... ou será uma formação rochosa (ou uma peça ou o rastro da Opportunity)?
Seja lá o que for, certamente é uma imagem que ativa a boa e velha imaginação.
A foto abaixo é uma imagem oficial da NASA (National Aeronautics and Space Administration). Ela representa a junção da visão da câmera direita e esquerda do veículo de exploração Opportunity, a fim de formar uma imagem panorâmica do horizonte do planeta Marte.
Há dois veículos de exploração em Marte, o MER-B (Mars Exploration Rover - B, ou Opportunity) e o MER-A (Mars Exploration Rover - A, ou Spirit), ambos realizando a função de explorar geologicamente o solo marciano.
A NASA sempre desenvolve um logotipo para cada missão espacial, e abaixo você pode conferir os logos da Opportunity e da Spirit:
- Eu disse que nunca mais punha os pés na rua, nunca mais ia a festinhas, nunca mais entrava num bar, eu disse!
- É, você disse. Você sempre diz isso. No dia seguinte você sempre diz isso.
- Então? Então? Então você devia levar isso em conta. Quando eu disser "hoje vou sair", você diz "não vai", pronto. Basta isso, eu atendo, você sabe que eu atendo.
- Você nem ouve, quanto mais atender. Você entrou em casa cantando "Rio Babilônia", parou na porta, deu uns remelexos meio tipo Elvis Presley e gritou com o mesmo olhar com que às vezes fica na praia: "Mulher, vamos pra festa do Neville! Rio Babilôoooonia!"
- É, eu me lembro. Você foi sarcástica, muito sarcástica. Não é preciso ser tão sarcástica comigo e meus amigos.
- Eu, sarcástica? Eu só perguntei se você tinha certeza de que podia entrar mulher grávida.
- E então? Só porque era a festa do meu amigo Neville tinha de ser uma esbórnia, não foi isso que você quis insinuar?
- Absolutamente. Quem insinuou foi você, com aqueles seus... seus meneios aí na porta e com aquele olhar que não permitiriam na novela das oito.
- Eu não fiz olhar nenhum!
- Fez. E continuou a fazer praticamente a noite inteira. Mas acho que não tem importância, seus amigos já estão acostumados. Uma coisa de que ninguém pode lhe acusar é falta de coerência. Você faz invariavelmente as mesmas coisas.
- Eu beijei Ivan Chagas Freitas outra vez?
- Não, desta vez não, mas isto é um pormenor. E de mais a mais você chegou com ele, não acredito que o beijo se justificasse.
- Eu fui com ele? Claro, fui com ele. Lembro muito bem. Aliás, lembro muitíssimo bem, lembro de tudo. Chegamos juntos, o Ivan elegantíssimo, de smoking...
- Ivan não estava de smoking.
- Como não estava? Claro que estava, eu não sou maluco, vi perfeitamente. Eu até fiz uma brincadeira, falei: "Ivan, este smoking de teu pai caiu muito bem, muito bem."
- Isso foi a foto do Ivan na festa do Ibrahim. Você viu a foto do Ivan de smoking.
- A foto? Bem, certo, mas o fato é que eu vi o Ivan de smoking, eu lembro de tudo perfeitamente. Nós entramos, abraçamos o Neville e aí batemos um papo com a Tônia Carrero, gostei muito dela.
- É, este foi um problema. A Tônia Carrero não estava lá.
- Como não estava? É claro que estava!
- Não. Estava uma senhora lá que você ficou chamando o tempo todo de "Tônia, mas veja você, Tônia, mas ora, Tônia". Ela tentou avisar algumas vezes, mas você só dizia "querida Tônia, mas que mot d'esprit, que boutade, ha-ha-ha!"
- Não era a Tônia? Mas era a cara!
- Espero que a Tônia nunca saiba desta sua opinião. De qualquer forma, isso não teve importância, porque você elogiou muito a senhora, ela deve ter ficado satisfeita. Aliás, você elogiou todo mundo.
- Elogiei? Ah, elogiei? Bem, ótimo que eu elogiei, quer dizer que não tem vexame para lembrar.
- Nada, vexame nenhum. É bem verdade que você fez alguns elogios agressivos, mas todo mundo já deve conhecer a sua exuberância. Quer dizer, não sei se o Renato Machado ficou muito feliz, não tenho certeza.
- O Renato Machado? O que é que eu fiz com o Renato Machado? Eu não elogiei?
- Aos murros. Você fazia um elogio - "aí, Renatão!" - e dava um murrozinho afetuoso nele. Acho que deve ter dado uns seis ou sete; você estava muito entusiasmado com ele. "Que pronúncia, que pronúncia!", dizia você. Até que ele se sentou e alegou nocaute e aí você parou.
- Mas é interessante, eu tenho a recordação completa de que sentamos direitinho, junto com o Ivan, a Dora e o Paulo César Saraceni e a Ana Maria, foi ou não foi?
- Mais ou menos. O Paulo César e a Ana Maria já estavam lá, ficaram sentados defronte da gente.
- Então? Lembro de tudo!
- E você ficava piscando o olho e jogando beijinhos para ela.
- Mentira! Na cara do Paulo César? Mentira! O Paulo César é meu amigo, eu jamais faria uma coisa dessas! Você quer solapar o meu relacionamento com os amigos! Mentira! Eu não faço essas coisas com ninguém, quanto mais com as mulheres de meus amigos!
- Mas é só isso que você faz. Agora, elas não ligam, eles também não. Afinal, quem é que vai ligar para um amigo que fica piscando um olho como se estivesse tendo um espasmo muscular, jogando beijinhos bicudos e escondendo a cara atrás do balde de gelo?
- Atrás do balde de gelo?
- Pois é, tenho a impressão de que você achava que assim disfarçava. Juntou gente em torno da mesa, para ver você disfarçando. Você se curvava todo, chamava "Aniiinha!", piscava o olho e mergulhava a cara atrás do balde ligeirinho.
- Que horror!
- Horror nada, foi tudo muito divertido, um sucesso. Tanto assim que você só parou quando chegou o Daniel Filho.
- O Daniel? Não! Eu chorei outra vez?
- Não, vocês dançaram.
- Nós dançamos?
- Dançaram e cantaram. Cantaram uma musiquinha em inglês que dizia "wake up, wake up!" e que vocês achavam engraçadíssima, embolavam de rir. Até que houve o incidente com o pessoal da casa, na hora em que você exigiu que evacuassem a pista para que o Daniel pudesse dar uma demonstração do passo Tom Mix.
- O passo Tom Mix?
- Sim, é um passo que ele dá sacando dois revólveres e rodopiando. É até interessante. Mas o pessoal não quis atender ao seu pedido, apesar de você gritar "jogo-lhe a Rede Globo em cima, canalha!". De qualquer forma, você conseguiu que o Daniel fizesse o passo no andar de cima e ainda imitasse Michael Jackson e Ney Matogrosso. A de Michael Jackson é até bastante boa, a do Ney...
- Disso eu me lembro, fiquei ali conversando com a Márcia enquanto ele dançava.
- Conversando não, ficou dizendo "Marcinha, você sabe que eu imito Ney Matogrosso muito melhor do que esse cara aí com quem você vive saindo e sou melhor diretor de televisão que ele e tenho um telão maior do que ele e..."
- Ele se aborreceu?
- Claro que não, inclusive ele sabe que você não imita lhufas e não tem telão nenhum.
- Nem sou diretor de tevê.
- Ah, isso não sei. Não foi isso o que você falou à Danuza Leão. Você disse a ela que estava realizando um especial sobre ela de duas horas e depois gritou: "Quero arrojar-me a teus pés!"
- E me arrojei?
- Quase. Ivan segurou você e a Danuza deu uns passinhos rápidos para trás, não houve maiores problemas e já estávamos mesmo na saída.
- Nunca mais eu saio, nunca mais boto os pés fora de casa, nunca mais entro num bar, nunca mais!
- Sim, querido. Mas não sei por quê. Todo mundo acha você o rei da noite, querido.
Baby, baby When we first met I never felt something so strong You were like my lover And my best friend All wrapped into one With a ribbon on it And all of a sudden you went and left I didn't know how to follow It's like a shock That spun me around And now my heart's dead I feel so empty and hollow
And I'll never give myself to another The way I gave it to you Don't even recognize The ways you hurt me Do you? It's gonna take a miracle to bring me back And you're the one to blame
And now I feel like, oh You're the reason Why I'm thinking I don't wanna smoke on These cigarettes no more I guess that's what I get For wishful thinking Should've never let you into my door
Next time you wanna go on and leave I should just let you go on and do it Cause now I'm using like I bleed It's like I checked into rehab Baby you're my disease It's like I checked into rehab Baby you're my disease I gotta check into rehab 'Cause baby you're my disease I gotta check into rehab 'Cause baby you're my disease
Damn, Ain't it crazy When you're loveswept You'll do anything For the one you love 'Cause anytime That you needed me I'd be there It's like You were my favorite dr_g The only problem is That you was using me In a different way That I was using you But now that I know That it's not meant to be You gotta go I gotta wean myself off of you
And I'll never give myself to another The way I gave it to you Don't even recognize It's gonna take a miracle to bring me back And you're the one to blame
And now I feel like, oh You're the reason Why I'm thinking I don't wanna smoke on These cigarettes no more I guess that's what I get For wishful thinking Should've never let you into my door
Next time you wanna go on and leave I should just let you go on and do it Cause now I'm using like I bleed It's like I checked into rehab Baby you're my disease It's like I checked into rehab Baby you're my disease I gotta check into rehab 'Cause baby you're my disease I gotta check into rehab 'Cause baby you're my disease
Oh, You're the reason Why I'm thinking I don't wanna smoke on These cigarettes no more I guess that's what I get For wishful thinking Should've never let you into my door
Next time you wanna go on and leave I should just let you go on and do it Cause now I'm using like I bleed It's like I checked into rehab Baby you're my disease It's like I checked into rehab Baby you're my disease I gotta check into rehab 'Cause baby you're my disease I gotta check into rehab 'Cause baby you're my disease
Uma das primeiras coisas que Tim me contou sobre a vida na China foi como, no primeiro ano que passou lá, ficava intrigado com uma moça que lhe perguntava toda tarde se ainda não havia comido, embora logo na primeira semana ele lhe tivesse dito que nunca almoçava. Depois acabou percebendo que na China a expressão Ni chi fan le ma? (“Já comeu?”) é apenas uma forma de cumprimentar as pessoas.
Essa frase simples, com seu misto de preocupação e interesse, diz tudo. Comer é importante na China; a comida não é um motivo de preocupação, mas sim uma fonte de grande prazer. Os chineses se deliciam com todos os aspectos do alimento, desde o planejamento e a expectativa de uma refeição, até a preparação ou a escolha de vários pratos, o ato de comê-los e desfrutá-los e de pensar na refeição que se fez.
Os chineses falam o tempo todo em yin e yang, no valor nutricional dos alimentos. Há uma palavra para calorias, re liang, mas se trata de um termo científico (que significa literalmente “medida de calor”) que é obscuro para os leigos. Quando eu estava introduzindo alimentos sólidos ao meu filho Sam, Xiao Ding logo sugeriu que eu o alimentasse com purê de cenoura e não de batata, porque cenoura tinha mais yin e yang. Fascinada, interroguei-a cuidadosamente e descobri que, embora nunca tivesse ouvido falar em calorias, nem em vitaminas e minerais, nem tivesse tido uma educação formal, pois foi criada na época da Revolução Cultural, ela sabia muito bem quais alimentos eram bons para comer e como combiná-los.
Durante aquela breve conversa, debruçada sobre uma tigela de purê de batata, aprendi o primeiro segredo da cultura alimentar chinesa: pense em comida como algo que vai nutri-lo, não como uma fonte de calorias indesejáveis. Na minha cabeça, antes de eu ir para a China, comida era algo que engordava, a menos que se tomasse muito cuidado. Quem visivelmente gostava de comer parecia ter se resignado a um futuro de cintos de elástico e uma morte prematura. A única alternativa era a vigilância permanente. Com apenas 1,60 metro e vestindo manequim 38, muitas vezes os meus amigos mais volumosos me chamavam de “sortuda”. Mas não era uma questão de sorte. No primeiro ano de faculdade, vibrando com a liberdade da vida universitária, eu havia comido e bebido com os mais gulosos. Depois de seis meses de comida de cantina, pães com lingüiça, barras de chocolate devoradas às carreiras e batatas fritas no pub, eu engordara quase 6 quilos — não desastrosos, mas certamente bem visíveis na minha constituição miúda, especialmente quando algumas amigas supostamente preocupadas me faziam entrar na Woolworth’s e subir na balança. Precisei de seis semanas trabalhando num camping no sul da França e de uma dieta severa à base de frutas e salada para voltar ao manequim antigo. O calor, aliado ao trabalho braçal de limpar diariamente as barracas, sem falar na necessidade de usar biquíni na frente de todos aqueles jovens franceses, ajudou na minha determinação.
Daquele verão em diante, sem contar com os períodos de gravidez, comecei a vigiar cuidadosamente o meu peso. Eu me deitava à noite e, no lugar do Pai Nosso que eu rezava antes, eu ficava repassando as calorias que consumira naquele dia. Como eu procurava manter o peso, e não emagrecer, e tenho a tendência de me lembrar de informações inúteis, como quantas calorias há num biscoito digestivo, era um exercício fácil de fazer. O café-da-manhã em geral era farelo de trigo com leite desnatado e uma torrada integral com um pouco de alguma coisa; o almoço nunca passava de um sanduíche ou uma salada. Mantendo meu consumo diário em cerca de 800 calorias, eu podia me permitir um jantar razoável, talvez um prato de massa ou frango, até mesmo um frango ao curry, e umas taças de vinho. Se ultrapassasse meu limite diário de 2.000 calorias, eu compensava no dia seguinte. Respeitando essas regras, eu era aceitavelmente magra. Tudo bem, eu tomava xícaras e mais xícaras de chá e café para enganar a fome, e com freqüência estava bem irritada à noitinha. Também sofria de uma variedade de pequenos incômodos, como dores de cabeça depois de comer, inchaços, má digestão e varizes, e vivia exausta — mas o médico dizia que tudo aquilo era perfeitamente normal. É triste, mas ele provavelmente estava certo. Muitos ocidentais são transigentes na sua relação com o alimento, e muitos mais sofrem de uma quantidade de incômodos constantes; e a sensação geral é de que esses problemas são comparáveis à chuva, algo com a qual temos de conviver e agradecer os dias de sol.
Uma vez conheci uma ex-anoréxica que religiosamente almoçava uma barra de chocolate Kit-Kat com base no fato de que continha apenas 120 calorias e, portanto, se encaixava perfeitamente na sua ração auto-imposta de 1.000 calorias diárias; mas nunca lhe passou pela cabeça comer uma porção de batata, arroz ou massa com uma quantidade de calorias semelhante, porque esses alimentos eram “engordativos”. De outra feita, num jantar caríssimo de seis pratos num restaurante de Londres, sentei ao lado de uma moça que me mostrou como aprendera a arte de brincar com a comida no prato para fazer a garçonete achar que ela havia comido alguma coisa. O objetivo do exercício, confidenciou ela, era poupar sua ração de calorias para a mousse de chocolate, os petits-fours e as trufas. Nossa obsessão ocidental com a contagem de calorias criou um monte de problemas novos: anorexia, bulimia e outras formas de desnutrição. Gastam-se milhões em fórmulas dietéticas especiais, desperdiçam-se horas em aulas de emagrecimento; nos hospitais, os médicos estão costurando bocas e estômagos.
Depois de minha conversa com Xiao Ding, examinei com mais atenção os produtos à venda nas lojas chinesas. Em 1995 na China, refeições congeladas eram algo que não existia, os cereais matinais não haviam aparecido e havia um número limitado de biscoitos e doces nas prateleiras ao lado dos alimentos chineses básicos de grãos, nozes e frutas secas. Li cuidadosamente as embalagens: não encontrei nenhuma contagem de caloria. Um pesadelo, pensei, para quem estivesse seguindo a dieta dos Vigilantes do Peso. Mas logo percebi que ninguém estava. Os chineses passam anos pontificando sobre os benefícios para a saúde de diferentes alimentos, compartilhando o conhecimento passado de geração a geração, e muitas vezes fazem observações bastante pessoais sobre como uma pessoa precisa comer mais de um tipo de comida que de outro; mas ninguém jamais consideraria o valor de um alimento em termos do seu conteúdo calórico. A comida na China é desfrutada porque tem um aspecto bom, um cheiro gostoso, é saborosa e faz bem. E as pessoas que eu via à minha volta estavam visivelmente bem. A China não possui lojas especiais de roupas de tamanhos grandes nem instalações especiais para gordos. Quando morei na China, a obesidade simplesmente não era um problema. Em 2002, um estudo multicultural sobre atitudes em relação à forma do corpo mostrou, para crianças de diferentes países, silhuetas de pessoas que iam do muito magro ao obeso. Enquanto as crianças americanas viam as figuras muito obesas como as de que elas menos gostavam, as chinesas não tinham sentimentos negativos em relação à obesidade: parece que elas não acreditavam que existissem pessoas tão gordas.
Não sabemos o que comer
No ano em que cheguei à China e estava me maravilhando com a quantidade de alimentos na dieta chinesa, um estudo realizado pela organização Mass Observation no Reino Unido verificou que “a sociedade agora depende quase completamente de alimentos de conveniência. Os trabalhadores começam o dia com uma tigela de cereal com leite e açúcar e tomam chá; durante o dia, comem biscoitos e sanduíches e tomam mais chá; quando estão em casa, poucos deles parecem cozinhar uma refeição que toma como base ingredientes crus”. Esse quadro é muito triste, e a situação melhorou recentemente depois de várias campanhas, mas explica por que os ocidentais que fazem dieta acabam passando fome. Corte o pão e os biscoitos que foram apontados como “vilões”, e o que sobra para comer? Os fabricantes se deram muito bem produzindo versões com pouca gordura e poucas calorias do número limitado de alimentos com os quais os consumidores ocidentais se sentem confortáveis: iogurtes diet, biscoitos light, bebidas sem açúcar, substitutos da manteiga, molhos de salada sem óleo. O setor de carnes produziu porcos mais magros; a indústria de laticínios eliminou a gordura do leite. Passamos os últimos anos obcecados com o que não comer, quando há milhares de alimentos repletos de nutrientes, mas não sabemos o que fazer com eles.
Será que é fácil deixar de lado toda a bagagem do jargão ocidental sobre nutrição, quando a mensagem da “contagem de calorias” nos é apregoada na embalagem de nosso cereal matinal “saudável”, nas lojas, nas revistas e na televisão o dia inteiro e, para muitos, na tabela dos Vigilantes do Peso que preenchemos ao nos deitarmos à noite? Até eu ver com meus próprios olhos a maneira de comer dos chineses, não acreditava muito ser possível comer sem culpa e sem engordar.
No Ocidente, fomos doutrinados com a idéia de que a única maneira de perder peso é comer menos e fazer mais exercícios. Durante meu primeiro ano em Pequim, assisti a uma palestra organizada pela International Newcomers Network (INN). O locutor era o instrutor de fitness do centro de lazer de um dos melhores hotéis: a mensagem era “entre para a nossa academia e nunca mais terá que se preocupar com seu peso”. Ainda não imune à mentalidade ocidental, e com um tempo livre recém descoberto, graças à ajuda doméstica em tempo integral, entrei. Até arranjei um motorista para me levar até lá. Em geral, eu me exercitava no fim da manhã, enquanto a minha caçula dormia, e saía durante o rush da hora do almoço, quando a academia ficava repleta de gente suada. Na saída, eu dava uma olhada na cantina e via um grupo de motoristas apreciando um almoço farto. E não podia deixar de levar em conta que, embora alguns deles tivessem que pedalar todos os dias de casa para o trabalho e do trabalho para casa, em geral os motoristas têm um estilo de vida bastante sedentário — e eu não via muitos gordos.
Eu sentia um pouquinho de inveja da camaradagem tão evidente nas cantinas chinesas. Enquanto eu bufava em silêncio na esteira, nos aparelhos de step e de remo, vendo o mostrador registrar as calorias que eu queimava, toda a equipe chinesa, do gerente ao recepcionista e das garçonetes aos faxineiros, estava se banqueteando com os amigos. Minha recompensa por queimar 200 calorias a mais podia ser uma fatia a mais de um pão velho com minha salada e um biscoito para acompanhar o chá: mas será que isso estava me fazendo bem?
Não estou pondo em dúvida que o exercício físico queime calorias ou que comer menos ajude a perder peso. O que questiono é uma cultura alimentar que permitiu que esses princípios tirassem o prazer de comer, que tradicionalmente era uma experiência positiva associada à nutrição, boa saúde e sobrevivência.
Neste estágio, você certamente estará pensando que deve haver uma armadilha. O Ocidente está engordando e todos sabemos que o motivo disso é estarmos consumindo mais calorias do que queimamos. Então, se os chineses não precisam contar calorias, mas conseguem continuar magros e em forma, será que há um fator genético ou de estilo de vida envolvido? Ou talvez, apesar de aparentarem comer muito, eles na verdade não ingerem muitas calorias por causa dos tipos de alimento que constituem sua dieta?
Todas essas perguntas também me passavam pela cabeça. Minha busca para descobrir os segredos da dieta chinesa começou sem o menor treinamento ou método científico; minha única qualificação era meu entusiasmo pelo tema e um desejo ardente de entender por que a relação do Ocidente com a comida deu tão errado. A ciência moderna, com todos os seus pontos fortes, tende a se concentrar em fatores isolados; eu queria entender toda uma cultura e estava tão interessada em fatores não quantificáveis, como atitudes em relação à comida, quanto na relação entre consumo calórico e níveis de obesidade.
Os chineses ingerem mais calorias
À medida que fui entendendo mais, vi muitas das minhas observações justificadas pela pesquisa moderna. Os chineses realmente comem mais que os ocidentais e se mantêm mais magros. The China Study, de T. Colin Campbell, se diz o “estudo mais abrangente da ligação entre dieta e doença já publicado”. Um estudo conduzido pelo dr. Campbell e uma equipe científica internacional em 1990 interrogou 6.500 adultos de 65 condados da China e comparou as estatísticas com aquelas reunidas em diferentes países, particularmente nos Estados Unidos. Não só o estudo fez 8 mil associações estatisticamente significativas entre estilo de vida, dieta e doença, como também teve “conseqüências estarrecedoras para a perda de peso”. Qualquer investigação de hábitos alimentares necessariamente inclui um registro de consumo de calorias e peso corporal. The China Study mostrou que, quando a China era comparada com os Estados Unidos, “o consumo médio de calorias, por quilo de peso corporal, era trinta por cento maior... Mas o peso corporal era vinte por cento menor”.
Os chineses ingerem mais calorias que os americanos, mas se mantêm mais magros. Isso é extraordinário. “Então os chineses são mais ativos!”, você deve estar exclamando, com alívio, e tomará a decisão de voltar à academia. Certamente, quando viam os nativos se fartando com enormes porções de comida três vezes por dia, meus amigos ocidentais em geral logo presumiam que os chineses não se preocupam em contar calorias porque precisam alimentar seu estilo de vida ativo. E de fato a maioria dos chineses ainda vive no campo e trabalha na terra, e os que vivem em cidades geralmente vão para o trabalho a pé ou de bicicleta. Mas e os motoristas sedentários curtindo seus fartos almoços? Ou a tradição escolástica chinesa e as centenas de milhares de funcionários públicos confinados no escritório?
Os chineses não são mais magros porque consomem menos calorias nem porque fazem mais exercício. “Então deve ser genético”, conclui você resignado. (As pessoas diziam ter “ossatura pesada” quando eu era criança; agora a expressão “metabolismo lento” está mais na moda.)
A teoria genética é tentadora, mas demasiado simplista. Com diferentes origens étnicas, vêm estilos de vida e hábitos alimentares diferentes. É mais fácil apontar para o único ponto que não pode ser reproduzido do que descobrir mais sobre os que podemos mudar; mas, ao longo do tempo, tive a sorte de ser capaz de investigar o que vai além da cor da pele e dentro das marmitas.
Antes de me mudar para Pequim, fiz um curso de mandarim em Londres. No início da gravidez, entrei na sala no primeiro dia de aula com um certo medo, sem falar no enjôo. Eu não sabia dizer se os outros alunos estavam naquele ano sabático após a conclusão do segundo grau ou haviam acabado de entrar na faculdade, mas suas roupas elegantemente sujas deixavam transparecer o entusiasmo e a segurança da juventude. Foi com imenso alívio, portanto, que vi Paula sentada sozinha e fui me sentar ao lado dela. Como quase metade da turma, Paula era de origem chinesa, mas, enquanto os outros eram na maioria filhos de cantoneses donos de restaurantes focados nas oportunidades de carreira que a terra natal podia oferecer, Paula era uma mulher casada e com filhos e estava mais interessada em redescobrir suas raízes. Unidas pela idade e pela responsabilidade, tornamo-nos grandes amigas em uma semana.
No primeiro dia, logo saímos de nossa sala esfumaçada e nos aventuramos no mar de concreto da cidade para almoçar. Enquanto eu sentia uma dor de fome que eu considerava fazer parte da gravidez, vi que Paula, cuja pequena estatura fazia com que eu me sentisse gigantesca, nunca tentava segurar a fome com um sanduíche ao meio-dia. Sua marmita revelou um monte de arroz coberto de carne e vegetais. Fiquei olhando incrédula enquanto ela manejava os pauzinhos. Aquilo não era um simples lanche e, no entanto, ela falava animadamente da refeição que prepararia à noite. Embora sua família talvez não tivesse se esforçado para manter a herança lingüística, seu legado culinário estava visivelmente intacto — e a deixava com uma aparência ótima.
Senhoras que almoçam (e não engordam)
A primeira amiga que fiz ao chegar em Pequim foi May, casada com um dos colegas de Tim. May era de Hong Kong e adorava “almoçar”. Foi em seu apartamento, com aquela vista panorâmica do Bairro Sanlitun das Embaixadas, que provei de fato pela primeira vez a comida caseira chinesa. Comer com May e suas amigas de Taiwan, Cingapura e Malásia era a confirmação de que na Ásia todo mundo come bem; elas de fato celebram a comida e nunca falam em restringir o que comem de forma nenhuma. Pegávamos tigelas fumegantes de arroz ou de macarrão e cobríamos com uma seleção de acepipes saborosos. Descobri as delícias da raiz de lótus, fibrosa e de sabor delicado, e a alface chinesa, crocante e com um leve sabor de aspargo, e comecei a reconhecer as pastas de soja fermentada que dão a tantos pratos chineses o seu sabor característico, e a identificar os tipos de tofu. Eles me apresentaram a alimentos que eu não sabia que existiam, como os dim sum, bolinhos delicadamente recheados e feitos no vapor, típicos da região de Cantão, sushis japoneses fresquinhos, o macarrão coreano que me levou à loucura e os sabores fascinantes dos refogados locais. Aprendi também que berinjela não é só ratatouille e o repolho não é só bubble and squeak (Prato inglês tradicional feito com sobras de legumes. Os ingredientes principais são batata e repolho). Quando essas mulheres falavam sobre comida era com entusiasmo e prazer. Embora o viés de sua dieta fosse na direção de pratos saborosos cozidos na hora, elas não tinham nenhum tabu nem áreas proibidas. Quando chegava a feira beneficente das tortas da escola, que existiam com uma regularidade monótona, elas podiam produzir um cheesecake ou um prato de muffins à altura de Betty Crocker, ícone da culinária americana em matéria de bolos e biscoitos.
May e suas amigas asiáticas eram todas magras, embora comer fosse sua ocupação favorita. Como Paula, todas elas pareciam ter sido criadas tendo em casa uma atitude positiva em relação à comida. Mas, enquanto estive em Pequim, também tive muitas oportunidades de observar outras asiáticas, cujos hábitos alimentares foram influenciados por idéias e estilos de vida ocidentais. Quem é de origem étnica chinesa e nasceu no Ocidente é descrito de forma vaga na Ásia como Chinês Nascido na América (CNAs). Quando a economia chinesa explodiu nos anos 1990, milhares de CNAs foram atraídos de volta para a terra de seus ancestrais. Um desses foi minha amiga Deborah, uma médica sino-britânica que conheci numa consulta de rotina. Ela possuía um invejável domínio do mandarim, que aprendera sem professor, o qual eu esperava poder me abrir algumas portas de restaurantes. Era uma mulher robusta e, pelo jaleco branco apertado no busto, dava a impressão de gostar de comer.
Fui almoçar com Deborah. Ela pediu apenas um suco de melancia. Convidei-a para cear e ela mal tocou na comida, queixando-se de uma indisposição de estômago. Parecia viver de brisa e, apesar de nossa simpatia inicial, nunca tive intimidade com ela. Quando nos encontrávamos socialmente, eu continuava reparando que, apesar do seu tipo físico, ela nunca demonstrava se interessar por comida nem ter prazer em comer.
Então, e a teoria do “gene da magreza”? Deborah, como May e Paula, era etnicamente chinesa, e todas três pertenciam mais ou menos ao mesmo grupo socioeconômico. Mas, enquanto duas das minhas amigas adoravam comer, e comiam muito, a terceira evitava o assunto sempre que possível. Mas era Deborah quem tinha o problema de peso. Sua alimentação não estava sob controle; ela estava acima do peso e infeliz.
Essas três histórias de caso não constituem uma estatística, mas estudos demonstraram que a obesidade adolescente aumenta de forma significativa entre imigrantes de segunda e terceira gerações para os Estados Unidos. O tempo passado na escola internacional de meus filhos confirmou minhas suspeitas. Entre as crianças CNAs, que quase eram mais numerosas que as outras, a obesidade e outros problemas correlatos, como acne e alergias, eram freqüentes. E essas crianças muitas vezes eram complicadas para comer ou faziam dietas da própria cabeça. No entanto, os milhares de jovens chineses vestindo agasalhos esportivos que lotavam as ruas de manhã cedo e à noitinha pareciam magros e vendendo saúde. E não beliscavam a comida nem escolhiam opções de baixa caloria. Meu filho mais velho, Max, passou um ano na Escola de Ensino Médio Número 55, uma escola pública municipal chinesa, quando tinha 13 anos. Eu lhe dava 3 RMB (cerca de R$1,00) por dia, que lhe comprava, como para seus colegas, uma tigela de arroz e acompanhamentos. Em seu primeiro dia, ele comeu tomate com ovo, carne de porco com cenoura e brotos de bambu, xiao bai cai frito (“pequeno repolho branco”, que na verdade é verde), com chili. Nunca chegou em casa com fome.
Os anos em que morei e comi na China, e tudo o que aprendi e ensinei, me levaram a concluir que há uma diferença primordial de atitude entre a forma como as pessoas se alimentam na China e no Ocidente. Em vez de ver a comida como inimiga e focar no que não comer, o que muitas vezes priva o corpo de nutrientes, os chineses focam em tornar a comida saborosa e capaz de suprir as necessidades do corpo. Não ocorre aos chineses aproximarem-se da comida com medo, ou receando que seus prazeres favoritos lhes tragam quilos e centímetros indesejados. Os chineses consomem mais calorias, mas não “calorias vazias” cheias de gorduras e açúcares e desprovidas de nutrientes, que constituem uma grande porcentagem do consumo ocidental.
Não se passa um dia na China sem que você ouça a frase “Já comeu?”. Pense no fato de que mais de um bilhão de pessoas na China, e outros milhões na Ásia, comem regularmente, comem muito e nunca se preocupam em contar calorias — e deixe de lado as suas paranóias.
Automóveis | Veículos: Jeep Grand Cherokee 2009 da Chrysler vem com motor turbodiesel
Já está disponível aos consumidores brasileiros o automóvel Jeep Grand Cherokee 2009 com motor turbodiesel de 3 litros. O novo motor tem potência de 215 cv (a 3800 rotações por minuto) e torque de 508 Nm a 1600 rpm. Esta versão a diesel é cerca de trinta por cento mais econômica que a versão a gasolina que equipava o carro em modelos anteriores. Com o tanque cheio o veículo pode chegar a rodar 720 km sem abastecer.
O novo Jeep Grand Cherokee da Chrysler também vem com suspensão dianteira independente, estabilidade eletrônica, sistema de tração integral, transmissão automática, freios ABS, múltiplos airbags e sistema de multimídia com HD de 20 GB que permite aos passageiros do veículo acessarem arquivos de fotos e de música.
Este livro não é sobre o declínio dos Estados Unidos da América, mas sobre a ascensão de todos os outros países. Trata da grande transformação que está ocorrendo em todo o mundo, uma transformação que, embora discutida com muita freqüência, continua mal compreendida. Isso é natural. As mudanças, até mesmo a dos mares, acontecem gradualmente. Embora falemos de uma nova era, o mundo parece ser aquele com que estamos familiarizados. Mas, na verdade, está muito diferente.
Houve três mudanças de poder tectônicas nos últimos quinhentos anos, alterações fundamentais na distribuição de poder que reformularam a vida internacional - sua política, sua economia e sua cultura. A primeira foi a ascensão do mundo ocidental, um processo que começou no século XV e se acelerou imensamente no final do século XVIII. Ela produziu a modernidade, tal como a conhecemos: ciência e tecnologia, comércio e capitalismo, as revoluções agrícola e industrial. Produziu também o prolongado domínio político das nações do Ocidente.
A segunda mudança, que aconteceu nos últimos anos do século XIX, foi a ascensão dos Estados Unidos. Logo depois de se industrializar, os Estados Unidos se tornaram a nação mais poderosa desde a Roma imperial, e a única mais forte do que qualquer combinação provável de outras nações. Durante boa parte do último século, os Estados Unidos dominaram a economia, a política, a ciência e a cultura mundiais. Nos últimos vinte anos, esse domínio foi sem rival, um fenômeno inédito na história moderna.
Estamos agora passando pela terceira grande mudança da era moderna. Ela poderia ser chamada de "a ascensão do resto". Ao longo das últimas décadas, países de todo o mundo vêm experimentando taxas de crescimento econômico que eram outrora impensáveis. Embora tenham passado por elevações e quedas, a tendência geral tem sido indiscutivelmente para cima. Esse crescimento tem sido mais visível na Ásia, mas não está mais restrito a ela. Por isso, chamar essa mudança de "ascensão da Ásia" não a descreve corretamente. Em 2006 e 2007, 124 países cresceram a uma taxa de 4% ou mais. Esse número inclui mais de trinta países da África, dois terços do continente. Antoine van Agtmael, o administrador de fundos que cunhou o termo "mercados emergentes", identificou as 25 empresas que serão provavelmente as próximas grandes multinacionais. Sua lista contém quatro companhias do Brasil, México, Coréia do Sul e Taiwan; três da Índia; duas da China e uma da Argentina, Chile, Malásia e África do Sul.
Olhemos em volta. O edifício mais alto do mundo está agora em Taipei e será superado, em breve, por um em construção em Dubai. O homem mais rico do mundo é mexicano e a maior empresa de capital aberto é chinesa. O maior avião do mundo está sendo fabricado na Rússia e na Ucrânia, a maior refinaria está em construção na Índia, e as maiores fábricas estão todas na China. Sob qualquer critério, Londres está se tornando o principal centro financeiro e os Emirados Árabes Unidos abrigam o fundo de investimentos mais bem dotado. Ícones outrora essencialmente americanos foram apropriados por estrangeiros. A maior roda-gigante está em Cingapura. O maior cassino não está em Las Vegas, mas em Macau, que já superou a cidade americana em receita anual de jogo. A maior indústria cinematográfica, em termos de filmes produzidos e ingressos vendidos, é Bollywood, na Índia. Até a maior atividade esportiva americana - comprar em shopping - tornou-se global. Dos dez maiores shoppings do mundo, apenas um está nos Estados Unidos; o maior de todos está em Pequim. Listas como essas são arbitrárias, mas chama a atenção que há somente dez anos os Estados Unidos estavam no topo de muitas dessas categorias, se não da maioria.
Pode parecer estranho centrar-se na prosperidade crescente quando ainda existem centenas de milhões de pessoas vivendo na mais profunda miséria. Mas, na verdade, a proporção de pessoas que vivem com 1 dólar ou menos por dia despencou de 40% em 1981 para 18% em 2004, e estima-se que cairá para 15% em 2015. Só o crescimento da China tirou mais de 400 milhões de pessoas da pobreza. A miséria está diminuindo em países que abrigam 80% da população mundial. Os cinqüenta países em que vivem as pessoas mais pobres do mundo são casos gravíssimos que precisam de atenção urgente. Nos outros 142 - que incluem China, Índia, Brasil, Rússia, Indonésia, Turquia, Quênia e África do Sul -, os pobres estão sendo lentamente absorvidos por economias produtivas e crescentes. Pela primeira vez na história, estamos testemunhando um genuíno crescimento global. Isso está criando um sistema internacional em que países de todos os cantos do mundo não são mais objetos ou observadores, mas atores por seus próprios méritos. É o nascimento de uma ordem realmente global.
Um aspecto relacionado dessa nova era é a difusão do poder dos Estados para outros atores. O "resto" que está em ascensão inclui muitos atores que não são nações. Grupos e indivíduos ganharam poder e a hierarquia, a centralização e o controle estão sendo minados. Funções que outrora eram controladas pelos governos são agora compartilhadas com organismos internacionais como a Organização Mundial do Comércio e a União Européia. Grupos não-governamentais proliferam todos os dias ocupando-se de todas as questões em todos os países. Corporações e capitais mudam de lugar em lugar, em busca da melhor localização para fazer negócios, recompensando alguns governos e punindo outros. Terroristas como os da Al Qaeda, cartéis das drogas, insurgentes e milícias de todos os tipos encontram espaço para atuar nos escaninhos do sistema internacional. O poder se afasta dos Estados-nações, para cima, para baixo e para os lados. Nessa atmosfera, as aplicações tradicionais do poder nacional, tanto econômicas quanto militares, tornaram-se menos eficazes.
É provável que o sistema internacional que está surgindo seja bem diferente daqueles que o precederam. Há cem anos, havia uma ordem multipolar comandada por uma coleção de governos europeus, com alianças que mudavam constantemente, rivalidades, erros de cálculo e guerras. Depois veio o duopólio bipolar da Guerra Fria, mais estável em muitos sentidos, mas no qual as superpotências reagiam e exageravam nessa reação a cada movimento da outra. A partir de 1991, vivemos sob um império americano, um mundo unipolar ímpar em que a economia global aberta se expandiu e se acelerou excepcionalmente. Essa expansão está agora impelindo a próxima mudança na natureza da ordem internacional.
Na esfera político-militar, continuamos no mundo de uma única superpotência. Mas, em todas as outras dimensões - industrial, financeira, educacional, social, cultural -, a distribuição do poder está mudando, afastando-se do domínio americano. Isso não significa que estejamos entrando num mundo antiamericano. Mas estamos nos dirigindo para um mundo pós-americano, definido e dirigido a partir de muitos lugares e por muita gente.
Que tipos de oportunidades e desafios representam essas mudanças? O que elas pressagiam para os Estados Unidos da América e sua posição dominante? Como será essa nova era em termos de guerra e paz, economia e negócios, idéias e cultura?
Em suma, o que significará viver num mundo pós-americano?
Watchmen, filme dirigido por Zack Snyder, mesmo diretor do filme de grande sucesso 300. Película estrelada por Malin Akerman, Jeffrey Dean Morgan, Carla Gugino, Billy Crudup, Patrick Wilson e Jackie Earle Haley. Estréia nos cinemas brasileiros prevista para o dia 06 de Março de 2009.
É fato conhecido que no início dos anos 1980 Jobs morou em uma mansão com pouquíssimos móveis porque ele não suportava mobiliário abaixo do padrão. Ele dormia em um colchão, rodeado por algumas fotografias gigantescas. Mais tarde comprou um piano de cauda alemão, embora não tocasse, porque admirava seu design e o esmero de sua construção. Quando o ex-CEO da Apple, John Sculley, visitou Jobs, ficou chocado com a aparência desleixada da casa. Parecia abandonada, principalmente em comparação com os palácios meticulosamente cuidados que a circundavam. "Desculpe por eu não ter muita mobília", justificou-se Jobs a Sculley. "Ainda não tive tempo para isto."
Sculley disse que Jobs não estava disposto a aceitar nada que não fosse o melhor. "Lembro-me de ter ido à casa de Steve e ele não tinha móveis, só tinha uma foto de Einstein, que ele admirava muito, e uma luminária da Tiffany, uma cadeira e uma cama", disse-me Sculley. "Ele simplesmente não acreditava em ter muitas coisas por perto, mas era incrivelmente cuidadoso com o que escolhia."
Jobs tem muita dificuldade em fazer compras. Não consegue se decidir quanto a um telefone celular. "Acabo não comprando muitas coisas", disse ele ao responder a uma pergunta sobre os aparelhos e tecnologias que compra, "porque eu as acho ridículas".
Quando finalmente vai às compras, o processo pode ser trabalhoso. Procurando uma nova máquina de lavar e uma secadora, ele prendeu sua família inteira em um debate durante duas semanas sobre que modelo escolher. A família Jobs não baseou sua decisão em uma rápida olhada nas funções e no preço, como a maioria das famílias faria. Em vez disso, a discussão girou em torno do design americano versus o europeu, a quantidade de água e detergente consumida, a velocidade da lavagem e a longevidade das roupas.
"Gastamos algum tempo na nossa família falando sobre qual concessão desejávamos fazer. Acabamos conversando bastante sobre design, mas também sobre nossos valores. O mais importante para nós seria que nossa roupa fosse lavada em uma hora em vez de uma hora e meia? Ou o mais importante seria que nossas roupas ficassem bem macias e durassem mais? Seria importante usar apenas um quarto da água? Passamos cerca de duas semanas falando sobre isso toda noite à mesa do jantar. Sempre voltávamos para aquela velha discussão sobre a máquina de lavar e a secadora. E a conversa era sobre design."
No final, Jobs optou por aparelhos alemães, que ele achou que eram "caríssimos" mas que lavavam bem as roupas com pouca água e pouco detergente. "Eles são, com certeza, maravilhosamente bem-feitos e são alguns dos poucos produtos que compramos nos últimos anos com que estamos todos realmente contentes", disse Jobs. "Esse pessoal realmente pensou muito no processo. Fizeram um grande trabalho o projeto dessas lavadoras e secadoras. Fiquei mais entusiasmado com elas do que com qualquer exemplar de alta tecnologia em muitos anos."
O grande debate da máquina de lavar parece exagerado, mas Jobs leva os mesmos valores — e o mesmo processo — para a tarefa de desenvolver produtos na Apple. O desenho industrial na empresa não é tratado como o verniz final de um produto que já está com sua engenharia pronta, como ocorre em muitas outras. Um número enorme de companhias trata o design como a pele colada por fora no último minuto. Na verdade, em muitas companhias, o design é totalmente terceirizado. Uma firma separada irá tratar da aparência do produto — assim como uma firma separada provavelmente irá tratar da fabricação.
"É triste e frustrante que estejamos rodeados de produtos que parecem ser provas de uma completa falta de cuidado", disse Ive, o afável britânico que lidera a pequena equipe de design da Apple. "É isso que é interessante em um objeto. Um objeto diz muitas coisas sobre a empresa que o produziu, sobre seus valores e prioridades."
A Apple terceiriza a maior parte da sua fabricação, mas não o design de seus produtos. Exatamente ao contrário. Os desenhistas industriais da Apple estão intimamente envolvidos desde a primeira reunião.
Após uma tarde de treinamento intenso, Charly Gaticker não me mandou para o vestiário.
— Esta noite vamos jogar um “torneio de dinheiro”.
Eram torneios comuns na Argentina, que reuniam tenistas dos mais variados tipos. Os frustrados, que chegaram ao profissionalismo, mas ficaram pelo caminho; os desiludidos, pela falta de apoio, que se recusavam a desistir; os verdadeiros operários do tênis, literalmente correndo atrás do dinheiro; e jovens como eu, cheios de sonhos e com um terrível medo de um dia ser como eles.
Não se jogava por pontos num ranking, muito menos por troféus. Era por dinheiro, e mais nada.
Meu adversário era adulto, bem mais velho que eu, com meus 15 anos. Seu jogo, pelo menos naquela noite, era baseado na intimidação. Ele me olhava feio, falava bobagens nas viradas de lado, queria ganhar também no grito.
Senti medo, pois ainda era muito inexperiente para saber que as ofensas e ameaças que vinham do outro lado da rede eram, na verdade, sinais da mais pura fraqueza mental. Duas horas de sofrimento, jogo brigado, e estávamos no início do segundo set. Eu tinha perdido o primeiro.
Foi quando a tarde inteira que passei treinando me cobrou seu preço: meu corpo deixou de me pertencer.
— Não tenho mais pernas, estou morto! — gritei para meu preparador físico.
A resposta curta talvez tenha sido a maior lição que aprendi:
— Fernando, se você não tem mais pernas, vença com o coração.
Venci.
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Assim tudo começou:
Sete e meia da manhã. Calculei que não podia me atrasar para pegar o ônibus. Uma hora e pouco até o ponto mais perto do clube, mais uma caminhada, e eu estaria na quadra às nove. Saí congelando de frio.
Calle Serrano, à esquerda na avenida Córdoba, cinco quadras até a avenida Caning, e me pus a esperar o ônibus verde, número 15. Ele demorou mais de uma hora. Entrei e sentei num banco, a raqueteira do lado, o ônibus ainda meio vazio.
Mas logo encheu e a raqueteira veio para o meu colo.
As mulheres mais velhas, ou com crianças, entravam, e os homens que estavam sentados imediatamente cediam seus lugares. Aos 15 anos de idade e com um dia de treino pela frente, ficar em pé não fazia parte dos meus planos. Mas, de um jeito ou de outro, aprendemos a ser gentis.
Desci no meu ponto às nove horas e dois minutos. Duas quadras depois, a alguns passos da entrada do clube, pude ver meu futuro técnico, na calçada, de braços cruzados.
Que moral. Primeiro dia de treino e o cara já foi me receber na porta... Cheguei com o peito estufado. Charly me cumprimentou.
— Olá, Fernando.
— Olá, Charly.
— Que horas são?
— Nove e quatro.
— E que horas combinamos?
— Às nove.
— Pega as tuas coisas e volta amanhã. Na hora certa.
Por cima do ombro dele pude ver todos os outros meninos já fazendo aquecimento na quadra. Não sabia o que dizer. Argumentei que não estava tão atrasado, que o treino ainda não tinha começado.
— Até amanhã, Fernando. Às nove.
“Estou pagando.”
“Tua obrigação é me dar treino.”
“Não importa se atrasei.”
“O ônibus demorou uma hora e meia para chegar!”
Todos esses pensamentos passaram pela minha mente adolescente. Ainda bem que não se transformaram em palavras. Voltei para casa chorando no ônibus.
Mas Charly me fez entender que pontualidade é respeito.
Esse foi o primeiro dia de uma convivência que durou dois anos e meio na academia Barral Gattiker, a melhor da Argentina em treinamento para tenistas. Dois anos e meio que foram fundamentais na minha formação de atleta e de homem.
Mas essa história começou algum tempo antes, na sala da casa dos meus pais, em São Paulo.
Não nasci numa família de esportistas. Meu pai cresceu ajudando minha avó numa quitanda, em Buenos Aires, e virou fotógrafo na garra, um vencedor autodidata. Em 1975, recebeu um convite para trabalhar no Brasil. A Fiat estava lançando um novo carro, e a agência que tinha a conta da montadora italiana por aqui quis contratar um fotógrafo experiente. Meu pai veio e ficou seis meses longe da família.
Nos meses seguintes, o que era um trabalho esporádico se transformou em algo mais freqüente, até que meu pai achou que valia a pena mudar de país, apesar de sua carreira sólida na Argentina.
Minha mãe lembra da conversa que aconteceu numa tarde de sexta-feira. Ela achou a idéia um pouco complicada. Não só pela carreira do marido, mas porque ela tinha acabado de abrir uma loja de representação de algumas marcas famosas de roupas. Aos poucos, ela conta que foi se acostumando à mudança.
Minha mãe, minha irmã Paula e eu viemos de ônibus, tamanha era a quantidade de tralhas que trouxemos de Buenos Aires. Após as primeiras horas da longa viagem, eu já conhecia todo mundo. Ou melhor, todo mundo já sabia quem era aquele moleque de 4 anos que enchia a paciência dos passageiros. Nessa idade não temos idéia do ridículo.
Também não temos idéia da importância das coisas. Eu me lembro que minha mãe e minha irmã não se divertiram tanto. Elas sabiam que estávamos passando por um momento importante. Não era necessariamente ruim, mas era certamente difícil.
Chegamos a São Paulo e fomos direto para o apartamento onde iríamos morar. Paula e eu dividíamos o mesmo quarto, e, logo, as mesmas dificuldades de adaptação em um novo país, a uma nova língua e a novas pessoas. Assistir ao Fantástico aos domingos e não entender nada, por exemplo.
Vivíamos entre tapas e beijos, mas com muito companheirismo. Paula era a minha protetora na escola, onde todos se acostumaram a ver aquele menino chorão que saía correndo da classe, descia as escadarias e se metia na sala da irmã, pedindo ajuda, pelo menos três vezes por semana. Ela nem pedia licença para a professora. Largava o que estava fazendo e ia resolver o problema. Não sei se até hoje ela sabe quanto me ajudou.
Foi nesse colégio que tive os primeiros contatos com esporte, na aula de educação física. Que o Thiago Camilo e o Flávio Canto não me ouçam, mas minha primeira paixão foi o judô. Meus rolamentos no tatame eram perfeitos... A passagem da faixa branca para a azul foi um dos momentos mais importantes da minha infância. A primeira vez que meus pais me viram disputar uma competição. Naquela época, tênis, para mim, era o meu Kichute preto.
O caminho mais lógico era o futebol. Eu até tentei.
Os outros meninos me chamavam de Mario Kempes, afinal, eu era o recém-chegado da Argentina. Mas o Mario ficaria envergonhado se me visse envergando seu nome com uma bolinha tão pequena. No primeiro campeonato, joguei de centro-avante. Franzino, mas um azougue. Nosso time fez oito jogos, empatou um e perdeu todos os outros. O artilheiro aqui não marcou nenhum gol. Foi bom descobrir cedo que a bola grande não me daria muito futuro.
Mas no clube A Hebraica, perto de casa e mais barato para meus pais, encontrei meu caminho. Apesar de ter começado no futebol de salão, não demorou para que eu seguisse o exemplo da Paula, que já jogava tênis, estimulada por meu pai. Ele costumava jogar futebol com os amigos. Era um goleiro muito considerado na posição, especialmente por ser argentino. Uma tarde, chocou-se com o joelho de um atacante, numa dividida feia. Traumatismo craniano, um baita susto na família inteira e, claro, adeus ao futebol. Buscou um esporte sem contato e encontrou o tênis. A Paula o seguiu, e eu cheguei por último, em parte porque, após o acidente com meu pai, o futebol de salão parecia assustador.
Atrás de casa tinha uma garagem onde a Paula gostava de ficar horas batendo bola na parede, e eu ficava olhando aquele ritual. Ela tirava a raquete da mala, cuidava como se fosse de ouro. É claro que, quando me deixava usá-la, eu raspava aquela coisa preciosa no chão, só de sacanagem. Eu não percebia que ela me incentivava para, em breve, me fazer de bobo na quadra.
A vontade de ganhar da Paula me motivou. Meu primeiro professor foi o inesquecível José Flávio Nunes. Professor com P maiúsculo. Em meio às primeiras raquetadas da minha vida, o Nunes já falava em dedicação, em amor pelo que fazemos e em fé. E eu já começava a descobrir que adoraria treinar, jogar, competir.
Mas ainda não fazia isso aos 8 anos. Comecei indo uma vez por semana, depois pedi mais um dia... quando meus pais perceberam, eu já estava na quadra a semana inteira. Logo o Nunes se transformou em um companheiro e numa influência importante. Para meus pais, que trabalhavam muito, era uma tranqüilidade saber que eu passava boa parte dos dias com uma pessoa que eles conheciam e em quem confiavam. Tanto que, com 10 anos, eu já viajava com o Nunes para alguns torneios pelo Brasil.
Foi nessa época que meu pai percebeu que alguma coisa estava acontecendo.
Muitos pais me perguntam: quando é que você teve certeza de que seu filho seria um tenista profissional?
Eu (Osvaldo Meligeni) poderia encher de prosa a cabeça desses angustiados e enaltecer minha infalível intuição. Que nada. Foi numa tarde em que cheguei ao clube onde ele estava disputando seu primeiro torneio da categoria 10 anos. Fiquei longe, o momento pertencia a Nunes e Fernando, a mais ninguém. Fernando perdeu um jogo em que só faltou fazer chover. Lutou com uma garra que eu desconhecia. Jurei que faria todo o possível para que ele fosse um tenista profissional. Se ele quisesse.
Minha mãe sofreu nessa época. Foi eleita a motorista da casa, mesmo que essa fosse uma decisão arriscada. Ela levava meu pai, a Paula e eu para todos os torneios existentes na cidade, e fora também. Até hoje perguntam a ela como sobreviveu ao tênis familiar, e ela responde que alguém tinha de trabalhar na família...
Eu não jogava esses torneios para ganhar, mas sim para aprender. A competição ensina valores sem que se perceba. Respeitar o técnico e os adversários. Aceitar as derrotas. Saber ganhar, o que é mais difícil.
A partir dos 12 anos, mudei de clube e tive outros técnicos. Gente que me ajudou muito e de quem me lembro com carinho. Gringo, Cidinho, Jarrão, Sérgio Ferreira.
Mudei várias vezes de escola, também. Minha rotina de “projeto de tenista” implicava muitas faltas, nem todos os colégios aceitavam. Contava com a paciência e a colaboração dos colegas na hora dos trabalhos em grupo. E com a assistência da Paula na hora de me preparar para as provas, com exigentes chamadas orais. Ela só não precisava contar para a minha mãe quando ficava evidente que eu não tinha estudado absolutamente nada.
Para mim, já estava claro o que queria fazer da vida. Todas as escolhas levavam em conta que o tênis seria a minha profissão. Mas em casa as pessoas ainda não estavam totalmente convencidas. Pelo menos, era o que eu achava. Não sei se eles estavam sendo discretos ao máximo para não me pressionar muito, ou se não gostavam do fato de a escola ficar em segundo plano.
O que me animava era ver que meu pai se esforçava muito para me bancar. Claro que às vezes não dava. Eu me preparava para jogar num torneio fora de São Paulo, e ele chegava à noite dizendo que infelizmente não tinha dinheiro para aquela viagem. Eu tinha de guardar a minha empolgação para outro dia e treinar mais uma semana.
Com 15 anos, bati numa parede.
Treinava duro, ganhava mais do que perdia, era um tenista respeitado na minha faixa de idade, mas estava acomodado naquela vida de treinos e jogos. Sentia que meus dias estavam ligados no piloto automático. Sentia falta de uma estrutura que me fizesse pensar apenas em tênis. Ao mesmo tempo, a adolescência é um período de descobertas. A vida estava ficando bem atraente fora da quadra.
Meus amigos iam para as matinês das boates, alguns já tomavam suas cervejinhas. E eu sabia que esse era um caminho que ia no sentido contrário ao de quem quer viver do esporte. Mas e se eu me privar dessas coisas todas e não conseguir chegar aonde quero? Será que não dá para levar as duas vidas juntas? Foi aí que tivemos aquela conversa na sala de casa.
Meus pais já tinham percebido que eu estava numa encruzilhada. Na verdade, mais do que isso, eles sabiam que aquele momento chegaria. Queriam investir na minha carreira, queriam me dar a oportunidade de ser profissional. E tinham uma boa idéia: mandar-me para a Argentina. Naquela época, o tênis argentino tinha vários jogadores entre os melhores do mundo. E em Buenos Aires havia uma espécie de centro de excelência para a formação de tenistas.
A opção ficou clara após um episódio ridículo.
Aos 15 anos, joguei todas as etapas de uma série de campeonatos na América do Sul chamada Circuito Cosat. Ganhei várias. Quando chegou a época do Banana Bowl, em São Paulo, eu era o número 2 do ranking sul-americano, mas não fui convocado pela Confederação Brasileira de Tênis para disputar o torneio mais importante do país. O motivo, que nunca foi dito com todas as palavras: eu era argentino, provavelmente estava tomando o lugar de alguém. Protestamos na Confederação Sul-Americana e acabei sendo convocado na marra, como cabeça-de-chave número 2 do torneio.
O Homo sapiens, um ser além dos limites da lógica.
As três grandes áreas que definem a inteligência:
Ao definir nos próximos parágrafos o que é inteligência gostaria que o leitor não acostumado a esses conceitos não se desanimasse. Será uma sintética exposição. Para a Psicologia Multifocal a definição de inteligência é abrangente e como o próprio nome da teoria diz, é multifocal, multidinâmica, multifatorial. Alguns autores também sugeriram que a inteligência é multidimensional e modificável (Feurstein, 1980). O conceito global de inteligência entra em três grandes estágios ou três grandes áreas. As duas primeiras são inconscientes e a última, consciente.
A primeira área é mais profunda, refere-se aos fenômenos inconscientes que atuam em milésimos de segundos no resgate e na organização das informações da memória e conseqüentemente na construção de pensamentos e emoções. Essa produção é registrada milhares de vezes por dia pelo fenômeno RAM (registro automático da memória), construindo a plataforma que forma o Eu, que é a expressão máxima da consciência crítica e capacidade de escolha. Tudo o que percebemos, sentimos, pensamos, experimentamos, tornam-se tijolos na construção dessa plataforma de formação do Eu.
A segunda área se refere ao corpo das complexas variáveis que influenciam em pequenas frações de segundos os fenômenos que lêem a memória e produzem os pensamentos, imagens mentais, idéias e fantasias. Entre essas variáveis destaco "como estou" (estado emocional e motivacional), "quem sou" (a história existencial arquivada nas janelas da memória), "onde estou" (ambiente social), "quem sou geneticamente" (natureza genética e a matriz metabólica cerebral) e o "como atuo como gestor da psique" (o Eu como diretor do roteiro de nossa história).
Normalmente, as teorias enfatizam os aspectos psíquicos, sociais e genéticos na construção da inteligência. Alguns pensadores se fixaram na interação entre as duas grandes forças geradoras do desenvolvimento em geral, e da inteligência em particular, a natureza e a cultura. "Não é uma competição, é uma dança" (Sternberg, 1990). Sim, de fato há uma dança dinâmica de variáveis, mas que ultrapassa essas duas grandes forças geradoras.
Como vimos, além da variável genética e cultural estão, em primeiro plano, as variáveis "como atuo como gestor do psiquismo" e o "grau de abertura das janelas da memória" determinado pelos estados emocionais (alegria, tranqüilidade, humor depressivo, ansiedade). Ao estudar esses outros fatores descobrimos que a mente humana é mais complexa do que imaginamos.
Por exemplo, pensávamos no passado que somente quem teve uma infância com traumas, saturada de perdas e frustrações adoeceria, desenvolveria transtornos psíquicos e psicossomáticos. Pobre engano! Sabemos hoje que mesmo os que gozaram de uma infância feliz e sem traumas, que tiveram o privilégio de ter pais amorosos, generosos, solidários, podem ter uma vida psíquica miserável na adolescência e na vida adulta se não aprenderam a decifrar alguns códigos fundamentais ao longo do processo de formação da personalidade.
Poderão ser vítimas dos estresses financeiros, estresses existenciais, perdas, competição predatória, frustrações, preocupações excessivas; enfim, de uma série de variáveis que dilapidam seu patrimônio psíquico, em especial seu prazer de viver.
Outro exemplo: acreditamos ingenuamente que temos pleno domínio do processo de construção de pensamentos, idéias, imagens mentais. Não é verdade. Podemos dominar computadores, carros, aviões, mas não temos o domínio completo da mais incompreensível das máquinas: a mente humana. Quantos pensamentos inquietantes perturbam nossa tranqüilidade sem que os tenhamos produzido conscientemente? Quantas idéias fóbicas transitam pelo palco psíquico sem que tenhamos permitido que fossem construídas pela vontade consciente?
O Eu como gestor psíquico, administrador do intelecto, é apenas um dos códigos da inteligência. Se mesmo sendo um bom gestor psíquico não dominamos completamente os pensamentos e as emoções da complexa mente humana, imagine se não decifrarmos esse código, imagine se abrirmos mão dessa gestão que ocorre nessa segunda grande área da inteligência.
Nesse caso, se usarmos um veículo como uma analogia da mente humana, podemos dizer que somos amordaçados no banco de passageiro como espectadores passivos de uma viagem que não programamos. Aliás, diariamente milhões de pessoas viajam em suas mentes no território das fobias, das preocupações doentias, da ansiedade, sem ter programado essa viagem. Entraram em um filme de terror que não queriam assistir. O dramático é que o filme roda na sua mente. Não há tecla para desligar o aparelho mental.
Ao estudarmos a primeira e a segunda grande área da inteligência podemos concluir que Homo sapiens, capaz de desenvolver equações matemáticas, fórmulas físicas e lógicos programas de computador, pode ser tão ilógico a ponto de produzir reações agressivas, desproporcionais, irracionais.
Peritos em lidar com números podem perder sua lógica e reagir estupidamente à mínima contrariedade. Médicos aparentemente dosados diante de seus pacientes, podem reagir sem qualquer controle ao serem questionados por seus pares. Na realidade, o Homo sapiens, seja ele um psiquiatra ou paciente, matemático ou aluno, é micro ou macro de acordo com cada momento existencial. Ninguém é plenamente estável e coerente. O nível de flutuação apenas determina o grau de nossas doenças.
A terceira grande área da inteligência se refere aos resultados das duas primeiras áreas. Nessa área se encontram os comportamentos perceptíveis, capazes de serem analisados, avaliados, aferidos. Nessa área se evidencia a rapidez de raciocínio, o grau de memorização, a capacidade de assimilação de informações, o nível de maturidade nos focos de tensão, bem como os patamares de tolerância, inclusão, solidariedade, generosidade, altruísmo, segurança, timidez e empreendedorismo.
Na terceira área da inteligência, segundo o conceito da Psicologia Multifocal, é que são feitos os mais variados testes para se medir os mais diversos tipos de quocientes de inteligência. Entretanto, todos os testes são circunstanciais, parciais e incompletos. Nenhum deles é definitivo. Habilidades que são detectadas em uns, não são em outros. Capacidades que são aferidas em um momento, se mudamos as variáveis (como estou, onde estou, níveis de gestão psíquica), não são aferidas em outros.
Não vou entrar em muitos detalhes teóricos e científicos sobre essas áreas nesta obra de aplicação psicológica, mas gostaria de dizer que os códigos da inteligência envolvem as três áreas. Decifrá-los e aplicá-los são processos conscientes, mas ao fazer esse exercício atingiremos as regiões inconscientes, as camadas mais profundas da inteligência humana, ainda que não percebamos.
Destacarei oito códigos da inteligência mais relevantes. Grande parte do que a imprensa escreve é texto de auto-ajuda, orientação para os leitores fazerem suas escolhas, apesar de alguns jornalistas não admitirem e nem gostarem dessa linha literária.
Gosto muito de escrever livros de ficção. Mas vários dos meus livros são de "não-ficção". Alguns deles são classificados erroneamente como auto-ajuda. Os que os classificam assim, não entendem quais são as gritantes diferenças entre um livro de auto-ajuda e um livro de ciência aplicada; enfim, de psicologia, psiquiatria, pedagogia e filosofia aplicada. Apesar das minhas enormes limitações, procuro democratizar o conhecimento sobre o funcionamento da mente extraído da teoria que desenvolvi.
Meu objetivo é disponibilizar ferramentas para estimular o debate de idéias, para que os leitores aprendam a atuar em seu psiquismo, a desenvolver consciência crítica, proteger sua emoção, tornarem-se gestores da sua mente e serem capazes de expandir seu potencial intelectual e prevenir transtornos psíquicos.
Nota: Trabalhar com RM ou RMVB (RealMedia) não é uma das coisas mais fáceis do mundo, portanto espero que com os programas abaixo - e um pouco de sorte - você tenha ao final da conversão um arquivo MPG em perfeita condição de funcionamento.
Antes de iniciar o tutorial para a conversão de RMVB RM em MPG MPEG, primeiro faça o download dos programas abaixo e instale-os (caso você tenha algum destes softwares instalados em versão anterior a estas abaixo apresentadas, desinstale-os e instale as versões mais recentes):
Substitua MEUFILME pelo nome do seu arquivo de vídeo RM ou RMVB, incluindo a extensão, exemplo: substitua MEUFILME por durodegravar.rmvb ou durodegravar.rm
Substitua TAXA pelo número que você anotou no papel, exemplo: TAXA por 25.00 ou 29.97
Por fim, o que deve aparecer no seu Bloco de Notas depois das alterações é algo como o apresentado abaixo:
Salve o arquivo do Bloco de Notas com o título do filme (durodegravar) na mesma pasta em que está o seu vídeo.
5) Abra a pasta onde você salvou o arquivo do Bloco de Notas. Lá você encontrará o arquivo durodegravar.txt
Clique com o botão Direito do mouse sobre este arquivo. Clique em Renomear. Altere a extensão TXT por AVS, exemplo: substitua durodegravar.txt por durodegravar.avs
6) Neste exato momento, de acordo com o exemplo do tutorial que estamos seguindo juntos, você deve poder ver (e ter) estes dois arquivos na pasta em que estamos trabalhando:
durodegravar.rmvb durodegravar.avs
7) Abra o Media Player Classic novamente. Atenção: Rode o arquivo AVS (durodegravar.avs) no programa. Se rodar é porque até aqui está tudo indo muito bem. Pare a execução e feche o programa.
Se o vídeo não tocar refaça os passos anteriores.
8) Abra o TMPGEnc (ele estará na pasta em que você o descompactou). Clique em TMPGEnc.exe
Clique em OK.
Na parte superior esquerda clique em File. Clique em Project Wizard. Abaixo de VIDEO-CD escolha a opção NTSC (29.97 fps) ou NTSC Film (23.976 fps) ou PAL (25.00 fps) de acordo com o número que você anotou no papel no passo 3.
No nosso exemplo a escolha certa seria PAL, pois no passo 3 descobrimos que a taxa é de 25.00 fps.
Após a escolha clique em Next.
9) Na frente de Video File clique em Browse. Na parte inferior da janela expanda a caixa Files of Type e escolha a opção All Files.
Agora, na mesma janela, porém mais acima, vá até a pasta onde está o arquivo durodegravar.avs (do nosso exemplo) e selecione-o. Clique em Open.
Clique em Next.
10) Clique em Other Settings. Clique em Advanced. Expanda a caixa Video Arrange Method e selecione a opção Full Screen (Keep Aspect Ratio).
Clique em OK. Clique em Next.
Clique em Next. Se aparecer uma mensagem (Warning), em uma janela retangular, apenas clique em Yes.
11) Selecione a opção Start Encoding Immediately. NÃO selecione a opção Create Another Project...
Clique em OK.
Clique em OK novamente para iniciar o processo de conversão.
Aguarde até a finalização. Ao final feche o TMPGEnc.
Se tudo deu certo até aqui, um arquivo durodegravar.mpg estará na pasta em que estão os outros dois arquivos (RMVB e AVS).
12) Abra o Media Player Classic. Rode o arquivo durodegravar.mpg
Se o arquivo de vídeo tocar de forma normal, é porque você acabou de converter um RMVB em MPG com sucesso.
LG apresenta TV LCD cravejada de cristais Swarovski
A LG apresentou a luxuosa TV LCD 47LB90FD LG, aparelho cravejado com 1.000 cristais Swarovski, marca reconhecida mundialmente pela alta precisão do corte nos cristais. O adorno fica localizado entre a tela e o suporte do televisor.
Além disso, o aparelho tem taxa de contraste de 50.000:1 e resolução que garante alta qualidade de imagem (1920 x 1080 - Full HD). O contraste, a cor e o brilho da imagem se ajustam automaticamente através da função eyeQ, que adequa os níveis mencionados à luminosidade do ambiente, ou seja, a configuração automática torna as imagens mais expressivas durante o dia e mais suaves à noite.
Livro: A Mente Milionária | Dr. Thomas J. Stanley | Primeiro Capítulo
O Dr. Thomas J. Stanley é Ph.D. em Administração pela Universidade da Geórgia e especialista no estudo das características que levam as pessoas a alcançar a independência financeira.
Moram em casas magníficas localizadas em bairros sofisticados. Equilíbrio é o conceito com que encaram a vida. São financeiramente independentes e ainda gozam a vida; não são pessoas do tipo “só trabalho, diversão zero”. A maioria tornou-se milionária em uma única geração. Nem o estilo de vida, nem a riqueza que possuem vieram de uma significativa alavancagem financeira. Não são viciados em tomar empréstimos. Como conseguiram isso? Como conseguiram equilibrar a necessidade de ficarem ricos e serem economicamente produtivos com a necessidade de aproveitar a vida?
No começo de minha jornada de estudos sobre pessoas ricas, tive uma pequena noção desse segmento da população milionária. Em 1983, solicitaram que eu entrevistasse 60 milionários de Oklahoma. O que aprendi com eles foi simples, mas a mensagem teve um impacto duradouro em mim: você não consegue aproveitar a vida sendo consumista e acumulando dívidas. Os milionários de Oklahoma agiam de maneira completamente oposta, como demonstrado por um grupo de estudo formado por dez deles. Todos esses dez eram empresários, executivos ou profissionais experientes. Todos ricos de primeira geração. Alguns precisaram de empréstimo no início da carreira, mas posteriormente encontraram a luz no final do túnel. Eles tomaram uma decisão radical e quebraram o ciclo de tomar emprestado para consumir, gastar tudo o que ganhavam e tomar, cada vez mais, dinheiro emprestado. Outros jamais foram viciados em empréstimos, nem sentiram a necessidade de exibir o próprio sucesso.
Todos os dez eram multimilionários. Viviam em casas sofisticadas e em bairros tradicionais e respeitados. Dirigiam carros americanos. Aproveitavam a vida e não eram workaholics. Passavam bastante tempo com os familiares e amigos, tomavam pouco dinheiro emprestado e a maioria deles havia enriquecido antes dos 45 anos. Minha entrevista com eles estava programada para durar cerca de duas horas, mas durou quase quatro. Só precisei fazer algumas perguntas — os participantes se divertiam contando como haviam enriquecido. Se existisse uma calçada da fama para grupos de estudo, esses dez milionários certamente fariam parte dela desde o princípio.
Dentre os vários comentários importantes sobre como alguém se torna milionário, o de Gene foi o que mais me chamou a atenção. Ele mencionou que todos aqueles que “dependem de empréstimo” são, na verdade, controlados por um outro alguém, ou seja, alguma instituição.
Gene já estava avançado na casa dos 40 anos nessa época. Declarou que sua ocupação era a de “proprietário de um negócio de recuperação”. Ele comprava ou “recuperava” imóveis de várias instituições financeiras. Essas instituições “tinham empréstimos em atraso... de seis meses ou mais”.
Semanas antes da entrevista, Gene “recuperou” 68 casas, um shopping center e cinco condomínios de apartamentos de uma instituição financeira com a qual já havia negociado muitas vezes. Imediatamente após a assinatura do contrato, o funcionário de liberação de crédito da instituição fez sinal para que Gene o acompanhasse até a grande janela do escritório do último andar. Tratava-se de um edifício alto, do qual se podiam avistar quilômetros e quilômetros da cidade. Havia milhares de prédios comerciais ao redor. Gene podia avistar até alguns bairros residenciais no horizonte.
Enquanto ele olhava pela janela, o funcionário apontava para os edifícios, casas, escritórios, estacionamentos e lojas; e proferiu as palavras que causaram a impressão mais duradoura em Gene:
Nós, donos do crédito, possuímos tudo (...) tudo isso. E quanto aos negócios disponíveis por aí? (...) Vocês, aqueles que tomam empréstimos, apenas gerenciam esses negócios para nós (...) Vocês é que cuidam deles para nós, as instituições financeiras.
Quantas pessoas hoje, nos Estados Unidos, dirigem “seus negócios”, “suas práticas profissionais”, mas, na realidade, estão trabalhando para os que concedem empréstimos ou estão sendo controladas por eles? Quantas vivem em casas luxuosas, mas são obrigadas a trabalhar arduamente para pagar o dono da hipoteca? Quantas se importam com seus automóveis, na verdade alugados dos verdadeiros donos? Pessoas demais. Mas Gene não era uma dessas pessoas, nem tampouco algum dos outros membros do grupo de estudo. Todos possuíam em comum a mente milionária. Nenhum deles tinha um gerente de crédito pessoal para cuidar de seus empréstimos. Todos viviam em casas sofisticadas, mas nenhum tinha uma “hipoteca mastodôntica”.
A lição que aprendi com Gene foi repetida várias vezes pelos milionários entrevistados para a composição deste livro.
Todos eles acreditam ser possível aproveitar a vida e, ainda assim, enriquecerem. Acreditam que a independência financeira e muito do sucesso econômico estão ao alcance de todos sem que haja a necessidade de se adotar um estilo espartano de vida. Mas há certas restrições, como será discutido posteriormente neste livro.
Algumas pessoas não são controladas por instituições de crédito. Pelo contrário, são governadas pela cobiça; são avarentas. Conseguem até ser desleais com o cônjuge e os filhos. Fazem do dinheiro seu deus. Elas não têm a mente milionária. Um outro milionário que tinha uma perspectiva apropriada disse:
Ensinei a meus filhos que não se deve tratar o dinheiro como um deus. Você o controla (...) não o contrário!
A maioria das pessoas descritas neste livro se tornou bem-sucedidas economicamente em uma única geração. Elas começaram do zero. A maioria não herdou dinheiro. Nunca tiveram rendas imobiliárias ou rendimentos de aplicações financeiras. Como conseguiram então? Digo mais uma vez: elas têm mentes milionárias.
Talvez você nunca consiga gerar as consideráveis entradas de capital que muitos desses milionários receberam. Você pode não se tornar multimilionário em poucos anos, mas, ainda assim, poderá se beneficiar compreendendo como essas pessoas conseguem manter um agradável estilo de vida e, ao mesmo tempo, acumular riquezas. Somente poucas pessoas, mesmo aquelas com alta renda, sabem como conseguir isso. Os que possuem mentes milionárias sabem, e são deles os perfis delineados nesta obra.
A BUSCA
A pesquisa que fiz para meu livro anterior, O Milionário Mora ao Lado, e os resultados lá relatados aprofundaram meus conhecimentos sobre as características das pessoas mais ricas dos Estados Unidos. Decidi ampliar o tamanho e a extensão do meu próximo estudo para incluir um número maior de participantes a partir de uma população-base significativamente mais rica. O novo levantamento focalizou também um conjunto diferente de atributos e estilos de vida, projetados para obterem uma prospecção mais abrangente e profunda da mente dos milionários. Os resultados desse estudo serão apresentados nos capítulos seguintes.
É muito mais fácil traçar o perfil das características das pessoas com mente milionária do que encontrá-las. Por que não incluir no levantamento todos os domicílios dos Estados Unidos? Simplesmente porque somente 4,9% dos domicílios americanos, aproximadamente, detêm um patrimônio líquido de US$ 1 milhão ou mais. Nem é possível considerar todos os que vivem em residências luxuosas, pois com freqüência esses “proprietários de mansões” são o que eu chamo de Ricos na Declaração de Renda. Possuem altas rendas, grandes residências, grandes dívidas, mas baixa liquidez. São peritos em preparar pedidos de empréstimo, cuja maioria não pergunta sobre o grau de liquidez do indivíduo.
Em contraste marcante, existem os que eu chamo de Ricos no Balanço Patrimonial. São os da mente milionária, aqueles que objetivam o acúmulo de riquezas. Seus bens excedem em muito suas dívidas. Freqüentemente têm saldo bancário discreto ou saldo credor em aberto.
Se eu tivesse entrevistado as pessoas que vivem em casas sofisticadas em todo o país, qual teria sido o resultado? Um número demasiado de respostas seria proveniente dos Ricos na Declaração de Renda. Todavia, creio que certos tipos de bairro atraem o tipo dos Ricos no Balanço Patrimonial e retêm os de mente milionária, e esses mesmos bairros podem não ser atraentes para os Ricos na Declaração de Renda. Minha hipótese foi confirmada pelos resultados do levantamento que fiz para este livro.
Tendo em vista a obtenção de uma amostra representativa dos Ricos no Balanço Patrimonial, procurei ouvir os conselhos do meu amigo e sócio Jon Robbin. Ele é a autoridade máxima em geodemografia, termo empregado para descrever o estudo das características de pessoas que vivem em áreas geográficas definidas. Freqüentemente essas áreas podem ser localizadas pelo CEP, mas meu levantamento pedia um detalhamento maior e optei pelo grupamento de quarteirões ou bairros, alguns com menos de 50 casas.
Contei a Jon meu problema e ele o resolveu imediatamente. Jon é um matemático formado pela Harvard e um brilhante pesquisador; sua base de dados geodemográficos é extraordinária. Ele desenvolveu um modelo matemático sofisticado capaz de estimar as características do patrimônio líquido da maioria dos grupos de quarteirões/bairros nos Estados Unidos.
Jon descobriu que alguns bairros possuem alta concentração de pessoas com significativa renda proveniente de investimentos e, portanto, provavelmente com as características típicas da mente milionária. Ele selecionou então 2.487 bairros de sua base nacional de 226.399. Seu modelo matemático previu que estes seriam bairros densamente habitados por pessoas realmente ricas, ao contrário daquelas que possuíam mansões, enormes hipotecas, mas baixa liquidez. Foi gerada uma amostra nacional mediante a seleção aleatória de 5.063 residências daqueles bairros e, para cada uma dessas residências, foi enviado um questionário.
Dos 1.001 questionários respondidos por completo, 733 provinham de milionários, cada qual com um patrimônio líquido igual ou superior a US$ 1 milhão. Esse levantamento nacional de 733 milionários forneceu uma parte considerável da base empírica para esta obra. A maioria das pessoas que respondeu vivia em bairros de classe média alta e tradicionais, em casas construídas na década de 1950, ou mesmo de 1940 e anteriores. O quê? Nada de casas com cinco banheiras de hidromassagem? O quê? Nada de novos bairros da moda ou mansões em bairros habitados por ricaços? Será que os que possuem a mente milionária não “seguem a moda” quando se trata de escolher casas e bairros? Parece ser esse o caso. E mais: a maioria dos que responderam tinha pequena dívida remanescente sobre a hipoteca de suas casas, ou não tinha hipoteca alguma.
A metodologia de cada indivíduo, selecionado aleatoriamente, que respondeu ao questionário foi descrita em um artigo (Thomas J. Stanley e Murphy A. Sewall, “The Response of Affluent Consumers to Mall Surveys” [“Resposta dos Consumidores Ricos às Pesquisas dos Shopping Centers”], Journal of Advertising Research, junho-julho 1986, p. 55-58).
O questionário de nove páginas continha 277 questões. Esse projeto foi o mais abrangente dentre os que já tive a oportunidade de empreender. Os dados foram coletados e tabulados por uma das mais importantes organizações de pesquisas dos Estados Unidos, a Survey Research Center, do Institute for Behavioral Research, da Universidade da Geórgia. Esse centro de pesquisas também executou análises de dados por computador com uma única variável ou com múltiplas variáveis.
O questionário e a metodologia do levantamento foram previamente testados em uma amostragem ad hoc de 638 milionários. Todos tinham características das declarações de renda e de balanço patrimonial que os qualificariam para uma hipoteca mastodôntica. Esse levantamento pré-teste foi realizado pelo autor e sua equipe.
Além disso, estudos de casos importantes foram desenvolvidos a partir de uma série de entrevistas pessoais e de grupos de estudo. Esses casos estão detalhados ao longo do livro e fornecem uma peça importante do quebra-cabeça. Não é fácil compreender inteiramente a mente milionária. Os resultados resumidos neste livro têm o objetivo de ajudar as pessoas a desenvolver uma compreensão e uma apreciação maior do significado de um estilo de vida equilibrado.
UM ESBOÇO DEMOGRÁFICO
A seguir, será apresentada uma visão geral dos resultados do levantamento. A fim de desenvolver e ampliar o perfil dos milionários que venceram na vida pelo próprio esforço, temos aqui um esboço em primeira pessoa dos homens e mulheres mais produtivos economicamente dos Estados Unidos.
UMA FAMÍLIA TRADICIONAL
• Sou um homem de 54 anos. Estou casado com a mesma mulher há 28 anos. Em cada quatro de nós, um permanece em companhia da mesma esposa por 38 anos ou mais.
• Temos, em média, três filhos.
• A maioria de nós, 92%, é casada. E, dos casados, 95% têm filhos.
• Apenas 2% de nós não nos casamos.
RIQUEZA, RENDA E ALGUNS OBJETOS DE CONSUMO
• Estamos bem, financeiramente. Nosso patrimônio líquido gira em torno de US$ 9,2 milhões. O patrimônio líquido típico ou médio é de US$ 4,3 milhões. A curva do patrimônio dos que responderam possuir níveis de riqueza muito elevados mostra tendência ascendente.
• Nossa renda familiar anual total é de US$ 749 mil. A renda média é de US$ 436 mil. Aqueles dentre nós que possuem receitas iguais ou superiores a US$ 1 milhão ou mais (20%) deslocam a média para cima.
• Mesmo com essa ordem de riqueza e receita, um típico membro de nosso grupo nunca pagou mais de US$ 41 mil por um automóvel ou gastou mais de US$ 4,5 mil em um anel de noivado. Nem nossos cônjuges, nem nós nunca gastamos mais de US$ 38 (incluindo a gorjeta) por um corte de cabelo. Um de cada quatro de nós nunca gasta mais do que US$ 24 em um corte de cabelo, US$ 340 mil em uma casa, US$ 30,9 mil em um veículo automotor ou US$ 1,5 mil em um anel de noivado. Alguns de nós, cerca de 7% dos casados, não tivemos de comprar um anel de noivado. Herdamos o anel de um parente.
SOBRE A RIQUEZA HERDADA
• Vivemos em casas excelentes em bairros de alto padrão, mas apenas 2% de nós herdaram toda ou parte das casas e propriedades.
• Alguns de nós recebemos uma parte da riqueza como herança. Aproximadamente 8% herdaram 50% ou mais do patrimônio líquido que possuem. Em contraste marcante, 61% nunca receberam herança, presentes financeiros ou auferiram receita proveniente de imóvel ou fundo de investimentos.
ALGUNS NOMES E LUGARES
• Podemos ser encontrados em mais de dois mil bairros tradicionais e respeitados, em pequenas e grandes cidades, tais como: Shawnee Mission, Kansas; New Canaan, Connecticut; Richmond, Virgínia; Pittsburgh, Pensilvânia; Fort Worth, Texas; Kenilworth, Illinois; Columbus, Ohio; Atlanta, Geórgia; Summit, Nova Jersey; Englewood, Colorado e Tulsa, Oklahoma.
ESTILO DE CASA
• Quase todos nós (97%) somos proprietários.
• Há cerca de 12 anos compramos nossa casa atual por um preço médio de US$ 558.718. O preço era de US$ 435 mil. Ficamos muito satisfeitos com a valorização de nossas residências. Atualmente, o valor médio está em torno de US$ 1.381.729. O valor médio atual é de US$ 750 mil. Portanto, lucramos e aumentamos nosso patrimônio líquido pela valorização das casas.
• Apesar do alto valor de nossas residências, geralmente temos pequenos valores de quitação de hipotecas.
• A maioria de nós (61%) mora em casas que valem mais de US$ 1 milhão atualmente. Apenas um de cada quatro (25%) pagou US$ 1 milhão ou mais por suas residências atuais.
• Um dentre dez comprou uma casa nos três anos seguintes da queda da Bolsa de Valores em 1987. Muitos dos que o fizeram estavam procurando execuções hipotecárias.
• Vivemos em uma casa construída em média há 40 anos. Um dentre quatro de nós vive em casas construídas antes de 1936. Somente cerca de 10% vivem em residências construídas nos últimos dez anos.
• A maior parte (53%) não se mudou nos últimos dez anos. Somente 23% do nosso grupo mudou-se duas ou mais vezes durante o mesmo período.
• Apenas uma minoria de 27% construiu sua própria casa algum dia, independentemente do tipo. Nós, que temos uma mente milionária, acreditamos ser melhor comprar uma casa pronta do que entrar no ramo da construção. Consome muito menos tempo e, provavelmente, custa muito menos comprar casas “diretamente de um inventário já existente”.
• Quem de nós é o menos provável em mandar construir as próprias casas? Os advogados! Ficamos sem saber por que eles são tão reticentes em construir.
NOSSAS ATIVIDADES PROFISSIONAIS
• Cerca de um em cada três (32%) tem seu próprio negócio ou é empresário. Praticamente um em cinco (16%) é alto executivo de empresas. Um em dez (10%) do nosso grupo é constituído por advogados e praticamente a mesma proporção (9%) por médicos.
• O terço remanescente de nossa população compõe-se de aposentados, gerentes de nível médio, contadores, profissionais de vendas ou funcionários de desenvolvimento de novos negócios, engenheiros, arquitetos, professores e donas-de-casa.
• Os donos do próprio negócio geralmente são os mais ricos do nosso grupo, mas os altos executivos, freqüentemente, alinham-se entre as fileiras dos multimilionários. Eles correspondem a 16% dos milionários, mas a quase 26% dos decamilionários, aqueles com um patrimônio líquido igual ou superior a US$ 10 milhões.
• Perto de 50% de nossas esposas não trabalham fora. As que estão empregadas são donas do próprio negócio ou empresárias (7%), profissionais de vendas (5%), gerentes de nível médio (4%), advogadas (4%), professoras (3%), altas executivas de empresas (3%) e médicas (2%). Aproximadamente 16% das esposas que trabalhavam fora estão aposentadas atualmente.
• Cerca de dois terços de nós, decamilionários, relataram que as esposas não trabalham fora. Aproximadamente a metade das esposas que o fazem trabalha em tempo parcial.
EDUCAÇÃO
• Temos bom nível de educação, 90% com diploma universitário e mais da metade (52%) com pós-graduação concluída.
UM VISLUMBRE DA MENTE MILIONÁRIA
Além das características demográficas listadas anteriormente, meu levantamento fornece uma rápida percepção da mente milionária. Os capítulos que se seguem expandem essa percepção chegando a um quadro mais detalhado.
• Somos financeiramente independentes, mas cuidamos para ter um estilo de vida confortável e sem extravagâncias.
• Muitos de nós nos concentramos em certos bairros de classe média alta por todos os Estados Unidos. Vivemos em casas sofisticadas, mas temos poucas ou nenhuma dívida. Preferimos comprar propriedades quando muitos outros estão vendendo.
• Quase todos nós somos casados e temos filhos. Na realidade, muitos acreditam que possuir complementos da vida familiar não compete com o processo de construir riquezas.
• Somos ricos por nosso próprio esforço.
• Tiramos férias e viajamos para o exterior, em média, a cada dois anos.
• Poucos de nós temos emblemas da fraternidade Phi Beta Kappa ou conseguimos 1.400 ou mais nos testes SATs, aqueles feitos para ingressar nas faculdades (SAT é a prova de proficiência do 2º grau, e GPA é a média geral das médias anuais, calculada no fim da graduação).
• A maioria de nós ama as carreiras escolhidas ou, parafraseando um dos nossos membros mais ricos, “não é um trabalho, é um labor de amor”.
• Poucos de nós acham necessário sair da cama às 3 ou 4 horas da manhã todos dias úteis para amealhar riquezas.
• Muitos jogam golfe ou tênis regularmente. Na realidade, existe forte correlação entre jogar golfe e o nível do patrimônio líquido.
• Devemos admitir que não estamos entre os que praticam o “faça você mesmo”. Aqueles afeitos a isso tendem a ter significativamente menos riqueza do que a média do nosso grupo.
• Nós nos tornamos ricos sem comprometer nossa integridade. Na realidade, creditamos à integridade uma parcela importante do nosso sucesso.
• Não somos workaholic, passamos muito tempo em atividades sociais com nossos amigos e com a família. Quando trabalhamos, trabalhamos pra valer. Concentramos nossa energia procurando maximizar o retorno pelos nossos esforços.
• Passamos bastante tempo planejando nossos investimentos e, freqüentemente, pedimos conselhos aos nossos consultores fiscais. Muitos dentre nós encontramos tempo também para participar de cultos religiosos, atuando de forma proativa no levantamento de fundos para causas nobres.
• Acreditamos ser plenamente possível conciliar as metas financeiras individuais com um agradável estilo de vida. Existe uma correlação positiva entre o número de atividades ligadas a um estilo de vida saudável e o nível de patrimônio líquido.
• Muitas vezes nosso estilo de vida nos coloca em contato com pessoas que, posteriormente, se transformam em nossos clientes, consumidores, pacientes, fornecedores ou grandes amigos.
• Para muitas atividades descobrimos ser verdadeiro o velho adágio: as melhores coisas na vida são gratuitas, ou, pelo menos, têm preços razoáveis. Não custa muito assistir à participação de seu filho na competição da escola, visitar um museu ou jogar cartas com os amigos. Custa muito menos do que uma ida ao bingo.
FATORES DE SUCESSO
No Capítulo 2, “Fatores de Sucesso”, os milionários discorrem sobre os fatores que consideram muito importantes para explicar o próprio sucesso. Seus pontos de vista podem surpreender algumas pessoas, porque aquilo que valorizam parece estranho quando confrontado com muitas noções populares. Seus pontos de vista são diferentes dos perfis estereotipados retratados como realidade por Hollywood: a boa aparência e o aspecto de supermodelo nunca foram mencionados nem mesmo por um único milionário que respondeu ao questionário. Nem uma única vez.
Muitos pais bem-intencionados, mentores, professores e até alguns dos melhores gurus de Wall Street não concordam com as opiniões defendidas pela maioria dos milionários. E isso sem falar nos anúncios de prêmios acumulados da loteria e da Publishers Clearing House. Os milionários têm uma explicação diferente para seu sucesso.
Quais são os cinco fatores principais mais freqüentemente mencionados por milionários como sendo importantes na explicação de seu sucesso econômico? Depois de lê-los, pegue um pequeno pedaço de papel e escreva esses cinco elementos de sucesso financeiro. Mantenha a lista na bolsa ou na carteira e pregue uma cópia na tevê. Da próxima vez que aparecer um anúncio de prêmio acumulado na loteria, na corrida de cavalos ou sorteios no bingo, dê uma olhada nessa cópia. Os anúncios apregoam que você pode ganhar um desses grandes prêmios, mas o que lhe diz a lista dos cinco pontos?
As pedras fundamentais do sucesso financeiro são:
• Integridade: seja honesto com todas as pessoas.
• Disciplina: exerça o autocontrole.
• Sociabilidade: procure se dar bem com todos.
• Procure contar com o apoio de seu parceiro em todas as situações.
• Trabalhe com dedicação, muito mais do que a maioria das pessoas.
Em que posição fica o elemento sorte? Ele está perto do final da lista dos 30 fatores de sucesso, ocupando a 27ª posição. Mas, nesse contexto, os milionários referiram-se notadamente a fatores incontroláveis, como os econômicos, capazes de provocar impacto no patrimônio líquido de uma pessoa. Nenhum dos milionários entrevistados fez qualquer observação favorável aos jogos de azar. Uma discussão mais detalhada sobre o hábito de jogar ou não se encontra no Capítulo 9, “O Estilo de Vida dos Milionários: Real Versus Imaginário”.
Alguns podem argumentar que muitas pessoas — e não apenas os milionários dos Estados Unidos — têm os cinco elementos de sucesso citados anteriormente, embora não sejam milionários hoje. Esses cinco são os elementos básicos. E o que acontece se faltar um ou mais desses elementos? De acordo com a grande amostra de milionários estudados, as chances são contra a possibilidade de que você obtenha sucesso econômico. Entretanto, contando com esses e com alguns outros fatores, há chances de uma pessoa ficar rica no futuro, caso não seja rica ainda. Vejamos uma vez mais o que dizem os próprios milionários:
• Como se tornaram milionários em uma única geração? A maioria de nós consegue ver a oportunidade econômica ignorada por outros, e temos a propensão de assumir riscos financeiros caso exista perspectiva de bom retorno. Isso é especialmente verdadeiro para os que são donos do próprio negócio. Mas sabemos que existe uma correlação forte entre a vontade de assumir riscos financeiros e o nível de riqueza alcançado. Trata-se menos de investir no mercado de ações e mais em investir em nós mesmos, em nossas carreiras, em nossas práticas profissionais, em nossos negócios privados e assim por diante.
• A maioria concorda com a afirmativa de que possuímos qualidades de liderança marcantes. Temos capacidade para vender nossas idéias a empregados e fornecedores, bem como para apresentar produtos a um público-alvo cuidadosamente escolhido.
• Por que a economia dos Estados Unidos tem sido tão generosamente compensadora? Isto ocorre porque fornecemos um produto ou serviço com forte demanda mas com poucos fornecedores capazes de atendê-la. Não seguimos a multidão. Isso se aplica tanto ao que queremos vender quanto ao objeto de nossos investimentos.
NASCIDOS INTELECTUAIS?
Os milionários são superdotados intelectualmente? Todos se graduaram advindos da fraternidade Phi Beta Kappa em faculdades de primeira linha? É comum a crença de que pessoas intelectualmente superdotadas possuem elevada inteligência analítica. Por sua vez, a inteligência analítica é supostamente mensurada por “testes” padronizados de QI. Em vez de usar a pontuação pelo QI, empreguei a pontuação nos testes SAT no meu levantamento, por estarem mais prontamente disponíveis. Existe correlação positiva entre esses dois sistemas de pontuações. Descobri também que as auto-avaliações dos milionários sobre as respectivas inteligências analíticas, desempenho no SAT e notas de faculdade estão relacionados.
Os milionários acreditam que possuem inteligência superior? Mais basicamente ainda, qual a importância da inteligência na explicação de diferentes sucessos econômicos? Estas e muitas outras questões relacionadas são detalhadas no Capítulo 2, “Fatores de Sucesso”, e no Capítulo 3, “Na Época de Escola”. Considere os seguintes fatos sobre milionários como introdução a esses tópicos:
• Ter tido bom nível educacional não quer dizer que fomos todos graduados com honras quando saímos da faculdade. O geral das médias anuais durante a graduação superior foi de 7,3 em uma escala de 10,00.
• Nossa pontuação no SAT foi de 1.190, significativamente acima da usual, sem ser, entretanto, suficientemente alta para conquistar a admissão nas faculdades reconhecidamente seletivas ou competitivas. A maioria de nós não freqüentou essas faculdades, nem indicou, quando indagada durante o questionário, que a graduação em uma faculdade de renome era importante para explicar nosso respectivo sucesso econômico. Mas até mesmo a pontuação de 1.190 no SAT pode estar um pouco inflacionada. Praticamente 90% dos integrantes de nosso grupo que eram alunos nota 10 no colegial lembraram-se de citar suas pontuações no SAT. Ironicamente, apenas metade do grupo que era composto por alunos nota 7 foi capaz de lembrar de sua pontuação no SAT. Sabe-se que as pontuações no SAT e as médias ponderadas GPA são correlacionadas. E se a pontuação de 1.190 fosse ajustada para refletir a pontuação no SAT daqueles alunos nota 7, quem não se lembraria dela? Estima-se que pelo menos 100 pontos poderiam ser diminuídos da média 1.190!
• A maioria de nós já ouviu de alguma autoridade, ou sabe a partir de resultados de testes-padrão, que nós, os milionários, não somos:
Intelectualmente superdotados.
Qualificados para estudar direito.
Qualificados para estudar medicina.
Qualificados para fazer um MBA.
Suficientemente espertos para sermos bem-sucedidos.
• Freqüentemente tentamos imaginar como foi possível que nós, como grupo, pudemos ter alcançado tanto sucesso financeiro, considerando o fato de que poucos receberam algum dia o epíteto de “intelectualmente superdotado”. Portanto, questionamos se existe alguma relação entre capacidade intelectual, desempenho acadêmico e sucesso econômico. Somos bem-sucedidos apesar de nossa capacidade intelectual, ou por que sempre sentimos que tínhamos que trabalhar mais para compensar nossas deficiências?
LEITURA RECOMENDADA
É possível ampliar a compreensão sobre a fraca relação existente entre capacidade intelectual/inteligência analítica e os vários indicadores de sucesso pela leitura de Successful Intelligence, de Robert J. Sternberg (Nova York: Simon & Schuster, 1996). O dr. Sternberg, autoridade proeminente em inteligência humana, descobriu que a inteligência bem-sucedida compõe-se de três tipos, enquanto a inteligência analítica, de apenas um. Os outros tipos são a inteligência criativa e a inteligência prática, ou o bom senso. Será que a maioria dos milionários é economicamente bem-sucedida por causa da elevada criatividade e muito bom senso? Esta e outras questões relacionadas são abordadas ao longo deste livro.
NA ÉPOCA DE ESCOLA
Quais experiências de colégio e de faculdade impulsionam os milionários no sentido de tornarem-se adultos economicamente produtivos? A resposta a esta pergunta encontra-se detalhada no Capítulo 3, “Na Época de Escola”, mas é evidente que os milionários aprendem muito mais nos estudos do que lhes é oferecido nos livros. A maioria deles nos relatou que aprendeu sobre tenacidade, sobre como lidar com pessoas, ter autodisciplina e discernir situações corretamente. Uma boa parcela da população milionária constitui-se de pessoas que trabalharam arduamente na escola, mas que não se formaram com a nota máxima. Os milionários com pontuação no SAT não muito espetacular ocupam um lugar de destaque neste livro. Tracei o perfil deles sob o título de o Clube dos 900 — apenas milionários com menos de 1.000 no SAT foram admitidos. Eles dizem que:
• Alguns de nós fizemos menos do que 1.000 pontos no SAT, mas ainda assim ficamos milionários. Quais experiências de colégio e faculdade nos impulsionaram para que nos tornássemos adultos economicamente produtivos? Setenta e dois por cento dos membros do Clube dos 900 responderam que foi: Aprendendo a lutar para alcançar nossas metas porque nos foi dito que tínhamos “capacidade média ou deficitária”.
• A vasta maioria de nós acredita que nos beneficiamos da experiência educacional que tivemos. A maior parte (93%) apontou que a experiência estudantil de nível médio e superior foi: Significativa para determinar que o trabalho árduo tinha mais importância para conquistar objetivos do que uma alta capacidade intelectual de origem genética.
• A maioria de nós sentiu que a escola foi importante na determinação das habilidades para: Distribuir o tempo adequadamente e fazer julgamentos precisos acerca de pessoas.
A população milionária abrange muitas pessoas que não foram alunos nota 10, mas que aprenderam muito na escola. E não foram apenas as matérias obrigatórias que tiveram importância. As matérias “disciplina” e “persistência” básicas também constituíram relevante experiência escolar.
O ano era 1934, e a América atravessava uma crise devastadora. Houvera o crash da Bolsa e milhares de bancos faliram. Negócios fechavam por toda parte. Mais de treze milhões de pessoas tinham perdido seus empregos e estavam desesperadas. Salários tinham baixado para cinco cents a hora. Um milhão de andarilhos perambulava pelo país, inclusive duzentas mil crianças. Estávamos sob o domínio de uma depressão desastrosa. Ex-milionários cometiam suicídio e executivos vendiam maçãs nas ruas.
O mundo estava desolado, o que se ajustava perfeitamente ao meu humor. Eu tinha alcançado o fundo do desespero. Achava minha existência sem pé nem cabeça. Sentia-me deslocado e perdido. Estava infeliz e desejava, desesperadamente, algo obscuro, que eu não fazia a menor idéia do que era.
Morávamos perto do lago Michigan, a algumas quadras apenas da margem, e uma noite fui até lá para me acalmar. Era uma noite de vento forte, e o céu estava coberto de nuvens.
Olhei para cima e disse: "Se Deus existe, apareça para mim."
E fiquei olhando fixamente para o céu, as nuvens se fundiram umas nas outras formando um rosto imenso. Houve um clarão repentino de relâmpagos que conferiu ao rosto olhos fulgurantes. Corri de volta para casa, em pânico.
Eu vivia com minha família em um pequeno apartamento, no terceiro andar, em Rogers Park. O grande showman Mike Todd dizia que estava duro muitas vezes, mas nunca se sentia pobre. Eu me sentia pobre o tempo todo, porque vivíamos um tipo degradante de pobreza: no inverno gelado, tínhamos de manter o aquecedor desligado para economizar dinheiro e aprendíamos a desligar a luz quando não a estávamos usando. Espremíamos as últimas gotas de ketchup e o restinho da pasta de dente. Mas eu estava prestes a escapar disso tudo.
Quando cheguei ao nosso melancólico apartamento, ele estava deserto. Meus pais já haviam partido e meu irmão tinha ido para a casa de um amigo. Não tinha ninguém para impedir o que eu pretendia fazer.
Fui para o pequeno quarto que Richard e eu dividíamos e, com cuidado, retirei o pacote de soníferos que tinha escondido debaixo da cômoda. Em seguida, fui para a cozinha, peguei uma garrafa de bourbon na prateleira em que meu pai a mantinha e a levei para o quarto. Olhei para os comprimidos e o bourbon, e me perguntei quanto tempo levariam para surtir efeito. Verti um pouco de uísque no copo e o levei à boca. Não quis pensar no que estava fazendo. Bebi um gole, e o gosto acre me engasgou. Peguei um punhado de comprimidos e fiz menção de levá-los à boca, quando uma voz falou:
— O que está fazendo?
Virei-me, derramando um pouco do uísque e deixando cair alguns comprimidos.
Meu pai estava na porta do quarto. Aproximou-se.
— Não sabia que você bebia.
Olhei para ele, atônito.
— Achei... pensei que você tinha ido.
— Esqueci uma coisa. Vou perguntar de novo. O que está fazendo? — Tirou o copo de uísque da minha mão.
Minha cabeça estava a mil.
— Nada... nada.
Ele franziu o cenho.
— Você não é assim, Sidney. Qual é o problema? — Ele viu a pilha de comprimidos. — Meu Deus! O que está acontecendo? O que é isso?
Não me ocorreu nenhuma mentira plausível. Respondi, desafiadoramente:
— São soníferos.
— Por quê?
— Vou... me suicidar.
Houve um silêncio. Então, meu pai disse:
— Eu não fazia idéia de que você era tão infeliz.
— Não vai poder me impedir. Se me impede agora, farei amanhã.
Ele ficou ali, me observando.
— A vida é sua. Pode fazer com ela o que quiser — hesitou. — Se não está com pressa demais, por que não saímos para dar uma voltinha?
Eu sabia exatamente o que ele estava pensando. Meu pai era vendedor. Tentaria me dissuadir, mas não tinha a menor chance. Eu sabia o que ia fazer. Respondi:
— Está bem.
— Vista um casaco. Pode se resfriar.
A ironia disso me fez rir.
Cinco minutos depois, meu pai e eu descemos ruas varridas pelo vento e vazias de pedestres por causa da baixa temperatura.
Depois de um longo silêncio, ele disse:
— Fale-me disso, filho. Por que quer se suicidar?
Por onde começar? Como podia explicar como me sentia solitário e sem saída? Eu queria desesperadamente alguma coisa — alguma coisa que eu não sabia nem mesmo denominar. Queria um futuro maravilhoso e não existia nenhum futuro maravilhoso. Tinha grandes sonhos, mas, no fim do dia, era um entregador trabalhando numa drogaria.
Minha fantasia era ir para a universidade, mas não havia dinheiro para isso. Meu sonho tinha sido ser escritor. Escrevera dezenas de contos e os enviara para as revistas Story, Colliers e para o Saturday Evening Post, mas foram recusados. Finalmente, decidira que não podia passar o resto da minha vida nessa miséria sufocante.
Meu pai estava falando comigo.
— ...e há tantos lugares bonitos no mundo que você não viu...
Ignorei-o. Se ele partir hoje à noite, prosseguirei com meu plano.
— Você adoraria Roma.
Se ele tentar me impedir agora, farei quando ele partir. Estava ocupado com meus pensamentos, mal escutando o que ele estava dizendo.
— Sidney, você me disse que queria ser escritor mais do que qualquer outra coisa no mundo.
De repente, ele prendeu a minha atenção.
— Isso foi ontem.
— E amanhã?
Olhei para ele, intrigado.
— O quê?
— Não sabe o que pode acontecer amanhã. A vida é como um romance, não é? Está cheia de suspense. Você não faz idéia do que vai acontecer até virar a página.
— Eu sei o que vai acontecer: nada.
— Você não sabe, sabe? Cada dia é uma página diferente, Sidney, e que pode estar cheia de surpresas. Nunca vai saber o que virá a seguir até que a veja.
Pensei a respeito disso. O que ele estava dizendo era verdade. Cada amanhã era como a página seguinte de um romance.
Dobramos a esquina e descemos uma rua deserta.
— Se quer realmente se suicidar, Sidney, eu compreendo. Mas odeio vê-lo fechar o livro tão cedo e perder toda a emoção da página seguinte, a página que você vai escrever.
Não encerre o livro tão cedo... Eu o estava encerrando cedo demais? Alguma coisa maravilhosa poderia acontecer amanhã.
Ou meu pai era um excelente vendedor ou eu não estava completamente determinado a me suicidar, pois, no final da quadra seguinte, tinha decidido adiar meu plano.
Mas pretendia deixar minhas opções abertas.
Entretanto, não estava ansioso para retornar à vida miserável que estivera prestes a abandonar.
Automóveis | Veículos: Gol da Volkswagen é eleito o "Carro da Década"
Jornalistas de todo o país e dos diversos meios de comunicação, integrantes da Associação Brasileira de Imprensa Automotiva, elegeram o automóvel Gol como o Carro da Década.
Faz 21 anos que o VW Gol é lider de vendas em seu segmento no mercado brasileiro, e também o maior em número de produção (mais de cinco milhões de unidades). O Gol da Volkswagen também é o veículo produzido no Brasil mais exportado, e se fossem colocadas em fila todas as unidades já produzidas formaria uma linha de 20.000 quilômetros de extensão. Além disso, foi o primeiro carro no Brasil a contar com o sistema de injeção eletrônica.
Anjos e Demônios, filme dirigido por Ron Howard, baseado no livro de grande sucesso Anjos e Demônios, do escritor Dan Brown. Película estrelada por Tom Hanks, Ayelet Zurer, Ewan McGregor e Stellan Skarsgard. Estréia nos cinemas brasileiros prevista para o dia 15 de Maio de 2009.
"Fiquei p*uto porque, como pode um cidadão que nunca conversou comigo, que nunca tomou um copo de cerveja comigo, que nunca tomou um copo d'água comigo, fazer uma matéria de que eu bebia? Isso me deixou muito p*uto." Assim falou Luiz Inácio Lula da Silva numa entrevista ao jornal Folha de S.Paulo em 2007, referindo-se à reportagem mais polêmica que eu escrevi em todos os meus anos como correspondente no Brasil.
O desabafo do presidente parece ser sincero, e contém várias frases de efeito. Só que, como muito do que Lula disse sobre tantas coisas ao longo dos anos, ele simplesmente não é correto.
O meu relacionamento com Lula, embora esporádico, data dos anos 70, quando ele estava surgindo como líder sindical e eu, um correspondente recém-chegado ao Brasil, o acompanhei e o observei. Já conversei bastante com ele, ouvindo declarações astutas e também bobagens, todas devidamente anotadas no meu bloquinho. Já tomei água, refrigerante e até uma cachacinha com ele. Então, fico perplexo quando ouço o presidente alegar que nunca teve nenhum contato comigo. A verdade é comprovadamente outra, como as matérias neste capítulo vão mostrar.
A primeira vez que encontrei Lula foi em maio de 1978, durante a primeira greve no ABCD paulista, que fez dele um líder nacional. Na época, eu era correspondente do The Washington Post e da revista Newsweek, e minhas primeiras impressões, baseadas nas entrevistas que ele dava a nós da imprensa, foram positivas, e nosso relacionamento inicial foi cordial. Na época, como agora, Lula chamou minha atenção como um líder astuto e sagaz, com bons instintos políticos. Sim, a linguagem dele às vezes derivava para a fanfarronice e o exagero, e ele tinha um jeito meio rude. Mas isso parecia ser exatamente o que a situação exigia naquele momento: um líder trabalhador franco e duro que pudesse enfrentar o general Ernesto Geisel e o general Golbery do Couto e Silva, que governavam o país na época, e mobilizar suas tropas contra as deles.
Naquele momento, o Brasil estava começando sua transição de volta à democracia, e a classe trabalhadora precisava de um escoadouro tanto para suas demandas salariais como para as frustrações que haviam crescido durante anos de exploração. Lula logo passou a personificar essas aspirações. É claro que ninguém na época poderia tê-lo imaginado como presidente de uma nação de 180 milhões de pessoas, ou que algumas das mesmas qualidades que faziam dele um líder trabalhador tão eficaz pudessem acabar sendo não tão desejáveis em um chefe de Estado. Depois de anos de pelegos dominando o movimento dos trabalhadores no Brasil, parecia um milagre que estivesse surgindo um autêntico "herói da classe operária", para tomar emprestada uma frase de John Lennon que foi usada como título de minha primeira reportagem sobre Lula.
Eu era pessoalmente simpático a muitas das aspirações que Lula expressava em nome da classe trabalhadora industrial. Tendo sido criado em Chicago, fui trabalhar em fábricas assim que fiz 16 anos, a idade mínima com que as pessoas são autorizadas a trabalhar nos Estados Unidos. Trabalhei primeiro na linha de produção de uma fábrica de lâmpadas, ganhando o salário mínimo, e depois, como estudante universitário, consegui emprego em uma fábrica de espelhos, fazendo um trabalho que envolvia o manuseio de produtos químicos perigosos. Também trabalhei como carteiro, carregador e músico, e pertenci a dois sindicatos. Então, já conhecia algo do mundo do trabalho braçal, e das frustrações e do desejo de dignidade associados a ele. Depois que cheguei ao Brasil, também fui colher café e cortar cana-de-açúcar, apenas para ser capaz de entender melhor a natureza desses trabalhos - o que me levou a concluir que cortar cana deve ser o pior trabalho do mundo.
Quando uma greve geral foi convocada em abril de 1979, fui para o ABC pela revista Newsweek para escrever o que acabou sendo o primeiro perfil de Lula a ser publicado por um dos órgãos importantes da imprensa americana. Durante quase uma semana, acompanhei Lula em discursos, reuniões e discussões estratégicas; também fiz um par de entrevistas pessoalmente com ele, que se refletiram na reportagem da Newsweek reproduzida neste livro. Fiquei sabendo depois que Lula ficou contente com o resultado, e era mesmo para ficar. A exemplo de Lech Walesa, com quem era às vezes comparado naquela época, se quisesse fazer seu trabalho com eficácia, Lula precisava de proteção contra uma prisão arbitrária. Ter seu nome mais conhecido no exterior era uma forma importante de ele obter essa blindagem.
De perto, Lula parecia então ser uma mistura interessante de personalidade ainda em formação com uma capacidade tirada das ruas de sobreviver em ambientes hostis, uma pedra ainda por lapidar, cercado por bandos concorrentes de ideólogos e pragmáticos que manobravam para obter o apoio dele para suas metas conflitantes. Às vezes, a facção marxista-leninista parecia ter enchido a cabeça dele com noções simplistas antiquadas de luta de classes e política mundial. Eu atribuía sua disposição para repetir esses clichês, e sua imagem caricatural da vida nos Estados Unidos, à falta de conhecimento que ele tinha do mundo fora do Brasil, mas presumia que Lula superaria isso à medida que sua experiência e suas viagens se ampliassem.
Na maior parte do tempo, no entanto, Lula era um pragmático consumado, centrado principalmente nas questões básicas mais importantes e disposto a usar (e também descartar) o apoio de qualquer parte se ela servisse a seus propósitos. Na época, como agora, ele também tinha um inegável calor pessoal, que o tornava uma personalidade atraente, em especial para os trabalhadores que se esforçava em organizar e representar. Era um deles e falava sua linguagem, o que era algo novo e saudável para o Brasil.
Também fiquei impressionado na época com as generosas quantidades de álcool que ele consumia. Como tenho por hábito quando estou trabalhando, eu me limitava a tomar Fanta Laranja, e me lembro de Lula me provocar com bom humor por causa disso. "Que que é isso, meu caro? Um jornalista que não gosta de beber?" Enquanto ia de uma reunião a outra, ele bebia o que lhe oferecessem: cachaça, uísque, conhaque para se aquecer em manhãs frias, e mesmo a cerveja da qual ele afirma não gostar. Às vezes seus olhos ficavam injetados e sua fala, enrolada. Era difícil dizer se isso se devia ao álcool, porque ele estava visivelmente fatigado de tensão e falta de sono, e tendia, mesmo quando não tinha bebido, a falar alto e a divagar em público, pulando de um tópico a outro. Mas um líder sindical que bebia muito não me parecia nada estranho: em Chicago, a maioria dos chefes de sindicato em torno dos quais cresci eram irlandeses, e famosos por sua afinidade com bebidas alcoólicas, de qualquer tipo e em qualquer quantidade. Lula parecia pertencer à mesma linhagem.
Embora eu pensasse que Lula era muito capaz como sindicalista, as coisas ficaram mais complicadas quando o PT foi fundado, no começo de 1980. Como político, Lula era solicitado a manifestar posições políticas sobre muitos assuntos dos quais não sabia absolutamente nada, e muitas declarações questionáveis - que, suspeito, ele depois lamentou - terminaram saindo de sua boca, especialmente sobre questões de política internacional.
Deixei o Brasil em 1982, mas durante os anos que passei na China, na América Central, no México e no Caribe continuei a observar Lula a distância, mais por curiosidade pessoal do que por necessidade profissional. Eu estava no Brasil em férias durante a campanha de 1989, e prestei especial atenção a ele na época. A última vez que me lembro de ter falado com ele antes de voltar ao Brasil, em novembro de 1998, foi em El Salvador, em 1996, em uma reunião do Foro de São Paulo, que cobri. Ele e eu estávamos hospedados no mesmo hotel, então eu me reapresentei, ganhando um abraço caloroso e um cumprimento, "Como vai, meu querido?". Em outras palavras, todos os meus contatos com Lula foram positivos e cordiais até o momento em que comecei a escrever sobre ele como chefe de sucursal do New York Times.
Quando voltei ao Brasil há uma década, inicialmente Lula não parecia ser uma figura central em minha tela de radar. Em 1999, ele já havia concorrido à Presidência três vezes e perdido, e quando eu refiz contato com alguns velhos amigos do PT, eles indicaram que Lula estava em dúvida sobre a sensatez de concorrer pela quarta vez em 2002. Além disso, FHC estava no poder, e o Brasil passava por uma crise financeira que deixou Wall Street e Washington em pânico, portanto, meu foco principal estava nessas histórias.
Quando olhamos para trás, Lula hoje parece quase predestinado a ter ganho a Presidência em 2002. Mas certamente não parecia assim naquela época, e a verdade é que ele se beneficiou de alguns lances de sorte. O primeiro foi a morte prematura, de câncer, de Mário Covas, do PSDB, que tinha uma poderosa base eleitoral como governador de São Paulo e teria sido um oponente formidável. Depois, bem no momento em que Roseana Sarney estava prestes a ultrapassar Lula nas pesquisas de opinião pública no começo de 2002, sua candidatura foi destruída por uma batida da Polícia Federal no escritório do marido dela em São Luís, que encontrou em um cofre pilhas de dinheiro inexplicado. As pesquisas indicavam que o país tinha fome de mudança, e até então Roseana Sarney, apesar de pertencer ao PFL e ser filha de um ex-presidente, parecia estar conseguindo se apresentar como uma "cara nova" e uma alternativa à velha briga de sempre entre tucanos e petistas.
O maior golpe de sorte de Lula, no entanto, foi que o PT conseguiu desviar a atenção do assassinato, em 20 de janeiro de 2002, de Celso Daniel, prefeito de Santo André, que era um dos principais assessores de campanha de Lula e que também se previa que fosse ministro, talvez da Fazenda, em qualquer governo do PT. Se aquela investigação tivesse sido levada a cabo com o mesmo vigor e energia que foram dirigidos contra Roseana Sarney, poderia facilmente ter torpedeado a candidatura do próprio Lula, pelas mesmas razões pelas quais a campanha de Roseana desmoronou. Mas terei muito mais a dizer sobre o caso Celso Daniel em breve.