke of Insight BooksLivro: A Cientista que Curou seu Próprio Cérebro

Todo cérebro tem sua história, e esta é a do meu. Há dez anos eu estava na Harvard Medical School realizando pesquisas e lecionando para jovens profissionais sobre o cérebro humano. Porém, em 10 de dezembro de 1996, eu mesma recebi uma lição. Naquela manhã, sofri uma forma rara de derrame no hemisfério esquerdo do cérebro. Uma hemorragia importante, devido à má-formação congênita dos vasos sanguíneos em minha cabeça, aconteceu inesperadamente. No breve espaço de quatro horas, sob um olhar de curiosa neuroanatomista, vi meu cérebro deteriorar-se por completo em sua capacidade de processar informação. No final daquela manhã, eu não conseguia andar, falar, ler, escrever ou lembrar nenhum dado da minha vida. Encolhida, como se voltasse a ser um feto, senti meu espírito render-se à morte, e é certo que em nenhum momento imaginei que seria capaz de dividir minha história com alguém.

A cientista que curou seu próprio cérebro é uma documentação cronológica da jornada que realizei para o abismo amorfo de uma mente silenciosa, em que a essência de meu ser existia envolvida numa profunda paz interior. Este livro é uma trama composta pelo alinhavo de meu treinamento acadêmico, experiência pessoal e insights. Até onde tenho conhecimento, este é o primeiro relato documentado de uma neuroanatomista que se recuperou por completo de uma severa hemorragia cerebral. Estou eufórica por estas palavras finalmente ganharem o mundo, onde poderão ser bastante úteis.

Mais que tudo, sou grata por estar viva, e comemoro o tempo que tenho aqui. Inicialmente, fui motivada a enfrentar a agonia da recuperação graças a muita gente bonita que me estendeu as mãos e me ofereceu amor incondicional.

Ao longo dos anos, mantive-me fiel a esse projeto devido à jovem que me procurou movida pelo desespero, querendo entender por que a mãe dela, que morrera vítima de um derrame, não havia ligado para a emergência. Também por causa do cavalheiro idoso, que estava sobrecarregado pela apreensão de que a esposa houvesse sofrido muito durante o coma antes de sua morte. Fui praticamente mantida presa ao computador (com meu fiel cachorro Nia no colo) devido a muitos indivíduos que cuidavam de seus doentes e me procuravam em busca de orientação e esperança. Persisti nesse trabalho pelas 700 mil pessoas da nossa sociedade (e suas famílias) que ainda sofrerão um derrame. Se uma única pessoa ler “Manhã do derrame”, reconhecer os sintomas e pedir ajuda — antes tarde do que nunca —, então meu esforço estará mais do que recompensado.

A cientista que curou seu próprio cérebro tem quatro divisões naturais. A primeira parte, “A vida de Jill antes do derrame”, apresenta ao leitor quem eu era antes de meu cérebro ficar “desconectado”. Descrevo por que me tornei neurocientista, um pouco da minha jornada acadêmica, meus interesses por Direito e minha jornada pessoal. Eu vivia de maneira grandiosa. Era neurocientista em Harvard, integrava o comitê nacional da Nami (National Alliance on Mental Illness — Aliança Nacional de Doenças Mentais) e viajava pelo país como a cientista cantora. Relato essa breve sinopse pessoal em termos científicos simples, cujo propósito é ajudar o leitor a entender o que ocorria biologicamente no meu cérebro na manhã do derrame.

Se você já se perguntou qual deve ser a sensação de ter um derrame, então o capítulo “Manhã do derrame” é para você. Nele, conduzo o leitor numa jornada muito incomum pelo passo-a-passo da deterioração das minhas habilidades cognitivas, sob o olhar de um cientista. Na medida em que a hemorragia em meu cérebro vai se tornando cada vez maior, relaciono os déficits cognitivos que estava experimentando à biologia subjacente. Como neuroanatomista, devo dizer que aprendi muito durante aquele derrame sobre meu cérebro e como ele funciona, tanto quanto havia aprendido em todos os meus anos acadêmicos. No final daquela manhã, minha consciência em estado alterado percebeu que eu estava unificada ao Universo. Desde aquele momento, passei a entender como somos capazes de ter uma experiência “mística” ou “metafísica” em relação à anatomia cerebral.

Se você conhece alguém que sofreu um derrame ou algum outro tipo de trauma cerebral, os capítulos sobre recuperação podem ser um recurso valioso. Neles, compartilho a jornada cronológica da minha recuperação, incluindo mais de 50 dicas sobre coisas de que eu precisava (ou não precisava) para recuperar-me completamente. Minhas “Recomendações para recuperação” estão relacionadas no Apêndice para sua conveniência. Espero que compartilhem essa informação com quem dela puder se beneficiar.

Finalmente, “Meu derrame de sabedoria” define o que o derrame me ensinou sobre meu cérebro. Nesse ponto, você vai perceber que este livro não é realmente sobre derrame. Mais precisamente, o derrame foi o evento traumático pelo qual me chegou o conhecimento. Este livro é sobre a beleza e a resistência do cérebro humano