O concurso 2009 do Comando da Aeronáutica oferece 262 vagas de emprego militar para os interessados em tornarem-se Sargentos da Aeronáutica.
O edital do concurso público informa que o candidato deve ter completado a graduação escolar do ensino médio. As incrições para o concurso vão até o dia 07/05/2009. O formulário para solicitação da inscrição pode ser obtido através dos endereços a seguir: www.eear.aer.mil.br ou www.fab.mil.br.
Taxa de Juros: Cheque Especial | Crédito Pessoal | 11 a 17-03-2009
Taxas de juros em operações de crédito informadas pelas instituições financeiras abaixo listadas durante o período 11 a 17 de Março de 2009.
Posição --- Instituição --- Taxas de juros efetivas ao mês (%)
Cheque Especial (Pessoa física)
1 --- BANCO VOTORANTIM S A --- 2,04 2 --- BANCO MATONE S A --- 2,08 3 --- BANCO CRUZEIRO DO SUL S A --- 2,17 4 --- BANCO FATOR S A --- 2,41 5 --- BANCO RIBEIRAO PRETO S A --- 2,72 6 --- BANCO INTERCAP S A --- 3,09 7 --- BANCO ALFA S A --- 3,20 8 --- BANCO PROSPER S A --- 3,38 9 --- BANCOOB --- 3,56 10 --- BANCO BONSUCESSO S.A. --- 4,41 11 --- BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL S A --- 4,59 12 --- BANCO CEDULA S A --- 5,52 13 --- BANCO PAULISTA S A --- 5,65 14 --- BANCO INDUSVAL S A --- 6,27 15 --- CAIXA ECONOMICA FEDERAL --- 6,37 16 --- BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S A --- 6,48 17 --- BANCO CAPITAL S A --- 6,52 18 --- BANCO SAFRA S A --- 6,65 19 --- BANCO DA AMAZONIA S A --- 6,96 20 --- BANCO DO EST DO PA S A --- 7,44 21 --- BANCO LUSO BRASILEIRO S A --- 7,52 22 --- BANCO SCHAHIN S A --- 7,80 23 --- BANCO PANAMERICANO S A --- 7,86 24 --- BANCO LA NACION ARGENTINA --- 7,86 25 --- BANCO DO BRASIL S A --- 7,98 26 --- BANCO MERCANTIL DO BRASIL S A --- 8,19 27 --- BANCO NOSSA CAIXA S A --- 8,41 28 --- JBS BANCO S/A --- 8,55 29 --- BANCO BRADESCO S A --- 8,70 30 --- BANCO ITAU S A --- 8,72 31 --- BANCO ABN AMRO REAL S A --- 8,80 32 --- BANCO DO EST DE SE S A --- 8,83 33 --- BRB BANCO DE BRASILIA S A --- 8,87 34 --- BANCO DO EST DO RS S A --- 8,97 35 --- BANCO BANESTES S A --- 9,07 36 --- BANCO CITIBANK S A --- 9,13 37 --- HSBC BANK BRASIL SA BANCO MULTIP --- 9,22 38 --- BANCO SANTANDER S.A. --- 9,34
Crédito Pessoal (Pessoa física)
1 --- BANCOOB --- 1,22 2 --- VIPAL FINANCEIRA --- 1,59 3 --- BARIGUI S A CFI --- 1,92 4 --- FINANC ALFA S A CFI --- 1,94 5 --- BANCO DA AMAZONIA S A --- 1,97 6 --- BANCO GUANABARA S A --- 1,97 7 --- BANCO CRUZEIRO DO SUL S A --- 2,09 8 --- BANCO SOFISA --- 2,26 9 --- BANCO BVA S A --- 2,28 10 --- BANCO ABC BRASIL S A --- 2,29 11 --- BANCO INDUSTRIAL DO BRASIL S A --- 2,31 12 --- BANCO VOLKSWAGEN S A --- 2,35 13 --- CAIXA ECONOMICA FEDERAL --- 2,36 14 --- BANCO DAYCOVAL S.A --- 2,39 15 --- PARANA BANCO S A --- 2,39 16 --- BANCO DO BRASIL S A --- 2,41 17 --- UNILETRA S A CFI --- 2,41 18 --- LECCA CFI --- 2,47 19 --- BANCO VOTORANTIM S A --- 2,47 20 --- BANCO BGN S A --- 2,48 21 --- BANCO MATONE S A --- 2,48 22 --- BESC FINANCEIRA S A CFI --- 2,50 23 --- BANCO MORADA S A --- 2,50 24 --- PARATI CFI S A --- 2,51 25 --- SANTINVEST S A CFI --- 2,53 26 --- BANCO PECUNIA S A --- 2,53 27 --- BANCO BMG S A --- 2,56 28 --- BANCO RIBEIRAO PRETO S A --- 2,57 29 --- BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S A --- 2,57 30 --- BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL S A --- 2,59 31 --- BANCO BONSUCESSO S.A. --- 2,60 32 --- BANCO ALFA S A --- 2,66 33 --- BANCO DO EST DE SE S A --- 2,73 34 --- BANCO MERCANTIL DO BRASIL S A --- 2,74 35 --- BV FINANCEIRA SA CFI --- 2,80 36 --- BANCO RURAL S A --- 2,81 37 --- BANCO BANESTES S A --- 2,82 38 --- BANCO CAPITAL S A --- 2,84 39 --- BANCO NOSSA CAIXA S A --- 2,96 40 --- BANCO LA NACION ARGENTINA --- 3,00 41 --- BANCO FINASA BMC S.A. --- 3,01 42 --- BANCO LUSO BRASILEIRO S A --- 3,04 43 --- FINANSINOS S A CFI --- 3,08 44 --- BRB BANCO DE BRASILIA S A --- 3,11 45 --- BANIF BRASIL --- 3,18 46 --- BANCO TRICURY S A --- 3,20 47 --- BANCO GMAC --- 3,25 48 --- BANCO CACIQUE S A --- 3,25 49 --- BANCO FIBRA S A --- 3,27 50 --- BANCO A J RENNER S A --- 3,28 51 --- PERNAMBUCANAS FINANC S A CFI --- 3,31 52 --- BANCO DO EST DO PA S A --- 3,56 53 --- BANCO CITICARD --- 3,70 54 --- BANCO DO EST DO RS S A --- 3,84 55 --- BANCO ABN AMRO REAL S A --- 3,85 56 --- BANCO ARBI S A --- 3,89 57 --- BANCO PAULISTA S A --- 3,93 58 --- BRB CFI S A --- 4,00 59 --- BANCO SCHAHIN S A --- 4,12 60 --- OMNI SA CFI --- 4,24 61 --- BANCO SEMEAR --- 4,24 62 --- BANEX S/A CFI --- 4,31 63 --- BANCO SANTANDER S.A. --- 4,35 64 --- ROTULA S/A SCFI --- 4,57 65 --- BANCO GE CAPITAL S A --- 4,64 66 --- BANCO ITAUCARD --- 4,64 67 --- BANCO CITIBANK S A --- 4,72 68 --- BANCO INTERMEDIUM S/A --- 4,75 69 --- BANCO ITAU S A --- 4,75 70 --- HSBC BANK BRASIL SA BANCO MULTIP --- 4,81 71 --- BANCO BRADESCO S A --- 4,95 72 --- PORTOSEG S A CFI --- 5,38 73 --- BANCO PANAMERICANO S A --- 5,63 74 --- BANCO SAFRA S A --- 5,80 75 --- FINAMAX S A CFI --- 7,65 76 --- QUERO QUERO S A CFI --- 7,81 77 --- CREDIARE CFI --- 7,89 78 --- CIFRA S A CFI --- 9,23 79 --- GRAZZIOTIN FINANCIADORA SA CFI --- 9,36 80 --- AYMORE CFI --- 10,60 81 --- PORTOCRED S A CFI --- 10,90 82 --- MIDWAY S.A. - SCFI --- 11,75 83 --- DACASA FINANCEIRA S A SCFI --- 11,97 84 --- BANCO CEDULA S A --- 13,24 85 --- NEGRESCO S A CFI --- 13,39 86 --- FAI S A CFI --- 13,66 87 --- KREDILIG --- 13,79 88 --- BANCO IBI S A BM --- 15,28 89 --- BANCO CARREFOUR S.A. --- 15,62 90 --- SAX CFI --- 15,68 91 --- BANCO ITAUCRED FINANC S A --- 15,73 92 --- FIN ITAU CBD CFI --- 16,30 93 --- CETELEM BRASIL S A CFI --- 18,99 94 --- CREFISA S A CFI --- 19,45 95 --- BANCO AZTECA DO BRASIL S.A. --- 19,55
Dirigi até o restaurante, estacionei e me recostei no banco para pensar um pouco. Sabia que Charlene já estaria lá dentro, me esperando para conversar. Mas por quê? Eu não ouvira uma palavra dela em seis anos. Por que teria aparecido agora, logo agora, que eu me isolara na mata por uma semana?
Saltei da caminhonete e segui para o restaurante. Às minhas costas, o último fulgor do poente mergulhava no ocidente, lançando clarões de um âmbar dourado sobre o estacionamento molhado. Um rápido aguaceiro encharcara tudo uma hora antes, e agora o entardecer de verão parecia fresco e renovado, e, devido à luz que se esvaía, quase surreal. Uma meia-lua pairava acima.
Enquanto eu andava, velhas imagens de Charlene me inundavam a mente. Ainda estaria bonita, intensa? Como o tempo a teria mudado? E que pensar do tal manuscrito de que ela falara — um antigo artefato descoberto na América do Sul, sobre o qual mal podia esperar para me contar?
— Tenho uma espera de duas horas no aeroporto — ela dissera ao telefone. — Pode se encontrar comigo para jantar? Vai adorar o que diz este manuscrito: é simplesmente o seu tipo de mistério.
Meu tipo de mistério? Que queria dizer com aquilo?
Dentro, o restaurante estava lotado. Vários casais esperavam mesas. Quando encontrei a gerente, ela me disse que Charlene já se sentara e me conduziu para uma área no terraço acima do salão principal de jantar.
Subi a escada e notei várias pessoas em torno de uma das mesas. Na multidão, dois policiais. De repente, os policiais se viraram, passaram por mim correndo e desceram a escada. Enquanto o resto se dispersava, pude ver a pessoa que parecia ter sido o centro das atenções — uma mulher, ainda sentada à mesa... Charlene!
Aproximei-me rapidamente dela.
— Charlene, que é que há? Algum problema?
Ela jogou a cabeça para trás com fingida exasperação e se levantou, lampejando seu famoso sorriso. Reparei que talvez tivesse o cabelo diferente, mas o rosto era exatamente como eu lembrava: traços delicados, boca grande, uns olhos azuis imensos.
— Você não vai acreditar — ela disse, puxando-me num abraço amistoso. — Fui ao banheiro há alguns minutos, e enquanto estive ausente alguém roubou minha pasta.
— O que tinha dentro dela?
— Nada de importante, só alguns livros e revistas que eu ia levar comigo na viagem. Que loucura. As pessoas nas outras mesas me disseram que alguém simplesmente entrou, pegou a pasta e saiu. Deram uma descrição à polícia, e os guardas disseram que iam vasculhar a área.
— Talvez fosse melhor eu ajudá-los a procurar?
— Não, não. Deixa pra lá. Não tenho muito tempo e preciso conversar com você.
Assenti e Charlene sugeriu que nos sentássemos. Um garçom se aproximou, olhamos o cardápio e pedimos. Depois disso, passamos uns dez ou 15 minutos jogando conversa fora. Eu tentava minimizar meu auto-imposto isolamento, mas Charlene percebeu minhas incertezas. Curvou-se para mim e tornou a me dar aquele sorriso.
— Então, que é que há mesmo com você? — perguntou.
Olhei os olhos dela, a maneira intensa como me olhava.
— Quer logo a história toda, não é?
— Sempre — ela respondeu.
— Bem, a verdade é que estou tirando algum tempo para mim mesmo no momento, e passando uma temporada no lago. Tenho trabalhado muito e estou pensando em mudar os rumos da minha vida.
— Me lembro que você falava desse lago. Achei que você e sua irmã iam ter de vendê-lo.
— Ainda não, mas o problema são os impostos territoriais. Como a região é muito perto da cidade, não param de subir.
Ela balançou a cabeça.
— E que vai fazer depois?
— Ainda não sei. Alguma coisa diferente.
Ela me lançou um olhar intrigante.
— Parece tão nervoso quanto todo mundo.
— Acho que sim — eu disse. — Por que pergunta?
— Está no Manuscrito.
Houve um silêncio, enquanto eu devolvia o olhar dela.
— Me fale desse Manuscrito — pedi.
Ela se recostou na cadeira como para organizar as idéias, depois me olhou nos olhos mais uma vez.
— Acho que falei ao telefone que deixei o jornal há vários anos e entrei numa empresa de pesquisa que investiga mudanças demográficas e culturais para as Nações Unidas. Meu último trabalho foi no Peru.
“Enquanto estava lá, concluindo uma pesquisa na Universidade de Lima, vivia ouvindo rumores sobre um velho Manuscrito que fora descoberto, só que ninguém conseguia me dar nenhum detalhe, nem mesmo nos departamentos de arqueologia e antropologia. Quando entrei em contato com o governo para pedir informações sobre esse assunto, eles negaram qualquer conhecimento.
“Uma pessoa me disse que o governo na verdade estava tentando suprimir o documento, por algum motivo. Embora, também neste caso, ele não tivesse nenhum conhecimento direto.
“Você me conhece”, ela prosseguiu. “Eu sou curiosa. Quando acabou minha tarefa, decidi ficar por lá uns dois dias para ver o que conseguia descobrir. No início, toda pista que eu seguia se revelava mais um beco sem saída, mas então, quando almoçava num café nos arredores de Lima, notei um padre me observando. Passados alguns minutos, ele se aproximou e admitiu que tinha me ouvido fazendo perguntas sobre o Manuscrito, antes, naquele dia. Não quis me revelar seu nome, mas concordou em responder a todas as minhas perguntas.”
Ela hesitou um instante, ainda me olhando intensamente.
— Ele me disse que o Manuscrito remonta a cerca de 600 a.C. Prevê uma enorme transformação na sociedade humana.
— A partir de quando? — perguntei.
— Das duas últimas décadas do século XX.
— Agora?!
— É, agora.
— Que tipo de transformação deve ser? — perguntei.
Ela pareceu embaraçada um instante, depois respondeu com energia.
— O padre me disse que é uma espécie de renascer da consciência, que se dá muito devagar. Não é de natureza religiosa, mas espiritual. Estamos descobrindo alguma coisa nova sobre a vida humana neste planeta, sobre o sentido de nossa existência e, segundo o padre, esse conhecimento vai modificar sensacionalmente a cultura humana.
Ela fez uma nova pausa, depois acrescentou:
— O padre me disse que o Manuscrito se divide em partes, ou capítulos, cada um dedicado a uma determinada compreensão da vida. O Manuscrito prevê que nessa época os seres humanos vão começar a assimilar essas compreensões em seqüência, uma após a outra, como se a gente passasse de onde está agora para uma cultura completamente espiritual na Terra.
Eu balancei a cabeça e ergui uma sobrancelha, cinicamente.
— Você acredita mesmo nisso?
— Bem — ela respondeu. — Eu acho...
— Olhe em volta — interrompi, apontando as pessoas sentadas no salão abaixo de nós. — Este é o mundo real. Vê alguma coisa se modificando aí?
No momento em que eu dizia isso, ouviu-se uma observação furiosa numa mesa junto à parede mais distante, uma observação que não consegui entender, mas que fora dita alto o suficiente para emudecer todo o salão. A princípio achei que o distúrbio se devia a outro roubo, mas depois percebi que era só um bate-boca. Uma mulher aparentando uns 30 anos levantou-se encarando o homem sentado do outro lado da mesa com indignação.
— Não — berrou. — O problema é que este relacionamento não está saindo do jeito que eu queria! Entende? Não está saindo! — Recompôs-se, jogou o guardanapo na mesa e foi-se embora.
Charlene e eu nos fitamos, chocados com o fato de a explosão ter ocorrido no mesmo instante em que discutíamos as pessoas abaixo de nós. Por fim, ela indicou com a cabeça a mesa onde o homem ficara sozinho e disse.
— É o mundo real mudando.
— Como? — perguntei, ainda desconcertado.
— A transformação está começando com a Primeira Visão, e segundo o padre essa visão sempre aflora inconscientemente a princípio, com uma profunda sensação de inquietação.
— Inquietação?
— É.
— Que é que estamos procurando?
— É exatamente isso! No início, não temos certeza. Segundo o Manuscrito, estamos começando a vislumbrar uma forma de experiência alternativa... momentos em nossas vidas que parecem de algum modo diferentes, mais intensos e inspirados. Mas não sabemos o que é essa experiência, nem como fazer com que dure, e quando ela termina somos deixados insatisfeitos e inquietos com uma vida que mais uma vez parece comum.
— Você acha que era essa inquietação que estava por trás da raiva da mulher?
— Acho, sim. Ela é como todos nós. Estamos todos em busca de maior realização em nossas vidas, e não toleramos nada que pareça nos puxar para baixo. Essa busca inquieta é o que está por trás da atitude de “primeiro-eu” que caracterizou as últimas décadas, e está afetando todo mundo, de Wall Street às gangues de rua.
Ela me olhou diretamente.
— E quando se trata de nossas relações, ficamos tão exigentes que as estamos tornando quase impossíveis.
Essa observação trouxe de volta a lembrança de meus dois últimos relacionamentos. Ambos haviam começado intensamente, e fracassado um ano depois. Quando voltei a me concentrar em Charlene, ela esperava com paciência.
— O que é, exatamente, que estamos fazendo com nossos relacionamentos amorosos? — perguntei.
— Eu conversei um longo tempo com o padre sobre isso — ela respondeu. — Ele disse que quando os dois parceiros num relacionamento são exigentes demais, quando cada um espera que o outro viva no seu mundo, que sempre esteja ali tomando parte nas atividades que ele ou ela prefere, surge inevitavelmente uma guerra de egos.
O que ela dizia me atingiu. Meus dois últimos relacionamentos haviam de fato degenerado em brigas de poder. Nas duas situações, nós nos descobrimos num conflito de compromissos. O ritmo era demasiado rápido. Tínhamos muito pouco tempo para coordenar nossas diferentes idéias sobre o que fazer, aonde ir, que interesses seguir. No final, a questão de quem ia liderar, quem ia dar as diretivas do dia, tinha se tornado um problema insolúvel.
— Devido a essa batalha pelo controle — continuou Charlene —, o Manuscrito diz que vamos achar muito difícil ficar com a mesma pessoa por qualquer período de tempo.
— Isso não parece lá muito espiritual — comentei.
— Foi exatamente o que eu disse ao padre — ela respondeu. — Ele me aconselhou a lembrar que embora a maioria dos males recentes da sociedade possa ser identificada com essa inquietação e busca, o problema é temporário e deixará de existir. Estamos finalmente tomando consciência do que buscamos de fato, do que é de fato essa outra experiência, mais satisfatória. Quando a compreendermos totalmente, teremos alcançado a Primeira Visão.
Nosso jantar chegou, e por isso fizemos uma pausa de vários minutos, para o garçom servir mais vinho, e para provarmos a comida um do outro. Quando esticou o braço sobre a mesa para tirar um naco de salmão do meu prato, Charlene franziu o nariz e deu um risinho. Compreendi como era descontraído estar com ela.
— Tudo bem — eu disse. — O que é essa experiência que estamos buscando? Que é a Primeira Visão?
Ela hesitou, como se não soubesse por onde começar.
— É difícil explicar — disse. — Mas o padre pôs as coisas assim. Disse que a Primeira Visão ocorre quando nos tornamos conscientes das coincidências em nossas vidas.
Curvou-se para mim.
— Alguma vez você já teve um palpite ou intuição sobre uma coisa que quisesse fazer? Um rumo que quisesse dar à sua vida? E se perguntou como isso poderia ocorrer? E então, depois de quase ter esquecido o assunto e se concentrado em outras coisas, de repente encontrou alguém, ou leu alguma coisa, ou foi a algum lugar que levou àquela mesma oportunidade que tinha vislumbrado?
“Bem”, ela continuou, “segundo o padre essas coincidências têm ocorrido com freqüência cada vez maior, e quando ocorrem nos parecem superar o que se poderia esperar do puro acaso. Parecem destinadas, como se nossas vidas tivessem sido guiadas por uma força inexplicável. A experiência causa uma sensação de mistério e excitação, e em conseqüência nos sentimos mais vivos.
“O padre me disse que essa é a experiência que vislumbramos, e que agora tentamos manifestar o tempo todo. Pessoas em número cada dia maior estão convencidas de que esse movimento misterioso é concreto e significa alguma coisa, que alguma outra coisa está acontecendo por baixo de suas vidas diárias. Essa consciência é a Primeira Visão.”
Ela me olhou, expectante, mas eu não disse nada.
— Não está vendo? — ela perguntou. — A Primeira Visão é uma reconsideração do mistério inerente que cerca nossas vidas individuais neste planeta. Estamos experimentando essas coincidências misteriosas, e, mesmo não as compreendendo ainda, sabemos que são reais. Estamos sentindo de novo, como na infância, que existe um outro lado da vida que ainda temos de descobrir, alguns outros processos atuando nos bastidores.
Charlene se curvava mais em minha direção, gesticulando com as mãos ao falar.
— Está mesmo envolvida nisso, não está? — perguntei.
— Eu me lembro de uma época — ela disse com firmeza — em que você falava desse tipo de experiência.
O comentário dela me causou um impacto. Tinha razão. Houvera um período em minha vida em que eu experimentara de fato essas coincidências, e até mesmo tentara compreendê-las psicologicamente. Em algum ponto ao longo do percurso minha opinião mudara. Por algum motivo, passara a encarar essas coincidências como imaturas e irreais, e deixara até mesmo de notar.
Olhei diretamente para Charlene e disse na defensiva:
— Provavelmente eu andava lendo filosofia oriental ou misticismo cristão naquela época. É disso que você se lembra. De qualquer modo, já se escreveu muito sobre o que você chama de Primeira Visão, Charlene. Qual é a diferença agora? Como uma percepção de ocorrências misteriosas vai levar a uma transformação cultural?
Charlene baixou o olhar para a mesa um instante e tornou a erguê-lo para mim.
— Não interprete mal — disse. — Sem dúvida essa consciência já foi sentida e descrita antes. Na verdade, o padre fez questão de salientar que a Primeira Visão não era nova. Explicou que houve indivíduos que tiveram consciência dessas coincidências inexplicáveis ao longo de toda a história, que esta foi a percepção por trás de muitas grandes tentativas na filosofia e religião. Mas a diferença agora está no número. Segundo o padre, a transformação está ocorrendo hoje por causa do número de indivíduos que têm essa consciência ao mesmo tempo.
— O que é que ele quer dizer exatamente? — perguntei.
— Ele me disse que, segundo o Manuscrito, o número de pessoas conscientes dessas coincidências ia começar a aumentar sensacionalmente na sexta década do século XX. E que esse aumento ia continuar até um determinado momento no início do século seguinte, quando atingiríamos um número específico desses indivíduos; um número que eu concebo como uma massa crítica.
“O Manuscrito prevê”, ela prosseguiu, “que assim que atingirmos tal massa crítica, toda cultura começará a levar essas experiências coincidentes a sério. Vamos nos perguntar, em massa, que processo misterioso está por baixo da vida humana neste planeta. E será esta pergunta, feita ao mesmo tempo por um número suficiente de pessoas, que permitirá que as outras visões também venham à consciência, pois, segundo o Manuscrito, quando um número suficiente de indivíduos perguntar a sério o que ocorre na vida, começaremos a descobrir. As outras visões serão reveladas... uma após a outra.
Ela fez uma pausa para beliscar um pouco da comida.
— E quando atingirmos as outras visões — perguntei —, a cultura mudará?
— Foi isso que o padre me disse — ela respondeu.
Olhei-a por um instante, pensando na idéia da massa crítica, e depois disse:
— Sabe, tudo isso me parece de uma incrível sofisticação para um Manuscrito datado do ano 600 a.C.
— Eu sei — ela respondeu. — Eu mesma levantei essa questão. Mas o padre me garantiu que os estudiosos que primeiro traduziram o Manuscrito estavam absolutamente convencidos de sua autenticidade. Sobretudo porque foi escrito em aramaico, a mesma língua em que foi escrita grande parte do Velho Testamento.
— Aramaico na América do Sul? Como isso foi parar lá em 600 a.C.?
— O padre não sabia.
— A Igreja dele aceita o Manuscrito? — perguntei.
— Não — ela respondeu. — Ele me disse que a maioria do clero estava furiosamente tentando suprimir o Manuscrito. Por isso é que não quis me dizer seu nome. Aparentemente, só falar sobre o assunto já era muito perigoso para ele.
— Ele disse por que a maioria das autoridades da Igreja combatia o Manuscrito?
— Disse: porque contesta o caráter absoluto da religião deles.
— Como?
— Não sei com exatidão. Ele não discutiu muito isso, mas parece que as outras visões ampliam alguns dos conceitos tradicionais da Igreja de uma forma que assusta os clérigos mais velhos, que acham tudo ótimo do jeito que está.
— Entendo.
— O padre disse — continuou Charlene — que não acha que o Manuscrito solape qualquer dos princípios da Igreja. Se faz alguma coisa, é esclarecer com exatidão o que se quer dizer com essas verdades espirituais. Ele estava muito convicto de que os líderes da Igreja veriam esse fato se tentassem voltar a ver a vida como um mistério, e então passassem às outras visões.
— Ele lhe disse quantas visões havia?
— Não, mas falou na Segunda Visão. Me disse que é uma interpretação mais correta da história recente, uma interpretação que esclarece mais a transformação.
— Ele explicou isso?
— Não, não teve tempo. Me disse que precisava ir cuidar de um assunto. A gente combinou tornar a se encontrar naquela tarde, mas quando cheguei ele não estava lá. Esperei três horas, e não apareceu. Tive de partir finalmente para pegar meu vôo de volta para casa.
— Quer dizer que não conseguiu mais falar com ele?
— Isso mesmo. Nunca mais tornei a vê-lo.
— E nunca recebeu do governo qualquer confirmação sobre o Manuscrito?
— Nenhuma.
— Há quanto tempo foi isso?
— Há cerca de um mês e meio.
Durante vários minutos, comemos em silêncio. Afinal Charlene ergueu os olhos e perguntou:
— Que acha?
— Não sei — respondi. Parte de mim continuava cética em relação à idéia de que os seres humanos pudessem mudar de fato. Mas outra parte se espantava ao pensar que um Manuscrito falando nesses termos pudesse existir de verdade.
— Ele lhe mostrou alguma cópia, ou alguma coisa? — indaguei.
— Não, tenho apenas minhas anotações.
Mais uma vez ficamos calados.
— Sabe — ela disse —, eu achava que você ia ficar realmente animado com essas idéias.
Olhei-a.
— Acho que preciso de alguma prova de que o que esse Manuscrito diz é verdade.
Ela abriu de novo um grande sorriso.
— Que foi? — indaguei.
— Foi exatamente o que eu disse, também.
— A quem, ao padre?
— É.
— E o que disse ele?
— Que a experiência é a prova.
— Que quis dizer com isso?
— Que nossa experiência confirma o que diz o Manuscrito. Quando refletimos de fato em como nos sentimos dentro de nós, em como nossas vidas estão indo neste momento da história, vemos que as idéias do Manuscrito fazem sentido, que soam autênticas. — Ela hesitou. — Faz algum sentido para você?
Pensei um instante. Faz sentido? Estará todo mundo tão inquieto quanto eu? E, se estiver, resultará nossa inquietação da simples percepção — da simples consciência acumulada em trinta anos — de que há mais vida do que sabemos, mais do que podemos experimentar?
— Não sei ao certo — respondi afinal —, acho que preciso de algum tempo para pensar nisso.
Andei até o jardim ao lado do restaurante e fiquei parado atrás de um banco de cedro voltado para a fonte. À direita, via as luzes pulsantes do aeroporto e ouvia os motores roncantes de um jato pronto para decolar.
— Que belas flores — disse Charlene às minhas costas.
Voltei-me e a vi aproximando-se pelo passadiço, admirando as fileiras de petúnias e begônias que ladeavam a área. Ficou parada a meu lado e eu passei o braço em torno dela. Lembranças me inundaram a mente. Anos atrás, quando ambos morávamos em Charlottesville, na Virgínia, tínhamos passado tardes inteiras juntos conversando. A maioria de nossas conversas era sobre teorias acadêmicas e crescimento psicológico. Éramos fascinados pelas conversas e um pelo outro. Contudo, me ocorreu como sempre fora platônica a nossa relação.
— Não imagina — ela disse — como é bom ver você de novo.
— Eu sei — respondi. — Ver você traz de volta muitas lembranças.
— Eu me pergunto por que não nos mantivemos em contato?
Sua pergunta me levou mais uma vez ao passado. Lembrei-me da última vez que vira Charlene. Ela se despedia de mim, em meu carro. Naquela época eu me sentia cheio de idéias novas e estava partindo de minha cidade natal para trabalhar com crianças seriamente maltratadas. Achava que sabia como tais crianças podiam superar as reações intensas, o fingimento obsessivo, que as impediam de viver suas vidas. Mas com o passar do tempo, minha visão não deu certo. Tive de admitir minha ignorância. De que modo os seres humanos poderiam libertar-se de seus passados continuava sendo um enigma para mim.
Revendo os seis anos anteriores, eu tinha agora certeza de que a experiência valera a pena. Contudo, também sentia a urgência de seguir em frente. Mas para onde? Fazer o quê? Só tinha pensado em Charlene umas poucas vezes, desde que ela me ajudara a cristalizar minhas idéias sobre trauma infantil, e agora ali estava ela de novo, de volta à minha vida — e nossa conversa era tão emocionante quanto antes.
— Acho que meu trabalho me absorveu inteiramente — eu disse.
— Eu também — ela respondeu. — No jornal, era uma matéria atrás da outra. Eu não tinha tempo de erguer a cabeça. Esqueci tudo mais.
Pus a mão no ombro dela.
— Sabe, Charlene, eu tinha esquecido como são boas as nossas conversas; parecem tão fáceis e espontâneas.
Os olhos e o sorriso dela confirmaram minha constatação.
— Eu sei — ela disse —, as conversas com você me passam muita energia.
Eu ia fazer outro comentário quando Charlene olhou fixamente a entrada do restaurante às minhas costas. Ficou com o rosto angustiado e pálido.
— O que houve? — perguntei, voltando-me para olhar naquela direção. Várias pessoas se dirigiam ao estacionamento, conversando casualmente, mas nada me pareceu fora do comum. Tornei a voltar-me para Charlene. Ela ainda parecia assustada e confusa.
— Que é que há? — repeti.
— Ali perto da primeira fila de carros. Viu aquele homem de camisa cinza?
Olhei de novo para o estacionamento. Outro grupo saía pela porta. — Que homem?
— Acho que não está mais lá — ela respondeu, esforçando-se para ver.
Olhou-me direto nos olhos.
— Quando as pessoas nas outras mesas descreveram o homem que roubou minha pasta, disseram que ele tinha cabelos ralos e barba, e vestia uma camisa cinza. Acho que acabei de vê-lo ali entre os carros... vigiando a gente.
Um nó de ansiedade formou-se em meu estômago. Eu disse a Charlene que voltava já e fui ao estacionamento dar uma olhada, tendo o cuidado de não me afastar muito. Não vi ninguém que se enquadrasse na descrição.
Quando voltei ao banco, Charlene chegou um passo mais perto de mim e disse com suavidade:
— Acha que essa pessoa pensa que eu tenho uma cópia do Manuscrito? E por isso pegou minha pasta? Estará tentando recuperá-lo?
— Não sei — respondi. — Mas vamos chamar a polícia de novo e contar o que você viu. Acho que eles devem checar também os passageiros do seu vôo.
Entramos e chamamos a polícia, e quando eles chegaram informamos o que havia ocorrido. Levaram vinte minutos inspecionando cada carro, depois explicaram que não podiam ficar mais tempo. Concordaram em checar todos os passageiros no embarque do avião em que Charlene ia viajar.
Depois que a polícia se foi, ela e eu nos descobrimos de novo parados sozinhos junto à fonte.
— De que é que estávamos falando mesmo? — ela perguntou. — Antes de eu ver aquele homem?
— Da gente — respondi. — Charlene, por que pensou em entrar em contato comigo para falar sobre tudo isso?
Ela me lançou um olhar de perplexidade.
— Lá no Peru, enquanto o padre me falava do Manuscrito, você não saía do meu pensamento.
— É mesmo?
— Não pensei muito nisso então — ela continuou —, porém mais tarde, depois que voltei para a Virgínia, todas as vezes que eu pensava no Manuscrito, me lembrava de você. Comecei a discar para você várias vezes, mas sempre alguma coisa me distraía. Depois, recebi essa tarefa em Miami, para onde estou indo agora, e descobri, após entrar no avião, que ia fazer uma escala aqui. Quando desembarquei, procurei seu número. Sua secretária eletrônica dizia para só procurar você no lago em caso de emergência, mas decidi que seria bom ligar.
Olhei um instante para ela, sem saber o que pensar.
— Claro — respondi por fim. — Estou feliz que tenha ligado.
Charlene deu uma olhada em seu relógio.
— Está ficando tarde. É melhor eu voltar para o aeroporto.
— Levo você de carro.
Fomos para o terminal principal e andamos até a área de embarque. Eu vigiava com cuidado, atento para qualquer coisa incomum. Quando chegamos, o pessoal já estava embarcando, e um dos policiais que encontráramos observava cada passageiro. Quando nos aproximamos dele, disse que checara todos a bordo e nenhum correspondia à descrição do ladrão.
Agradecemos a ele e, depois que se foi, Charlene se voltou e sorriu para mim.
— Acho melhor eu ir — disse, estendendo o braço para meu pescoço. — Aqui estão meus números de telefone. Desta vez vamos manter contato.
— Escuta — eu disse. — Quero que tome cuidado. Se vir alguma coisa estranha, chame a polícia!
— Não se preocupe comigo — ela respondeu. — Vou ficar bem.
Durante um momento nos entreolhamos no fundo dos olhos.
— Que vai fazer em relação ao tal Manuscrito? — perguntei.
— Não sei. Esperar notícias pela imprensa, acho.
— Como, se foi proibido?
Ela me deu outro de seus generosos sorrisos.
— Eu sabia — ela disse. — Você mordeu a isca. Eu disse que você ia adorar. Que vai fazer você a respeito?
Dei de ombros.
— Ver se posso descobrir mais alguma coisa sobre ele, provavelmente.
— Ótimo. Se descobrir, me conte.
Despedimo-nos de novo e ela se foi. Fiquei olhando quando ela se virou uma vez e acenou, e depois desapareceu no túnel de embarque. Fui andando até a caminhonete e voltei ao lago, parando apenas para pôr gasolina.
Quando cheguei, saí para a varanda protegida com tela e me sentei numa das cadeiras de balanço. A noite vibrava com ruídos de grilos e rãs, e eu ouvia ao longe uma ave noturna. Do outro lado do lago, a lua baixara mais no oeste e mandava pela superfície da água uma esteira de reflexo ondulado em minha direção.
A noite tinha sido interessante, mas eu continuava cético em relação a toda aquela idéia de transformação cultural. Como muita gente, me sentira atraído pelo idealismo social dos anos 1960 e 1970, e até mesmo pelas preocupações espirituais dos anos 1980. Mas era difícil julgar o que acontecia de fato. Que tipo de informação nova seria capaz de alterar todo o mundo humano? Tudo soava demasiado idealista e exagerado. Afinal, os seres humanos vivem neste planeta há muito tempo. Por que iríamos de repente adquirir uma percepção da existência agora, tão tardiamente? Fiquei olhando a água lá fora mais alguns minutos, depois apaguei as luzes e fui para o quarto ler.
Na manhã seguinte acordei sobressaltado, com um sonho ainda vívido na mente. Durante um ou dois minutos fiquei com os olhos presos no teto do quarto, lembrando-o inteiramente.
Em minha busca, eu me via em inúmeras situações em que me sentia totalmente perdido e desnorteado, incapaz de decidir o que fazer. Incrivelmente, em cada um desses momentos surgia uma pessoa do nada, como de propósito, para esclarecer aonde eu deveria ir em seguida. Eu jamais soube do objeto de minha busca, mas o sonho me deixou inacreditavelmente exaltado e confiante.
Sentei-me na cama e notei um raio de sol entrando pela janela e atravessando o quarto. Cintilava com as partículas suspensas de poeira. Fui até lá e abri as cortinas. Fazia um dia glorioso: céu azul, sol brilhante. Uma brisa constante balançava as árvores. O lago estaria ondulado e resplandecente àquela hora do dia, e o vento, gelado na pele úmida do nadador.
Saí e dei um mergulho. Voltei à tona e nadei até o meio do lago, virando-me de costas para olhar as conhecidas montanhas. O lago ficava num vale profundo, onde convergiam três cristas de montanha, a paisagem lacustre perfeita descoberta por meu avô na juventude.
Fazia já uma centena de anos que ele, garoto explorador, escalara aquelas cristas, um prodígio a surgir num mundo ainda selvagem, com pumas, javalis e índios Creek, que viviam em cabanas rudimentares na montanha norte. Ele jurara então que um dia moraria naquele vale perfeito, com suas enormes árvores velhas e suas sete nascentes, e acabara construindo um lago e uma cabana, e dando longas caminhadas com um neto jovem. Jamais entendi direito a fascinação de meu avô por aquele vale, mas sempre tentara preservar a terra, mesmo quando a civilização a invadira, e depois a envolvera.
Do meio do lago, eu via uma determinada rocha aflorando perto da crista norte. Na véspera, na tradição de meu avô, eu subira até aquele penhasco, tentando encontrar um pouco de paz na paisagem, nos aromas e na maneira como o vento rodopiava nas copas das árvores. E sentado ali em cima, examinando o lago e a densa folhagem no vale lá embaixo, fora me sentindo aos poucos melhor, como se a energia e a perspectiva dissolvessem algum bloqueio em meu pensamento. Poucas horas depois, estava conversando com Charlene e ouvindo falar do Manuscrito.
Voltei nadando e subi no ancoradouro de madeira defronte à cabana. Sabia que tudo aquilo era demais para ser crível. Quer dizer, ali estava eu me escondendo naqueles morros, me sentindo inteiramente desencantado com minha vida, e de repente aparece Charlene e explica a causa de minha inquietação — citando um certo manuscrito antigo que promete o segredo da existência humana.
Mas também sabia que a chegada de Charlene era exatamente uma daquelas coincidências de que falava o Manuscrito, a coincidência que parecia demasiado improvável para ser resultado de um simples acaso. Poderia aquele antigo documento estar certo? Teríamos estado nós a formar lentamente, apesar de nossa negação e cinismo, uma massa crítica de pessoas conscientes daquelas coincidências? Estariam os seres humanos agora em posição de compreender esse fenômeno, e portanto de entender afinal o objetivo por trás da própria vida?
Que seria, eu me perguntava, essa nova compreensão? Iriam as visões restantes no Manuscrito nos responder, como dissera o padre?
Eu estava diante de uma decisão. Por causa do Manuscrito, sentia que uma nova direção se abria para minha vida, um novo ponto de interesse. A questão era: o que fazer agora? Eu podia ficar ali ou encontrar uma maneira de pesquisar mais. Veio-me à mente a questão do perigo. Quem teria roubado a pasta de Charlene? Seria alguém agindo para suprimir o Manuscrito? Como eu poderia saber?
Pensei muito tempo no risco possível, mas acabou prevalecendo meu estado de espírito de otimismo. Decidi não me preocupar. Teria cuidado e iria devagar. Entrei e telefonei para a agência de viagens de maior anúncio nas páginas amarelas. O agente com quem falei disse que podia, sim, marcar uma viagem ao Peru. Na verdade, por sorte, havia um cancelamento que eu poderia pegar — um vôo com reserva já confirmada num hotel em Lima. Disse que eu teria todo o pacote com desconto... se pudesse partir em três horas.
Filme: O Ladrão de Raios estréia em fevereiro de 2010
O filme "O Ladrão de Raios", baseado no primeiro livro da saga de Percy Jackson e os Olimpianos, está previsto para chegar aos cinemas norte-americanos no dia 12 de fevereiro de 2010. A película será dirigida por Chris Columbus.
Chris Columbus é um diretor renomado e competente, porém, não conseguiu adaptar os primeiros dois livros da série Harry Potter para o cinema da forma que muitos fãs desejavam. Aliás, nenhum diretor conseguiu, pois não passaram o lado obscuro e amargo da trama para as telas. Talvez não seja assim com O Ladrão de Raios.
A série de cinco livros da coleção foi consagrada pela crítica e pelos leitores norte-americanos. Perseu ("Percy") Jackson é um personagem diferente de Harry Potter em vários aspectos, assim como a trama criada por Rick Riordan é diferente daquela criada por J. K. Rowling. O Ladrão de Raios recebeu diversos prêmios, inclusive os de Livro Notável do jornal The New York Times e Livro Notável da American Library Association.
Os atores escalados (até o momento) para os papéis de Percy Jackson, Annabeth e Grover são, respectivamente: Logan Lerman, Alexandra Daddario e Brandon T. Jackson.
Madame diz que a raça não melhora Que a vida piora Por causa do samba
Madame diz que o samba tem pecado Que o samba, coitado Devia acabar
Madame diz que o samba tem cachaça Mistura de raça, Mistura de cor
Madame diz que o samba é democrata É música barata Sem nenhum valor.
Vamos acabar com o samba Madame não gosta que ninguém sambe Vive dizendo que samba é vexame Pra que discutir com madame?
No carnaval que vem também concorro Meu bloco de morro Vai cantar ópera E na avenida entre mil apertos Voces vão ver gente cantando concerto Madame tem um parafuso a menos Só fala veneno, Meu Deus, que horror O samba brasileiro, democrata Brasileiro na batata É que tem valor.
Sobre que elementos de seu ciclo operacional a empresa tem liberdade de ação?
Prazo de fabricação/estocagem, prazo de pagamento e prazo de recebimento. A empresa tem liberdade de ação total sobre o prazo de fabricação/estocagem. Os prazos de pagamento e recebimento são determinados pelo mercado e, para modificá-los, a empresa precisa assumir o custo financeiro e dificuldades negociais decorrentes do retardamento do pagamento ou da antecipação do recebimento.
Por que um ciclo financeiro curto acarreta alto giro de caixa?
Porque o giro de caixa é igual a um valor constante (360) dividido pelo ciclo financeiro. Desse modo, quanto menor o divisor - o ciclo financeiro -, maior será o quociente - o giro de caixa.
Que medida poderia trazer redução permanente e eficaz do ciclo financeiro?
A redução do prazo de fabricação/estocagem.
Qual o ciclo financeiro de uma empresa que tem giro de caixa de quatro vezes por ano?
90 dias. (360 ÷ 4)
Uma empresa tem um prazo de fabricação/estocagem de 50 dias, prazo de pagamento de 40 dias e prazo de recebimento de 20 dias. Qual seu ciclo de caixa?
30 dias. (50 + 20 - 40)
Qual a principal limitação do índice de liquidez corrente?
Considerar que os estoques representam disponibilidade financeira imediata, sem levar em conta a provável dificuldade de convertê-los em dinheiro.
Que índice tenderia a ser mais estável ao longo do tempo: o índice de participação das disponibilidades, ou o índice de participação dos estoques?
O índice de participação dos estoques. O valor das disponibilidades varia muito mais do que o valor dos estoques, tanto no longo, como no curto prazo.
Demonstre que o capital de giro é igual ao passivo permanente menos o ativo permanente (contas reclassificadas).
Pela classificação tradicional temos que:
capital de giro = ativo circulante - passivo circulante
Precisamos demonstrar que, pelas contas reclassificadas, capital de giro = passivo permanente - ativo permanente
Temos:
passivo permanente = exigível de longo prazo + patrimônio líquido
ou
passivo permanente = passivo total - passivo circulante (1)
e
ativo permanente reclassificado = realizável de longo prazo + ativo permanente não reclassificado
ou
ativo permanente reclassificado = ativo total - ativo circulante (2)
Logo,
passivo permanente - ativo permanente é igual a (1) - (2)
ou
(1) - (2) = passivo total - passivo circulante - (ativo total - ativo circulante)
e
(1) - (2) = passivo total - ativo total - passivo circulante + ativo circulante
Logo,
(1) - (2) = ativo circulante - passivo circulante
Assim, capital de giro = passivo permanente - ativo permanente = ativo circulante - passivo circulante
Qual a relação existente entre a necessidade de capital de giro e o próprio capital de giro quando o efeito tesoura é zero? E quando o efeito tesoura é negativo?
São iguais. A necessidade de capital de giro é maior do que o capital de giro.
Uma necessidade de capital de giro elevada acarreta alto índice de liquidez corrente. Certo ou errado?
Errado. Nem sempre existe a correlação mencionada entre os dois parâmetros.
Que condições precisam ser atendidas para que um afrouxamento nos padrões de concessão de crédito acarrete aumento dos lucros da empresa vendedora?
Que os lucros decorrentes das vendas adicionais ocasionadas pelo afrouxamento dos padrões de crédito superem as perdas decorrentes do crescimento da inadimplência de clientes.
As perdas decorrentes de liberação dos padrões de crédito podem ser compensadas com o aumento do custo financeiro embutido no preço para pagamento a prazo?
Teoricamente, sim, às custas de uma maior exposição ao risco de inadimplência de clientes.
As vendas de uma empresa têm a seguinte distribuição: 20% a vista, 38% a 30 dias e 42% a 45 dias. Qual é seu prazo médio de cobrança? E seu giro de contas a receber?
Prazo médio de cobrança: 30,3 dias. Giro de duplicatas ou giro de contas a receber: 11,88 dias.
A margem de contribuição média de uma empresa é de 35% sobre o valor de suas vendas cujo volume anual é de R$ 720.000,00. Das vendas, 40% são efetuados a vista e 60% para recebimento em 30 dias. Qual o valor de seu investimento em contas a receber?
Custo variável de contas a receber (Cv):
(1 - margem de contribuição) x vendas
(1 - 0,35) x 720.000,00 = 0,65 x 720.000,00 = 468.000,00
Prazo médio de cobrança = (40 x 0) + ((60 x 30) ) ÷ 100 = 18
Giro de contas a receber: 360 ÷ 18 = 20
Investimento em contas a receber: 468.000 ÷ 20 = 23.400,00
Uma indústria dispõe de expressiva folga de caixa e, por isso, com o objetivo de aumentar as vendas, decidiu usá-la para alongar o prazo médio de pagamento concedido a seus clientes. Qual o parâmetro apropriado para medir o aumento de custo decorrente dessa decisão?
O custo-oportunidade dessa folga de caixa o qual normalmente seria representado pelo rendimento de sua aplicação no mercado financeiro.
Uma empresa varejista está com um estoque de produtos para venda excessivamente elevado. Decide aumentar temporariamente o prazo de pagamento concedido a seus clientes, sem promover nenhum acréscimo no preço. Quais são os custos a serem afetados por essa decisão e como eles se comportarão?
O custo de imobilização de estoque (diminuirá com a aceleração das vendas) e o custo de alongamento do prazo de recebimento (aumentará).
A margem média de contribuição de uma empresa é de 28% sobre as vendas. Que efeito acarretará sobre seu resultado um aumento de 6% em suas vendas?
6%.
Que opção teria uma empresa para não estabelecer um valor mínimo de crédito e compensar as perdas acarretadas por um custo de processamento maior do que o lucro da operação de venda a crédito com valor reduzido?
Embutir o custo médio de processamento de contas a receber no preço dos produtos.
O desconto concedido por antecipação de pagamento pode ter sua taxa de juros fixada num valor igual à taxa média de aplicação financeira sem risco. Por que essa prática pode não ser atrativa para o cliente?
Porque essa taxa ele já consegue dos bancos com os quais opera e que lhe dão alguma contrapartida pela realização das aplicações financeiras.
A análise das demonstrações contábeis de uma empresa mostrou alto índice de rentabilidade do capital próprio e de grau de endividamento ao lado de baixo índice de liquidez. Uma explicação para essa configuração de índices poderia ser a eficiência na utilização de capital de terceiros?
Sim.
"O sucesso da análise de crédito exige de quem a elabora um bom conhecimento da macroeconomia do país e a capacidade de formular previsões econômicas acertadas." Está correta essa afirmação?
Não, pois o principal conhecimento exigido é de análise financeira.
"Uma decisão de crédito baseada num modelo estatístico de análise financeira pode revelar-se inapropriada. Isso acontece porque esses modelos não conseguem eliminar a incerteza subjacente às decisões de crédito." Essa afirmação é correta?
Sim, os modelos contêm apenas previsões.
Qual a principal vantagem do sistema de pontuação de crédito em relação ao método tradicional de avaliação de crédito baseado exclusivamente no histórico de pagamentos do proponente?
Avalia o proponente de forma mais abrangente.
Qual a principal desvantagem econômica para a empresa compradora apresentar a fiança bancária como garantia de crédito para seu fornecedor?
O custo de obtenção da garantia de crédito.
Decisão sobre ampliação de crédito comercial: A empresa ACR é uma indústria de confecções femininas populares, com atuação nacional. Sua produção é vendida em lojas e pequenos magazines.
A ACR tem um patrimônio líquido de R$ 1,1 milhão, vendas anuais de R$ 2,4 milhões, margem de contribuição de 12% e lucro líquido de 7% sobre as vendas. Sua administração estabeleceu que a taxa de atratividade da empresa, a ser usada na avaliação econômica das decisões, é de 15% ao ano.
A empresa BMF Fashion, uma rede de magazines com seis lojas, é o segundo maior cliente da ACR. Ela solicitou à ACR um aumento de 80% no volume de suas compras para pagamento em 30 dias. Atualmente, as compras da BMF Fashion representam 15% das vendas da ACR. Assim, caso a proposta de aumento das compras seja aceita, ela passará a responder por aproximadamente 24% das vendas da ACR.
Uma vez que a ACR está operando no limite de sua capacidade de produção, só poderá atender ao pleito da BMF Fashion, transferindo para esta parte da produção que é colocada para outros clientes. A área de vendas estima para esse grupo de clientes uma provisão de perdas com dívidas incobráveis da ordem de 2% das vendas. No caso da ACR, esse percentual hoje é nulo.
Considerando que a ACR suspenderia as vendas à BMF Fashion após dois meses de inadimplência, qual o valor máximo da perda que a ACR poderia sofrer, caso não recebesse essas vendas?
Valor máximo da perda:
Percentual de custo variável sobre vendas:
100 - 12 = 88
Valor da perda referente a dois meses de venda:
0,88 x (0,15 x 2.400.000,00 x 1,8 ÷ 12) x 2 = 95.040,00
Tomando-se por base seu patrimônio líquido e lucro anual, a perda citada no item anterior teria impacto significativo para a ACR?
A perda teria impacto significativo, já que representaria 56,57% do lucro líquido atual e 8,64 % do patrimônio líquido da empresa.
Caso a proposta da BMF Fashion venha a ser aceita e supondo que o crédito comercial junto à ACR seja normalmente recebido, qual o resultado financeiro dessa decisão em bases anuais, incluindo a eliminação das perdas com dívidas incobráveis dos clientes que serão substituídos pela BMF Fashion?
Resultado da decisão:
Valor do aumento de vendas = 0,8 x 0,15 x 2.400.000,00 = 288.000,00
Ganho com o aumento de vendas: 0,07 x 288.000,00 = 20.160,00
Ganho com a eliminação de inadimplência na substituição de vendas: 0,02 x 0,88 x 288.000,00 = 5.068,80
Ganho total: 20.160,00 + 5068,80 = 25.228,80.
Genericamente falando, o valor das receitas financeiras diárias em relação às outras entradas de caixa é significativo?
Não.
Quando a empresa gera lucro em suas operações, como ele será retratado pelo fluxo de caixa?
Através do aumento do saldo de caixa, observado o prazo para conversão das vendas em dinheiro.
Em circunstâncias normais, qual o item de maior valor total ao longo do prazo de cobertura do fluxo de caixa?
As entradas de caixa provenientes de vendas.
Em determinado mês, em que diferem o valor dos encargos sociais lançados no fluxo de caixa e aquele apropriado pela contabilidade da empresa?
No fluxo de caixa são lançados os valores desembolsados (conceito de caixa). Na contabilidade são lançados os valores pelo critério de competência, que em alguns casos só serão desembolsados meses depois.
Por que um fluxo de caixa com prazo de cobertura curto não otimiza a aplicação das sobras de caixa?
Porque as eventuais sobras de caixa situadas além do prazo de cobertura, por não serem previsíveis, não terão o melhor aproveitamento através de aplicações financeiras de prazo mais longo.
Explique como a antecipação de pagamentos a fornecedores pode ser vantajosa para a empresa compradora e vendedora.
Através da aplicação de uma taxa de desconto maior do que o taxa de rendimento das aplicações financeiras e menor do que a taxa de captação de recursos financeiros.
Quando é que a antecipação do recebimento de faturas dos clientes é economicamente vantajosa para a empresa vendedora?
Quando a taxa de desconto oferecida ao cliente for menor do que a taxa de juros da captação de recursos financeiros da empresa vendedora.
Por que os saldos de caixa oscilantes são indesejáveis?
Porque geram resultados insatisfatórios em virtude de a taxa de juros de captação de recursos ser bem maior do que a taxa de juros das aplicações financeiras.
Uma empresa vende através de cheques R$ 84.000,00 em média por dia e desse total 85% são representados por cheques de valor menor do que R$ 100,00. Uma norma administrativa estabelece que os cheques inferiores a R$ 100,00 sejam depositados no terceiro dia, contado a partir de seu recebimento, para permitir que seu processamento seja mais confiável. Se considerarmos que esses cheques poderiam ser depositados no segundo dia após o recebimento, qual o valor total da perda da empresa com o procedimento atual?
O valor dos juros obtidos com a aplicação de R$ 71.400,00 (85% de 84.00,00) durante um dia à taxa de mercado.
Numa empresa, ocorrem entradas de caixa durante todos os dias, incluindo fins de semana e feriados. As saídas de caixa só acontecem durante os dias úteis. Seu fluxo de caixa pode abranger apenas os dias úteis?
Pode e é preferível que seja assim.
Qual a utilidade do fluxo de caixa para uma empresa em boa situação financeira?
Permitir uma eficiente aplicação das sobras de caixas.
Um débito foi liquidado com 14 dias de atraso. Por esse atraso foram cobrados juros simples de 5,2% ao mês. O valor total do débito mais os juros atingiu R$ 167.964,00. Qual o valor original do débito?
R$ 163.984,63.
Um empréstimo de R$ 81.000,00 gerou juros de R$ 1.474,20 calculados a uma taxa de juros simples de 4,2% ao mês. Quantos dias foram considerados no cálculo dos juros?
13 dias.
Um financiamento de R$ 12.000,00 foi concedido pelo prazo de 120 dias para ser pago a uma taxa de juros simples de 6% ao ano. Determine o valor do montante pago no vencimento do empréstimo.
R$ 12.240,00.
Um banco concedeu um empréstimo de emergência a seu cliente no valor de R$ 140.000,00 para ser pago 22 dias depois, pelo valor de R$ 143.080,00. Qual a taxa de juros cobrada mensalmente pelo sistema de juros simples?
3%.
Qual o valor dos juros gerados por um capital de R$ 42.000,00, aplicado durante 15 meses, a juros compostos de 1% ao mês?
R$ 6.760,69.
Um investidor deseja dobrar seu capital, aplicando no mercado financeiro num prazo de cinco anos. Que taxa de juros compostos anual ele precisará conseguir em seus investimentos para atingir esse objetivo?
14,8698%.
Quanto deve aplicar hoje um investidor para resgatar R$ 8.300,00 dentro de 24 meses, sabendo-se que sua aplicação renderá 0,5% ao mês pelo sistema de juros compostos?
R$ 7.363,64.
Um banco concedeu um empréstimo de R$ 3.600,00 a um cliente, pelo prazo de 70 dias. O banco cobra uma taxa de juros compostos de 4% ao mês. Para períodos menores do que um mês, o banco cobra a mesma taxa, só que pelo sistema de juros simples. Qual o valor do pagamento total que esse cliente fará ao banco por ocasião da liquidação do empréstimo?
R$ 3.945,67.
Um empréstimo foi concedido a juros compostos de 3% ao mês pelo prazo de quatro meses, tendo gerado juros no valor de R$ 627,54. Qual o valor desse empréstimo?
R$ 5.000,00.
Foram aplicados R$ 4.800,00 durante 36 meses num investimento que proporcionou uma rentabilidade de 12% ao ano. Qual o valor de resgate dessa aplicação?
R$ 6.743,65.
Qual a taxa anual equivalente a 4% ao trimestre?
16,98%.
Qual a taxa mensal equivalente a 79,59% ao ano?
5%.
Partindo de uma taxa de 4% ao mês, calcule a taxa pro-rata temporis para 15 dias, pelo regime de juros compostos.
1,98%.
Em determinado mês, a variação de um índice de atualização monetária foi de 3,24%. Qual a taxa de variação desse índice aplicável por dia útil, considerando que o mês tem 22 dias úteis?
0,145%.
Uma aplicação financeira paga uma taxa de juros de 0,5% ao mês. Qual a taxa de juros anualizada?
6,17%.
Qual o valor da taxa de 6,12% ao mês descapitalizada para um mês?
0,1981% ao dia.
Uma aplicação financeira rendeu em determinado período 6,28% a título de atualização monetária e 5,38% de juros. Qual a rentabilidade nominal da aplicação nesse período?
12%.
Um terreno foi comprado por R$ 28.312,00 e vendido 42 meses depois por R$ 50.407,20. Durante esse período, a inflação acumulada foi de 22,62%. Qual a taxa de lucratividade real do imóvel no período?
45,2%.
Um banco concedeu um financiamento a um cliente pelo prazo de um mês e cobrou juros de 5,14% ao mês. Durante esse mês, a taxa de inflação foi de 0,87%. Qual a taxa real de juros anual desse financiamento?
64,46%.
Num período de cinco anos, um investimento apresentou uma taxa de rentabilidade nominal de 46,46%. Durante esse período, a inflação acumulada foi de 37,01%. Qual a taxa média real mensal de juros no período?
0,1112%
Uma financeira usa um coeficiente de 0,075817 para cada R$1,00 que financia em 18 prestações mensais, iguais e sucessivas, com a primeira vencendo 30 dias após a data da compra. Qual a taxa de juros cobrada nesse financiamento?
3,5% a.m.
Uma loja de eletrodomésticos vende uma geladeira a vista por R$ 880,00 ou em quatro parcelas mensais de R$ 233,75, sendo a primeira paga no ato da compra. Qual a taxa de juros cobrada?
4,2% ao mês.
Um financiamento imobiliário no valor de R$ 62.000,00 foi contratado em 144 prestações mensais, iguais e sucessivas, a uma taxa de 1% ao mês. Qual o valor da prestação?
R$ 814,32
Se uma pessoa investir R$ 200,00 por mês, durante 60 meses consecutivos, começando o primeiro depósito daqui a um mês, quanto terá no final dos 60 meses, sabendo-se que essa aplicação rende 0,5% ao mês?
R$ 13.954,01.
Há três meses, o preço de um serviço era R$ 1.240,00. Faça a atualização monetária desse preço para hoje, considerando que as taxas de inflação foram de 0,21% no primeiro mês, 0,82 no segundo mês e 0,91% no terceiro mês.
R$ 1.264,19.
Uma dívida com a Prefeitura tinha um valor de R$ 13.333,00 quando a unidade fiscal utilizada em sua correção tinha o valor R$ 0,84. Determine o valor dessa dívida numa data em que o valor dessa unidade fiscal estava em R$ 0,94.
R$ 14.920,26.
O valor de um imóvel numa data era R$ 78.000,00. Deflacione esse valor para 24 meses antes, considerando que durante esse período a inflação acumulada foi 13,4%.
R$ 68.783,06.
O custo de produção de um eletrodoméstico atingiu R$ 345,00 num determinado mês. Deflacione esse valor para três meses antes, considerando que durante esse período ocorreram as seguintes taxas de inflação:
mês 1: 1,2% mês 2: - 0,27% mês 3: 1,46%
R$ 336,91.
Há oito meses, o preço de um produto era de R$1.322,00. Atualize esse preço para a data de hoje, sabendo que os números-índices representativos da inflação no período foram os seguintes:
número-índice da data passada = 146,21 número-índice de hoje = 153,22
R$ 1.385,38.
As vendas de uma empresa num determinado mês atingiram R$ 23.000,00. Deflacione o valor dessas vendas para dois meses atrás considerando que os dados de inflação são os seguintes:
mês 1: 1,3% mês 2: 0,4%
R$ 22.614,37
Qual é a relação recomendável entre risco econômico e risco financeiro numa empresa?
Um alto grau de risco financeiro deve coexistir com um baixo grau de risco econômico e vice-versa.
Por que a alavancagem financeira deve ser limitada, mesmo aumentando a rentabilidade do capital próprio?
Porque na eventualidade de prejuízo operacional, a perda percentual sobre o capital próprio será maior, o que evidencia o risco financeiro.
Como se explica que o custo dos financiamentos de longo prazo seja maior do que os de curto prazo?
Porque os recursos financeiros utilizados nos financiamentos de longo prazo são provenientes de aplicações financeiras também de longo prazo e estas exigem taxas de juros mais elevadas.
Em que situação é economicamente vantajoso fazer a liquidação antecipada de empréstimos ou financiamentos?
Quando a remuneração ou o custo dos recursos financeiros utilizados na liquidação antecipada dos empréstimos ou financiamentos for menor do que o custos destes.
Os lucros gerados pela empresa são também uma fonte de financiamento. Em circunstâncias normais, o custo dessa fonte de financiamento deveria ser maior ou menor do que o custo do capital de terceiros?
Maior, já que o retorno empresarial normal (este representa o custo-oportunidade dos lucros usados como financiamento) deve ser maior do que o custo dos financiamentos.
Os donos de uma empresa operando com uma mínima utilização de capital próprio (digamos 5%) sobre o capital total utilizado poderiam, teoricamente, obter uma rentabilidade muito alta sobre esse capital próprio. Como os credores da empresa poderiam interpretar esse fato?
Como uso excessivo da alavancagem financeira, significando um alto grau de exposição ao risco financeiro.
Poderia ser vantajoso para uma empresa muito bem capitalizada utilizar recursos de terceiros para se financiar?
Sim, desde que o custo desses recursos financeiros fosse menor do que o custo-oportunidade do capital disponível.
Que outro fator além do custo determina a escolha de um financiamento?
O prazo de vencimento. Por exemplo, um projeto deve ser suportado por um financiamento de longo prazo, embora fosse mais barato utilizar financiamentos de curto prazo. O risco da não-renovação de um financiamento de curto prazo justifica a escolha do financiamento de longo prazo, embora a um custo maior.
Por que o benefício fiscal do leasing pode ser menor do que aquele proporcionado por um financiamento convencional?
Porque o financiamento convencional permite que o bem com ele adquirido seja incorporado ao ativo da empresa e tenha sua depreciação deduzida para cálculo do lucro tributável. Além disso, também os juros do financiamento são dedutíveis para cálculo do lucro tributável. Dependendo, do sistema de amortização do financiamento, a compra de um bem com financiamento pode gerar maior benefício fiscal do que através de leasing.
Qual o principal fator de risco para um financiamento internacional?
O risco cambial.
A inflação alta favorece o endividamento da empresa?
Não, desde que o saldo devedor e os pagamentos sejam indexados, como normalmente acontece.
Que relação o custo do capital próprio tem com a rentabilidade da empresa?
Variável, pois dependerá da composição do capital total e do custo do capital de terceiros.
Que outros fatores além da taxa de juros afetam o custo efetivo de um financiamento?
Os impostos sobre os juros remetidos ao exterior e a forma de tributação da empresa (lucro real, lucro presumido ou simples).
Quais as alternativas para uma empresa proteger-se contra o risco cambial de seus financiamentos?
Operações com derivativos (contratos ou opções de taxa de câmbio) e investimentos em aplicações financeiras atreladas à taxa cambial.
Uma empresa com baixo índice de endividamento financeiro estaria numa boa situação financeira?
Não necessariamente. A empresa pode, por exemplo, estar sem rentabilidade, não se endividar e estar usando suas reservas financeiras.
Qual o custo efetivo de um financiamento externo contratado a uma taxa de juros de 8,1% ao ano por uma empresa tributada pelo lucro real pela alíquota de 25%, considerando que as remessas para o credor desse financiamento estão sujeitas a uma alíquota de 15%?
7,50%.
Determine o custo efetivo de um financiamento contratado no país a uma taxa de juros de 16,2% ao ano por uma empresa tributada pelo lucro real à alíquota de 15%.
13,77%.
O capital de uma empresa tem a seguinte composição: 60% é financiado com recursos próprios que têm um custo-oportunidade de 15% ao ano. Os 40% restantes são financiados com capital de terceiros, do qual 30% custa 12% ao ano e os 70% restantes custam 11% ao ano. Qual o custo médio ponderado de capital dessa empresa?
13,52%
Uma empresa apresenta os seguintes valores em balanço: R$ 2,1 milhões de passivo circulante, R$ 1,8 milhões de exigível a longo prazo e R$ 4,4 milhões de patrimônio líquido. Determine os índices de endividamento geral e de capital de terceiros sobre capital próprio.
Endividamento geral: 46,98%.
Capital de terceiros/capital próprio: 88,64%.
Determine a variação de rentabilidade de uma empresa com base nos seguintes dados: Capital próprio de R$ 200.000,00; Capital de terceiros de R$ 400.000,00; Custo do capital de terceiros igual a 12% ao ano; Resultados operacionais de - 20% e 20% sobre o capital total.
Rentabilidade do capital próprio com - 20% de resultado operacional: - 84%;
Rentabilidade do capital próprio com 20% de resultado operacional: 36%.
Qual a diferença entre fluxo de caixa e fluxo de lucros num projeto de investimento?
O fluxo de caixa representa a efetiva disponibilidade de recursos financeiros, traduzindo a diferença entre entradas e saídas de caixa. O fluxo de lucros corresponde aos resultados projetados, independentemente das receitas e despesas terem ou não sido convertidas em disponibilidade financeira.
Que tipo de movimentação de caixa para um projeto de investimento representa o valor residual de um ativo?
Uma entrada de caixa.
O capital de giro também é um investimento não depreciável. Como ele deve ser tratado no fluxo de caixa?
Como uma saída de caixa no início do projeto e uma entrada de caixa no final desse projeto.
O período de análise de um projeto de investimento pode ser escolhido livremente?
Não, pois é definido pela vida útil dos ativos do projeto.
Como deve ser tratada a depreciação num fluxo de caixa de um projeto de investimento?
Como uma entrada de caixa.
Qual a utilidade de um fluxo de caixa que desconsidera o financiamento utilizado pelo projeto de investimento?
Permitir a avaliação econômica intrínseca do projeto.
Enumere as limitações da análise de investimentos efetuada pelo critério do tempo de retorno.
Desconsidera o que acontece com o fluxo de caixa após o tempo de retorno calculado; não consegue avaliar projetos de investimento com mais de uma inversão de sinal em seu fluxo de caixa.
Qual o tempo de retorno padrão para um projeto de investimento típico, tomando-se por base de cálculo seu fluxo de caixa?
6,66 anos (100 dividido pela retorno padrão, 15% ao ano).
O tempo de retorno descontado elimina as limitações do tempo de retorno tradicional?
Não.
Suponha que uma empresa estabeleceu sua Taxa Mínima de Atratividade (TMA) em 30 % ao ano, por uma decisão de sua administração. Que conseqüência esse nível de TMA teria sobre a avaliação econômica dos projetos dessa empresa?
Recusaria a maioria dos projetos de investimentos analisados, pois estes têm uma taxa interna de retorno menor do que 30% ao ano.
Determinado projeto tem um Valor Presente Líquido (VPL) igual a zero. Esse valor de VPL significa que esse projeto não apresenta lucros?
Significa que o projeto tem lucro econômico zero, ao passo que seu lucro contábil pode ser positivo, nulo ou negativo.
Se um projeto de investimento tem uma Taxa Interna de Retorno (TIR) muito acima da Taxa Mínima de Atratividade (TMA), seu Valor Presente Líquido (VPL) será elevado?
Não necessariamente. O VPL será positivo, mas seu valor absoluto dependerá das características do fluxo de caixa.
Qual a principal restrição ao uso do Valor Presente Líquido (VPL) na análise de investimentos?
Não permite que se conheça a gradação de sua rentabilidade.
Existe limitação da Taxa Interna de Retorno (TIR) para avaliar um investimento convencional?
Não.
Qual o principal uso do critério da Taxa de Retorno Contábil em análise de investimentos?
Fazer a avaliação retrospectiva da rentabilidade do projeto.
Numa determinada sessão de uma peça de teatro existem várias cadeiras vazias. A peça está sendo encenada num teatro do próprio produtor e, assim, não há pagamento de percentagem de bilheteria pelo uso do teatro. Nesta situação, qual o valor do custo marginal incorrido por esse produtor com cada novo espectador que vier assistir à peça nesta sessão?
Zero.
Uma fábrica produz três tipos de fogão. Classifique cada um dos seguintes itens de custo em relação a cada um desses tipos de fogão: Chapas de aço usadas na estrutura do fogão, depreciação de equipamentos usados na fabricação de todos os fogões e prêmio de seguro de uma máquina usada exclusivamente na fabricação do único modelo de fogão de luxo.
Chapas de aço - custo variável direto.
Depreciação de equipamentos usados na fabricação de todos os fogões - custo fixo indireto.
Prêmio de seguro de uma máquina usada exclusivamente na fabricação do único modelo de fogão de luxo - custo fixo direto.
Se as empresas só tivessem custos variáveis, como ficaria seu risco econômico?
O risco econômico seria nulo.
"Os custos unitários totais dos vários produtos fabricados por um empresa são tão mais precisos quanto maior for o peso dos custos indiretos na composição desses custos unitários." Está correta a afirmação?
Não. A precisão é maior quando o peso dos custos indiretos é pequeno.
A depreciação representa em última análise a diluição ao longo do tempo do custo dos investimentos em determinados ativos. Por que não reconhecer o custo de depreciação de uma só vez, lançando-o pelo valor total dos respectivos ativos?
Para seguir o princípio contábil da competência, evitando ter custo muito alto no ano do desembolso e muito baixos após esse primeiro ano.
O custo incremental decorrente de uma decisão será fixo ou variável?
Poderá ser fixo ou variável.
Em circunstâncias normais, o lucro econômico será menor do que o lucro contábil. Você concorda com essa afirmação?
Sim, porque o lucro econômico é igual ao lucro contábil menos o custo-oportunidade do investimento.
Uma empresa assistiu à redução continuada dos custos de seus produtos à medida que aumentou seu volume produzido, até atingir sua capacidade máxima de produção. Ainda assim, verificou que possui custos unitários mais elevados do que seus concorrentes. Qual a explicação para esse fato?
A empresa não tem economia de escala.
A afirmação "Todo custo variável é direto e todo custo fixo é indireto" é correta?
Não. Alguns custos fixos são diretos.
O custo-oportunidade do investimento não representa um desembolso para a empresa. Não reconhecê-lo aumentaria a competitividade da empresa?
Poderia aumentar a competitividade, mas reduziria a lucratividade.
O custo-oportunidade deveria ser calculado sobre o custo histórico ou o custo de reposição do investimento?
Sobre o custo de reposição.
A avaliação de estoques pelo sistema Ueps num ambiente de inflação baixa poderia distorcer o resultado da empresa?
Não.
Qual a principal vantagem do sistema de custeio direto?
Eliminar as dificuldades de rateio dos custos indiretos.
O custeio ABC também faz rateio de custos indiretos?
Sim, embora com critérios mais rigorosos.
Cite três vantagens da redução de custos espontânea.
Não provoca contração nas atividades da empresa, deixa o pessoal motivado e os resultados são mais duradouros.
Para que determinado produto seja vendido com lucro, a empresa fabricante multiplica o custo da matéria-prima gasta em sua fabricação por 7. Este método de precificação assegura a cobertura dos demais custos do produto?
É possível que para determinada empresa o método assegure a cobertura dos custos. Entretanto, empresas semelhantes, operando no mesmo setor, provavelmente não terão todos os seus custos cobertos por esse método.
Uma possível política de preços é aquela que se preocupa basicamente com a cobertura dos custos totais. Esse procedimento permite que alguns produtos possam ser vendidos abaixo do custo, sendo subsidiados por outros mais lucrativos. Do ponto de vista estritamente financeiro, essa política poderia ser adotada por uma empresa?
Sim, embora a maioria das empresas tenham resistências a essa política.
Praticar margens de lucro reduzidas para conseguir maior volume de vendas pode ser uma política financeiramente correta?
Sim, desde que esteja de acordo com a estratégia mercadológica da empresa.
Um varejista estabelece seus preços usando um rigoroso critério PEPS (primeiro a entrar, primeiro a sair) para avaliar seus estoques. Assim, se adquire um lote de produtos a R$ 100,00, fixa seu preço de venda em R$ 140,00 (margem de 40% sobre o custo), continuará praticando esse preço até que a última unidade seja vendida, mesmo que o fornecedor aumente o preço. Do ponto de vista financeiro existe algum erro nessa política de preços?
Não.
O custo unitário de um produto é R$ 320,00. Os encargos sobre o preço de venda atingem 22,3% e a empresa fabricante deseja uma margem de lucro de 8% sobre o preço de venda. Qual deve ser o preço de venda?
R$ 459,11.
O custo unitário de um serviço é R$ 68,00. Os encargos sobre o preço de venda atingem 19,8,% e a empresa prestadora desse serviço deseja uma margem de lucro de 17% sobre o custo. Qual deve ser o preço desse serviço?
R$ 99,20.
O preço para venda a vista de determinado produto é R$ 112,00. Qual deverá ser o preço para venda com recebimento em 40 dias, considerando uma taxa de juros de 3% ao mês?
R$ 116,50.
Uma empresa calcula que o preço de um produto para venda a vista é R$ 434,00. Recalcule esse preço para venda em quatro parcelas iguais sem entrada, a primeira vencendo 30 dias após a compra, considerando uma taxa de juros de 2% ao mês.
R$ 113,97.
A composição do preço de venda de um serviço tem as seguintes parcelas: custo unitário R$ 322,00; custo de capital R$ 48,88; encargos sobre vendas R$ 94,00. Suponha que a empresa prestadora queira manter esse preço, mas passar a referenciá-lo na forma de uma margem sobre o custo unitário. Mantidos todos os elementos dados inalterados, qual deverá ser a margem sobre o custo para chegar ao preço?
44,373 %.
Em que situação o preço atualizado de um contrato é menor do que o preço base-zero?
Quando o ocorre deflação, gerando um fator de atualização de preço menor do que um.
Qual a diferença entre preço ajustado e preço base-zero?
O preço ajustado é o preço base-zero acrescido de estimativas de perdas ao longo do contrato.
O preço básico de um contrato pode ser igual ao preço base-zero?
Sim, quando não há ajustes a fazer no preço base-zero.
Que motivo poderia levar uma empresa a praticar um preço básico menor do que o preço ajustado?
Necessidade de ganhar o contrato.
Quando um contrato tem seus preços reajustados anualmente, que elemento tem maior potencial de perda para quem recebe esses preços?
A taxa de inflação acumulada ao longo do prazo contratual.
Em que situação praticar um preço-proposta menor do que o preço base-zero é economicamente justificável?
Quando a proponente está com capacidade ociosa e espera continuar assim ao longo do período em que praticará esse preço proposta.
Qual a principal diferença metodológica entre a projeção do resultado com base no planejamento orçamentário e no método direto?
A projeção de resultado pelo método orçamentário é feita com base na projeção da demonstração de resultados (demonstrativo contábil). A projeção de resultado pelo método direto não usa demonstrativo contábil e apenas as estimativas de receitas e despesas.
Se uma empresa tem um ponto de equilíbrio baixo em relação à sua capacidade de vendas, qual o efeito sobre sua rentabilidade?
Positivo, pois a rentabilidade é alta.
O que pode ser feito para reduzir o ponto de equilíbrio de uma empresa?
Se considerarmos os preços como dados pelo mercado, a redução do ponto de equilíbrio pode ser obtida com a redução dos custo fixos e variáveis em conjunto ou isoladamente.
Um baixo ponto de equilíbrio significa que a rentabilidade do capital próprio é elevada?
Não, pois não existe relação entre o ponto de equilíbrio e a rentabilidade do capital próprio.
Uma empresa tem um ponto de equilíbrio de caixa muito abaixo do ponto de equilíbrio econômico. Que conclusão podemos tirar desse fato?
Uma parte significativa de seus custos fixos não é desembolsável.
Por que uma empresa possui alavancagem operacional?
Por causa da existência de custos fixos.
Qual o principal benefício da alavancagem operacional?
Permitir que o aumento do volume de produção ou operação acelere a lucratividade da empresa.
O grau de alavancagem operacional é único para toda a empresa?
Não, ele pode ser calculado por produto ou serviço específico.
Duas empresas de setores diferentes podem ter seu desempenho econômico comparado com base no retorno sobre o ativo?
Não, porque o retorno sobre o ativo varia de setor para setor.
Para fins de avaliação comparativa do desempenho econômico de duas empresas, qual a limitação do índice de retorno sobre vendas?
Só pode ser utilizado para comparar empresas do mesmo setor e do mesmo porte.
O índice de retorno sobre o patrimônio líquido pode ser usado indistintamente para qualquer empresa?
Sim, porque é um índice universal de desempenho.
O índice DuPont é, em última análise, o mesmo índice de retorno sobre o ativo. Por que usar o índice DuPont e não o retorno sobre o ativo?
Porque o índice Du Pont é mais rico em informação, já que informa além do retorno sobre o ativo, o grau de eficiência na utilização desse ativo (rotação).
Qual a diferença entre lucro econômico e lucro contábil?
O lucro econômico é menor do que o lucro contábil porque também considera os custos de oportunidade em seu cálculo.
Qual a principal vantagem da utilização da margem de contribuição para avaliar a lucratividade de produtos?
Elimina a necessidade de rateios de custos indiretos.
Que tipo de redução de custos seria de difícil implementação para uma empresa com lucro insatisfatório?
Redução de custos espontânea.
Que condição precisa ser verificada para que uma redução de preços proporcione uma recuperação de lucro?
Que o volume extra de vendas obtido pela redução de preços gere um resultado maior do que a perda provocada pelo receita menor.
Qual a medida mais eficaz para a recuperação dos lucros de uma empresa?
Não há resposta única para a questão, já que as medidas a serem adotadas dependerão das causas do lucro insatisfatório.
Apenas o saneamento financeiro é suficiente para a recuperação do lucro de uma empresa?
Não. As condições que criaram a necessidade de saneamento financeiro precisam ser removidas.
Faltava um suspiro para que um ano acabasse e começasse outro. Invenção humana para vender calendários. Afinal de contas, decidimos arbitrariamente quando começam os anos, os meses e até as horas. Organizamos o mundo como queremos e isso nos deixa tranqüilos. É possível que, sob um caos aparente, o universo tenha, apesar de tudo, uma ordem. Mas sem dúvida não será a nossa.
Enquanto colocava sobre a solitária mesa da sala de jantar uma garrafa pequena de champanhe e 12 uvas, eu pensava nas horas. Havia lido em um livro que as baterias da vida humana se esgotam ao cabo de 650 mil horas.
Pelo histórico médico dos homens da minha família, calculei que minha expectativa de horas era um pouco menor do que a média: umas 600 mil, no máximo. Aos 37 anos, era provável que estivesse na metade do percurso. A questão era: quantos milhares de horas eu já desperdiçara?
Faltando pouco para a meia-noite daquele dia 31 de dezembro, minha vida não havia sido exatamente uma aventura.
Com uma família limitada a uma irmã que não via quase nunca, minha existência transcorria entre o departamento de filologia germânica — onde sou professor adjunto — e meu obscuro apartamento.
Fora minhas aulas de literatura, mal tinha qualquer contato social. No meu tempo livre, além de preparar as matérias e corrigir provas, me entregava às típicas ocupações de um solteirão mal-humorado: ler e reler livros, ouvir música clássica, assistir ao noticiário... Uma rotina em que a coisa mais emocionante eram minhas idas ocasionais ao supermercado.
Às vezes, me concedia um prêmio nos feriados e ia aos cinemas Verdi para ver um filme em sua versão original. Sempre na penúltima sessão. Saía tão só como quando entrara, mas o que vira me proporcionava distração até a hora de me deitar. Já entre os lençóis, lia o folheto que o cinema publica sobre o filme: contém ficha técnica, os elogios da crítica (as críticas negativas nunca aparecem) e entrevistas com o diretor ou os atores.
A opinião que eu havia formado sobre o filme nunca mudava. Depois apagava a luz.
E nesse exato momento me invadia uma sensação muito estranha. Pensava que não tinha certeza de que despertaria no dia seguinte. E, o que é pior, me angustiava calculando quantos dias, mesmo semanas, passariam até que alguém percebesse que eu havia morrido.
Sentia essa inquietação desde que lera no jornal que um japonês fora encontrado em seu apartamento três anos depois de seu falecimento. Aparentemente ninguém sentira sua falta.
Mas voltemos ao caso das uvas. Enquanto pensava nas horas perdidas, contei 12 uvas e coloquei-as num pratinho. Na frente dele, uma taça alongada e a pequena garrafa de champanhe. Nunca fui um grande bebedor.
Abri a garrafinha quando ainda faltavam seis minutos para que os sinos começassem a tocar. Não iriam me pegar desprevenido. Depois liguei a televisão e sintonizei em um dos canais que exibiam um relógio emblemático. Creio que era o da Porta do Sol de Madri. Atrás do casal de apresentadores, belos e reluzentes, agitava-se uma multidão entusiasmada estourando rolhas de espumantes. Alguns cantavam ou pulavam com os braços erguidos para que fossem captados pelas câmeras.
Como parece estranha a diversão das pessoas quando se está sozinho!
Os sinos começaram finalmente a tocar e, ao som do relógio, cumpri o ritual de encher a boca com as uvas. Enquanto arejava o paladar com um gole de champanhe, não pude evitar me sentir ridículo por ter mordido a isca da tradição. Quem me mandava participar daquela pantomima?
Resolvi que o assunto não merecia que lhe dedicasse mais tempo, enxuguei a boca com um guardanapo e desliguei a televisão.
Enquanto tirava a roupa para me enfiar na cama, chegava da rua o estampido de fogos e gargalhadas.
“São infantis”, disse a mim mesmo ao apagar a luz no fim de mais um dia.
Naquela noite demorei a conciliar o sono. E não pela bagunça da rua — bastante perceptível já que vivia entre duas praças do bairro de Gracia —, pois tenho o hábito de ir para a cama com máscara de dormir e protetores de ouvido.
Pela primeira vez naquelas festividades me senti só e desamparado, e desejei que a farsa natalina acabasse logo. Esperavam-me cinco dias tranqüilos, por assim dizer. Depois haveria o almoço de Reis com minha irmã e seu marido, um sujeito que sofre de depressão desde que o conheço. Não tiveram filhos.
“Isso será difícil de engolir”, pensei, “pelo menos no dia seguinte tudo volta ao normal.”
Reconfortado por esse pensamento, notei que minhas pálpebras se fechavam. Voltaria a abri-las?
“Já estou em um novo ano”, foi meu último pensamento, “mas nada de novo virá.”
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Caros amigos e amigas, o Submarino lançou uma promoção em que cada um dos livros da série Harry Potter está sendo vendido por R$ 9,90. E se o total da compra for superior a R$ 49,00 o frete é grátis.
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RSS é um tipo de arquivo desenvolvido sobre a linguagem XML, usado para distribuir notícias para os internautas. A primeira versão do RSS (Really Simple Syndication) foi criada por Ramanathan V. Guha em 1999.
As pessoas ao navegarem pela Internet podem se interessar pelas atualizações de um certo website, e é aí que o RSS Feed faz-se uma ferramenta útil àqueles que desejam receber as mais recentes notícias ou postagens sobre um determinado conteúdo. Para o usuário, assinar o RSS Feed traz a facilidade de receber as atualizações de forma quase instantânea, pois as notícias vêm até o internauta, e não o contrário.
Atualmente a maioria dos navegadores (ex: Internet Explorer, Opera, Google Chrome, Safari, Firefox etc.) trazem a opção de leitura do feed diretamente no navegador. Para testar o RSS Feed (Tigre de Fogo) em seu navegador de Internet, clique no endereço abaixo:
Sites grandes como o Jornal Folha de São Paulo apresentam a opção de assinatura do agregador de notícias RSS Feed de forma segmentada, podendo o usuário assinar o feed de notícias sobre diversos assuntos como, por exemplo, o feed de esportes ou o feed sobre informática.
RSS é uma tecnologia que ainda está se desenvolvendo e que promete novos recursos em um futuro próximo. É uma ferramenta que traz praticidade para o leitor dos feeds e também dinâmica na distribuição de informações.
Proteção: como saber se um site é seguro usando o Google
O Google tem um sistema na Internet chamado Google Safe Browsing que vasculha os sites hospedados nos servidores a fim de encontrar códigos maliciosos e outros programas que possam danificar o seu computador.
Esse sistema verifica periodicamente os websites e gera um relatório sobre as visitas descrevendo algumas características que foram colhidas durante as inspeções de segurança.
Os internautas podem fazer uso do Google Safe Browsing através do endereço a seguir:
Para pesquisar é necessário remover os asteriscos e incluir em seu lugar a URL do site que vocês desejam saber se é seguro ou não, segundo a análise do sistema. É também importante observar que não se deve digitar o endereço do site com o WWW, ou seja, para verificar um site cujo endereço seja:
www.hospedagemdesiteslegais.com.br
deve-se remover o WWW, portanto ficando assim:
hospedagemdesiteslegais.com.br
Aliás, hoje em dia é muito raro necessitar digitar o WWW nos endereços dos sites.
Seguem abaixo mais três exemplos de como se deve digitar o endereço na pesquisa do sistema Google Safe Browsing:
1) Amazon (amazon.com) - a maior loja online do mundo
2) Submarino (submarino.com.br) - uma das maiores lojas online do Brasil e da América Latina
3) UOL (uol.com.br) - o maior portal em língua portuguesa do mundo
Os resultados responderão a quatro questões:
1) Qual é o status de listagem atual?
2) O que aconteceu quando o Google visitou este site?
3) Este site agiu como intermediário, resultando na distribuição de outros malwares?
4) Este site hospedou malware?
Bem, é isso. Quando tiverem dúvidas sobre a segurança de algum site vocês podem usar o Google Safe Browsing como mais uma ferramenta de auxílio contra programas que possam causar problemas aos seus computadores.
Basicamente um firewall é um programa que protege o seu computador contra o envio ou a recepção de dados não autorizados por você, ou seja, é o portão e o muro do seu PC. O software controla o tráfego de informações entre o seu computador e a rede, seja ela wireless (sem-fio) ou convencional, de acordo com aquilo que você ordenar a ele.
Neste momento, se você não tem um firewall instalado em seu computador, é muito provável que vários programas estejam enviando e recebendo informações sem o seu consentimento, porém, isso não significa que essas transferências sejam malévolas, mas você, de forma geral, não tem muito controle sobre elas. Mas não se esqueça que há programas mal intencionados que podem danificar o seu computador, roubar suas informações pessoais e bancárias e lhe gerar dores de cabeça e custos de manutenção.
Há vários tipos de firewall no mercado e muitos deles oferecem utilização e download grátis. Um desses é o ZoneAlarm, um bom programa firewall que permite à você controlar o tráfego de informações entre o seu computador e a Internet. Você pode encontrá-lo através dos diversos sites que oferecem downloads.
Após fazer o download, instalar o software e reiniciar o computador, você notará que o ZoneAlarm será ativado toda vez que um programa pedir autorização para enviar ou receber informações através da net sem a sua autorização. Uma janelinha se abrirá do lado direito inferior da sua tela com duas opções: "Allow" (permitir) e "Deny" (negar), mostrando também qual é o software que está requisitando a transferência de dados.
Exemplo: se o firewall já estiver instalado e você abrir o seu navegador de Internet (ex: Internet Explorer, Firefox, Google Chrome etc.) o ZoneAlarm pedirá que você confirme se autoriza ou não a navegação do programa. Caso você não dê a permissão, o navegador não conseguirá abrir nenhuma página na Internet até que você o permita. Navegadores, de forma geral, não são o problema, mas sim aqueles programas que você nem sabe para que servem ou aqueles que você nem sabia que existiam no seu computador.
Dica: você pode dar uma autorização definitiva para o programa, de forma que ele nunca mais precise da sua anuência. É como dizer ao porteiro do seu prédio para sempre deixar que tal pessoa passe pelo portão sem precisar da sua aprovação. Para dar a autorização definitiva ao programa que acionou o ZoneAlarm selecione a caixinha "Remember this setting" e clique em "Allow" ou "Deny". Depois dessa ação o firewall sempre se lembrará da sua decisão e não voltará a lhe questionar sobre aquele programa.
Indiferente da marca do firewall, é muito importante ter um programa que controle as transferências que saem e entram em seu computador. Escolha o programa de sua preferência e proteja-se.
O DPEM é o seguro que garante indenização a todas as pessoas que sofreram danos pessoais causados por embarcações (em operação ou não) e/ou por suas cargas. A cobertura do seguro se estende aos proprietários das embarcações, assim como aos seus respectivos tripulantes e condutores, porém, em território estrangeiro, a indenização somente vale para as pessoas transportadas ou embarcadas em embarcações brasileiras.
Quando eu era uma jovem pesquisadora, em início de carreira, aconteceu algo que mudou minha vida. Eu era obcecada pela idéia de compreender como as pessoas lidam com seus fracassos, e resolvi estudar esse tema observando como os estudantes tratavam os problemas difíceis. Assim, levei várias crianças, uma de cada vez, a uma sala na escola delas, onde as deixei ficar à vontade com uma série de quebra-cabeças para resolver. Os primeiros eram bastante fáceis, mas os seguintes ficavam mais difíceis. Enquanto as crianças resmungavam, suavam e se esforçavam, eu observava suas estratégias e investigava o que pensavam e sentiam. Esperava encontrar diferenças no modo como elas enfrentavam as dificuldades, mas percebi algo que jamais havia imaginado.
Diante dos quebra-cabeças difíceis, um menino de 10 anos puxou a cadeira para mais perto, esfregou as mãos, estalou os lábios e exclamou: “Adoro um desafio!” Outro, lutando com os quebra-cabeças, ergueu os olhos com expressão satisfeita e disse, com ar de autoridade: “Sabem, eu esperava aprender alguma coisa com isso!”
O que há de errado com esses meninos?, pensei. Sempre havia achado que uma pessoa ou sabia lidar com o fracasso ou não sabia. Nunca imaginara que alguém pudesse gostar do fracasso. Essas crianças seriam excepcionais ou teriam encontrado alguma coisa nova?
Todos temos um exemplo a seguir, ou alguém que nos indicou o caminho num momento crítico de nossas vidas. Aquelas crianças se tornaram meus modelos de comportamento. Evidentemente sabiam algo que eu desconhecia e eu estava decidida a descobrir o que era — a entender o tipo de código mental capaz de transformar o fracasso em um dom.
Que sabiam elas? Sabiam que as qualidades humanas, tais como a inteligência e as aptidões, podem ser cultivadas por meio do esforço. E era isso que estavam fazendo — tornando-se mais espertas. Não apenas o fracasso não as desestimulava, como elas nem sequer imaginavam que estivessem fracassando. Achavam que estavam aprendendo.
Já eu pensava que as qualidades humanas eram imutáveis. Você podia ser ou não inteligente, e o fracasso significava que não era. Simples assim. Se conseguia planejar os êxitos e evitar os fracassos (a qualquer custo), poderia continuar sendo inteligente. Os esforços, os erros e a perseverança não faziam parte desse panorama.
A questão de saber se as qualidades humanas podem ser cultivadas ou se são imutáveis é antiga. A novidade é o que essas convicções significam para você: quais são as conseqüências de imaginar que nossa inteligência ou nossa personalidade são características que podemos desenvolver, em vez de constituírem algo fixo, um traço profundamente arraigado? Examinemos inicialmente o antiqüíssimo e feroz debate a respeito da natureza humana e em seguida voltaremos à questão de saber o que tais convicções significam para você.
POR QUE AS PESSOAS SÃO DIFERENTES?
Desde o começo dos tempos, as pessoas pensaram de maneira diversa, agiram de formas distintas e viveram de modo diferente umas das outras. Obviamente alguém iria querer saber por que as pessoas eram diferentes — por que algumas são mais inteligentes ou mais éticas — e se existia alguma coisa que as tornava permanentemente distintas. Essa questão foi vista de duas maneiras pelos estudiosos. Alguns afirmavam que existia uma forte base física para as diferenças, que as tornava inevitáveis e inalteráveis. Ao longo do tempo, entre essas alegadas diferenças físicas foram incluídas as deformações cranianas (frenologia), o tamanho e a forma do crânio (craniologia) e, hoje em dia, os genes.
Outros apontaram para a grande diversidade de formação de cada pessoa, suas experiências, o treinamento ou a forma de aprendizado. Talvez você se surpreenda ao saber que um dos grandes defensores dessa opinião foi Alfred Binet, inventor do teste de aferição do quociente de inteligência (QI). Seria o objetivo desse teste resumir a inteligência imutável das crianças? Na verdade, não. Binet, francês que trabalhou em Paris no início do século XX, pretendia com isso identificar as crianças que não estivessem obtendo êxito no aprendizado nas escolas públicas parisienses, a fim de possibilitar a criação de novos programas educativos que permitissem a sua recuperação. Sem negar as diferenças individuais nos intelectos infantis, Binet acreditava que a educação e a prática seriam capazes de produzir mudanças fundamentais na inteligência. Eis um trecho de uma de suas obras principais, Idéias Modernas sobre as Crianças, no qual ele resume o trabalho que fez com centenas de crianças que tinham dificuldades de aprendizado:
Alguns filósofos modernos [...] afirmam que a inteligência de um indivíduo é uma quantidade fixa, uma quantidade que não pode ser aumentada. Devemos reagir e protestar contra esse pessimismo brutal. [...] Com a prática, o treinamento e, acima de tudo, o método, somos capazes de aperfeiçoar nossa atenção, nossa memória e nossa capacidade de julgamento, tornando-nos literalmente mais inteligentes do que éramos antes.
Quem terá razão? Hoje em dia, a maioria dos peritos concorda que não há uma única resposta. Não se trata de natureza ou circunstâncias, genes ou meio ambiente. A partir da concepção, há um intercâmbio constante entre uma coisa e outra. Com efeito, como diz Gilbert Gottlieb, eminente neurocientista, não apenas os genes e o meio ambiente cooperam entre si à medida que nos desenvolvemos, como os genes necessitam da contribuição do meio ambiente, a fim de funcionar de maneira adequada.
Ao mesmo tempo, os cientistas estão percebendo que as pessoas têm maior capacidade do que se havia imaginado para aprender e desenvolver o cérebro durante toda a vida. É claro que cada um possui uma dotação genética específica. As pessoas podem ter diferentes temperamentos e aptidões no início de suas vidas, mas evidentemente a experiência, o treinamento e o esforço pessoal conduzem-nas no restante do percurso. Robert Sternberg, o guru da inteligência na atualidade, escreveu que o principal modo de aquisição de conhecimento especializado “não é alguma capacidade prévia e fixa, e sim a dedicação com objetivo”. Ou, como reconheceu seu precursor Binet, nem sempre as pessoas que começam a vida como as mais inteligentes acabam sendo as mais inteligentes.
O QUE SIGNIFICA TUDO ISSO PARA VOCÊ?
OS DOIS TIPOS DE CÓDIGO DA MENTE
Ouvir opiniões de sábios sobre assuntos científicos é uma coisa. Outra é compreender de que forma essas opiniões se aplicam a você. Minhas pesquisas ao longo de vinte anos demonstraram que a opinião que você adota a respeito de si mesmo afeta profundamente a maneira pela qual você leva sua vida. Ela pode decidir se você se tornará a pessoa que deseja ser e se realizará aquilo que é importante para você. Como acontece isso? Como pode uma simples convicção ter o poder de transformar sua psicologia e, conseqüentemente, sua vida?
Acreditar que suas qualidades são imutáveis — um código mental fixo — cria a necessidade constante de provar a você mesmo seu valor. Se você possui apenas uma quantidade limitada de inteligência, determinada personalidade e certo caráter moral, nesse caso terá de provar a si mesmo que essas doses são saudáveis. Não lhe agradaria parecer ou acreditar-se deficiente quanto a essas características fundamentais.
Alguns de nós aprendemos a adotar esse código desde a tenra infância. Ainda criança, eu me preocupava em ser esperta, mas o verdadeiro código mental ficou na verdade marcado em mim por causa da sra. Wilson, minha professora da sexta série. Ao contrário de Alfred Binet, ela achava que os resultados do QI revelavam exatamente quem eram as pessoas. Nossas carteiras na sala eram arrumadas em ordem decrescente de QI, e somente os alunos de QI mais elevado eram encarregados de transportar a bandeira, cuidar dos apagadores ou levar um bilhete ao diretor. Além da ansiedade que ela constantemente provocava com sua atitude julgadora, criava também um código mental fixo no qual cada criança da classe tinha um objetivo primordial: parecer inteligente, não fazer papel de boba. Quem poderia se ocupar de aprender, ou achar isso divertido, quando a totalidade de nosso ser se sentia ameaçada cada vez que ela nos dava uma prova ou nos interrogava na aula?
Já vi inúmeras pessoas que têm esse único objetivo essencial de provar-se a si mesmas — na sala de aula, em suas carreiras e em seus relacionamentos. Cada situação exige uma confirmação de sua inteligência, personalidade ou caráter. Cada situação passa por uma avaliação: Terei sucesso ou fracassarei? Farei papel de tolo ou me mostrarei inteligente? Serei aceito ou rejeitado? Vou me sentir vencedor ou derrotado? Mas não é fato que nossa sociedade valoriza a inteligência, a personalidade e o caráter? A resposta é sim, mas...
Há um outro código mental no qual essas características não são simplesmente como cartas de baralho que você recebe e com as quais tem de viver, sempre procurando convencer a si mesmo e aos demais que tem um royal flush nas mãos, quando na verdade teme ter somente um par de dez. Nesse outro código, as cartas recebidas constituem apenas o ponto de partida do desenvolvimento. Esse código mental construtivo se baseia na convicção de que você é capaz de cultivar suas qualidades básicas por meio de seus próprios esforços. Embora as pessoas possam diferir umas das outras de muitíssimas maneiras — em seus talentos e aptidões iniciais, interesses ou temperamentos —, cada um de nós é capaz de modificar-se e desenvolver-se por meio do esforço e da experiência.
Será que as pessoas dotadas desse código mental acreditam que qualquer um pode se tornar qualquer outra coisa, que qualquer pessoa com as motivações ou instrução adequadas pode transformar-se em um Einstein ou em um Beethoven? Não, mas acreditam que o verdadeiro potencial de uma pessoa é desconhecido (e impossível de ser conhecido); que não se pode prever o que alguém é capaz de realizar com anos de paixão, esforço e treinamento.
Você sabia que Darwin e Tolstoi foram considerados alunos medianos? Que Ben Hogan, um dos maiores golfistas de todos os tempos, era completamente descoordenado e desajeitado quando criança? Que a fotógrafa Cindy Sherman, que aparece praticamente em todas as listas dos artistas mais importantes do século XX, foi reprovada em seu primeiro curso de fotografia? Que Geraldine Page, uma de nossas maiores atrizes, foi aconselhada a abandonar essa profissão por falta de talento?
Você pode agora perceber como a convicção de que é possível desenvolver as qualidades desejadas cria uma paixão pelo aprendizado. Por que perder tempo provando constantemente a si mesmo suas grandes qualidades, se você pode se aperfeiçoar? Por que ocultar as deficiências em vez de vencê-las? Por que procurar amigos ou parceiros que nada mais farão do que dar sustentação a sua auto-estima, em vez de outros que o estimularão efetivamente a crescer? E por que buscar o que já é sabido e provado, em vez de experiências que o farão desenvolver-se? A paixão pela busca de seu desenvolvimento e por prosseguir nesse caminho, mesmo (e especialmente) quando as coisas não vão bem, é o marco distintivo do código mental construtivo. Esse é o código que permite às pessoas prosperar em alguns dos momentos mais desafiadores de suas vidas.
A VISÃO A PARTIR DE CADA UM DOS DOIS CÓDIGOS
Para ter uma visão melhor do funcionamento de ambos os códigos, imagine — da forma mais vívida possível — que você é um jovem num dia realmente muito negativo:
Certo dia, você vai a uma aula realmente importante para você, de uma matéria que lhe agrada muito. O professor entrega aos alunos as provas parciais corrigidas. Sua nota foi cinco. Você fica muito decepcionado. Naquela tarde, ao voltar para casa, descobre que seu carro foi multado por estacionamento proibido. Frustrado, você telefona a seu melhor amigo para compartilhar tudo o que lhe aconteceu, mas ele não lhe dá muita atenção.
O que pensaria você? O que sentiria? O que faria?
As pessoas que adotam o código mental fixo me responderam assim: “Eu me sentiria rejeitado.” “Sou um fracasso total.” “Sou um idiota.” “Sou um perdedor.” “Me sentiria inútil e tolo — todos os outros são melhores do que eu.” “Sou um lixo.” Em outras palavras, entenderiam o que aconteceu como uma medida direta de sua competência e de seu valor.
Eis o que pensariam sobre suas vidas: “Minha vida é lamentável.” “Não tenho uma verdadeira vida.” “Alguém lá em cima não gosta de mim.” “Todos estão contra mim.” “Alguém quer acabar comigo.” “Ninguém gosta de mim, todos me odeiam.” “A vida é injusta e é inútil esforçar-me.” “A vida é um horror. Sou um idiota. Nada de bom me acontece.” “Sou a pessoa mais sem sorte de todo o mundo.”
Perdão, mas houve morte e destruição ou simplesmente uma nota baixa, uma multa e um telefonema desagradável?
Serão essas nada mais do que pessoas com baixa auto-estima? Ou serão pessimistas de carteirinha? Não. Quando não estão às voltas com o fracasso, sentem-se tão valiosas e otimistas, inteligentes e atraentes quanto as que adotam o código mental construtivo.
Então, de que maneira lidam com o fracasso? “Eu não me preocuparia em perder tempo esforçando-me para caprichar em coisa alguma.” (Em outras palavras, não deixarei que ninguém me avalie novamente.) “Não farei nada.” “Ficarei na cama.” “Vou encher a cara.” “Vou comer.” “Vou dar uma bronca em alguém se tiver oportunidade.” “Vou comer chocolate.” “Vou ouvir música e ficar de cara feia.” “Vou entrar no armário e ficar lá dentro.” “Vou arranjar uma briga com alguém.” “Vou chorar.” “Vou quebrar alguma coisa.” “Que mais posso fazer?”
Que mais posso fazer! Vejam, quando elaborei aquela situação hipotética, determinei que a nota fosse cinco, e não dois, que a prova fosse parcial, e não final, que fosse uma multa, e não um acidente. O amigo do protagonista “não lhe deu muita atenção”, mas não o rejeitou completamente. Nada do que aconteceu era catastrófico ou irreversível. Mesmo assim, a partir dessa matéria-prima o código mental fixo criou o sentimento de completo fracasso e paralisia.
Quando propus a mesma situação a pessoas de código mental construtivo, eis o que responderam:
“Preciso esforçar-me mais na aula e ser mais cuidadoso quando estacionar o carro. E imagino que meu amigo teve um dia difícil.”
“A nota cinco mostra que devo dedicar-me muito mais às aulas, mas ainda tenho o resto do semestre para melhorar a média.”
Houve muitas outras respostas como essas, mas acho que você já entendeu. Agora, como essas pessoas enfrentariam o fracasso? Claro que de frente.
“Eu começaria a pensar em estudar com mais empenho (ou estudar de maneira diferente) para a próxima prova naquela matéria, pagaria a multa e esclareceria as coisas com meu amigo na próxima vez em que nos víssemos.”
“Verificaria onde fui mal na prova, tomaria a decisão de melhorar, pagaria a multa e ligaria para meu amigo para explicar que no dia anterior eu estava nervoso.”
“Me esforçaria mais para a prova seguinte, conversaria com o professor, seria mais cuidadoso ao estacionar ou contestaria a multa, e procuraria saber qual tinha sido o problema de meu amigo.”
Qualquer que fosse seu código mental, você se sentiria perturbado. Quem não ficaria? Notas baixas, multas de estacionamento ou desinteresse da parte de um amigo ou pessoa querida não são coisas agradáveis. Ninguém esfregaria as mãos de satisfação. Mas as pessoas que adotavam o código construtivo não se rotularam nem se desesperaram. Embora se sentissem inquietas, estavam dispostas a assumir os riscos, enfrentar os desafios e continuar a esforçar-se.
MAS, ENTÃO, QUAL É A NOVIDADE?
Será essa uma idéia nova? Existem muitos ditados que mostram a importância do risco e o poder da persistência, como “Quem não arrisca não petisca”, “Se não der certo da primeira vez, tente uma segunda e uma terceira” ou “Roma não foi feita em um só dia”. (Aliás, fiquei encantada ao saber que os italianos usam a mesma expressão.) O que verdadeiramente surpreende é que as pessoas de código mental fixo não concordariam com isso. Para elas, os ditados seriam: “Se eu não arriscar, nada perderei.” “Se não der certo da primeira vez, é porque provavelmente não tenho competência.” “Se Roma não foi feita em um só dia, provavelmente foi porque não poderia ser feita em menos tempo.” Em outras palavras, risco e esforço são coisas capazes de revelar suas deficiências e mostrar que você não está à altura da tarefa. Com efeito, é espantoso verificar até que ponto as pessoas de código mental fixo não acreditam no esforço.
O que também constitui novidade é que as idéias das pessoas a respeito de risco e esforço derivam de seus códigos mentais mais básicos. Não se trata somente do fato de que algumas pessoas são capazes de reconhecer o valor de desafiar-se a si mesmas e a importância do esforço. Nossa pesquisa demonstrou que isso deriva diretamente do código mental construtivo. Quando ensinamos a alguém esse código, cujo ponto focal é o desenvolvimento, as idéias sobre desafio e esforço vêm em seguida. Da mesma forma, não se trata somente de que para algumas pessoas o desafio e o esforço podem não ser agradáveis. Quando (temporariamente) colocamos alguém num código mental fixo, que se concentra nas características permanentes, essa pessoa rapidamente passa a temer o desafio e a dar pouco valor ao esforço.
Freqüentemente vemos livros com títulos como Os Dez Segredos das Pessoas Mais Bem-sucedidas do Mundo lotando as prateleiras das livrarias, e esses livros podem fornecer muitas dicas úteis. Mas em geral nada mais são do que uma lista de conselhos sem relação uns com os outros, como “Assuma mais riscos!” ou “Acredite em você mesmo!”. Você passa a admirar as pessoas capazes de fazer isso, mas nunca fica claro de que forma essas coisas se inter-relacionam, ou como você poderia chegar a imitar essas pessoas. Assim, você se sente inspirado durante alguns dias, porém, basicamente, as pessoas mais bem-sucedidas do mundo conservam bem guardados seus segredos.
Ao contrário disso, à medida que você começa a compreender os códigos mentais fixo e construtivo, passa a ver exatamente como uma coisa leva a outra — como a convicção de que suas qualidades são imutáveis gera uma legião de pensamentos e atos, e como a crença de que suas qualidades são suscetíveis de serem cultivadas gera uma legião diferente de pensamentos e atos, guiando-o por um caminho completamente distinto. É o que nós, psicólogos, chamamos de uma experiência de descoberta. Não apenas verifiquei isso em minha pesquisa, quando ensinávamos a alguém um novo código mental, mas recebo a toda hora cartas de gente que leu minhas obras.
Essas pessoas se reconhecem a si mesmas: “Ao ler seu artigo, literalmente me vi repetindo: ‘Isso sou eu, isso sou eu!’” Percebem as conexões: “Seu artigo me entusiasmou. Senti que havia descoberto o segredo do universo!” Sentem que seus códigos mentais se reorientam: “Sem dúvida sou capaz de relatar uma espécie de revolução pessoal que acontece em meu próprio raciocínio, e esse sentimento é excitante.” E são capazes de colocar essas novas idéias em prática para si mesmas e para os outros: “Sua obra permitiu-me transformar meu trabalho com crianças e olhar a educação por um prisma completamente diferente” ou “Gostaria de informá-la do impacto, tanto no nível pessoal quanto no prático, que sua extraordinária pesquisa causou em centenas de estudantes”.
INTROSPECÇÃO: QUEM É CAPAZ DE TER IDÉIAS CLARAS SOBRE SUAS CAPACIDADES E LIMITAÇÕES?
Bem, talvez as pessoas que adotam o código mental construtivo não se achem nenhum Einstein ou um Beethoven, mas não será mais provável que tenham opiniões exageradas a respeito de suas capacidades e busquem coisas além de seu nível de competência? Com efeito, estudos mostram que poucos sabem avaliar suas capacidades. Recentemente, procuramos investigar que tipo de pessoa seria mais capaz de fazer avaliações mais precisas. Sem dúvida, verificamos que existe muito pouca exatidão nas estimativas de realizações e de capacidades. Mas aqueles que adotavam o código mental fixo foram responsáveis por quase toda a inexatidão. As pessoas de código construtivo foram extraordinariamente precisas.
Pensando bem, isso faz sentido. Se você acreditar que é capaz de se aperfeiçoar, assim como fazem os que adotam o código construtivo, estará aberto a informações exatas sobre suas capacidades atuais, ainda que não sejam lisonjeiras. Além disso, se estiver orientado para o aprendizado, como estão essas pessoas, terá necessidade de informações exatas sobre sua capacidade, a fim de aprender com eficiência. No entanto, se quaisquer dados sobre suas preciosas características forem vistos como boas ou más notícias, como ocorre com as pessoas de código fixo, é quase inevitável que aconteçam distorções. Alguns resultados serão enaltecidos, outros, desprezados, e você acabará sem realmente se conhecer.
Em seu livro Extraordinary Minds (Mentes Extraordinárias), Howard Gardner concluiu que os indivíduos brilhantes possuem “um talento especial para identificar seus próprios pontos fortes e fracos”. É interessante observar que os que têm código mental construtivo parecem possuir esse talento.
O QUE O FUTURO NOS RESERVA
Outra coisa que os indivíduos extraordinários parecem possuir é um talento especial para converter em sucesso futuro as dificuldades da vida. Os estudiosos de criatividade concordam. Numa enquete com 143 desses pesquisadores, houve amplo acordo sobre o principal ingrediente para a obtenção de sucesso criativo. E esse ingrediente era exatamente o tipo de perseverança e maleabilidade produzido pelo código mental construtivo.
Você pode voltar a perguntar: Como é possível que uma convicção leve a tudo isso — gosto pelo desafio, confiança no esforço, capacidade de recuperação diante dos tropeços e maior sucesso (e mais criativo!)? Nos capítulos seguintes, você verá exatamente como isso acontece: como o código mental altera o que as pessoas buscam e o que identificam como sucesso. De que maneira ele modifica a definição, a importância e o impacto do fracasso, e como transforma o sentido mais profundo do esforço. Verá como os códigos funcionam na escola, nos esportes, no trabalho e nos relacionamentos. Verá de onde eles provêm e como podem ser modificados.
Aperfeiçoe Seu Código da Mente
Qual é o seu código mental? Responda a estas perguntas sobre a inteligência. Leia cada uma das afirmativas seguintes e diga se, na maior parte das vezes, concorda ou não com elas.
1. Sua inteligência é algo muito pessoal, e você não pode transformá-la muito.
2. Você é capaz de aprender coisas novas, mas, na verdade, não pode mudar seu nível de inteligência.
3. Qualquer que seja seu nível de inteligência, sempre é possível modificá-la bastante.
4. É sempre possível mudar substancialmente seu nível de inteligência.
As afirmativas 1 e 2 referem-se ao código mental fixo. As de número 3 e 4 refletem o código construtivo. Com qual dos dois grupos você concorda mais? É possível que sua resposta seja mista, mas a maioria das pessoas se inclina mais para um grupo do que para o outro.
Você também possui convicções a respeito de outras capacidades. Pode substituir “inteligência” por “talento artístico”, “tino comercial”, ou “aptidão para esportes”. Tente fazer isso.
Não se trata somente de suas aptidões, mas também de suas qualidades pessoais. Veja estas afirmações sobre personalidade e caráter e decida se concorda ou não com cada uma delas.
1. Você é um certo tipo de pessoa, e não há muito a fazer para mudar esse fato.
2. Qualquer que seja o tipo de pessoa que você é, sempre é possível modificá-lo substancialmente.
3. Você pode fazer as coisas de maneira diferente, mas a essência daquilo que você é não pode ser realmente modificada.
4. Sempre é possível modificar os elementos básicos do tipo de pessoa que você é.
Aqui, as perguntas 1 e 3 se referem ao código mental fixo, e as de número 2 e 4 refletem o código construtivo. Com qual dos dois grupos você se identifica mais?
Seria esse resultado diferente de seu código em relação à inteligência? Isso é possível. Seu “código para a inteligência” entra em ação quando as situações têm a ver com capacidade mental.
Seu “código para a personalidade” entra em ação nas situações que têm a ver com suas qualidades pessoais — por exemplo, quão confiável, cooperativo, atencioso ou socialmente habilidoso você é. O código fixo faz com que você se preocupe com a forma pela qual será avaliado; o código construtivo torna-o interessado em seu aperfeiçoamento.
Eis aqui algumas outras situações para se pensar sobre os códigos mentais:
Pense em alguém que você conheça e que esteja atolado no código fixo. Veja como essas pessoas sempre procuram se pôr a prova e como são supersensíveis a respeito da possibilidade de terem opiniões equivocadas ou de cometerem erros. Você já se perguntou por que elas são assim? (Você é assim?) Agora você pode começar a compreender os motivos.
Pense em alguém que você conheça e que tenha as aptidões do código mental construtivo, alguém que compreenda que as qualidades importantes podem ser cultivadas. Pense em como essas pessoas enfrentam os obstáculos. Pense naquilo que fazem para aperfeiçoar-se. Em que você gostaria de modificar-se ou de aperfeiçoar-se?
Muito bem, agora imagine que você resolveu aprender um novo idioma e se matriculou num curso. Depois de algumas aulas, o professor chama você e começa a lhe fazer uma série de perguntas.
Coloque-se na posição de quem tem um código mental fixo. Sua capacidade está em jogo. É capaz de sentir que todos os colegas estão olhando para você? É capaz de ver a fisionomia do professor enquanto o avalia? Sinta a tensão, sinta seu ego estilhaçar-se e hesitar. Em que mais você está pensando e o que está sentindo?
Agora coloque-se no lugar de uma pessoa com código mental construtivo. Você é principiante, e por isso está ali. Está ali para aprender. O professor é um facilitador para o aprendizado. Sinta que a tensão se esvai; sinta sua mente se abrir.
A mensagem é a seguinte: você é capaz de mudar seu código da mente.
Automóveis | Veículos: Volkswagen Polo E-Flex vem com novo sistema de partida
O novo automóvel Polo E-Flex da Volkswagen vem com o sistema Flex Start, ou seja, um sistema de acionamento da ignição criado pela Bosch que garante o funcionamento do motor na primeira partida. Os modelos com Flex Start não contarão mais com o antigo reservatório de gasolina que era destinado a auxiliar a partida do veículo.
O carro também é equipado de série com retrovisores e vidros elétricos, ar condicionado, direção hidráulica, travamento elétrico das portas, sensor para auxiliar o estacionamento e faróis de neblina.
Existe uma fase na carreira em que algo parece que vai acontecer, mas ainda não aconteceu. Aquela fase em que você não é mais um iniciante, mas ainda não começou a ser, de fato, respeitado como sabe que pode – e quer – ser. Essa é uma fase vital em qualquer carreira.
Esse período corresponde, na vida biológica, ao que está entre a infância e a adolescência. No trabalho, é um tempo em que você ainda é tratado como se fosse criança, mas já é cobrado como se fosse adulto. Porém, é nessa fase que a empresa começa a decidir em quais funcionários vale a pena investir.
Se você está nessa fase, preste atenção aos cinco pontos que deve sempre observar. São cinco atitudes que não requerem prática nem investimento.
1. Não faça inimizades no trabalho; seu inimigo de hoje pode ser seu chefe amanhã.
2. Quando ouvir uma crítica a algum colega, não concorde nem discorde, apenas aponte algo positivo que o criticado tenha. Empresas gostam de quem consegue enxergar o lado bom das situações.
3. Se você apresentou um trabalho, e ele foi elogiado, tire uma cópia e guarde numa pasta. Essa pasta será o seu melhor currículo, e você um dia precisará dele.
4. Sempre peça conselhos a seu chefe direto; seu futuro na empresa começa pela aprovação dele.
5. Concentre-se nos resultados. Por mais boas idéias que você possa ter para melhorar a empresa, seu foco deve estar 100% no objetivo que lhe foi passado.
6. Preste atenção ao tipo de pessoa que é elogiada pelos superiores. Esses funcionários são os modelos internos de desempenho e de comportamento.
7. Jamais questione seu salário. Não peça mais dinheiro, peça mais oportunidades.
Você deve estar se perguntando: "Max, você não sabe contar? Você disse cinco pontos e mostrou sete!". Como você pôde ver, foram dois pontos a mais que o prometido. E essa é a atitude mais importante: sempre procure entregar mais do que prometeu ou do que as pessoas lhe pedem. Isso é ter iniciativa.
Para o alto! E avante!:
Em fevereiro de 1940, uma rádio norte-americana começou a transmitir o programa Superman. Bud Collyer emprestava sua voz ao super-herói toda vez que o Super-Homem, e o programa, iam ao ar. Collyer ficou conhecido pelo jargão "Para o alto! E avante!", pois, por tratar-se de rádio, era a única forma de o ouvinte saber que o Super-Homem estava voando.
Quinze anos depois, tudo já tinha mudado de figura: o filme Os Dez Mandamentos havia ganhado um Oscar de efeitos especiais, principalmente por causa da cena em que o Mar Vermelho se abria, permitindo a passagem do povo de Israel, e logo em seguida se fechava, engolindo o exército do Egito. Esse truque de filmagem foi feito em absoluto segredo. O diretor Cecil B. de Mille jamais revelou os detalhes de sua criação porque, se outros diretores pudessem copiar o truque, ele perderia o encanto.
Hoje, um filme cheio de efeitos especiais, como Matrix, já vem acompanhado de um segundo filme, o making off, em que se explica como cada truque de filmagem foi feito.
O mercado de trabalho acompanhou essa tendência. Houve uma época em que uma pessoa valia pelo que só ela sabia. Chefes não explicavam nada para seus funcionários, porque, acreditava-se então, se o funcionário viesse a saber o que só o chefe sabia, iria se transformar em uma ameaça para o cargo do chefe, ou, quem sabe, revelaria os segredos da empresa para o concorrente quando mudasse de emprego.
Por trás dessa história, existe uma grande mudança de atitude. A lógica dos criadores de efeitos especiais do cinema é simples: um segredo é revelado. Aí, os concorrentes passam um ano tentando reproduzi-lo. Durante esse tempo, quem criou o efeito ganha um ano de vantagem para criar novos efeitos, assim, estará sempre à frente da concorrência. Hoje, para você ser bem-sucedido, precisa ensinar os outros a pescar. Porque, enquanto eles estiverem ocupados aprendendo a pescar, você já estará aprendendo a voar. Para o alto! E avante!
Ei, chefe, tive uma idéia!:
As empresas apreciam funcionários criativos. Na realidade, querem que um profissional lógico tenha seus momentos de criatividade e que um profissional criativo tenha seus repentes de lógica. Mas a maioria dos funcionários acredita que é de fato criativa, embora reclame ter, na prática, poucas oportunidades para demonstrar essa criatividade.
O problema não é a falta de oportunidade, mas a maneira de criá-la. Pense em criatividade separando o conceito em três partes: conhecimento, curiosidade e imaginação. Primeiro, a pessoa criativa precisa conhecer muito bem todos os detalhes de um processo. Depois, precisa ter uma boa dose de curiosidade, que se resume numa pergunta: "Dá para fazer isso de outro jeito?". E, finalmente, vem a imaginação, que é a maior dádiva do criativo. Ele vê o que os outros não enxergam.
Mas, normalmente, a coisa emperra já no primeiro passo: o conhecimento. Um chefe com vinte anos de experiência pode até não ter imaginação nem curiosidade, mas com certeza possui conhecimento. O que acontece é que as pessoas criativas já chegam apresentando ao chefe o terceiro passo: a solução criativa, que nasceu da imaginação. E é aí que trava. Ele primeiro precisa ser convencido de que o subordinado tem um conhecimento profundo do assunto, mas o subordinado insiste em pular essa etapa.
Então, sempre que for demonstrar uma idéia criativa, uma solução inovadora, em vez de chegar e dizer "Chefe, tive uma idéia!", comece a conversar com ele sobre o processo. É chato, mas necessário. Depois, tente despertar a curiosidade dele para uma solução alternativa. Faça até o sacrifício de pedir sugestões, mesmo sabendo que não haverá nenhuma ou que, se houver, a probabilidade de serem ineficazes é enorme. Só aí apresente sua sugestão criativa.
Uma última coisinha: é claro que, se sua idéia for colocada em prática e der certo, é prudente exagerar os méritos do chefe. Essa é a maior garantia de que ele estará mais disposto a ouvir suas sugestões criativas no futuro.
Chefe, chefe meu, há alguém melhor que eu?:
Há uma dezena de fatores que influem em uma carreira profissional. Mas a experiência prática mostra que o primeiro deles, em ordem de importância, é, sem dúvida, dar-se bem com o chefe. Todas as promoções ou são de iniciativa do chefe ou dependem da opinião dele. Por isso, aqui vão os dez mandamentos do bom relacionamento com o chefe:
1. Nunca falar mal do chefe — as orelhas do chefe são do tamanho de todas as paredes e de todos os corredores da empresa.
2. Nunca ofuscar o chefe — seja na roupa, seja no comportamento.
3. Jamais, nunca, em hipótese alguma, colocar a culpa no chefe — principalmente quando a culpa for dele.
4. Não assumir responsabilidades que são do chefe — se não existe um subchefe oficial, isso não significa que a função será de quem pegar primeiro.
5. Não tratar o chefe como amigo íntimo na frente de colegas ou de clientes.
6. Não interromper o chefe quando ele está falando — não é que chefes não gostem de ser interrompidos. É que eles detestam.
7. Nunca dizer "Chefe, temos um problema" — isso é o que se chama de delegar para cima. O chefe não quer problemas, quer soluções.
8. Jamais perguntar se um trabalho é urgente — se o chefe em pessoa pediu, então é muito urgente. Sempre.
9. Nunca dizer que cometeu um erro porque não entendeu bem o que o chefe tinha pedido — se o chefe fala em gótico, você precisa aprender gótico.
10. Nunca tentar explicar para os colegas alguma coisa que o chefe disse — chefes não apreciam o subordinado porta-voz. Se alguém tem dúvida, deve perguntar diretamente para o chefe.
Com certeza, depois de ler isso, você está pensando: "ah, meu chefe não merece tanta reverência porque ele é um péssimo chefe!". Pode até ser verdade, mas não tem nada a ver a tomada com o focinho do porco. Se o chefe não aprendeu a ser chefe, isso não isenta você de aprender a ser subordinado. Pelo menos não até que seja chefe.
Paixão e números:
Convivi com dois gerentes que compartilhavam da mesma visão sobre os negócios da empresa. Mas eles tinham comportamentos completamente opostos. Um deles era movido pela paixão. Era comovente ouvi-lo defender seus pontos de vista, porque ele se inflamava ao falar e, depois de cinco minutos de argumentação, convencia qualquer platéia. Já o outro não tinha um pingo dessa paixão, mas tinha algo que o primeiro não tinha: números. Nem bem o gerente apaixonado tinha terminado de falar, o gerente numérico abria uma planilha e passava cinco minutos mencionando dados concretos.
Obviamente, um não gostava do outro. Às vezes, um ganhava a discussão. Outras vezes, o outro ganhava. Demorou anos para ambos compreenderem que eles não eram adversários. Eram aliados. Quando os dois finalmente se juntaram, tudo ficou mais simples. Um providenciava os números, e o outro os defendia com paixão. Separados, eles provocavam conflitos. Juntos, convenciam qualquer um.
No trabalho, paixão é fundamental. Mas só ela não resolve. Paixão é uma palavra que, em sua origem, significava "sofrimento". É por isso que a Paixão de Cristo ganhou esse nome. Não é porque Jesus amou, é porque ele sofreu. Pelo mesmo motivo, nas empresas, quem só tem paixão sofre, porque pode ser desmentido pelos números. E quem só tem números não apaixona ninguém, porque é monótono. Alexandre, o Grande, fazia belos discursos para seus soldados antes das batalhas. Sempre terminava falando de bravura, de coragem, e de paixão. Mas sempre começava o discurso mencionando que seu exército tinha milhares de homens a mais que o exército inimigo. Como Alexandre, o Grande, provou, com paixão é possível conquistar o mundo. Desde que essa paixão seja sustentada por números confiáveis.
Sete verdines dispostas em círculo delimitavam o acampamento montado numa clareira de carvalhos verdes e de pedras, no coração dos Alpilles. Era uma noite de paz para o povo do Vento, expulso da Espanha pelos torturadores da Inquisição.
Um dos homens reunidos no centro, em torno de um fogo de sarmentos, salmodiava um lamento flamenco, acompanhado pelas palmas dos companheiros.
Sentados um pouco afastados, face a face, havia um homem jovem e uma mulher idosa. Daenae, a phuri-dae, a maga da tribo, aproximava-se, sem dúvida, dos 50 anos, mas tinha a silhueta magra e vigorosa de uma jovem mulher. Em tons predominantemente violeta, o lenço que lhe prendia os cabelos deixava livre o rosto agudo de pele sem brilho, sulcado de pequenas rugas quase invisíveis. Sem ser bonita, Daenae possuía a beleza de um ícone antigo. Os olhos negros onde brincavam os reflexos do fogo escrutavam o rosto do homem sentado à sua frente.
Sentado sobre as pernas cruzadas, as costas muito retas, mantinha a imobilidade alerta de um gato. Cabelos castanhos meio longos, rosto de formas acentuadas, traços cinzelados, poderia passar por um adolescente. Usando bigode caído e barbicha cuidadosamente aparada, não destoava dos ciganos. De altura mediana, magro sem ser frágil, irradiava um poder sereno. No entanto, faria em breve apenas 30 anos. Era Michel de Nostredame, médico já famoso por seus remédios pouco ortodoxos.
— Não sei mais o que fazer, ou em que acreditar — murmurou com a voz esgotada. — A imagem deles me persegue.
Um ano antes, em Agen, Michel cremara os cadáveres de sua mulher e dos dois filhinhos ceifados pela peste enquanto ele tratava de outros doentes. Não soubera salvar os seus. Depois, teve de fugir, assim como seu amigo François Rabelais, para escapar das investigações do tribunal da Inquisição de Toulouse. Não havia dúvida quanto à identidade do denunciador. Tratava-se de Júlio-César Scaliger. Boticário erudito e notável, não compreendia as panacéias originais de Michel e detestava a prosa iconoclasta de Rabelais.
— Minha vida se acabará aqui, onde começou, em Saint-Rémy. Não sou talhado para essa época obscura.
— O tempo do luto passou — interrompeu-o secamente Daenae. — A estrada te espera.
Abrindo um pedaço de seda, a cigana espalhou um jogo de cartas. Michel retirou cinco, sem virá-las. Uma após outra, Daenae mostrou as longas lâminas com o verso castanho. O tilintar das pulseiras de prata pontuava cada gesto seu. As figuras fascinantes do Tarô apareceram: a Torre, o Mago, a Papisa, a Imperatriz, os Enamorados...
— Seu nome ultrapassará fronteiras e sobreviverá aos séculos... Mas você sofrerá a ponto de ter o coração despedaçado... Você se tornará o maior mago de todos os tempos, se não morrer de amor antes.
Em seguida, ela juntou o baralho, enrolou-o no pedaço de seda e o entregou a ele.
— Ofereço-o a você como uma lembrança nossa. Pegue — insistiu ela.
— Não tenho intenção de deixá-los.
Estava sendo sincero. Um dia, seguiria os passos de Jean, seu avô materno, médico em Saint-Rémy. Então, sem dúvida, se casaria de novo, já que seu dever de homem era assegurar a descendência. Uma vida decente, feliz, se tivesse sorte. Era só.
Daenae balançou a cabeça, sorrindo:
— Você partirá! Sua viagem o levará aonde nenhum humano jamais chegou. Você verá!
Um cão levantou a cabeça, as orelhas em pé, enquanto os cavalos se agitavam. O canto e as palmas cessaram instantaneamente. Os homens ergueram metade do corpo, à espreita dos ruídos da noite. Ouviram um estrondo distante transformando-se em batidas de cascos. Uma tropa a cavalo os atacava. Correram para pegar os bastões de combate e se reagruparam em círculo em torno de Daenae. Tinham fugido da Espanha por causa das perseguições que outros como aqueles lhes infligiam. Pensaram ter encontrado alívio na Provença, na outra margem do Ródano, mas os seguidores da intolerância os tinham alcançado. Daenae persuadiu Michel a evitar aquele combate que não era dele. Ele recusou. Os Filhos do Vento o tinham acolhido como um dos seus quando era menino. Tinha explorado charnecas, mato e rochedos com seus filhos, aprendido a armar laços e a rastrear com seus irmãos. Jovem adolescente, recebera ensinamentos secretos e com seus pais compreendeu o respeito pela mulher. O que importava se seus amigos eram de uma tribo diferente da de sua infância? Pertenciam ao mesmo povo, tão semelhante àquele de onde ele mesmo se originava. Daenae se enganava. Ele agarrou no ar um bastão de combate com castão esculpido, que Zoltan, o chefe da tribo, acabara de lhe lançar.
Aproximadamente da altura de um homem, com uma das extremidades mais espessa, aquele bastão poderia se tornar uma arma temível. Habituados desde a infância aos perigos dos grandes caminhos, os ciganos o manejavam com competência. Tinham ensinado suas sutilezas a Michel.
Algumas mulheres reuniram as crianças, que despertaram assustadas, e as carregaram para um abrigo nas rochas. Os outros fizeram o mesmo com os cavalos.
De repente, luzes rasgaram as trevas: tochas levadas pelos inquisidores. E eles surgiram da noite, silhuetas fantasmagóricas, usando vestes brancas, cobertos por capuzes de penitentes, que as chamas tingiam de reflexos alaranjados. À frente da matilha, Michel reconheceu um monge dominicano. Descoberto, descabelado, o rosto emaciado, os olhos loucos. Essa visão o fez estremecer. Pouco tempo depois de sua fuga de Agen, começara a perceber uma ameaça sem conseguir defini-la. Eis que ela acabava de se materializar.
— Pela fé, soldados de Deus! — urrou Ochoa, investindo contra os homens a pé.
Apesar da habilidade no manejo do bastão, Michel e os ciganos nada podiam contra os assaltantes montados em cavalos a galope. Conseguiram aparar alguns golpes, não devolveram o suficiente, e o círculo se rompeu enquanto Daenae lançava uma maldição em língua rom. Ochoa levou a montaria até ela, agarrou-a e a jogou atravessada na sela.
— Peguei a feiticeira!
Deu de rédea e esporeou. Seus capangas mascarados o imitaram. Meteram-se na noite e desapareceram.
Quando Michel e os amigos acabaram de levantar as verdines derrubadas, as mulheres lhes trouxeram os cavalos cujos cascos elas tinham enrolado em trapos. Lançaram-se sob a chefia de Zoltan, um rastreador sem-par. Por nada no mundo abandonariam a phuri-dae nas mãos dos fanáticos. Ela representava para eles a mãe, a guia e a memória.
Amarrada ao tronco de uma árvore, no cume de uma pequena colina pedregosa dominando um charco podre, Daenae via apontar sua última aurora. A cigana não tinha medo. Nenhuma bravata nessa atitude. Simplesmente a aceitação do inelutável. Todos morriam um dia. Como, pouco importava. Apenas os sobreviventes sofriam.
Os fanáticos amontoavam lenha ao pé da fogueira improvisada, alegrando-se por antecipação com o belo fogo onde tostaria a criatura de Satã. Contudo, ninguém ousava sustentar o brilho de seus olhos de ônix.
Michel e os amigos esconderam-se nos caniços. Tinham de percorrer 50 metros a descoberto para alcançar os homens armados que defendiam o acesso à colina do suplício. Um assalto frontal parecia fadado à derrota. Michel notou, porém, que os homens de Ochoa não estavam verdadeiramente armados. Empunhavam foice, maça de ferreiro, enxada, foicinho: instrumentos que denunciavam o ofício de cada um deles. Mostraram-se, na verdade, menos corajosos desmontados em pleno dia do que tinham sido à noite, de surpresa e a cavalo.
Erguendo os olhos para o céu, ele constatou que a crista das nuvens começava a se esfiapar ao sopro de um vento de altitude. E as nuvens se movimentaram, ganhando velocidade a olhos vistos. No mesmo instante, uma lufada correu pela superfície das águas estagnadas, e os caniços estremeceram. Michel se virou para Zoltan e sussurrou:
— Vocês não ficarão de luto esta noite.
O chefe da tribo cigana concordou e se virou para seus homens.
— Preparem-se!
Os homens de Zoltan espreitavam o vento. Foi de repente, como um mugido nascido do fundo do espaço. O vento mistral se desencadeou violento, caindo das nuvens, carregando tudo em seu sopro gelado.
A fogueira de madeira seca amontoada se deslocou, se espalhou, derrubada pela rajada. Brasas voaram para todos os lados, pondo fogo nas vestes brancas e nos capuzes dos penitentes. As chamas, que eles acreditaram a serviço de sua demência imbecil, vingavam-se.
— Agora! — gritou Zoltan.
Michel e os ciganos saltaram sobre os cavalos e picaram rumo à colina.
Todas as vezes que se encontrava em situação crítica durante sua jovem vida, Michel tinha a impressão de se desdobrar. Em vez de deixar o medo reduzir-lhe o fôlego e paralisar-lhe os músculos, relaxava. Seu espírito parecia elevar-se acima do corpo para analisar os acontecimentos em seus mínimos detalhes com uma acuidade que conferia a ilusão de uma dilatação do tempo, enquanto o corpo continuava agindo da forma mais natural.
Ochoa viu aproximar-se a carga dos ciganos. Em vão tentou reunir seus homens. Quis desembainhar a espada que levava. Seu gesto se interrompeu. Para seu grande pavor, sentiu-se como que paralisado, impotente tanto para puxar a arma quanto para fugir. Pregado no lugar, via abater-se sobre ele aquele jovem homem, de olhar irradiante, cujo fogo sentia atravessá-lo. O tempo lhe pareceu suspenso. Martelar de cascos, relincho dos animais, cacofonia do entrechoque das armas, tudo se fundiu num zumbido distante. Só havia aqueles olhos que enxergavam o que de mais profundo havia nele. Pressentiu que se encontrava diante daquele que procurava. E o homem a cavalo estava em cima dele. No momento em que via chegar sua última hora, o cavaleiro deu uma guinada, desviando-se dele, contentando-se em chocar-se contra ele, fazendo-o rolar na água estagnada. Enquanto os bastões dos ciganos giravam, criando calombos em alguns crânios e semeando a debandada, Michel prosseguiu no avanço, saltou sobre os restos da fogueira e cortou os laços de Daenae, que logo saltou para a sua garupa.
Uma rodela quebrada, gravada no lintel de pedra acima da porta de entrada da fazenda, uma pequena casa de fazenda ladeada de ciprestes, assinalava que a casa pertencia a judeus convertidos. Jean de Saint-Rémy estava à mesa de trabalho num cômodo do térreo que lhe servia de consultório. Estudava apaixonadamente as pranchas anatômicas que um amigo acabara de lhe trazer de Pádua, uma das únicas cidades onde a Igreja tolerava dissecações. Nos outros lugares, interrogar-se sobre os mistérios da natureza, em lugar de se contentar em reconhecê-los como efeitos da graça, acarretava suplício por heresia.
Um velho bonito, seco e nodoso como um tronco de videira, Jean tinha os cabelos brancos, barba curta tratada com cuidado, a tez bronzeada e o olhar límpido. Não parecia ter 78 anos.
Tinha sido afastado da ordem dos Médicos por ter ousado sugerir que os escritos de Hipócrates e Galeno representavam etapas na via do saber médico, mas não imprescritíveis tábuas da Lei. Esse bom senso quase lhe custara a excomunhão.
Um martelar de cascos fez com que levantasse a cabeça. Reconheceu entre as oliveiras a silhueta de Michel, galopando na luz dourada do sol nascente. O espetáculo fez brotar nele a mesma emoção sempre renovada desde o dia em que seus pais o confiaram a ele, 21 anos antes.
Michel era o primogênito de sua filha única, Reynière, esposa de Jaume de Nostredame. Notário e mercador de trigo, também oriundo de uma linhagem de judeus convertidos, Jaume se preocupava antes de tudo com a honra. As predisposições de seu filho mais velho para o irracional, reveladas desde a mais tenra idade, tinham-no contrariado, tanto mais que eram acompanhadas de inquietantes perturbações. O menininho podia passar horas devaneando, surdo até mesmo às ordens dos pais. Sofria com terríveis pesadelos, que o deixavam sufocado, e com enxaquecas seguidas de perturbações visuais. Por vezes também com leves transes cuja única manifestação visível era uma espécie de arrepio nos braços, que batizara de “minhas fagulhas”. Esses sintomas faziam com que seus pais temessem que ele sofresse do “grande mal”, a epilepsia.
Para grande alívio deles, Jean se oferecera para tomar conta do menino. O que aceitaram prontamente, ao passo que ele agradecia secretamente aos céus por lhe oferecerem como discípulo desejado alguém de sua linhagem, de quem faria também o herdeiro da Tradição imemorial.
Jean de Saint-Rémy chegou a considerar Michel de Nostredame como o filho que jamais tivera. Com razão, porque, se não era seu pai biológico, tinha sido seu mestre e amigo. Compreendera também desde cedo que o aluno ultrapassaria o professor até atingir alturas de conhecimentos ainda inexplorados.
Michel saltou do cavalo, que montava em pêlo. Jean não ficou alarmado com a pressa dele, responsabilizando o vento mistral gelado. Seu menino estava apenas com frio. Estendeu-lhe uma coberta na qual Michel se enrolou antes de se sentar e de se servir de uma tigela de sopa do caldeirão pendurado na lareira. Depois de aquecido, contou a Jean o desenrolar dos acontecimentos sucedidos desde o saque do acampamento cigano. Diante da descrição que fez de Ochoa e da estranha ligação estabelecida entre eles, Jean estremeceu de angústia. O que temia havia anos tinha, portanto, se concretizado!
Avisado por alguns amigos que, como ele, eram membros de uma irmandade secreta, Jean sabia que Ochoa percorria o Languedoc e a Provença à procura de um profeta. A reputação de ferocidade do monge o precedia. Ele fazia parte da corja de zelotes que a fé desviada transformava em torturadores. Informado de tudo isso, Jean tomara a precaução de afastar Renée, sua esposa, afetuosamente apelidada de Blanche, que significa branca, por causa da claridade de sua alma. Considerada adivinha, teria acabado queimada, caso Ochoa soubesse de sua existência.
Porém, Jean não julgara necessário mandar que Michel se escondesse. Por quê? Porque seu dom de profecia ainda estava adormecido? Mas Michel e Ochoa se reconheceram e, naquele instante, souberam estar designados um para o outro. O enfrentamento se tornara inelutável. O destino decidira que Ochoa representava a primeira prova que Michel deveria vencer no estreito caminho da iniciação suprema. Assim seja. Mas Jean considerava que isso acontecia cedo demais. O rapaz ainda não estava suficientemente armado.
— Faça as malas! Vamos ao encontro de Blanche — ordenou o velho, levantando-se de um salto da poltrona.
Afastando-se de Michel, ele recolheu as preciosas pranchas anatômicas e as jogou na lareira. Em seguida, agarrando às braçadas os papéis espalhados no escritório, começou a jogá-los no fogo, evitando dirigir-lhes o olhar, com medo de fraquejar em sua decisão.
Finalmente, Michel compreendeu a urgência. O respeito e a afeição por Jean lhe proibiam o menor gesto de compaixão em relação a ele. Começou, por sua vez, a juntar às pressas papéis e livros para queimá-los. Qual a importância daqueles documentos? O Saber que continham impregnava-lhes a alma para sempre. Foi, em seguida, para o laboratório de preparação contíguo ao gabinete de trabalho a fim de selecionar alguns pós e ervas raras.
Levou o restante dos potes e sacos de plantas secas para esvaziá-los na fonte ou dispersá-los ao vento, enquanto Jean continuava a queimar todos os documentos científicos e esotéricos capazes de fazer com que ambos fossem acusados de feitiçaria. Logo não restou dos preciosos arquivos senão uma encadernação em couro patinado, estufada de folhas cobertas de anotações. Comentários lançados anos a fio, descrevendo os progressos de Michel nas diferentes disciplinas que estudava. Cada folha do conjunto de anotações descrevia uma etapa da eclosão e do desabrochar de uma inteligência fora do comum que Jean considerava ter tido o privilégio de acompanhar na via do Conhecimento. Movido pela nostalgia, deu-se um tempo para ler-lhe algumas passagens.
Eis, no coração do verão, a chuva das Perseidas. Ele já está quase mais adiantado que eu ao descrever o percurso delas através das constelações. Bastará que eu lhe conte os mitos antigos para que ele evolua por entre os arcanos celestes com a facilidade de um agrimensor familiar.
Michel ainda não tinha então 11 anos. Virou rapidamente algumas páginas até encontrar uma passagem à qual não conseguia deixar de voltar.
Sua capacidade de compreender as línguas estrangeiras, mortas e vivas, parece-me às vezes provir do sobrenatural. Contrariamente à lógica, que preconiza a aprendizagem metódica das regras da sintaxe e da conjugação antes da do vocabulário, ele colhe inicialmente a substância das palavras e a idéia secreta que elas escondem. Combiná-las em seguida parece-lhe um jogo. Não é raro que misture em suas frases vocábulos gregos, latinos, hebraicos, árabes, provençais, escolhendo a cada vez a palavra que melhor traduzirá o que deseja exprimir.
Michel tinha então 15 anos completos, lembrou-se Jean. Lia, falava e escrevia em grego, latim e hebraico. Dominava também o italiano e o espanhol, bem como um pouco de alemão e de árabe. Sabia passar de uma língua a outra durante o mesmo discurso, sem por isso perder o fio do pensamento.
Seu modo de pensar às vezes me deixa pasmo. Sem se perder nos meandros dos detalhes, ele abarca o conjunto e encontra a solução. Não raciocínio laborioso, mas divina revelação. Ele não procura, encontra.
Tantos testemunhos preciosos da transmutação de um ser inspirado que agora tinha de ser entregue às chamas! Antes de se decidir a isso, Jean quis reler as últimas folhas. Não diziam diretamente respeito a Michel, já que constituíam as bases de um estudo sobre a natureza das profecias, destinado a integrar o Mirabilis Liber. Na época, Michel tinha apenas 16 anos. Salvo os transes ocasionais, nada nele indicava disposições para a profecia. Posteriormente, tendo adquirido a certeza de que seu protegido ultrapassaria o estado de clarividência ocasional para aceder ao da revelação, característica do profeta, Jean juntou esse resumo ao dossiê de Michel.
Para ascender à revelação, o profeta chega primeiramente ao desapego. Não por ascese, mas por elevação acima do pensamento imposto. Somente assim ele consegue a absoluta liberdade da alma que lhe permite atingir o cerne da energia universal, inefável.
Na via do desapego, o profeta deve vencer diferentes provas cujo número e natureza são invariáveis.
Enfrenta as forças tenebrosas que tentam submetê-lo, corpo e alma, ou, na ausência disso, abatê-lo.
Vence os tentadores que fazem cintilar diante de seus olhos a opulência material das esferas inferiores e lhe oferecem o poder sedutor do astucioso sobre o crédulo.
Encontra a sua Dama e, pela fusão de ambos nos três reinos, encontra sua alma.
Enfrenta a morte e não cede ao aniquilamento.
Seus inimigos são os padres e os doutores, os intrigantes e os ambiciosos, os velhacos e os ladrões que se encarniçam para congelar o curso do Tempo, a fim de estabelecer seu domínio sobre a Terra e sobre os seres vivos que a povoam.
Se falhar em uma dessas provas, seu destino profético não se realizará. Mas se triunfar, poderá enfim ascender ao Príncipe em quem se concentra a vida de seu povo, e que recebe na Terra a energia do grande Todo a fim de governar os seus nos redemoinhos do Tempo.
Somente então, depois de ter vitoriosamente percorrido a via do desapego, o eleito pode acolher a revelação, e transmiti-la.
Posteriormente a essa síntese, fruto do estudo dos profetas bíblicos, Jean de Saint-Rémy acrescentou:
Agora tenho a certeza de que o Destino designou Michel para ser o último profeta deste ciclo terrestre. Aquele que anunciará os tempos do Alfa e do Ômega depois do que se abrirá um novo ciclo de harmonia. Talvez... Se os homens, nesse meio-tempo, tiverem aprendido...
Essa via que se abre a ele será longa, perigosa e dolorosa. Que eu ainda possa viver bastante para ajudá-lo na passagem.
Jean nunca se enganara sobre a verdadeira natureza dos transes de Michel. Seus esforços de todos os instantes tenderam a cultivar, estruturar e fortalecer seu espírito, a fim de que ele não perdesse a razão no dia em que se expandisse plenamente o dom da dupla visão recebido como herança.
Sabia que esse momento marcaria o início de sofrimentos indizíveis, pois, se a clarividência colocava aqueles que a possuíam acima dos humanos, ela os atraía para abismos obscuros. Por isso, Jean sempre escondera de Michel seu destino; por saber que, para que ele se revelasse em sua plenitude, aquele a quem chamava de filho deveria passar para o outro lado do espelho, enfrentando a morte como Orfeu o tinha feito, voltando dessa viagem sem que seu espírito fosse consumido.
Jean ficou lá, pensativo, o coração pesado de emoção e angústia. O martelar de uma cavalgada interrompeu sua meditação. Aquele instante de enternecimento custara um tempo precioso. Jogou a encadernação de couro e seu conteúdo na lareira.
Quatro cavaleiros estavam parados à entrada da fazenda. O inquisidor não levara muito tempo para encontrar a pista de Michel.
Ao reconhecer os rostos familiares de seus companheiros, Jean compreendeu de onde tinha vindo a denúncia. De gente boa, mas ignorante. A colheita estragada e a vindima minguada daquele ano os reduziam à indigência. Pão e vinho faltariam naquele inverno, e o espectro da peste obsedava os espíritos. Bastava um mau caráter como Ochoa, e aquela pobre gente poderia se transformar em cães raivosos.
Ouviu Michel descer precipitadamente a escada e ficar ao seu lado, a mão direita crispada na guarda da espada, meio puxada da bainha, pronto para defender suas vidas. Jean pousou a mão tranqüilizadora em seu braço.
— Eles teriam mesmo acabado por se mostrar, cedo ou tarde. Não tente nenhuma idiotice — exigiu, pegando uma bengala apoiada no batente da porta, e depois curvando-se, o que o fez ficar com uma silhueta de causar piedade.
Vendo-o aparecer na soleira, os companheiros de Ochoa trocaram olhares constrangidos. O velho parecia estar chegando ao fim. Nenhum deles tinha mais coragem de levar a morte àquela casa. Evidentemente ela já havia tecido ali sua teia. O monge sentiu que seus companheiros cediam e compreendeu que, não importava o que dissesse, a disposição deles tinha-se esvaído. O velho não estava em condições de viajar. Seria melhor correr até o albergue de Fontvieille, onde sabia que poderia contratar soldados provisórios sem tais escrúpulos. Antes de dar de rédea, diferentemente de seus companheiros que não esperaram por seu sinal para desviar o caminho, fez um rápido sinal de exorcismo para o velho cujos olhos desbotados brilhavam com um fulgor zombeteiro.
— Você ainda não se livrou de mim, judeu! — ganiu com sua voz acre antes de dar de esporas.
Jean acompanhou com o olhar a silhueta do monge que se afastava a galope e se virou para Michel.
— Ele o encontrou. Não o largará mais. Partamos agora. Temos pouco tempo. Era apenas uma casa — acrescentou, contemplando a fazenda.
A voz de uma mulher fez-lhe eco:
— ... E uma casa é apenas uma parada no grande caminho.
Eles estremeceram. Zoltan e Daenae emergiram da sebe de loureiros, seguidos por quatro ciganos. Ajudaram Michel e Jean a concluir os preparativos e a selar os cavalos. Amarradas as sacolas e os armários, chegou o momento das despedidas. Zoltan ofereceu a Michel um bastão de combate de madeira escura cujo castão ele gravara com as próprias mãos. O motivo representava a estrela de cinco pontas, filha do Sol. Em retribuição, Jean lhe deu de presente um anel que recebera de um feiticeiro cigano. Tratava-se de um ônix arredondado, encravado numa armação de prata. Uma pedra redonda como uma Lua que, à noite, reflete a luz do Sol, e negra como a cor do que ainda não foi criado. Era um anel do Saber que os ciganos chamavam de “o Olho”. Ao oferecê-lo a Zoltan, Jean apenas observava a tradição rom segundo a qual o portador do anel era apenas seu depositário e deveria passá-lo a quem lhe parecesse o mais digno.
Quinze minutos depois de ter deixado a fazenda, eles penetravam no labirinto da planície pantanosa que se estende da base de Saint-Rémy à Montagnette de Frigolet. Num instante, as altas cortinas de caniços maltratados pelo vento se fecharam sobre eles. Depois de cinco horas de hábil caminhada entre areia movediça traiçoeira e mato espinhoso, chegaram à comunidade religiosa de Saint Michel de Frigolet. Os cavalos sobrecarregados de bagagens tinham retardado o avanço, obrigando-os muitas vezes a ir a pé.
No instante em que Jean batia o ferrolho do portão do monastério, Ochoa penetrava a fazenda abandonada, escoltado por seis soldados provisórios recrutados no albergue de Fontvieille.
A descoberta de que o velho judeu o tinha enganado mergulhou o monge numa raiva delirante. Revistou a casa de alto a baixo. Em vão. Das atividades satânicas do velho feiticeiro e de seu filho não restavam senão os aromas importunos de essências e ungüentos cujos recipientes quebrados juncavam o chão, misturando-se às espirais de fumaça acre que emanavam da lareira. Ochoa remexeu com a ponta da espada os restos calcinados dos livros de magia proibidos que, certamente, teriam enorme valor. À raiva somou-se o despeito de perder uma importante recompensa. Em seu combate pela fé, muitas vezes precisava de dinheiro. Alguns trabalhadores revelavam-se menos preocupados com a salvação eterna do que com as parcas satisfações materiais; o contrato de seus auxiliares naquele dia havia sangrado dolorosamente suas finanças. Quando tinha decidido sair dali, o ferro encontrou resistência. Varrendo as cinzas, descobriu uma encadernação encarquilhada pelas chamas, contendo restos de folhas manuscritas. O grosso maço de papéis ainda fumegava. Retirando-a da lareira, abriu-a. Após espalhar o conteúdo, encontrou, preservadas do braseiro pela espessura do maço e pela robustez do couro, duas folhas chamuscadas das quais algumas linhas ainda estavam legíveis.
Não precisava do conjunto do texto para compreender o sentido de semelhante desordem. Aquele Michel de Saint-Rémy com olhar de demônio era mesmo o seu homem. Arrumando cuidadosamente as folhas na bolsa presa ao cinturão, precipitou-se para fora da casa, gritando.
— A cavalo!
Ao descobrir, alguns minutos mais tarde, que a pista dos dois homens levava à planície pantanosa, encheu-se de alegria. Se suas presas tinham pensado em desencorajá-lo, ficariam frustradas. Do outro lado da planície, havia a Montagnette de Frigolet e, atrás, o Ródano. Já tinham sido apanhados. Dividiu o grupo em três, enviando dois homens para contornar o obstáculo pelo norte, e outros dois pelo sul. Ele próprio e os dois restantes continuariam a seguir a pista através do pântano. Cedo ou tarde, os fugitivos estariam cercados, encurralados no rio.
Desde que se tornara membro do capítulo ligado à Igreja de Santa Marta de Tarascon, cinqüenta anos antes, o priorado de Frigolet caía em lento abandono. Esquecidos de quase todos, viviam ali apenas Dom Tomassin, o velho boticário, e o irmão menor Antônio, seu aprendiz. O clero só se lembrava deles quando a Aqua Ferigoleta faltava nas adegas do bispo de Avignon. Esse licor saboroso à base de macerações de ervas da Montagnette era apreciado por seu buquê bem como por seus efeitos sobre as entranhas empanturradas de boa comida. Último detentor do segredo de sua composição, Dom Tomassin, antes de morrer, transmitiria a fórmula para o jovem Antônio. Jean tinha sido seu companheiro de pesquisas e de debates filosóficos. Quanto a Michel, desde a infância reconhecia nele um ser tocado pela graça.
Seguindo as orientações de Jean, Michel e o irmão Antônio aliviaram os cavalos de algumas bagagens. Em seguida, Dom Tomassin atravessou com eles o claustro abandonado e os guiou até a pequena capela de Nossa Senhora do Bom Remédio, construída há quatro séculos. Acionou o mecanismo de abertura de uma porta secreta e os fez descer à cripta. Michel descobriu então que o velho monge boticário ali decidira instalar seu laboratório. Embora o forno ovóide estivesse apagado, a natureza do material disposto sobre as bancas não deixava lugar à dúvida. Aquele Dom Tomassin, que sempre considerara um homem simples, revelava-se um alquimista. Como pudera ignorá-lo até aquele dia? Pensar que Jean lhe escondera um fato dessa importância o entristeceu tanto quanto o irritou.
— Eu pretendia abordar essas coisas com você — disse simplesmente o avô, percebendo mais uma vez seus pensamentos e tirando de um saco um alambique de sua invenção que permitia destilar no terreno o suco de determinadas plantas logo que colhidas, a fim de conservar-lhes todo o poder. — Eu prometi que você o testaria. Não hesite em usá-lo — disse, entregando a aparelhagem ao irmão menor Antônio. — Quanto ao resto...
— Não se preocupe com nada, meu velho amigo — interveio Dom Tomassin. — Esconderei tudo isso no lugar de Mirzam.
Michel ia de surpresa em surpresa. Mirzam, o Anunciador em árabe, pertencente à constelação do Grande Cão. A que lugar Tomassin se referia? Quantas coisas ainda seu avô lhe havia escondido?
Alguns minutos depois, montavam de novo, providos de pão, queijos de cabra e um frasco de Aqua Ferigoleta.
Logo seriam seis horas. Eles tomaram então os atalhos da Montagnette dos quais conheciam todas as curvas. Os cavalos, aliviados, progrediam num passo firme. Virando-se na sela, Michel avistou ao longe, na planície pantanosa, as formas de três cavaleiros. Aquele monge era decididamente um louco. Por sorte, a noite logo iria imobilizá-lo nos pântanos, forçando-o a interromper a perseguição.
Ao fim de quatro horas de marcha, protegidos pela escuridão e pelos mugidos do vento que cobriam qualquer outro ruído, Michel e Jean desceram a outra vertente da Montagnette. Mais duas horas de estrada e encontrariam refúgio entre os boumians do lugarejo de Vallabrègues.
Esses habitantes dos pântanos, tratados como infames, subsistiam graças à exploração do junco com o qual confeccionavam cestos e canastras. Jean de Saint-Rémy podia contar com a ajuda deles para atravessar o Ródano, evitando a ponte de Tarascon.
Era um dos poucos que sabiam que os boumians de Vallabrègues, cansados de serem extorquidos pelo pedágio das pontes, tinham construído uma espécie de barcaça manobrada por longas varas, da qual se serviam para passar mercadoria para a margem direita do rio. E também, ocasionalmente, fazer um pouco de contrabando. As autoridades não imaginavam sua existência, considerando que o rio era muito difícil de ser atravessado naquele ponto.
Michel e Jean encontraram refúgio numa bacia de rocha abrigada do vento e ali se instalaram sem se arriscar a acender um fogo para se aquecer. Enrolaram-se em grossos mantos de lã e se acomodaram o melhor que puderam, lado a lado, as costas apoiadas na rocha plana. Sabiam que deveriam dormir para recuperar um pouco as forças, mas se descobriram incapazes de fazê-lo. Então, ficaram ali, silenciosos, perdidos em pensamentos.
O vento mistral tinha limpado o céu. Nunca as estrelas pareceram tão próximas. Como quando Michel, em criança, passava noites inteiras a contemplá-las, certo de que poderia tocá-las com o dedo se desejasse com bastante fé.
— O que é o lugar de Mirzam? — acabou por perguntar.
— Pense. Você se lembra dos jogos que eu inventava quando você era pequeno? O princípio é o mesmo.
Jean tinha inventado um método original capaz de estimular o imaginário. Compunha enigmas, charadas, adivinhações que constituíam, na maioria das vezes, verdadeiras caçadas ao tesouro. O menino devia procurar os dados necessários à solução em livros ou por meio de perguntas. Desse modo, a busca do conhecimento se tornara um jogo permanentemente renovado. Com o tempo, Michel compreendia que o que estivera especialmente em jogo naqueles anos tinha sido a busca incansável, mais do que seu objeto. Sabia que seria sempre assim, já que cada nova aquisição correspondia a uma nova ignorância. Por mais vasto que fosse, o Saber estaria sempre na escala do humano, e o desconhecido, na do universo.
— Afaste o ressentimento do coração — continuou suavemente Jean. — Eu ardia por lhe revelar essas coisas que calei. Se não o fiz, foi porque você ainda não tinha as disposições necessárias. Ao sofrimento pela perda dos seus, misturava-se a raiva diante da mesquinhez e da intolerância. Não o censurei por aquele sofrimento nem por aquela cólera justificada. Mais tarde, porém, você deixou a dúvida se insinuar em seu coração.
— Salvei gente que não significava nada para mim, e deixei morrer aqueles que eu amava!
— Você fazia o que jurou fazer. A morte não é nem justa, nem injusta. Ela é a única certeza. A única promessa da vida da qual não podemos duvidar, pois será mantida. E, além disso, você sofria de fato?
A voz de Jean se fizera cortante.
— Como pode duvidar disso? — insurgiu-se Michel.
— Tinha pena de si mesmo por não sentir o desespero que constatava nos outros, atingidos como você. Tinha vergonha da liberdade recuperada. Você acha que sua vida se limitaria a ser um médico em Agen? Tem certeza de que um dia não teria abandonado mulher e filhos para responder ao chamado do destino?
Michel encarou o avô, perplexo.
— Como pode saber dessas coisas?
— Como podia pensar em escondê-las de mim? — retorquiu afetuosamente Jean. — A sorte proíbe-lhe a mediocridade e seu manto de amargura. Agradeça-lhe e alegre-se.
O vento diminuía. Suas lufadas se tornavam mais raras, oferecendo à natureza uma pausa. Os ruídos da floresta se elevavam novamente, um após outro.
— Entreguei-me à alquimia faz alguns anos, quando você estava começando a fazer medicina em Montpellier — continuou Jean com voz pensativa antes de logo ironizar: — Era necessário que eu me mantivesse um pouco adiante de você.
Trocaram um olhar de cumplicidade no qual se exprimia em todas as nuances a força da relação deles, fundada na troca sem limite e sem restrição.
— Eu sentia falta de você — prosseguiu Jean, com pudor. — Além do mais, é sempre preciso manter a chama da descoberta, do contrário, a alma se enche de neve, e o espírito morre de frio. A alquimia, veja você, consiste apenas em fazer com os metais o que já praticamos com as plantas. Ou, se quiser, em recompor o leque do arco-íris a partir dos três fundamentais...
O grito de alerta de um rapinante noturno perturbado em sua vigília o interrompeu. Em resposta a esse alarme, a floresta fez-se imediatamente silenciosa. Eles ouviram então, ao longe, o tilintar metálico repetido em ecos, ricocheteando nas rochas da Montagnette. Cavaleiros que não temiam a noite e suas ciladas desciam na direção do rio.
Michel e Jean se levantaram e, tomando as rédeas das montarias, dirigiram-se para o juncal onde estava escondida a barcaça dos ciganos. O dia apontaria em uma hora. Quando chegaram à barcaça, encontraram alguns amigos, já ocupados em soltar a embarcação. Também alertados pelos ruídos insólitos, os de Vallabrègues não se enganaram. Homens armados avançando na noite significavam soldados ou sicários.
Os ciganos tinham acabado de puxar a barcaça para a margem. Os seis homens que a manobravam usavam longas varas enquanto Jean de Saint-Rémy se preparava para fazer o cavalo embarcar.
Os ecos de uma furiosa cavalgada ressoaram. Num crepitar de juncos esmagados pelos cascos, Ochoa e seus capangas apareceram no caminho de sirgagem. Michel virou a montaria e desfez-se do manto, atirando-o para Jean. Em seguida, postou-se de frente para os assaltantes e esperou, sereno, concentrando as forças. Surpresos ao vê-lo resistir, eles fizeram uma pausa. Embora a penumbra lhe impedisse de distinguir os olhos de Michel, Ochoa adivinhava-lhes o fulgor. O herético era possuído, sem dúvida alguma, mas era um homem, antes de tudo. Feiticeiro, decerto, mas não guerreiro. Seus poderes demoníacos ficariam sem efeito contra três lâminas experientes. Quanto à sua velha espada, representava apenas uma bugiganga, vergonhosa lembrança do laxismo do papado nos tempos em que preferia ganhar os judeus por meio de complacentes títulos de nobreza a submetê-los. E, de fato, aquele nem fingia desembainhá-la para combater como homem. Muito bem. Morreria como covarde. Sob tortura.
Ochoa se enganava. Embora de natureza pacífica, Michel sabia apreciar o combate como um jogo de estratégia, de posicionamento no espaço e de execução. Tratava-se antes de tudo de equilíbrio e de aplicação das energias mais que de força física. Equilibrou-se no fundo da sela, tirou do estojo o bastão de combate, presente de Zoltan, e avaliou a distância em que se encontrava dos agressores.
— Eu o quero vivo! — bradou Ochoa.
Os capangas desembainharam os formidáveis espadões e esporearam. Respiração lenta, todos os sentidos em alerta, Michel observou a carga. Como esperava, atiravam-se desparceirados, para não atrapalhar um ao outro. O gesto a realizar impôs-se. Seus dedos se fecharam em torno do bastão posicionado horizontalmente sobre as coxas.
Os espadachins precipitaram-se contra ele, com o braço já levantado para armar o golpe. Com uma súbita pressão dos joelhos, Michel fez a montaria saltar. Seu bastão ergueu-se num molinete fulgurante. O primeiro capanga recebeu o golpe em plena face e caiu para trás cuspindo os poucos dentes que lhe restavam. Não tinha ainda tocado a terra, e o molinete acertava o occipital do segundo, atirando-o sentado na lama. Então, esperou, com as mãos repousando sobre o arção da sela.
Aturdido, Ochoa permaneceu preso no lugar, sem saber mais o que fazer. Apesar de toda a coragem, sentiu sua resolução vacilar. O herético revelava-se dotado de poderes mais terríveis do que imaginara. O sucesso de sua missão exigia que se afastasse prudentemente. Sempre havia tempo de reencontrar a presa, agora que a tinha identificado. Mas o orgulho lhe impedia a retirada. Tremendo de raiva, Ochoa desembainhou a espada e esporeou, urrando.
— Pela fé!
Michel viu a carga assassina chegar. Se quisesse salvar a própria vida e a de Jean, teria de desembainhar também para aparar o assalto. Depois, seria o caso de apenas alguns lances, e o inquisidor cegado pelo ódio acabaria por se espetar sozinho na lâmina. Mas jurara salvar vidas, ou, pelo menos, protegê-las.
Inclinado na sela, a lâmina apontada, Ochoa via crescer a silhueta do herético execrado. Lábios arregaçados num ricto de forma selvagem, ele saboreava antecipadamente a deliciosa sensação do ferro rasgando o peito do ímpio. Só lhe faltava alongar um pouco mais o avanço da espada.
No último momento, Michel fez sua montaria balançar fortemente da esquerda para a direita, de modo espetacular. Distraído pelo movimento, o cavalo de Ochoa perdeu um passo enquanto seu cavaleiro, de repente, não sabia mais para onde dirigir a estocada. Levado pela carga, errou o alvo. Com violento puxão nos freios que rasgaram a boca da montaria, o inquisidor imobilizou-a nos quatro ferros e deu meia-volta. Ofegante, considerou o inimigo, cuja impassibilidade aumentava a afronta, antes de partir novamente para o assalto.
Com uma rápida olhada para a barcaça, Michel viu que Jean tinha acabado de embarcar, e que só esperavam por ele para iniciarem a travessia.
— Larga! — gritou para o barqueiro. O que o homem se apressou a fazer, não tendo nada perdido do combate.
Os dedos de Michel se fecharam sobre uma arma que levava escondida, presa ao cinto. Uma arma terrível, de uso estritamente defensivo, que todo jovem cigano recebia aos 14 anos. Tratava-se de um simples pé de galo endurecido no fogo, que se encaixava perfeitamente na palma da mão, enquanto o esporão afiado como uma navalha apontava entre os dedos. Os ciganos a chamavam de Garra. Ochoa caía novamente sobre ele, a espada em punho. Michel se abaixou, evitando a lâmina que se tornara hesitante e que passou silvando. Inclinando-se então na sela como um acrobata, cortou com um golpe da Garra a barrigueira da sela do monge que degringolou imediatamente montaria abaixo.
Michel aproveitou para galopar em direção à margem onde a barcaça, apanhada pela forte correnteza, já se afastara alguns metros. Erguendo o cavalo num salto prodigioso, conseguiu por um triz alcançar a embarcação. Saltando da sela, inebriado pela exaltação do combate, abraçou Jean, rindo, sem prestar mais atenção ao inimigo extenuado.
Patinhando na lama, Ochoa via afastarem-se a barcaça e aquele herege que o tinha enganado. Enlouquecido pela humilhação, precipitou-se para a margem. Esperando, contra toda evidência, poder ainda aproximar-se da presa, entrou na água, mas a força da correnteza quase o derrubou após três passos. Com água pela metade das coxas, desembainhou o punhal e o atirou com toda a força na direção dos fugitivos que o dia nascente aureolava de luz dourada.
De repente, Michel viu os olhos de Jean se arregalarem, enquanto seu corpo se retesava em seus braços. Um sinistro punhal com cabo de madeira negra ornado com uma cruz de prata estava enfiado até a guarda nas costas do velho.
Naquele sábado, 28 de outubro de 1533, perto dali, em Marselha, o príncipe Henrique de Orléans, segundo filho do rei Francisco I, casava-se com Catarina de Médici. O jovem casal, que a ordem da sucessão não destinava a reinar, tinha 14 anos de idade.
O Destino acabara de cuidar de tudo para que a vida de Michel de Nostredame se lançasse à tragédia.
Samsung apresenta telefone celular com bateria solar
A Samsung apresentou o Telefone Celular Samsung Blue Earth, aparelho celular que permite a recarga da bateria através da captação da energia solar por meio de um painel instalado em sua parte de trás. O Blue Earth também é ecológico, feito em material reciclável extraído de garrafas de água, o que reduz a emissão de carbono na atmosfera.
O celular Samsung Blue Earth é full touch screen, ou seja, todas as funções são realizadas através do toque digital em sua tela colorida.