segunda-feira, 27 de abril de 2009

Livros | Brasil: Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Abril 26, 2009

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Livros | Brasil: Lista dos livros mais vendidos no Brasil
Abril 26, 2009

O Estado de São Paulo

livros a cabana william p young books

Ficção

01. A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro

02. CREPÚSCULO (1º livro da série)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

03. LUA NOVA (2º livro da série)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

04. LEITE DERRAMADO
Chico Buarque . leia um trecho do livro

05. ECLIPSE (3º livro da série)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

06. O CAÇADOR DE PIPAS
Khaled Hosseini . leia um trecho do livro

07. O VENDEDOR DE SONHOS
Augusto Cury . leia um trecho do livro

08. A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS
Markus Zusak

09. O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
John Boyne . leia um trecho do livro

10. O LEITOR
Bernhard Schlink


livros mentes perigosas books

Não-Ficção

01. MENTES PERIGOSAS - O PSICOPATA MORA AO LADO
Ana Beatriz Barbosa Silva

02. COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro

03. O CÓDIGO DA INTELIGÊNCIA
Augusto Cury . leia um trecho do livro

04. MARLEY E EU
John Grogan . leia um trecho do livro

05. VENCENDO O PASSADO
Zibia Gasparetto

06. MAIORIDADE PENAL
Rogério Ceni

07. QUEM ME ROUBOU DE MIM?
Fábio de Melo

08. A ARTE DA GUERRA
Sun Tzu . leia um trecho do livro

09. O MONGE E O EXECUTIVO
 James C. Hunter . leia um trecho do livro

10. A CABEÇA DE STEVE JOBS (o dono da Apple)
Leander Kahney . leia um trecho do livro


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domingo, 26 de abril de 2009

Concurso Público: INMETRO

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Concurso Público: INMETRO

O concurso nacional do INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) oferecerá salário inicial de até R$ 7.563,01 aos participantes aprovados nas 127 vagas de trabalho disponibilizadas pelo edital da autarquia.

Os interessados nos vários cargos de emprego deverão efetuar a inscrição através da Internet pelo endereço www.cespe.unb.br/concursos/inmetro2009 até o dia 26/05/2009. Podem participar das provas do concurso público pessoas que obtiveram a formação escolar no ensino superior.


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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Trecho do Livro: Numerati | Stephen Baker

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Trecho do Livro: Numerati | Stephen Baker

Livros Numerati Stephen Baker BooksLivro: Numerati

Saiba onde encontrar este livro

Imagine-se num café, talvez o barulhento onde estou sentado neste momento. Uma mulher jovem na mesa à sua direita está teclando no laptop dela. Você vira a cabeça e olha para a tela. Ela navega na Internet. Você observa.

Passam-se horas. A garota lê um jornal na Internet. Você observa que ela lê três artigos sobre a China. Ela procura filmes para a noite de sexta-feira e assiste a um trailer do Kung Fu Panda. Acessa um anúncio que promete colocá-la em contato com antigos colegas de escola. Você permanece observando. A cada minuto decorrido, descobre mais sobre ela. Agora imagine se você conseguisse observar 150 milhões de pessoas navegando na Internet ao mesmo tempo. É mais ou menos o que Dave Morgan faz.

"Qual é a dos fãs de filmes de amor?", Morgan pergunta, sentado comigo no seu escritório de Nova York, num entardecer de verão. O empresário da publicidade está cheio de detalhes sobre as nossas andanças online. Ele consegue identificar os padrões de nossas migrações, como se fôssemos andorinhas ou baleias-jubarte, enquanto perambulamos de um site ao outro. Recentemente ele se intrigou com as pessoas que acessam com freqüência um anúncio de aluguel de carros. Entre elas, o grupo maior havia visitado um obituário na Internet. Isso faz sentido, ele diz, tendo ao fundo o tamborilar da chuva nas janelas. "Alguém morre e você aluga um carro para chegar correndo ao funeral." Mas é o segundo maior grupo que está deixando Morgan intrigado. Fãs de filmes de amor. Por algum motivo que Morgan não consegue discernir, muitos deles parecem atraídos por um banner da Alamo Rent a Car, uma empresa de aluguéis de automóveis.

Morgan, um homem jovial de 43 anos, tem os cabelos esticados para o lado, como se, quando criança, a mãe tivesse mergulhado um pente na água, penteado seus cabelos e eles permanecessem assim. Cresceu em Clearfield, uma cidadezinha no oeste da Pensilvânia, a pouca distância de carro de Punxsutawney. Todos os anos, no segundo dia de fevereiro, bem na metade entre o solstício de inverno e o equinócio de primavera, uma multidão naquela cidade se reúne em volta de um grande roedor enjaulado, ainda grogue da hibernação. Ela examina a reação do animal à própria sombra. De acordo com uma antiga lenda celta, esse dado individual informa se a primavera virá cedo ou esperará até o fim de março. Morgan afastou-se o máximo possível dessas previsões tradicionais. Em sua empresa em Nova York, a Tacoda, ele contrata estatísticos para rastrear nossas perambulações pela web e prever nossos próximos lances. Morgan foi um pioneiro da publicidade na Internet durante a "bolha ponto com", abrindo uma agência chamada 24/7 Real Media. Depois do estouro da bolha, fundou outra empresa, a Tacoda, e passou naturalmente para o que viu como o próximo grande desafio: ajudar os anunciantes a localizar os internautas mais promissores para suas mensagens.

Todo o negócio da Tacoda se concentra em dados. A empresa firmou contratos com milhares de publicações na Internet, do New York Times à Business Week. Seus sites permitem que a Tacoda coloque uma pequena codificação, chamada cookie, nos nossos computadores. Isso permite à Tacoda acompanhar nosso percurso de um site para o próximo. A empresa concentra-se no nosso comportamento e não se dá ao trabalho de descobrir nossos nomes ou outros detalhes pessoais (isso poderia provocar uma reação dos defensores da privacidade). Mesmo assim a Tacoda consegue descobrir muita coisa. Digamos que você visite o Boston Globe e leia uma coluna sobre o Toyota Prius. Depois você consulta a seção de carros da AOL. As chances são grandes de que você esteja à procura de um carro. Assim, a certa altura de suas andanças pela web, a Tacoda o atinge com um anúncio de carro. Se você acessá-lo, a Tacoda é paga pelo anunciante - ao mesmo tempo em que recolhe mais um detalhe sobre você. A empresa coleta 20 bilhões dessas pistas comportamentais a cada dia.

Às vezes, a equipe de Morgan detecta grupos de internautas que parecem se mover em sincronismo. O desafio então é descobrir o que desencadeia seus movimentos. Uma vez esclarecido isso, os anunciantes podem prever as navegações das pessoas na Internet - e salpicar seus caminhos com os anúncios certos. Isso requer pesquisa. Vejamos a relação curiosa entre aficionados de filmes de amor e o anúncio da locadora de automóveis Alamo. Para desvendá-la, Morgan e seus colegas precisam mergulhar mais fundo nos dados. As pessoas que alugam carros estão vindo, em grande número, de algum tipo de filme de amor, talvez filmado num local exótico? Os membros desse grupo possuem outros sites favoritos em comum? As respostas residem nas seqüências de uns e zeros enviadas pelos nossos computadores. Talvez a estatística revele que o vínculo aparente entre fãs de filmes de amor e pessoas que alugam carros foi um simples acaso estatístico. Ou talvez a equipe de Morgan venha a descobrir uma tendência mais ampla, uma correlação entre amor e viagens, desejo s_xual e desejo de viajar. Isso poderia levar a todo tipo de sacadas publicitárias. Nos dois casos Morgan pode solicitar centenas de testes. Com cada um pode descobrir um pouco mais sobre nós e direcionar os anúncios com mais precisão a cada vez. Ele está substituindo a análise que antes dependia da intuição do anunciante por ciência. Somos as suas cobaias e nunca cessamos de trabalhar para ele.

Quando se trata de produzir dados, somos prolíficos. Os usuários de celulares, laptops e cartões de crédito, só pelo fato de viverem, engordam a cada dia os seus próprios dossiês digitais. Tomemos o meu caso. Enquanto escrevo nesta manhã de primavera, a Verizon, operadora do meu celular, consegue me localizar, com margem de erro de alguns metros, neste café em Nova Jersey. A Visa pode atestar que estou bem cafeinado, provavelmente para me recuperar dos efeitos do vinho português que comprei ontem às 20h19. Isso aconteceu em tempo de assistir a um jogo de basquete universitário pela TV, que, como a TiVo deve saber, desliguei após o primeiro tempo. Câmeras de segurança captam imagens minhas, com indicação da hora exata, perto de cada banco e loja de conveniência. E nem me falem de minhas navegações pela web. Essas já vêm sendo registradas por dezenas de editores e anunciantes da Internet mundo afora. Dave Morgan é mais um numa multidão grande e curiosa. Na segunda metade do século passado, para obter esse nível de informação, o governo da Alemanha oriental teve de aliciar dezenas de milhares de seus cidadãos como espiões. Atualmente espionamos a nós mesmos e enviamos atualizações eletrônicas a cada minuto.

Tudo começou com os chips de computador. Até a década de 1980, esses pedacinhos de silício, repletos de milhões de transistores microscópicos, ainda eram novidade. Mas foram ficando mais baratos e poderosos a cada ano, e agora os fabricantes os incluem em praticamente tudo que possa se beneficiar de um toque de inteligência. Eles acionam nossos telefones celulares, os controles de nossos carros, nossas câmeras digitais e, é claro, nossos computadores. Nas festas de fim de ano, os embrulhos que abrimos trazem mais chips às nossas vidas. Esses chips conseguem registrar cada instrução recebida e cada tarefa realizada. São anotadores meticulosos. Registram as minúcias de nossas vidas. Isoladamente, cada informação é quase inexpressiva. Mas quando esses bits são reunidos, seus padrões descrevem nossos gostos e sintomas, nossas rotinas no trabalho, os caminhos que percorremos no shopping center e supermercado. E esses fluxos de dados dão a volta ao mundo. Do seu telefone celular, envie um emoticon a um amigo. Aquele fragmento de seu comportamento, aquele gesto minúsculo, dispara instantaneamente, com bilhões de outros, por cabos de fibra óptica. Sobe para um satélite e desce até um parque de servidores em Cingapura antes que você tenha guardado o celular de volta no bolso. Com tantos bits voando por aí, o próprio ar que respiramos está fervilhando com partículas de informações.

Se alguém conseguisse coletar e organizar esses gestos eletrônicos dispersos, nossas vidas entrariam em foco. Isso criaria um mosaico cambiante e atualizado do comportamento humano. A perspectiva é suficiente para empolgar os profissionais de marketing. Uma vez que tenham acesso aos nossos dados, poderão decodificar nossos desejos, temores e necessidades. Poderão nos vender precisamente o que estamos querendo.

Mas a coisa soa mais simples do que realmente é. Oceanos de dados, dos e-mails e downloads às notas fiscais, criam imensas ondas caóticas. Num só mês, o Yahoo sozinho reúne 110 bilhões de dados individuais sobre seus clientes, segundo um estudo de 2008 de uma empresa de pesquisas. Cada pessoa que visita sites na rede de anunciantes do Yahoo deixa, em média, um rastro de 2.520 pistas. Você pode pensar que basta juntar esses detalhes para nossos perfis como consumidores, viajantes e trabalhadores surgirem num instante. Conseguir essa clareza, porém, leva tempo. Quando visito Prabhakar Raghaven, o chefe de pesquisas do Yahoo, fico sabendo que a maioria dos dados é lixo digital. Esse "ruído", como ele o chama, consegue facilmente dominar os computadores do Yahoo. Se um dos cientistas de Raghaven der um comando impreciso quando estiver vasculhando os dados do Yahoo, os servidores da empresa poderão ficar perdidos em meio ao ruído durante dias a fio. Mas um ajuste certeiro nessas instruções pode acelerar a busca 30 mil vezes. Isso reduz um processo de 24 horas a cerca de três segundos. Sua conclusão é que pessoas com as habilidades certas conseguem extrair sentido do mar de dados quase abissal. Não é fácil, mas elas conseguem nos localizar ali.

As únicas pessoas que conseguem interpretar os dados que criamos são os grandes matemáticos, os cientistas da computação e os engenheiros. Eles sabem como transformar os dados de nossas vidas em símbolos. Por que isso é necessário? Imagine que você quisesse acompanhar tudo que comeu durante um ano. Se você for como eu era na quarta série, irá à papelaria e comprará um montão de fichas. Depois, a cada refeição, anotará os diferentes alimentos numa ficha nova. Bolo de carne. Espinafre. Pudim de tapioca. Cereais da Cheerios. Após alguns dias, sua pilha de fichas cresceu. O problema é que não há como contá-las ou analisá-las. Não passam de um bando de palavras. Claro que estas também são símbolos, cada um representando uma coisa ou um conceito. Mas são quase impossíveis de somar ou subtrair, ou de representar num gráfico ilustrando uma tendência. Juntando-se essas palavras, elas formam o que os especialistas chamam de "dados não-estruturados". Este é o jargão da computação para "uma grande bagunça". Uma abordagem melhor seria rotular todas as carnes com C, todas as verduras com V, todos os doces com D, e assim por diante. Uma vez que as palavras sejam reduzidas a símbolos, é possível dispô-las numa planilha e calcular, digamos, quantas vezes você comeu carne ou doce numa dada semana. Depois você pode traçar um gráfico associando sua dieta a mudanças no seu peso ou à quantidade de espinhas no seu rosto.


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terça-feira, 21 de abril de 2009

Trecho do Livro: Formaturas Infernais | Stephenie Meyer

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Trecho do Livro: Formaturas Infernais | Stephenie Meyer

Formaturas Infernais é uma reunião de contos de terror e suspense de cinco autoras: Stephenie Meyer (Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer), Meg Cabot, Michele Jaffe, Kim Harrison e Lauren Myracle. O livro já está em pré-venda e o seu lançamento está previsto para o dia 06/05/2009. O trecho do conto abaixo é de autoria da escritora Lauren Myracle.

Livros Formaturas Infernais Stephenie Meyer BooksLivro: Formaturas Infernais

Saiba onde encontrar este livro

Lá fora, o vento chicoteava a casa de Madame Zanzibar, fazendo com que a calha batesse contra a parede. O céu estava escuro, apesar de ainda serem 16h. Dentro da sala decorada de forma extravagante, três abajures brilhavam densamente, cada um envolto por cachecóis perolados. Um tom de rubi iluminava o rosto redondo de Yun Sun, enquanto que a luz sarapintada de roxo e azul conferia a Will um ar de morte recente.

— Está parecendo que você acabou de sair do caixão — disse eu para ele.

— Frankie — me repreendeu Yun Sun. Ela inclinou a cabeça na direção da porta fechada do escritório da Madame Z, indicando que não queria que o meu comentário fosse ouvido. Um macaco vermelho de plástico estava pendurado na maçaneta, o que significava que Madame Z estava com clientes. Nós éramos os próximos.

Will deixou que seu olhar se perdesse no vazio.

— Eu sou um alienígena — disse ele, gemendo. Ele esticou os braços na nossa direção. — Quero seus corações e fígados.

—Ai, não! Um alienígena tomou o corpo do nosso querido Will! — Apertei o braço de Yun Sun. — Rápido, dê o coração e o fígado para que ele deixe Will em paz!

Yun Sun puxou o braço.

— Isso não tem graça nenhuma — disse ela com um tom de voz melodioso e ameaçador. — E se vocês não me obedecerem, eu vou embora.

— Deixe de ser tão certinha — respondi.

— Eu e minhas coxas gigantescas vamos nos retirar. Não duvide.

Yun Sun tem achado que as suas pernas estão muito gordas, só porque o vestido super justo que ela escolheu para a formatura precisou ser um pouco afrouxado. Pelo menos ela tinha um vestido de formatura. E uma grande chance de usá-lo.

— Blablablá — eu disse de volta. O mau humor dela estava colocando o nosso plano, o único motivo para estarmos ali, em risco. A noite da formatura estava cada vez mais perto, e eu não ia ficar que nem uma infeliz sentada sozinha em casa enquanto todos estariam cheios de brilho dançando alegremente com seus saltos altos espetaculares. Eu me recusava a passar por isso, ainda mais porque eu sabia lá no fundo do coração que Will ia me chamar. Ele só precisava de um empurrão.

Abaixei o tom da voz para falar com Yun Sun e sorri para Will como se dissesse lá lá lá, conversa entre meninas, nada importante!

— Nós duas tivemos esta idéia, Yun Sun? Lembra?

— Não, Frankie, a idéia foi sua — disse ela sem abaixar a voz. — Eu já tenho o meu par, mesmo que as minhas coxas o esmaguem. Você é quem está esperando por um milagre.

— Yun Sun! — Olhei para o Will. Ele estava encabulado. Menina má, abrindo o jogo dessa forma. Má, má, e muito malcriada.

— Ai! — gritou ela depois de receber o meu tapa.

— Eu estou muito chateada com você — eu disse.

— Chega de timidez. Você realmente quer que ele chame você, não quer?

— Ai!

— Hum, meninas — disse Will. Ele estava fazendo aquela coisa fofa que ele faz quando fica nervoso. O seu pomo de Adão balança para cima e para baixo rapidamente. Na verdade... essa imagem era meio desagradável, pois ela me fazia pensar em Adão no Paraíso com Eva, e isso me lembrava maçãs, abocanhar maçãs...

Enfim, Will tinha mesmo um pomo de Adão, e quando ele movia a garganta para cima e para baixo era muito fofo. Ele ficava vulnerável.

— Ela bateu em mim — delatou Yun Sun.

— Ela mereceu — eu retruquei. Eu não queria, porém, que essa conversa continuasse. Aquela frase já havia revelado o suficiente. Achei melhor fazer carinho na perna nem um pouco gorda de Yun Sun e disse:

— Mas eu perdôo você. Agora cale a boca.

O que Yun Sun não entendia — ou, provavelmente, o que ela entendia mas não compreendia — era que nem todas as coisas precisavam ser ditas em voz alta. Sim, eu queria que Will me chamasse para o baile de formatura, e eu queria que ele fizesse isso logo, porque a “A primavera dos apaixonados” ia acontecer em duas semanas.

Tudo bem, o nome do baile era brega, mas a primavera era para os apaixonados. Isso era uma verdade inquestionável. Assim como era inquestionável que Will era o meu amor eterno e que seria bom se ele conseguisse superar a timidez e tomar uma atitude. Chega de tapinhas no ombro, risadinhas e guerras de cosquinhas! Chega de ficar se agarrando e tremendo, colocando a culpa nos filmes de terror que assistimos, como Vampiros de Almas e O Iluminado. Será que Will não via que éramos feitos um para o outro?

Ele quase fez a pergunta na semana passada, eu tive 95,5 por cento de certeza. Nós estávamos assistindo Uma linda mulher — um filme um tanto superestimado, porém divertido. Yun Sun tinha ido à cozinha para pegar biscoitos, deixando nós dois sozinhos.

— Hum, Frankie? — disse Will. Os pés dele estavam batendo no chão, e seus dedos apertaram a calça jeans. — Posso perguntar uma coisa para você?

Qualquer idiota entenderia o que estava por vir. Se ele quisesse que eu aumentasse o volume, ele apenas diria “Ei, Franks, aumente o volume.” Casual. Direto. Sem necessidade de perguntas preliminares. Contudo, já que houve uma pergunta preliminar... bem, que mais ele poderia querer me perguntar além de “Você vai à formatura?” A alegria eterna estava ali, a poucos segundos de mim.

E aí eu estraguei tudo. Seu nervosismo palpável me fez perder o controle, e em vez de deixar que o momento chegasse naturalmente, mudei de assunto de forma brusca. PORQUE EU SOU UMA IDIOTA.

— Tá vendo? É assim que se faz! — falei, apontando para a televisão. Richard Gere estava galopando em seu cavalo branco, que na verdade era uma limusine, até o castelo de Julia Roberts, que na verdade era um apartamento velho no terceiro andar. Na cena que assistíamos, Richard Gere aparecia no teto solar do carro e subia pelas escadas de emergência a fim de conquistar sua amada.

— Nada de papinho furado, de “eu acho que você é bonitinha” — continuei. Estava falando besteira, e eu sabia disso. — O negócio é agir, querido. O negócio é dar demonstrações de amor.

Will engoliu a saliva e murmurou um “Ah.” Ele olhou para Richard Gere com uma carinha de urso de pelúcia, pensando, certamente, que nunca conseguiria ser como ele, nunca mesmo.

Olhei para a televisão, ciente de que eu havia sabotado a minha noite de formatura com a minha própria estupidez. Eu não estava nem aí para “demonstrações de amor”; eu apenas ligava para o Will. Porém eu, brilhante que sou, o assustei. Porque no fundo, no fundo, eu estava sentindo mais medo do que ele.

No entanto, não seria mais assim — e era por isso que nós estávamos ali na Madame Zanzibar. Ela leria o nosso futuro, e, a não ser que ela fosse uma farsa, ela diria o que era óbvio para uma observadora imparcial: que eu e Will fomos feitos um para o outro. Ouvir isso de uma forma bem sóbria daria coragem a Will para tentar de novo. Ele me chamaria à formatura, e, dessa vez, eu daria espaço, mesmo que isso me deixasse nervosa.

O macaco de plástico se mexeu na maçaneta do consultório.

— Olhe, está se movendo — sussurrei.

— Ih... — disse Will.

Um homem negro com cabelo cor de neve saiu do consultório arrastando os pés. Ele não tinha os dentes, o que fazia com que a metade inferior de seu rosto ficasse muito enrugada, como uma ameixa seca.

— Crianças — disse ele, tocando em seu chapéu.

Will se levantou e abriu a porta da frente, porque ele era uma pessoa muito gentil. Uma rajada de vento quase derrubou o senhor, e Will o segurou.

— Nossa — disse Will.

— Obrigado, filho — respondeu o senhor. As palavras saíam um pouco abafadas, por causa da falta de dentes. — Melhor eu me apressar antes que a tempestade comece.

— Parece que já começou — disse Will. Do outro lado da rua, galhos se moviam violentamente, fazendo muito barulho.

— Este ventinho de nada? — disse o senhor. — Ah, convenhamos, isso é só um bebezinho querendo mamar. Vai ficar muito pior quando anoitecer, pode escrever. — Ele olhou para nós. — Inclusive, crianças, não era para vocês estarem em casa, na segurança do lar?

Era difícil ficar ofendida quando um senhor sem dentes lhe chamava de "criança" — mas por favor, era a segunda vez em vinte segundos.

— Nós estamos no primeiro ano do ensino médio — respondi, — nós sabemos nos cuidar.

A risada dele me fez pensar em folhas mortas.

— Tudo bem, então — disse ele. — Vocês que sabem. — Ele deu passinhos pequenos até a varanda. Will acenou e fechou a porta.

— Pessoa maluca — disse uma voz atrás de nós. Ao nos virarmos, vimos Madame Zanzibar na porta do consultório. Ela usava calças de moletom rosa choque da Juicy Couture com um top da mesma cor, cujo zíper estava aberto até a altura das clavículas. Seus seios eram redondos, firmes e incrivelmente enxutos, considerando que ela não estava vestindo sutiã. Ela usava um batom laranja claro que combinava com as suas unhas e com a guimba do cigarro que já estava terminando entre os seus dedos.

— Então, nós vamos entrar ou vamos ficar aqui fora? — perguntou ela para nós três. — Vamos desvendar os mistérios da vida ou deixá-los quietos onde estão?

Eu me ergui da cadeira e puxei Yun Sun comigo. Will fez o mesmo. Madame Z nos mandou entrar logo, e nós três sentamos juntos em uma poltrona estofada. Will percebeu que não cabíamos ali e foi sentar-se no chão. Me mexi para que Yun Sun me desse mais espaço.

— Viu? Elas são duas salsichas — disse ela, referindo-se as suas pernas.

— Chega para lá — comandei.

— Então — disse Madame Z, passando por nós e sentando-se atrás da mesa —, o que vocês querem?

Mordi o lábio. Como eu poderia explicar?

— Bem, você é médium, não é?

Madame Z soltou uma nuvem de fumaça.

— Nossa, Sherlock, o anúncio nas páginas amarelas lhe deu essa informação?

Fiquei encabulada, ainda que estivesse sentindo raiva. Minha pergunta havia sido uma forma de começar uma conversa. Ela tinha algum problema com inícios de conversas? Enfim, se ela realmente era médium, devia saber por que eu estava ali, certo?

— Bem... OK. Sim, claro, sei lá. Então eu acho que eu queria saber se...

— É mesmo? Fale logo.

Eu uni forças.

— Bem... eu queria saber se uma certa pessoa vai me fazer uma certa pergunta. — Não olhei para o Will, de propósito, mas ouvi a inspiração surpreendida dele. Ele não havia previsto aquilo.


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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Trecho do Livro: John Lennon - A Vida | Philip Norman

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Trecho do Livro: John Lennon - A Vida | Philip Norman

Livros John Lennon Vida Philip Norman BooksLivro: John Lennon - A Vida

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John Lennon nasceu com um dom para a música e a comédia que o levariam muito mais longe de suas raízes do que poderia ter sonhado. Quando jovem, foi atraído para longe das ilhas Britânicas pelo glamour e a oportunidade aparentemente infinitos do outro lado do Atlântico. Alcançou o feito raro para um artista britânico de apresentar música americana para os americanos e tocá-la de modo tão convincente quanto um profissional nativo, ou ainda melhor. Durante vários anos, seu grupo excursionou pelo país, deleitando platéias em cidade após cidade com seus ternos berrantes, cabelos engraçados e contagiantes sorrisos de felicidade.

Este, naturalmente, não era o Beatle John Lennon, mas o seu avô paterno homônimo, mais conhecido como Jack, nascido em 1855. Lennon é um sobrenome irlandês - de O'Leannain ou O'Lonain - e Jack costumava dizer que havia nascido em Dublin, embora existam indícios de que, algum tempo antes, sua família tivesse atravessado o mar da Irlanda para se tornar parte da extensa comunidade hibérnica de Liverpool. Ali ele começou a ganhar a vida como escriturário, mas na década de 1880 seguiu um impulso comum entre seus compatriotas e emigrou para Nova York. Enquanto a cidade transformava outros imigrantes irlandeses em operários ou policiais, Jack virou membro da trupe Coloured Operatic Kentucky Minstrels (Menestréis Operáticos de Cor do Kentucky), de Andrew Roberton.

Por mais breve ou informal que tenha sido seu envolvimento, isto fez dele parte da primeira leva transatlântica de música popular. As trupes americanas de menestréis, em que brancos enegreciam o rosto, usavam colarinhos enormes e pantalonas listradas e entoavam refrões sentimentais sobre o Velho Sul, eram imensamente populares no final do século XIX, seja como intérpretes seja como criadores de canções de sucesso. Quando os Coloured Operatic Kentucky Minstrels excursionaram pela Irlanda em 1897, o Limerick Chronicle os chamou de "os consagrados mestres mundiais da refinada arte dos menestréis", enquanto o Dublin Chronicle os considerou o melhor desses grupos que por lá passara. Um almanaque da época registra que a trupe contava cerca de trinta integrantes, incluía artistas negros genuínos entre os fictícios e se distinguia pelo fato de desfilar pelas ruas de cada cidade onde se apresentava.

Para esse John Lennon, ao contrário do neto que ele jamais conheceria, a música não trouxe fama mundial, mas foi um mero interlúdio exótico, cujos detalhes, em sua maioria, jamais chegariam aos ouvidos de seus descendentes. Em torno da virada do século, ele largou para sempre a estrada, voltou para Liverpool e retomou a antiga vida como escriturário, desta vez na companhia de navegação Booth. Com ele veio sua filha, Mary, único fruto de um primeiro casamento que não sobrevivera ao seu mergulho temporário no mundo da maquiagem com rolha queimada, música de banjo e aplausos.

Quando Mary o deixou para trabalhar como empregada doméstica, uma velhice solitária parecia estar reservada para Jack. Este, porém, escapou de tal destino ao casar com sua empregada, uma jovem irlandesa de Liverpool com o nome afortunadamente coincidente de Mary Maguire. Embora vinte anos mais moça e analfabeta, Mary - mais conhecida como Polly - se revelou uma perfeita esposa vitoriana, prática, trabalhadora e abnegada. Moravam em uma casa minúscula num conjunto de residências geminadas em Copperfield Street, em Toxteth, uma área da cidade apelidada de "Dickenslândia", tão numerosas eram ali as ruas batizadas com nomes dos personagens do escritor. Um tanto como Micawber em David Copperfield, Jack às vezes falava em voltar à vida de menestrel e ganhar o suficiente para que sua jovem esposa pudesse, como ele dizia, "peidar na seda". No entanto, dali em diante, sua atividade musical se restringiria aos pubs locais e ao seu próprio círculo familiar.

O casamento de Jack com Polly proporcionou-lhe uma segunda família com oito filhos. Dois morreram ainda bebês, o que a supersticiosa Polly atribuiu ao fato de terem sido batizados como católicos. Os outros seis receberam batismos protestantes e todos sobreviveram: cinco meninos - George, Herbert, Sydney, Alfred e Charles - e uma menina, Edith. Polly teve um trabalho heróico para alimentar a todos com o modesto salário de Jack. Mas sua dieta principalmente de pão, margarina, chá forte e lobscouse - um ensopado de carne e biscoito que faria com que os liverpudlianos ficassem conhecidos como scouses - carecia cronicamente de nutrientes essenciais. Isto afetou sobretudo o quarto menino, Alfred, nascido em 1912, que pouco depois de começar a andar contraiu raquitismo, o que prejudicou o desenvolvimento de suas pernas. O único tratamento conhecido pelos pediatras naqueles tempos era encaixar as pernas em suportes de ferro, na esperança de que o peso adicional promovesse o crescimento e o fortalecimento dos membros. Todavia, apesar dos anos que passou com o fardo dos suportes metálicos, as pernas de Alf permaneceram débeis e curtas, e ele não cresceu mais do que 1,62 metro. Ainda assim, era um rapaz bonito, com abundantes cabelos escuros, olhos alegres e o nariz característico da família Lennon, um bico fino virado para baixo com fendas acentuadas sobre as narinas.

O talento musical de Jack foi transmitido aos seus filhos em graus distintos. George, Herbert, Sydney, Charles e Edith eram cantores passáveis, e os meninos tocavam gaitas-de-boca, o único instrumento acessível a jovens naquelas circunstâncias. Alf, porém, revelava habilidade de ordem bem mais elevada, aliada ao que seu irmão Charlie (nascido em 1918) chamava de uma "vontade de se mostrar". Dava conta de todas as canções do teatro de variedades e das óperas ligeiras que freqüentavam a parada de sucessos da Primeira Guerra; sabia recitar baladas, contar anedotas e fazer imitações. Sua especialidade era Charlie Chaplin, o pequeno vagabundo anárquico cujos filmes cômicos haviam criado o fenômeno sem precedentes de um artista famoso no mundo inteiro. Em reuniões de família, Alf sentava-se no colo do pai com suas pernas de ferro e os dois cantavam juntos "Ave Maria", com lágrimas de emoção escorrendo pelo rosto.

Jack morreu de doença do fígado, provavelmente causada pelo alcoolismo, em 1921. Incapaz de sobreviver com a pensão de viúva proporcionada pelo Estado, de cinco xelins semanais por filho, Polly não teve outra saída senão lavar roupa para fora. Esse era um trabalho de quebrar as costas e escaldar as mãos: desde as quatro da manhã até o anoitecer, ela esfregava a roupa suja de cama e mesa de estranhos numa tábua de lavar e depois espremia os rolos de pano ensopado em uma pesada calandra de ferro. Ainda assim, lembra sua neta Joyce Lennon, a casa pequena e apertada estava sempre imaculada com "assoalhos nos quais dava para comer", o fogão e o forno religiosamente engrafitados toda segunda de manhã, a soleira na porta de entrada brunida até ficar quase branca e depois delineada em vermelho com uma lasca de arenito. Polly comandava seus cinco filhos como a sra. Joe em Grandes esperanças, não hesitando em castigá-los com uma correia de couro mesmo quando eram quase homens feitos. Como muitos liverpudlianos mais simples, ela tinha seu lado místico, acreditando ser médium, capaz de ler o futuro em cartas de baralho ou nos desenhos formados pelas folhas de chá no fundo de uma xícara.

Todavia, por mais que Polly trabalhasse duro, a tarefa de sustentar a prole de seis estava além de suas forças. Felizmente, encontrou-se um jeito de tirar Alf e Edith de suas mãos sem desagregar a família ou magoar seu feroz amor-próprio. Foram oferecidas a ambos vagas em regime de internato no Bluecoat Hospital, uma escola de caridade fundada em 1714 na Church Road, em Wavertree, nas proximidades de uma então obscura via pública chamada Penny Lane. Os alunos do Bluecoat ainda envergavam o uniforme adotado no século XVIII, de casaca azul com botões dourados, calções amarrados nos joelhos, meias e plastrão. O nível educacional era alto, a disciplina não era inclemente e qualquer criança ali admitida era considerada afortunada. A despeito disso, foi traumático para Alf e Edith deixar o lar confortável e limpo em Copperfield Street e a mãe adorada. Dos dois, o jovial Alf ajustou-se melhor à vida da instituição: saía-se bem nas lições, tornou-se o mascote do time de futebol e divertia os companheiros de dormitório com os mesmos esquetes de canto e dança e de Charlie Chaplin que costumava fazer para a família e os vizinhos.

Desde a mais tenra infância, seu desejo era seguir o pai na vida artística. Certa noite, já com catorze anos, isso quase se tornou realidade quando o irmão Sydney o levou ao Teatro Empire em Lime Street para ver uma trupe juvenil de canto e dança chamada Will Murray's Gang. Terminado o espetáculo, Alf, na base da conversa, entrou nos bastidores e fez uma apresentação improvisada para Will Murray, o diretor da trupe, que imediatamente lhe ofereceu um emprego. Quando seus irmãos Herbert e George, agora in loco parentis, se recusaram a aceitar a idéia, Alf fugiu do Bluecoat Hospital e juntou-se à Gang, que estava a caminho de Glasgow para a apresentação seguinte. Mas um professor do Bluecoat foi atrás dele, levou-o de volta e o submeteu a um ritual de humilhação diante de todos os colegas reunidos.

Um ano depois, o Bluecoat o jogou no mundo, equipado com uma boa formação, assim como dois ternos de calças compridas para confirmar seu ingresso no mundo adulto. Ele passou algumas semanas infelizes como contínuo antes de se dar conta de que uma carreira muito melhor - algo, na verdade, quase comparável a subir no palco - estava debaixo do seu nariz. Pois aquela era a época dourada dos transatlânticos de carreira, quando Liverpool competia com Southampton como o porto de passageiros mais movimentado da Grã-Bretanha. Enormes vapores com várias chaminés diariamente entravam pelo rio Mersey ao encontro de trens de luxo vindos de Londres, repletos de gente abastada, que chegava com casacos de pele e baús de viagem. Em Ranelagh Place, o esplêndido Hotel Adelphi acabara de ser construído para assegurar uma transição indolor entre a terra firme e o navio, com seu pátio de palmeiras com dimensões titânicas, seus quartos parecidos com apartamentos de luxo, suas fundas piscinas com trampolins, suas cabeleireiras e massagistas.

Assim, Alf se fez ao mar como mensageiro no S.S. Montrose. Era, como cedo descobriu, uma vida à qual parecia ter sido destinado. Sua natureza amistosa e jovial o tornou popular entre os passageiros e os oficiais superiores, e o manteve no lado certo da máfia homoss_xual que dirigia os departamentos de comidas e bebidas do navio. "Lennie" - assim era conhecido a bordo - logo foi promovido a garçom de restaurante nos navios de cruzeiro que faziam a rota entre Liverpool e o Mediterrâneo. Nas horas de folga, divertia os colegas com canções e imitações nas apertadas e fétidas cabines comunais ou no bar da tripulação, conhecido em cada navio como "o Porco e o Apito". Sua especialidade (que seu pai Jack sem dúvida teria apreciado) era enegrecer o rosto com graxa de sapato e "fazer" Al Jolson, o genial menestrel cujas versões piegas de "Mammy" e "Dixie" vendiam milhões de discos na década de 1920 e no início da seguinte.

De certa forma, ele podia considerar que sempre estava sob os refletores, tanto ao servir pratos requintados para os grã-finos com reluzente jaqueta e luvas de garçom, como ao cantarolar "Sonny Boy", de Al Jolson, apoiado num joelho, com as palmas das mãos juntas, para deleite dos colegas de bordo impregnados de cerveja, ou voltando para casa em Copperfield Street carregado das iguarias contrabandeadas do navio que são a dádiva divina de todo garçom de bordo. Entre viagens, também, num ou noutro bar junto às docas, sempre podia encontrar uma audiência ansiosa para se regalar com histórias sobre os lugares e povos exóticos que ele tinha visto e a picante vida a bordo de um jovem garçom solteiro.

Apesar de todas as suas histórias de aventuras a bordo e animadas folgas em terra, parece que só existiu uma mulher para Alf Lennon. A certa altura de 1928, não muito depois de ter deixado o Bluecoat Hospital, ele passeava por Sefton Park, resplandecente num dos seus dois ternos novos, envergando um imenso chapéu-coco e fumando um barato Wild Woodbine elegantemente preso na ponta de uma piteira. Sentada sozinha num banco ao lado do lago ornamental estava uma garota com cabelos ruivos fofos e a estrutura facial óssea de uma jovem Marlene Dietrich. Quando Alf se aproximou para puxar conversa com ela, foi recebido com rajadas de risos zombeteiros. Percebendo que seu exagerado chapéu-coco era a causa, ele o arrancou da cabeça e o mandou chapinhando para dentro do lago. Assim começou seu longo e conturbado relacionamento com Julia Stanley.

Em Julia - conhecida alternadamente como "Juliet", "Judy" ou "Ju" - o destino emparelhou Alf com uma personagem que, em seu desejo de glamour e ânsia de divertir, quase se igualava a ele. Também Julia possuía uma voz de cantora acima da média e, ao contrário de Alf, tinha prática como instrumentista. Seu avô, outro escriturário de Liverpool tomado pelo vírus do palco, lhe ensinara a tocar banjo; além disso, ela sabia se safar no acordeão e no uquelele.

O talento musical, a personalidade e a graça encantadora de Julia faziam dela uma óbvia candidata ao palco profissional. Mas a dura caminhada exigida por uma carreira sobre as tábuas não era para ela. Quando deixou a escola aos quinze anos, foi meramente para assumir um emprego tedioso numa gráfica. Rapidamente o largou e se tornou lanterninha no cinema mais luxuoso de Liverpool, o Trocadero, em Camden Street. Tal como o trabalho de Alf no mar, era uma vida de glamour por procuração, circulando entre tapetes espessos e luzes mortiças, vestida num atraente uniforme com jaqueta de botões trespassados e chapéu pequeno quadrado.

Sua bela estampa atraiu muitos admiradores, e até o gerente do Trocadero, um personagem magnífico que usava traje a rigor o dia inteiro, também fizera várias tentativas para cortejar sua lanterninha favorita, deixando meias ou chocolates de presente no armário dela. Para uma sereia dessas, Alf Lennon, com seu chapéu e suas pernas curtas de Chico Marx não parecia uma grande presa.


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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Concurso: TRT São Paulo - Tribunal Regional do Trabalho

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Concurso: TRT São Paulo - Tribunal Regional do Trabalho

O concurso público do TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho do Estado de São Paulo - 15ª Região) oferecerá salário inicial de até R$ 8.140,08 aos participantes aprovados nas 11 vagas de empregos disponibilizadas pelo edital do concurso.

Os interessados nos vários postos de trabalho deverão efetuar a inscrição pela Internet através do site www.concursosfcc.com.br até o dia 29/05/2009. Podem participar do concurso público pessoas que obtiveram a formação escolar mínima no ensino superior ou médio.


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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Trecho do Livro: O Mar de Monstros (continuação de O Ladrão de Raios)

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Trecho do Livro: O Mar de Monstros (continuação de O Ladrão de Raios) | Rick Riordan

O Mar de Monstros é o segundo volume da aclamada série Percy Jackson e Os Olimpianos, cujo primeiro livro é O Ladrão de Raios.

Livros Mar de Monstros Rick Riordan BooksLivro: O Mar de Monstros

Saiba onde encontrar este livro

Meu pesadelo começou assim. Eu estava numa rua deserta em alguma cidadezinha à beira-mar, no meio da noite. Havia uma tempestade. O vento e a chuva açoitavam as palmeiras ao longo da calçada. Edifícios de estuque cor-de-rosa e amarelo se enfileiravam na rua, as janelas fechadas com tábuas. A um quarteirão dali, depois de uma carreira de hibiscos, o mar estava revolto. Flórida, pensei. Embora não tivesse certeza de como sabia isso. Eu nunca estivera na Flórida. Então ouvi cascos chapinhando no calçamento. Virei e vi meu amigo Grover correndo para salvar sua vida. Sim, eu disse cascos.

Grover é um sátiro. Da cintura para cima, parece um adolescente comum e desengonçado, com uma barbicha igual a penugem de pêssego e um problema sério de acne. Ele caminha mancando de um jeito estranho, mas, a não ser que você por acaso o pegue sem calça (coisa que não recomendo), jamais saberá que existe algo de não humano nele. Jeans folgados e pés falsos disfarçam o fato de que ele tem cascos e um traseiro peludo.

Grover foi meu melhor amigo na sexta série. Junto com uma menina chamada Annabeth, tinha me acompanhado naquela aventura para salvar o mundo, mas eu não o via desde o último mês de julho, quando ele partira sozinho em uma perigosa missão — uma missão da qual nenhum sátiro jamais voltara.

De qualquer modo, em meu sonho, Grover corria, segurando seus sapatos humanos nas mãos como costuma fazer quando precisa se mover depressa. Passou batendo os cascos pelas pequenas lojas de suvenir e de aluguel de pranchas de surfe. O vento dobrava as palmeiras quase até o chão. Grover estava aterrorizado com algo que vinha atrás dele. Devia ter acabado de vir da praia. A areia molhada se prendia em torrões ao seu pelo. Tinha escapado de algum lugar. Estava tentando fugir de... alguma coisa.

Um rugido de fazer os ossos tremerem atravessou a tempestade. Atrás de Grover, do outro lado do quarteirão, surgiu uma figura sombria. Ela derrubou um poste de iluminação com um golpe violento. A lâmpada explodiu em um milhão de fagulhas. Grover cambaleou, choramingando de medo. Murmurou para si mesmo: “Preciso escapar. Preciso avisá-los!”

Não pude ver o que o perseguia, mas ouvi a coisa resmungando e praguejando. O chão estremeceu quando ela se aproximou. Grover se lançou em uma esquina e vacilou. Tinha entrado em um pátio sem saída cheio de lojas. Não havia tempo para voltar. A porta mais próxima fora arrombada pela tempestade. A placa acima da vitrine escura dizia: butique nupcial de Sto. Agostinho.

Grover disparou para dentro. Mergulhou atrás de uma arara cheia de vestidos de noiva. A sombra do monstro passou na frente da loja. Pude sentir o cheiro da coisa — uma combinação nauseante de lã de carneiro molhada, carne podre e aquele esquisitíssimo odor corporal azedo que só os monstros têm, como o de um gambá que comesse apenas comida mexicana.

Grover tremia atrás dos vestidos de noiva. A sombra do monstro seguiu em frente. Silêncio, a não ser pela chuva. Grover respirou fundo. Talvez a coisa tivesse ido embora. Então houve um clarão de relâmpago. Toda a fachada da loja explodiu, e uma voz monstruosa berrou: “meeeeeeu!”

Sentei-me na cama, ereto e tremendo. Não havia tempestade. Não havia monstro. O sol da manhã atravessava a janela do meu quarto. Pensei ter visto uma sombra se movendo rapidamente pelo vidro — uma forma humana. Mas então ouvi uma batida na porta do quarto — minha mãe chamou:

— Percy, você vai se atrasar.

E a sombra na janela desapareceu. Talvez tivesse sido minha imaginação. Uma janela no quinto andar, com uma escada de incêndio velha e instável do lado de fora... Não poderia haver ninguém lá.

— Venha, querido — minha mãe chamou de novo. — É o último dia de aula. Você deve estar empolgado! Está quase no fim!

— Estou indo — consegui dizer.

Apalpei embaixo do travesseiro. Meus dedos se fecharam de modo tranquilizador em volta da caneta esferográfica com a qual sempre dormia. Tirei-a de lá e estudei o que estava gravado na lateral, em grego antigo: Anaklusmos. Contracorrente.

Pensei em destampá-la, mas algo me conteve. Eu não usava Contracorrente havia tanto tempo... Além disso, minha mãe me fizera prometer que não usaria armas letais no apartamento depois que eu lançara um dardo de mau jeito e atingira seu armário de porcelanas. Pus Anaklusmos sobre a mesa-de-cabeceira e me arrastei para fora da cama. Eu me vesti o mais depressa que pude. Tentei não pensar no pesadelo, nem em monstros, nem na sombra à minha janela.

Preciso escapar. Preciso avisá-los! O que Grover queria dizer? Fiz uma garra de três dedos por cima do meu coração e puxei para fora — um antigo gesto que Grover me ensinara certa vez, para expulsar o mal. O sonho não podia ter sido real.

Último dia de aula. Minha mãe estava certa, eu devia estar empolgado. Pela primeira vez na minha vida eu praticamente terminara um ano sem ser expulso. Nenhum acidente esquisito. Nenhuma briga em sala de aula. Nenhum professor se transformando em monstro e tentando me matar com comida de cantina envenenada ou dever de casa que explodia. No dia seguinte eu estaria a caminho do meu lugar favorito em todo o mundo — o Acampamento Meio-Sangue.

Só faltava um dia. Certamente, nem eu conseguiria estragar tudo. Como de costume, eu não tinha idéia de como estava errado.

Minha mãe fez waffles azuis com ovos azuis para o café-da-manhã. Isso faz dela uma pessoa engraçada, comemorar ocasiões especiais com comida azul. Acho que é o jeito dela de dizer que tudo é possível. Percy pode terminar a sétima série. Waffles podem ser azuis. Pequenos milagres assim.

Comi à mesa da cozinha enquanto minha mãe lavava a louça. Ela estava usando seu uniforme de trabalho — saia azul estrelada e blusa listrada de vermelho e branco, que vestia para vender doces na confeitaria Doce América. Seus cabelos castanhos e compridos estavam presos em um rabo-de-cavalo.

Os waffles estavam uma delícia, mas acho que eu não os devorava como de costume. Minha mãe deu uma olhada e franziu a testa.

— Percy, você está bem?

— Sim... estou ótimo.

Mas ela sempre percebia quando algo me incomodava. Enxugou as mãos e sentou-se na minha frente.

— Escola ou...

Não precisava completar. Eu sabia o que ela estava perguntando.

— Acho que Grover está com problemas — falei, e contei a ela o sonho.

Ela contraiu os lábios. Não falamos muito sobre a outra parte da minha vida. Tentamos viver do modo mais normal possível, mas minha mãe sabia tudo sobre Grover.

— Eu não me preocuparia tanto, querido — disse ela. — Grover já é um sátiro crescido. Se houvesse um problema, estou certa de que teríamos notícias do... do acampamento... — Os ombros dela ficaram tensos quando ela falou a palavra acampamento.

— O que foi? — perguntei.

— Nada — disse ela. — Quer saber? Esta tarde vamos comemorar o fim das aulas. Vou levar você e Tyson para o Rockefeller Center... para aquela loja de skates de que você gosta.

Cara, aquilo era tentador. Estamos sempre batalhando por dinheiro. Entre as aulas da minha mãe à noite e a mensalidade da minha escola particular, nunca podíamos nos permitir coisas especiais, como comprar um skate. Mas algo na voz dela me incomodou.

— Espere aí — falei. — Pensei que hoje à noite fôssemos arrumar minhas coisas para o acampamento.

Ela torceu o pano de prato.

— Ah! querido, quanto a isso... Recebi uma mensagem de Quíron na noite passada.

Meu coração ficou apertado. Quíron era o diretor de atividades do Acampamento Meio-Sangue. Ele não faria contato a não ser que algo sério estivesse acontecendo.

— O que ele disse?

— Ele acha... que poderia não ser seguro você ir para o campo agora. Talvez tenhamos de adiar.

— Adiar? Mamãe, como poderia não ser seguro? Eu sou um meio-sangue! É, tipo, o único lugar seguro para mim neste mundo!

— Costuma ser, querido. Mas com os problemas que eles estão enfrentando...

— Que problemas?

— Percy... Sinto muito, muito mesmo. Esperava falar com você sobre isso esta tarde. Não posso explicar tudo agora. Não sei nem se Quíron pode explicar. Tudo aconteceu muito de repente.

Minha cabeça estava girando. Como eu poderia não ir para o acampamento? Queria fazer um milhão de perguntas, mas justamente nesse momento o relógio da cozinha bateu meia hora. Minha mãe pareceu quase aliviada.

— Sete e meia, querido. Você precisa ir. Tyson estará esperando.

— Mas...

— Percy, vamos conversar hoje à tarde. Vá para a escola.

Aquilo era a última coisa que eu queria fazer, mas minha mãe estava com aquela expressão frágil nos olhos — uma espécie de aviso, como se ela fosse chorar se eu a pressionasse demais. Além disso, ela estava certa quanto ao meu amigo Tyson. Precisava encontrá-lo na estação do metrô a tempo, ou ele ficaria zangado. Ele tinha medo de viajar embaixo da terra sozinho.

Juntei minhas coisas, mas parei na porta.

— Mamãe, esse problema no acampamento. Tem... poderia ter alguma coisa a ver com meu sonho com Grover?

Ela não me olhou nos olhos.

— Vamos conversar hoje à tarde, querido. Eu vou explicar... o que puder.

Eu me despedi dela, relutante. Corri escada abaixo para pegar o trem Número 2.

Eu não sabia então, mas minha mãe e eu nunca teríamos nossa conversa à tarde. Na verdade, eu não voltaria a ver nossa casa por um longo, longo tempo.

Quando saí, dei uma olhada para o edifício marrom do outro lado da rua. Só por um segundo vi uma forma escura à luz da manhã — uma silhueta humana contra a parede de tijolos, uma sombra que não pertencia a ninguém.

Então ela tremulou e desapareceu.

seta1210 Conheça o 3º livro de Percy Jackson: A Maldição do TitãLivro A Maldicao do Tita

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terça-feira, 14 de abril de 2009

Livros | Brasil: Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Abril 12, 2009

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Livros | Brasil: Lista dos livros mais vendidos no Brasil
Abril 12, 2009

O Estado de São Paulo

livros leite derramado chico buarque books

Ficção

01. LEITE DERRAMADO
Chico Buarque . leia um trecho do livro

02. A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro

03. CREPÚSCULO (1º livro da série)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

04. LUA NOVA (2º livro da série)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

05. ECLIPSE (3º livro da série)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

06. O VENDEDOR DE SONHOS
Augusto Cury . leia um trecho do livro

07. O LEITOR
Bernhard Schlink

08. O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
John Boyne . leia um trecho do livro

09. A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS
Markus Zusak

10. ANJOS E DEMÔNIOS
Dan Brown . leia um trecho do livro


livros mentes perigosas books

Não-Ficção

01. MENTES PERIGOSAS - O PSICOPATA MORA AO LADO
Ana Beatriz Barbosa Silva

02. COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro

03. O CÓDIGO DA INTELIGÊNCIA
Augusto Cury . leia um trecho do livro

04. VENCENDO O PASSADO
Zibia Gasparetto

05. A ARTE DA GUERRA
Sun Tzu . leia um trecho do livro

06. O MONGE E O EXECUTIVO
 James C. Hunter . leia um trecho do livro

07. QUEM ME ROUBOU DE MIM?
Fábio de Melo

08. UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro

09. 1808
Laurentino Gomes . leia um trecho do livro

10. MARLEY E EU
John Grogan . leia um trecho do livro


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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Concurso: TCM-Goiás - Tribunal de Contas dos Municípios

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Concurso: TCM-Goiás - Tribunal de Contas dos Municípios

O concurso público do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (GO) oferecerá salário inicial de até R$ 3.000,00 aos participantes que forem aprovados nas 65 vagas de trabalho disponibilizadas pelo edital.

Os interessados no emprego deverão efetuar a inscrição através da Internet pelo site www.msconcursos.com.br até o dia 05/05/2009. Podem participar do concurso pessoas que obtiveram a formação escolar no ensino superior ou médio.


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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Tutorial: Como Converter DVD para MP4, AVI e MPEG

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Tutorial: Como Converter DVD para MP4, AVI e MPEG (e também em outros formatos)

Antes de mais nada será necessário que você faça o download do programa XviD4PSP v5.036 (www.videohelp.com/download/XviD4PSP_5036_full.exe).

1) Instale o XviD4PSP. Após a instalação você poderá acessá-lo através da pasta "Winnydows".

2) Abra o programa. Depois, na parte superior da janela, clique em DVD e selecione a pasta ou o drive onde estão os arquivos do DVD. Clique em OK.

3) Na parte superior da janela que se abrirá você terá a opção de escolher um título em "Select title". Após a escolha clique em OK.

4) Caso apareça a janela "Select audio track" escolha uma das opções apresentadas em "Track" e depois clique em OK.

5) Na coluna esquerda da janela principal escolha a opção que melhor se encaixa ao tipo de arquivo que você deseja produzir. Exemplo: para obter um arquivo no formato MP4 você poderá escolher a seguinte configuração:

Format: MP4
Denoise/Sharpen: Disabled
Brightness/Contrast: Disabled
Video encoding: XviD HQ Extreme
Audio encoding: MP3 CBR 128k

6) Na parte superior da tela clique em Save e escolha em qual pasta você salvará o arquivo de vídeo, depois clique em Save.

7) Na parte superior da tela clique em Encode. O processo de conversão do vídeo iniciará, aguarde. Ao final da conversão clique em Close. Se a conversão ocorreu a contento, o seu arquivo MP4 (ou o outro formato que você escolheu) estará pronto.

É isso!

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terça-feira, 7 de abril de 2009

Drivers: Notebook HP Pavilion DV4-1180BR

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Drivers: Notebook HP Pavilion DV4-1180BR

Para obter os drivers para o Notebook HP DV4-1180BR clique no link abaixo, depois escolha o sistema operacional que você está usando em seu computador para exibir a lista de drivers disponíveis para o sitema. Estão disponíveis drivers para os seguintes sistemas operacionais: Microsoft Windows Vista, Microsoft Windows Vista (64-bit), Microsoft Windows XP, Microsoft Windows 2000 Pro e Microsoft Windows 2000.


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segunda-feira, 6 de abril de 2009

Trecho do Livro: Neoliberal, Não. Liberal | Carlos Alberto Sardenberg

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Trecho do Livro: Neoliberal, Não. Liberal | Carlos Alberto Sardenberg

Livros Neoliberal Nao Liberal Carlos Alberto Sardenberg BooksLivro: Neoliberal, Não. Liberal

Saiba onde encontrar este livro

Estamos no final dos anos 80. A China, em crescimento acelerado, já ocupa o espaço de uma futura potência econômica, tudo baseado em um modelo que combinava muita poupança, pouco consumo e muito investimento, intensa atração de capitais externos e notável espírito empreendedor interno, com as pessoas criando enorme variedade de empresas e negócios. Deng Xiaoping é o grande condutor dessa máquina de gerar empregos e riqueza. Mas também é alvo de críticas: como é que um partido comunista, herdeiro de Mao, pode conduzir o país na direção de uma economia de mercado?

Foi quando Deng deu conteúdo político e celebrizou no mundo todo um antigo provérbio chinês: “Não importa a cor do gato, se ele apanhar o rato, é um bom gato”.

Estamos agora em 11 de outubro de 2008, em Washington. Os dirigentes do Grupo dos Sete (G-7, que reúne os países mais ricos) ouvem a exposição de Richard Fischer, presidente da seção de Dallas do Federal Reserve, o banco central americano, sobre as providências para conter a devastadora crise financeira global. Quando alguém levanta a questão ideológica óbvia do momento, pois as ações anticrise se baseiam quase todas na ampliação do poder e do controle do governo sobre a economia privada, incluindo nacionalização parcial de bancos, Fischer não vacila: “Não importa a cor do gato...”.

Trata-se de uma boa ilustração destes tempos modernos. Nos dois casos, a sugestão é a mesma: esquecer a ideologia e introduzir o que funciona na prática. Mas em direções opostas. Deng se convencera de que só a economia de mercado conduziria a China ao crescimento e a mais bem-estar. Fischer e todas as autoridades monetárias do mundo estavam certas de que só o dinheiro grande do governo poderia salvar o sistema financeiro.

Esse é o tema central deste livro, o pêndulo oscilando entre economia de mercado e Estado, entre livre-iniciativa e comando do governo. Trata-se de um debate que assumiu formas diferentes ao longo da História.

Até o final dos anos 80, quando a China já acelerava, o tema principal separava capitalismo e socialismo (ou comunismo), a versão econômica da guerra fria na política. Com o colapso dos países da órbita soviética, tão rápido quanto surpreendente, o mundo chegou a uma primeira conclusão, depois de duzentos anos de idéias socialistas ou de controle estatal da produção. Não funcionam. Como ficou evidente, ali onde houve capitalismo houve extraordinária criação de riqueza – do que Deng se convencera ainda nos anos 70.

Assim, uma questão subsidiária passou a ser a principal: qual modelo de capitalismo é o mais eficiente para gerar forte crescimento econômico e melhor distribuição de renda.

É disso que se trata hoje, mesmo que remanescentes do socialismo queiram enxergar na crise financeira de 2008 o colapso do capitalismo. Alguns chegaram a dizer que a falência do banco Lehman Brothers estava para o capitalismo assim como a queda do muro de Berlim esteve para o socialismo. Bobagem.

A montanha de dinheiro que os governos colocaram nos mecanismos de crédito e o aumento do controle do Estado sobre os bancos e o sistema financeiro em geral não resultaram de uma decisão política de estatizar ou nacionalizar. Foi a escolha do único gato disponível.

A falta de dinheiro (e, pois, de crédito para pessoas e empresas) foi tão radical, a ameaça de insolvência dos bancos tão aterradora, que só uma instituição com recursos quase infinitos poderia oferecer o crédito, as garantias e a confiança no tamanho necessário: o governo.

Como qualquer instituição, o governo pode tomar empréstimos. Mas só o governo cobra impostos e, sobretudo, emite a moeda. Por isso, pode tomar empréstimos em volume muitíssimo maior. Por exemplo, nos momentos de ansiedade, investidores do mundo inteiro compram títulos do governo americano, colocam seu dinheiro no país que está na origem e no coração da crise.

Por que fazem isso? Porque o governo dos EUA pode quebrar, mas quebra depois dos bancos e das empresas. Porque o capitalismo talvez um dia acabe, mas o último lugar em que acabará será nos EUA.

Isso vale para os governos dos países mais poderosos economicamente, cujas moedas são dominantes na cena global. Por outro lado, só o Estado, por suas instituições, Executivo, Congresso e Judiciário, pode mudar as regras para permitir novas abordagens da crise. Isso foi feito por toda parte. Bancos que não podiam receber dinheiro dos bancos centrais passaram a poder. Bancos centrais que não podiam comprar títulos de empresas passaram a poder. Governos que não podiam ser sócios de bancos passaram a poder.

Por isso mesmo, é o argumento que se encontra em toda a mídia, teria sido provado que o modelo de capitalismo liberal, à americana, foi derrotado pela crise. É a face mais visível do debate teórico em torno do tsunami financeiro e da recessão.

Ocorre que à derrocada final do socialismo, no final dos anos 80, seguiu-se um triunfo ideológico do capitalismo à americana, em detrimento dos modelos europeu e asiático, mais intervencionistas.

O colapso de Wall Street desfechou uma espécie de sentimento de vingança ou algo para o que os alemães têm a palavra exata: Schadenfreude – o sentimento de satisfação ou alegria com o sofrimento dos outros.

Líderes de toda parte apontavam o dedo para os EUA e diziam: a crise é americana, é merecida pelos seus excessos, e eles que se virem. Autoridades econômicas chinesas iniciaram sua participação em reuniões internacionais com uma frase que correu o mundo: “Parece que os professores estão com alguns problemas...”.

Notaram-se curiosas concordâncias. O presidente Lula, largamente reconhecido como a liderança da esquerda responsável, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, tido como o melhor representante da direita moderna, poderiam ter trocado os discursos. Ambos denunciaram o excesso de liberalismo, o individualismo, a ganância, a especulação, a falta de ética, o cassino financeiro. Laissez faire nunca mais, disse Sarkozy, com Lula assinando embaixo.

É certo que a crise abalou os alicerces americanos. Mesmo Alan Greenspan, o maestro dos mercados livres, declarou-se terrivelmente chocado com o resultado dessa falta de regulação. Claramente, disse, o sistema financeiro não funcionou.

Lógico, portanto, que o pêndulo se desloque para o lado dos que se alinham com a socialdemocracia, o trabalhismo, a economia social de mercado, o Estado do Bem-Estar. Nos EUA, é o triunfo dos que lá são chamados de liberais, os democratas de Barack Obama, sempre favoráveis à maior regulação dos mercados, sempre desconfiados do “big oil”, “big pharma”, “big business”.

Seria o triunfo da esquerda se ali não estivessem representantes da direita e, para dizer a verdade, se ali não estivesse todo mundo.

De qualquer maneira, é claro que o mundo, hoje todo capitalista, dá uma guinada para o modelo de maior intervenção, e isso ocorre mesmo depois de superada a fase aguda da crise financeira.

Não será a primeira vez. No século passado, o mundo oscilou entre mais abertura e mais controle governamental. Depois da crise de 1930, por exemplo, os países, Estados Unidos na frente, optaram pelos controles gerais sobre a economia, inclusive de preços, e pelo protecionismo comercial.

Não foi uma boa coisa. Não foi por isso que se superou a crise. Muito menos foi assim que o mundo voltou a crescer.

Ao contrário, as mais espetaculares fases de crescimento mundial se deram sob a égide das práticas mais liberais – liberal no sentido europeu, que observamos por aqui.

Na verdade, o momento mais brilhante da economia mundial moderna ocorreu no início deste século XXI, no auge da globalização. Todas as regiões cresceram acima do seu potencial histórico. Considerando dos anos 90 para cá, ou do fim do socialismo para cá, foi o período de maior crescimento da renda e de maior redução da pobreza. Mesmo com aumento da desigualdade em muitos lugares, a vida melhorou para quase todos, como mostram os números do crescimento do consumo de produtos essenciais para o dia-a-dia, de biscoito a geladeiras. Foi também o período em que um maior número de pessoas passou a viver sob regimes democráticos.

Por ironia da História, um dos instrumentos desse crescimento foi justamente a extraordinária expansão do sistema financeiro moderno. Para que serve um banco? Para captar poupança onde está disponível e alocar recursos ali onde há demanda por consumo e investimentos.

O sistema moderno, graças à tecnologia da informação e à falta de regulação em muitos sistemas, elevou essa capacidade a um nível nunca visto. Ou seja, multiplicou-se muitas vezes a capacidade de emprestar – e emprestar para pessoas comprarem casas e carros e para empresas produzirem esses bens.

Foi assim que fundos de investimento do Canadá tomaram dinheiro emprestado no Japão e compraram ações de empresas brasileiras, que usaram esse capital para produzir álcool ou construir apartamentos. Foi assim que a Vale pôde tomar financiamentos para comprar empresas no Canadá. Nos Estados Unidos, o sistema permitiu que os consumidores pendurassem nos cartões de crédito compras de US$ 1,3 trilhão. Esse é o tamanho do débito das famílias americanas, hoje, com muitos analistas achando que 30% são de má qualidade.

Mas para onde foi esse dinheiro? Para a brasileira Alpargatas, por exemplo, que vende suas Havaianas por lá. A dívida dos americanos no cartão de crédito financiou fábricas e empregos no mundo todo.

No ano de 2008, o pior momento da crise, os americanos estão comprando mais de 500 mil casas novas. Há nelas madeira brasileira, chinesa e indonésia, aço idem.

Eis por que a Schadenfreude teve vida curta. Logo, ficou evidente que a crise não era só americana, era mundial, pois todos haviam participado, de um modo ou de outro, da tal farra do crescimento. Se o período de crescimento, inclusive do crédito, beneficiou todo mundo, estava na cara que uma quebra desse sistema financeiro quebraria todo mundo.

Note-se que os países que menos sofrem são aqueles que menos participaram da festa. Por exemplo, o sistema financeiro brasileiro correu menos riscos, mas por isso mesmo empresta muito menos para as pessoas e empresas, e a juros mais caros. Ao contrário do que ocorreu nos Estados Unidos e em muitos outros países, com financiamento abundante e barato.

Repetindo: nos EUA, no pior ano do sistema financeiro, estão vendendo mais de 500 mil casas novas. No Brasil, no melhor ano, 2008, quase chegaremos a 300 mil, uma diferença grande, mesmo considerando que a população brasileira equivale a dois terços da americana. É o caso de perguntar: qual o melhor sistema, aquele que empresta dinheiro para 1 milhão de famílias comprarem casas novas por ano, nos bons momentos, das quais 20%, no pior momento, não conseguirão pagar, ou um sistema todo regulamentado e carimbado, que empresta para 250 mil famílias, das quais 7% não pagam?

Em todo sistema financeiro, os empréstimos têm de ser garantidos por determinada quantia de capital. Em sistemas prudentes, clássicos, um banco empresta pouco mais de dez vezes o seu capital. Bancos globais, desregulamentados ou com capacidade para driblar as regras, emprestaram muito mais. Para conseguir isso, criaram um complexo sistema de trocas de papéis, vendas de seguros e garantias, com o propósito de dividir o risco.

Quando uma parte dos tomadores de crédito parou de pagar, o sistema não ficou de pé. Verificou-se que o risco dividido não havia sido diminuído, mas multiplicado e se espalhado por todo o sistema. Deu no maior colapso financeiro.

É preciso agora restabelecer o sistema financeiro e controlar os óbvios excessos e falhas. Mas que são óbvios só agora. Quando o mundo todo crescia, quando o consumo se expandia a índices espetaculares, com inflação baixa, seria preciso um banco central com muita moral e muita força para dizer: pessoal, isso aqui vai dar errado daqui a alguns anos, de modo que nós vamos cortar o crédito para todos a partir de agora. Não houve esse banco central, e o mundo avançou até a crise.

Este livro trata de todos esses temas – modelos de capitalismo, governo e empreendedorismo individual, empresas privadas e estatismo, direitos individuais e coerções coletivas, direita x esquerda, riqueza e distribuição de renda.

Mas foi todo escrito antes da eclosão da fase aguda da crise financeira de 2008. Daí esta longa introdução. Para dizer que considero de pé as teses centrais aqui expostas e que podem ser assim resumidas: quanto mais capitalismo, melhor; quanto mais mercado livre, melhor.

Ou alguém acha que o governo brasileiro, por causa da crise, tornou-se mais competente do que, digamos, Amador Aguiar ou Olavo Setubal ou Walther Moreira Salles para construir um banco? É certo que bancos privados quebraram aqui – e o governo, FHC, na época, colocou dinheiro do contribuinte para salvar o sistema, o que deu certo. Algo, aliás, que devemos, principalmente, a Gustavo Loyola, presidente do Banco Central nos piores momentos da crise bancária.

Aliás, já houve outras crises financeiras pelo mundo, e mesmo governos conservadores já fizeram isso que se faz hoje, que é colocar dinheiro público para salvar bancos e, pois, seus clientes, seus investidores, credores e tomadores, e não os banqueiros.

E convém notar que todos os bancos públicos brasileiros, federais e estaduais, todos, já quebraram, alguns mais de uma vez, e só não faliram porque o governo, o contribuinte, compareceu ao caixa.

Aliás, passada a fase do “danem-se os americanos”, notem que as autoridades pelo mundo afora estão dizendo: é uma intervenção momentânea, o sistema privado será preservado tão logo esteja restabelecida a confiança.

Tomara. O gato de Deng foi a economia de mercado. O gato de hoje é a intervenção dos governos. Será bom se conseguir restabelecer o sistema e deixar a cena. Para o Brasil, em especial, uma onda de protecionismo mundial será o pior que pode acontecer. Os capítulos deste livro são baseados em artigos escritos semanalmente em O Estado de S. Paulo e O Globo. Não se trata de uma reprodução, mas de uma ampla reedição. Tive nisso a inestimável colaboração da jornalista Renata Pedini, colega de CBN.

Mas é claro que a responsabilidade é toda minha. Bom proveito.

Capítulo 1 - Casos brasileiros: o marreteiro, o gringo e Antonio Ermírio

Mas esse gringo é brasileiro.

A notícia foi muito bem recebida por aqui: no início de 2008, o empresário David Neeleman, que já fundou três companhias aéreas nos EUA, uma das quais a revolucionária JetBlue, anunciou a criação da quarta, no Brasil. Além do dinheiro próprio que traz dos EUA, Neeleman recolheu mais investimentos externos, de George Soros e de um fundo de São Francisco, o Weston Presidio, aos quais se juntarão, minoritariamente, acionistas brasileiros.

Portanto, o que temos? São capitalistas estrangeiros desembarcando no Brasil para competir no mercado local, que é um duopólio, controlado pela Tam e Gol/Varig. Logo, é de fato boa notícia, sobretudo porque a nova companhia vai voar com jatos da Embraer, desprezados pelas empresas brasileiras.

Não poderia ser melhor exemplo dos efeitos positivos dos investimentos estrangeiros. O negócio de Neeleman traz capital, tecnologia, expertise, encomendas para empresas locais, gera empregos e cria uma competição que vai beneficiar todos os passageiros.

Mas, esperem um pouco. Isso pode?

Lembrem-se, a lei brasileira, para proteger o mercado da invasão predatória dos imperialistas, determina que só brasileiros podem ser donos de companhias aéreas e que os estrangeiros podem ter no máximo 30% do capital. Na empresa de Neeleman será o contrário, os brasileiros terão menos de 30%.

Ilegal, não fosse um detalhe.

Lá atrás, os pais de David Neeleman passaram um tempo no Brasil e aconteceu de o menino nascer no Rio de Janeiro. E quem nasce no Brasil é brasileiro.

Mas David é também norte-americano. Na verdade, é essencialmente norte-americano. Fez sua vida nos EUA, abriu seus negócios lá, ganhou dinheiro lá, nunca teve atividade empresarial no Brasil. Do prisma econômico, digamos assim, a questão não deixa dúvidas: trata-se de um empresário estrangeiro que traz dinheiro de fora para entrar num negócio reservado a brasileiros. Só é legal por acaso, o que evidencia o absurdo da situação e da lei.

Imaginemos que os pais de David tivessem decidido ter o filho nos EUA, lá perto de sua família, e que a história posterior seguisse exatamente a mesma. Teriam voltado ao Brasil com o bebê, que cresceria pelo Rio de Janeiro nos primeiros anos e depois seguiria para tocar a vida e os negócios nos EUA. Teria feito tudo exatamente igual, três companhias aéreas, a JetBlue, e teria até mesmo mantido interesse e afeição pelo Brasil. E aí resolveria fundar sua companhia aérea brasileira.

Não pode, diriam nossas autoridades, o senhor é um gringo e não pode vir aqui tomar mercado de nossos compatriotas.

O país ficaria sem todos os benefícios óbvios que a nova companhia vai trazer. E quantos outros bons negócios estará perdendo por conta desses acasos e da lei?

O marreteiro

Tomo um táxi em São Paulo, carro novinho em folha, com GPS, motorista educado.

Congestionamento vai, conversa vem, ele me conta que estava havia pouco tempo com o táxi, ia bem, mas bom mesmo era o negócio que ele tinha antes e com o qual “dona Marta acabou”.

– Qual?

– Eu era marreteiro, vendia vale-transporte.

Resumo: ele comprava vale-transporte, no tíquete de papel, a R$ 1,70 e vendia a R$ 2, para uma passagem de ônibus que custava R$ 2,30.

O mercado se formou porque a lei determina a concessão do benefício a todos os empregados com carteira assinada. Muitos não o utilizavam, nem tinham para quem dar, de modo que havia uma oferta. A demanda era óbvia, todo mundo que pegava ônibus e, especialmente, que não tinha carteira assinada.

O negociante precisava de boas conexões para alcançar quem tinha os vales de sobra e um bom local para vendê-los. No caso do nosso taxista, uma boa banca em um local de enorme movimento de passageiros, a estação Itaquera do metrô, na zona Leste da capital paulista.

Pergunto:

– Mas como você se instala? Vai ali e arma a banca?

– Não, que é isso?! Você precisa comprar o ponto.

– Mas de quem você compra?

– De quem estava lá. O dono precisa te apresentar para os demais marreteiros do local e avisar que dali em diante você fica com a banca. Não tem papel, não tem nada, mas todo mundo respeita.

Nosso taxista pagou 5 mil reais pelo seu ponto, em dinheiro. Obteve bom retorno.

– Teve mês que vendi 60 mil passes.

Calculo e me espanto: a trinta centavos por passe, isso dá 18 mil reais!

– Menos – ele explica –, porque em lote grande a gente dava desconto e tinha de dar boa comissão para os intermediários (pessoas que sabiam onde encontrar vendedores, mas não tinham capital nem ponto-de-venda). – Mas teve mês que levei pra casa mais de 12 mil reais. E eu tinha ampliado o negócio.

Na verdade, ele havia diversificado: passara a vender suco de laranja.

– E dava dinheiro?

– Dava uns vinte reais por saco de laranja, isso limpo, depois de pagar a laranja, os funcionários, a energia, os copinhos, o gelo. Em dia bom, de calor, vendia de doze a quinze sacos.

– Funcionários?

– Claro, não dava para tocar sozinho os dois negócios.

– Bom – pergunto –, e o que dona Marta estragou?

– Quando ela lançou o bilhete único, eletrônico, que não tem como negociar. E só com a laranja não valia a pena.

Mas o ponto valia. Nosso taxista passou adiante por R$ 5,5 mil. Com mais sua poupança, comprou o táxi à vista.

– Mas se descobrir um jeito de negociar o bilhete eletrônico, volto a ser marreteiro.

Fiquei imaginando: o bilhete único é um avanço, mas, gente, que capacidade empreendedora, que organização desse mercado! Deveria haver um jeito de aproveitar esse pessoal. Um ambiente de negócios mais favorável ao empreendedor privado, de modo que fosse mais simples e mais barato montar negócios formais, mesmo que fosse o comércio de vale-transporte, certamente ajudaria a atividade econômica e o emprego.

Fico imaginando: se fosse possível criar um título formal de propriedade das bancas, a pessoa poderia utilizar isso como colateral num financiamento, por exemplo, de casa própria. O marreteiro tem propriedade, tem renda, mas não pode utilizar isso para alavancar negócios ou consumo.

Além disso, como informal, não pode crescer além de uma barraca nova de laranja. E aquele empreendedor, como certamente muitos e muitos outros, tem capacidade de gerar riqueza e empregos.

Adam Smith vive aqui

O Jornal da Globo, da TV Globo, realizou uma reportagem em dezembro de 2007 que deveria ser gravada em CD e distribuída entre políticos, economistas, cientistas políticos e sociólogos, com o seguinte título: “Receita de crescimento com inclusão”.

A reportagem trata de um caso crítico: acesso aos computadores e, mais especialmente, à internet de banda larga. Nas classes D e E, apenas 2% das famílias têm acesso à rede em casa, o que cria uma enorme desvantagem para seus estudantes e trabalhadores. Vai daí que “inclusão digital” é objeto de inúmeros programas de governo, de eficácia duvidosa.

Mas que tal garantir acesso à rede, na banda larga, por dois reais a hora, bem pertinho de casa? Isso certamente inclui muitas pessoas dos bairros mais pobres. É o que mostra a reportagem.

História exemplar: Eliane Portela, moradora na favela de Heliópolis, na zona Sul de São Paulo, comprou quatro computadores, instalou na sua casa (depois de desfazer a cozinha), assinou banda larga e, pronto, eis uma lan house. A demanda era evidente e se confirmou: os computadores não param, a sala está sempre lotada, há filas de dia e de noite.


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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Concurso: Fuzileiro Naval da Marinha do Brasil

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Concurso: Fuzileiro Naval da Marinha do Brasil

O concurso público da Marinha Brasileira oferecerá salário inicial (soldo) de R$ 465,00 para os candidatos admitidos no curso de formação dos fuzileiros navais, e salário inicial de R$ 1.000,00 aos soldados que completarem o curso e forem nomeados fuzileiros. São 1.520 vagas de emprego.

Podem participar aqueles que, no mínimo, possuem a graduação escolar no ensino fundamental. Os interessados devem realizar a inscrição para o concurso até o dia 30/04/2009. Mais informações podem ser obtidas pela internet através do endereço a seguir: www.mar.mil.br/cgcfn


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quinta-feira, 2 de abril de 2009

Livros | Brasil: Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Março 29, 2009

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Livros | Brasil: Lista dos livros mais vendidos no Brasil
Março 29, 2009

O Estado de São Paulo

livros a cabana william p young books

Ficção

01. A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro

02. CREPÚSCULO (1º livro da série)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

03. LUA NOVA (2º livro da série)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

04. ECLIPSE (3º livro da série)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

05. O VENDEDOR DE SONHOS
Augusto Cury . leia um trecho do livro

06. O LEITOR
Bernhard Schlink

07. O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
John Boyne . leia um trecho do livro

08. WATCHMEN
Alan Moore e Dave Gibbons

09. ANJOS E DEMÔNIOS
Dan Brown . leia um trecho do livro

10. SUA RESPOSTA VALE UM BILHÃO (Quem Quer Ser Um Milionário?)
Vikas Swarup . leia um trecho do livro


livros comer rezar amar elizabeth gilbert books

Não-Ficção

01. COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro

02. MENTES PERIGOSAS - O PSICOPATA MORA AO LADO
Ana Beatriz Barbosa Silva

03. O CÓDIGO DA INTELIGÊNCIA
Augusto Cury . leia um trecho do livro

04. O MONGE E O EXECUTIVO
 James C. Hunter . leia um trecho do livro

05. A ARTE DA GUERRA
Sun Tzu . leia um trecho do livro

06. QUEM ME ROUBOU DE MIM?
Fábio de Melo

07. O SEGREDO
Rhonda Byrne

08. MARLEY E EU
John Grogan . leia um trecho do livro

09. A CABEÇA DE STEVE JOBS (o dono da Apple)
Leander Kahney . leia um trecho do livro

10. MARILYN E JFK
François Forestier


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Trecho do Livro: Leite Derramado | Chico Buarque

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Trecho do Livro: Leite Derramado | Chico Buarque

Livros Leite Derramado Chico Buarque BooksLivro: Leite Derramado

Saiba onde encontrar este livro

Quando eu sair daqui, vamos nos casar na fazenda da minha feliz infância, lá na raiz da serra. Você vai usar o vestido e o véu da minha mãe, e não falo assim por estar sentimental, não é por causa da morfina. Você vai dispor dos rendados, dos cristais, da baixela, das jóias e do nome da minha família. Vai dar ordens aos criados, vai montar no cavalo da minha antiga mulher. E se na fazenda ainda não houver luz elétrica, providenciarei um gerador para você ver televisão. Vai ter também ar condicionado em todos os aposentos da sede, porque na baixada hoje em dia faz muito calor. Não sei se foi sempre assim, se meus antepassados suavam debaixo de tanta roupa. Minha mulher, sim, suava bastante, mas ela já era de uma nova geração e não tinha a austeridade da minha mãe. Minha mulher gostava de sol, voltava sempre afogueada das tardes no areal de Copacabana. Mas nosso chalé em Copacabana já veio abaixo, e de qualquer forma eu não moraria com você na casa de outro casamento, moraremos na fazenda da raiz da serra. Vamos nos casar na capela que foi consagrada pelo cardeal arcebispo do Rio de Janeiro em mil oitocentos e lá vai fumaça. Na fazenda você tratará de mim e de mais ninguém, de maneira que ficarei completamente bom. E plantaremos árvores, e escreveremos livros, e se Deus quiser ainda criaremos filhos nas terras de meu avô. Mas se você não gostar da raiz da serra por causa das pererecas e dos insetos, ou da lonjura ou de outra coisa, poderíamos morar em Botafogo, no casarão construído por meu pai. Ali há quartos enormes, banheiros de mármore com bidês, vários salões com espelhos venezianos, estátuas, pé-direito monumental e telhas de ardósia importadas da França. Há palmeiras, abacateiros e amendoeiras no jardim, que virou estacionamento depois que a embaixada da Dinamarca mudou para Brasília. Os dinamarqueses me compraram o casarão a preço de banana, por causa das trapalhadas do meu genro. Mas se amanhã eu vender a fazenda, que tem duzentos alqueires de lavoura e pastos, cortados por um ribeirão de água potável, talvez possa reaver o casarão de Botafogo e restaurar os móveis de mogno, mandar afinar o piano Pleyel da minha mãe. Terei bricolagens para me ocupar anos a fio, e caso você deseje prosseguir na profissão, irá para o trabalho a pé, visto que o bairro é farto em hospitais e consultórios. Aliás, bem em cima do nosso próprio terreno levantaram um centro médico de dezoito andares, e com isso acabo de me lembrar que o casarão não existe mais. E mesmo a fazenda na raiz da serra, acho que desapropriaram em 1947 para passar a rodovia. Estou pensando alto para que você me escute. E falo devagar, como quem escreve, para que você me transcreva sem precisar ser taquígrafa, você está aí? Acabou a novela, o jornal, o filme, não sei por que deixam a televisão ligada, fora do ar. Deve ser para que esse chuvisco me encubra a voz, e eu não moleste os outros pacientes com meu palavrório. Mas aqui só há homens adultos, quase todos meio surdos, se houvesse senhoras de idade no recinto eu seria mais discreto. Por exemplo, jamais falaria das p_tinhas que se acocoravam aos faniquitos, quando meu pai arremessava moedas de cinco francos na sua suíte do Ritz. Meu pai ali muito compenetrado, e as cocotes nuinhas em postura de sapo, empenhadas em pinçar as moedas no tapete, sem se valer dos dedos. A campeã ele mandava descer comigo ao meu quarto, e de volta ao Brasil confirmava à minha mãe que eu vinha me aperfeiçoando no idioma. Lá em casa como em todas as boas casas, na presença de empregados os assuntos de família se tratavam em francês, se bem que, para mamãe, até me pedir o saleiro era assunto de família. E além do mais ela falava por metáforas, porque naquele tempo qualquer enfermeirinha tinha rudimentos de francês. Mas hoje a moça não está para conversas, voltou amuada, vai me aplicar a injeção. O sonífero não tem mais efeito imediato, e já sei que o caminho do sono é como um corredor cheio de pensamentos. Ouço ruídos de gente, de vísceras, um sujeito entubado emite sons rascantes, talvez queira me dizer alguma coisa. O médico plantonista vai entrar apressado, tomar meu pulso, talvez me diga alguma coisa. Um padre chegará para a visita aos enfermos, falará baixinho palavras em latim, mas não deve ser comigo. Sirene na rua, telefone, passos, há sempre uma expectativa que me impede de cair no sono. É a mão que me sustém pelos raros cabelos. Até eu topar na porta de um pensamento oco, que me tragará para as profundezas, onde costumo sonhar em preto-e-branco.


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